Assunção
da Virgem Santa Maria
Missa
da Vigília
14 de Agosto de 2006
Solenidade
Esta Missa utiliza-se na tarde do dia 14 de Agosto,
antes ou depois das Vésperas I da solenidade.
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Sois a escada de luz, Az. Oliveira,
NRMS 33-34
Antífona
de entrada: Grandes coisas se
dizem de Vós, ó Virgem Santa Maria, que hoje fostes exaltada
sobre os coros dos Anjos e triunfais com Cristo para sempre.
Diz-se o Glória.
Introdução ao
espírito da Celebração
Bendita és tu, Maria!
Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo,
glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze
estrelas…
Oração
colecta: Senhor nosso Deus, que, olhando para a humildade da Virgem Maria, a
elevastes à dignidade de ser Mãe do Verbo Encarnado e neste dia a coroastes de
glória, concedei-nos, por sua intercessão, que, salvos pelo mistério da
redenção, mereçamos ser por Vós glorificados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo,
vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: A Arca da Aliança era para Israel o sinal da
presença de Deus. no meio 'do
Seu Povo. Maria, como Mãe de Deus, é a Arca da nova Aliança. Ora, assim como a
Arca da Aliança foi solenemente levada para o templo de Jerusalém, assim Maria
foi introduzida triunfalmente na Jerusalém celeste e associada, intimamente, à
vitória de Cristo sobre a morte.
1 Crónicas 15, 3-4.15-16 16, 1-2
Naqueles dias, 3David
reuniu em Jerusalém todo o povo de Israel, a fim de trasladar a arca do Senhor
para o lugar que lhe tinha preparado. 4Convocou também os
descendentes de Aarão e os levitas. 15Os levitas transportaram então a arca
de Deus, por meio de varas que levavam aos ombros, conforme tinha ordenado
Moisés, segundo a palavra do Senhor. 16David ordenou aos chefes dos
levitas que dispusessem os seus irmãos cantores, para que, acompanhados por
instrumentos de música – cítaras, harpas e címbalos – ,
entoassem as suas alegres melodias. 1Assim trasladaram a arca de
Deus e colocaram-na no meio da tenda que David mandara levantar para ela. 2Depois
ofereceram, diante de Deus, holocaustos e sacrifícios de comunhão. Quando David
acabou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, abençoou o povo
em nome do Senhor.
A liturgia vê no solene e festivo transporte da Arca da Aliança de Quiriat-Iarim para a cidade de Jerusalém, conquistada aos jebuseus por David, a figura da entrada de Maria, em corpo e alma, no Céu. A Arca era o símbolo da presença de Deus no meio do seu povo. A Igreja louva Maria com o título de Arca da Aliança. Há exegetas que vêem na visita da Virgem Maria a Isabel ressonâncias deste relato, que justificam este título bíblico atribuído à Virgem Maria.
Salmo Responsorial Sl 131 (132), 6-7.9-10.13-14 (R. 8)
Monição: O Salmo 131 é um convite a louvarmos o
Senhor que escolheu Sião para sua morada. Maria é a nova Sião onde o Filho de
Deus fará a Sua morada entre nós.
Refrão: Levantai-Vos,
Senhor, e entrai no vosso repouso,
Vós e a arca da vossa
majestade.
Ouvimos dizer que a
arca estava em Éfrata,
encontrámo-la nas campinas de Jaar.
Entremos no seu
santuário,
prostremo-nos a seus pés.
Revistam-se de justiça
os vossos sacerdotes,
exultem de alegria os vossos fiéis.
Por amor de David,
vosso servo,
não afasteis o rosto do vosso Ungido.
O Senhor escolheu
Sião,
preferiu-a para sua morada:
«É este para sempre o
lugar do meu repouso,
aqui habitarei, porque o escolhi».
Segunda Leitura
Monição: S. Paulo convida-nos odor graças a Deus pela
nossa vitória sobre a morte, alcançada por nós como um fruto da glorificação de
Cristo. Desta vitória de Cristo Ressuscitado, participou Maria, que tão
estreitamente estivera unida ao Salvador, na obra da Redenção.
1 Coríntios 15, 54b-57
Irmãos: 54bQuando
este nosso corpo mortal se tornar imortal, então se realizará a palavra da
Escritura: «A morte foi absorvida na vitória. 55Ó morte, onde está a
tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?». 56O aguilhão da
morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. 57Mas dêmos graças a Deus, que nos dá esta vitória por Nosso
Senhor Jesus Cristo.
56 «O aguilhão da morte é o pecado». S. Paulo apresenta a morte personificada, a picar com o ferrão, isto é, a exercer o seu domínio sobre a humanidade: ao sermos feridos pelo pecado, morremos. Como se vê, isto está dito de modo figurado. «A força do pecado é a Lei». A Lei de Moisés, ao tornar mais patentes as obrigações, sem conceder a força para fazer o bem, dava força ao pecado, isto é, tornava-se ocasião de pecado (cf. Rom 7, 7-8).
57 «A vitória por N. S. J. Cristo»: Jesus, dando pleno cumprimento à Lei antiga, que exigia a morte do pecador, não só venceu a morte com a sua própria morte, como também arrebatou à morte o seu poder mortífero – «o aguilhão» –, isto é, o pecado, que feria a humanidade e a submetia à morte.
Aclamação ao
Evangelho Lc 11, 28
Monição: Maria foi bem-aventurada, foi feliz, por ter
sido escolhida para Mãe de Deus. Contudo, o seu grande título de glória está na
sua perfeita obediência à palavra de Deus. Pelo seu «Sim» a Deus, Maria
tornou-se a primeira crente e a primeira redimida. Com a Sua fé e o seu total
abandono à vontade do Pai contribuiu, directamente, para a nossa salvação, por
ter participado dos sofrimentos e da Cruz do Seu Filho.
Por isso, quando
Cristo ressuscitou e venceu a morte, essa vitória também de Maria, em seu corpo
e alma. O triunfo de Maria, na Assunção, é fruto da Sua fé e generosidade.
Aleluia
Cântico: M. Faria, NRMS 16
Felizes os que ouvem a
palavra de Deus
e a põem em prática.
Evangelho
São Lucas 11, 27-28
27Naquele tempo, enquanto Jesus falava à
multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela
que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». 28Mas
Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em
prática».
Com este episódio começa a ter efectivação a previsão de Maria: todas as gerações me hão-de chamar bem-aventurada (Lc 1, 48).
Jesus não contradiz o belo elogio dirigido a sua Mãe, mas aproveita a ocasião para fazer ver que o que importa aos seus ouvintes não são os laços de sangue, mas que ouçam e cumpram a Palavra de Deus. Pode ver-se aqui um elogio que Jesus faz ao «faça-se» de Maria (cf. Lc 1, 38).
Sugestões para a
homilia
Ao terminar a Sua
missão na terra. Maria, a Imaculada Mãe de Deus, «foi elevada em corpo e alma à
glória do céu» (Pio XII), sendo assim a primeira criatura humana a alcançar a plenitude
da salvação.
Esta glorificação de
Maria é uma consequência natural da Sua Maternidade divina: Deus «não quis que
conhecesse a corrupção do túmulo Aquela que gerou o Senhor da Vida».
É também o fruto da íntima
e profunda união existente entre Maria e a Sua missão e Cristo e a Sua obra
salvadora. Plenamente unida a Cristo, como Sua Mãe e Sua serva humilde,
associada, estreitamente a Ele, na humilhação e no sofrimento, não podia deixar
de vir a participar do mistério de Cristo ressuscitado e glorificado, numa
conformação levada até às últimas consequências. Por isso. Maria é «elevada ao
Céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha, para assim Se conformar
mais plenamente com Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da
morte» (LG. 59).
Este privilégio,
concedido à Virgem Imaculada, preservada e imune de toda a mancha da culpa
original, é «Sinal» de esperança e de alegria para todo o Povo de Deus, que
peregrina pela terra em luta com o pecado e a morte, no meio dos perigos e
dificuldades da vida. Com efeito, a Mãe de Jesus, «glorificada já em corpo e
alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro» LG.
68).
O triunfo de Maria,
mãe e filha da Igreja, será o triunfo da Igreja, quando, juntamente com a
Humanidade, atingir a glória plena, de que Maria goza já.
A Assunção de Maria
ao Céu, em corpo e alma, é a garantia de que o homem se salvará todo: também o
nosso corpo ressuscitará! A Assunção de Maria é o penhor seguro de que o homem
triunfará da morte!
Fala o Santo Padre
«O Céu é a nossa
habitação definitiva.»
Queridos irmãos e irmãs!
Na hodierna solenidade
da Assunção contemplamos o mistério da passagem de Maria deste mundo para o
Paraíso: celebramos, poderíamos dizer, a sua «páscoa».
Como Cristo ressuscitou dos mortos com o seu corpo glorioso e subiu ao Céu,
assim a Virgem Santa, a Ele plenamente associada, foi elevada à glória celeste
com toda a sua pessoa. Também nisto, a Mãe seguiu mais de perto o seu Filho e precedeu
todos nós. Ao lado de Jesus, novo Adão, que é «a primícia» dos ressuscitados
(cf. 1 Cor 15, 20.23). Nossa Senhora,
nova Eva, mostra-se como «primícia e imagem da Igreja» (Prefácio), «sinal de
esperança certa» para todos os cristãos na peregrinação terrena (cf. Lumen gentium, 68).
A festa da Assunção,
tão querida à tradição popular, constitui para todos os crentes uma ocasião
útil para meditar acerca do sentido verdadeiro e sobre o valor da existência
humana na perspectiva da eternidade. Queridos irmãos e irmãs, é o Céu a nossa
habitação definitiva. Dali Maria encoraja-nos com o seu exemplo a aceitar a
vontade de Deus, a não nos deixarmos seduzir pelas chamadas falazes de tudo o
que é efémero e passageiro, a não ceder às tentações do egoísmo e do mal que
apagam no coração a alegria da vida. […]
Bento XVI, Solenidade da Assunção, 15 de Agosto de
2005
Oração Universal
Irmãos, oremos a Deus
todo-poderoso,
e imploremos a misericórdia d’Aquele
que não deseja a morte do pecador,
mas antes que se converta e viva.
1. Por toda a Igreja,
para que sejamos capazes de alimentar a quantos têm fome e sede de justiça,
oremos ao Senhor.
2. Por todos os governantes do mundo,
para que nas suas estruturas e leis,
seja questão primordial a atenção aos indigentes e excluídos,
oremos ao Senhor.
3. Por todas as crianças que morrem famintas,
para que o seu sacrifício seja estímulo que nos una na luta contra a fome,
oremos ao Senhor.
4. Por todos nós, cristãos,
para que nunca duvidemos da nossa vocação de animadores
e
propagadores da vida, do amor, da justiça e da esperança,
oremos ao Senhor.
5. Pela nossa comunidade,
para que se mantenha sempre fiel ao exemplo de Jesus
na hora de comprometer-se na luta de resolver as necessidades das pessoas,
oremos ao Senhor.
Oração
comunitária
Deus, nosso Pai,
protector de todo os que confiam em Vós;
dai-nos o pão de cada dia que alimenta o nosso corpo
para seguirmos fortes na construção do vosso
Reino;
e dai-nos o Pão da vossa Palavra, que nos dá
luz e sentido para as nossas vidas.
Por Jesus Cristo,
Nosso Senhor. Amen.
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Quem vos escolheu, Rainha dos céus,
M. Valença, NRMS 37
Oração
sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício de reconciliação e de
louvor que celebramos na Assunção da Santa Mãe de Deus, para que alcancemos o
perdão dos pecados e vivamos em contínua acção de graças. Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Prefácio próprio, como
na Missa seguinte: p. 913
Santo: A. Cartageno,
Suplemento ao CT
Monição da Comunhão
O gesto de partilha
marcou profundamente as primeiras comunidades cristãs. Que também nós, ao
partir o pão, possamos descobrir a presença nova do Ressuscitado!
Cântico
da Comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, M.
Luís, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 194
cf. Lc 11, 27
Antífona
da comunhão: Bendita seja a
Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.
Oração
depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos fizestes participar na mesa
celeste, ouvi benignamente as nossas súplicas e livrai de todo o mal aqueles
que celebram a Assunção da Mãe de Deus. Por Nosso Senhor.
Ritos Finais
Monição final
Mediante as suas
palavras e o seu silêncio, a Virgem Maria aparece como um modelo ao longo do
nosso caminho. Não se trata de um caminho fácil: em virtude da culpa dos seus
pais primitivos, a humanidade traz em si a ferida do pecado, cujas
consequências ainda continuam a fazer-se sentir nas pessoas remidas. Mas o mal
e a morte não terão a última palavra! Maria confirma-o através de toda a sua
existência, sendo testemunha viva da vitória de Cristo, nossa Páscoa.
Cântico
final: Nos braços de Deus forte, F. da Silva,
NRMS 45
Celebração
e Homilia: Nuno Westwood
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Sugestão
Musical: Duarte Nuno Rocha