Natividade
da Virgem Santa Maria
8 de Setembro de 2006
Festividade
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Nasceu a Virgem Maria, F. da Silva,
NCT 630
Antífona
de entrada: Exultemos de alegria
no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol
da justiça, Cristo nosso Deus.
Diz-se o Glória.
Introdução ao
espírito da Celebração
Brota do nosso
coração um profundo agradecimento à Santíssima Trindade pelo grande e
maravilhoso dom: a Virgem Maria.
Com Maria louvamos e
bendizemos a Deus porque n’Ela e por Ela fez e faz maravilhas.
A Mãe de Deus é
referência da vida, oferta da vida, apelo da vida e defesa da vida. Cada pessoa
humana é a razão do Seu nascimento, presença, maternidade, intercessão, ajuda e
consolo.
Maria ensina-nos que
a vida é um dom maravilhoso e bênção generosa de Deus. O encontro com Deus
torna a vida mais bela, com sentido, com fundamento, síntese do humano e do
divino em nós.
Procuremos alegrar o
Coração da Nossa Mãe. Felicitemo-la, neste seu aniversário, oferendo-nos por
uma vida de santidade e de compromisso com Deus e com os irmãos.
Oração
colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste
e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja
maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade
e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: Maria sintetiza a história da salvação. Na
sua natividade descobrimos que o nosso «código genético» nos leva ao Mistério
de Deus, entroncado na Redenção operada por Jesus Cristo, o Emanuel.
Miqueias 5, 1-4a
Eis o que diz o
Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena
entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que
há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos
dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que
der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o
resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu
rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus.
Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle
será a paz».
Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.
1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; Mt 2, 4-6; Jo 7, 42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a dum outra Belém, na Galileia.
«Pequena entre as cidades…» S. Mateus (Mt 2, 6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de um recurso próprio da hermenêutica judaica (chamado al-tiqrey: «não leias»); tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, as consoantes da palavra hebraica com que se diz «as cidades de» – alfey – é lida com outras vogais de modo a significar «as principais (príncipes) de»: al-lufey. É assim que Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá».
«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.
2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar numa alusão à célebre profecia de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus.
4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.
Em
vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:
Romanos 8, 28-30
Irmãos: 28Nós
sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles
que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque
os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E
àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os
justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.
Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Romanos: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28).
29-30 O desígnio salvador de Deus é
aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com
amor); «predestinou-nos para sermos
conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não
nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos
considerar adquirida (daí o emprego do «aoristo proléptico»), dada a nossa íntima união a Cristo já
glorificado.
Salmo Responsorial Sl 12 (13),
6ab.6cd (R. Is 61,10)
Monição:
Cantemos a presença de Deus no meio do seu povo, manifestada em tantos sinais
de amor e da vida.
Refrão: Exulto
de alegria no Senhor.
Eu confiei na vossa
bondade,
o meu coração alegra-se com a vossa salvação.
E cantarei ao Senhor
pelo bem que me fez.
Aclamação ao
Evangelho
Monição: Jesus Cristo é o grande dom para a humanidade: revelação de Deus e do
Homem.
Que maravilhoso Deus
que se faz tão próximo!
A Natividade de Maria
é o segredo que nos permite entrar no mistério de Deus e podermos ver e tocar
sua proximidade.
O Deus da Vida, pelo
sim de Maria, manifestou-se em rosto humano. Escutemos.
Aleluia
Cântico: S. Marques, NRMS 73-74
Sois ditosa, ó Virgem
Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,
porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo,
nosso Deus.
Evangelho *
* O texto entre
parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.
Forma longa: São Mateus 1, 1-16.18-23; forma breve: São Mateus 1, 18-23
[1Genealogia de Jesus Cristo, Filho
de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob,
Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá
gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão,
Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon
gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé
gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou
Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat,
Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias
gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias
gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de
Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias
gerou Salatiel, Salatiel
gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc,
Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud
gerou Eleazar, Eleazar
gerou Matã, Matã gerou
Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus,
chamado Cristo.]
18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte
modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum,
encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu
esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha
ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe
disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que
nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e
tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o
povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que
o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem
conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer
‘Deus connosco’».
«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não corresponde a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.
16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada um daqueles homens da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), e não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma acção, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».
Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afecta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora não descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (actualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).
18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.
«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos, coisa totalmente contrária à verdade da Revelação divina.
19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, dado que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»); e assim o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensaria é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel, se é que ele não esteve mesmo ali; poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.
20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».
23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7, 14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até se presta a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».
Sugestões para a
homilia
Mistério
da Vida
Mistério
da Família
Mistério
de Aliança
Mistério
da Vida
Na natividade da
Virgem Maria aparece com mais encanto e beleza o mistério da vida que entronca
no mistério de Deus. Essa Vida expressou-se numa linguagem tão próxima e
humana: o Filho de Deus, Jesus Cristo.
Foi Maria que
possibilitou tal no abandono fiel e activo aos projectos de Deus. Mulher de fé
abandonou-se inteira e plenamente ao Deus, a quem nada é impossível.
Mas na sua natividade
transparece também com mais clareza o mistério de cada vida humana: linguagem
de amor e projecto de Deus.
Deus espera que cada
pessoa se abra em fidelidade e compromisso.
À luz deste
acontecimento descobrimos que a vida humana não é só processo biológico, também
ele impregnado da sabedoria divina, mas é sobretudo mistério profundo de amor e
de sentido.
Daí a valorização da
vida e da sua alta dignidade. Daí o apelo incessante de santidade, culminar de toda a construção humana. Daí instituições, estruturas e as diversas formas de governo serem
vocacionadas para respeitar e colaborar no seu nascimento, no seu desabrochar e
em todas as suas fases.
Mistério
da Família
Na Natividade de
Maria fica a revelação do Deus–Amor, Deus–Família.
Deus que se revela como comunhão amorosa. Deus que envolve o ser humano nesta
comunhão de vida e de amor.
Maria, pelo mistério
da encarnação, permitirá a comunhão de Deus com toda a humanidade. N’Ela Deus
tocou e penetrou na Humanidade, assumido condição humana.
Pelo seu nascimento
se inaugura para os Povos, a Humanidade, o sentido de família: todos irmãos em
Cristo, e n’Ele filhos do mesmo Pai.
Cada família humana é
este sinal do mistério de comunhão trinitária. É
mistério da comunhão trinitária com a humanidade e
mistério de comunhão entre todos, iluminada pela Encarnação e Redenção operada
em Cristo.
A família humana está
chamada: a ser espaço de vida, de amor, de crescimento, de Deus e dos outros.
Mistério
de Aliança.
O Povo da Antiga
Aliança tem uma viva consciência da presença de Deus na sua caminhada
histórica.
Reconhece nos sinais
da vida a presença de Deus. Esta vida é revelada de forma maravilhosa na vinda
do Filho de Deus, Jesus, o Messias, o Emanuel.
Toda a história da salvação,
centrada na Encarnação do Filho de Deus e no Seu Mistério Pascal, exige esta
referência ao acontecimento da natividade de Maria de Nazaré, início dos «novos
tempos», começo de uma nova aliança estabelecida, por misericórdia de Deus,
nesta maravilhosa Mulher.
A Natividade de Maria
de Nazaré é convite a que aliança que celebramos com Deus em momentos marcantes
da nossa vida nos ajude a assumir o mistério pascal, sentido último de cada
vida humana: morte a todas as formas de pecado e atentados à vida; doação de
vida, vitória da vida, plenitude de vida.
Oração Universal
Irmãs e irmãos:
Ao celebrarmos o
nascimento de Nossa Senhora
que deu ao mundo a Cristo Salvador,
invoquemos humildemente o nosso Deus,
dizendo (ou cantando), com alegria:
R. Ouvi-nos, Senhor.
Ou: Lembrai-vos,
Senhor, da humanidade.
Ou: Senhor, dai-nos a vossa paz.
1. Pelo Santo Padre Bento XVI,
para que encontre em todos nós,
disponibilidade e entrega generosa
na construção da
vinha do Senhor,
dando frutos de serviço à vida humana,
oremos ao Senhor.
2. Pelo Nosso Bispo (N.),
o
Senhor o assista no seu ministério episcopal
ao serviço desta diocese e da Igreja de Cristo,
para que encontre em todos a coragem do testemunho,
a
audácia do anúncio e o compromisso generoso,
oremos ao Senhor.
3. Pelos Povos e Governos de todo o mundo,
para que não coloquem
Cristo fora das suas cidades e das suas vidas;
se convençam que são servos e não donos absolutos do mundo,
da vida e das pessoas;
aceitem Cristo como referência de humildade, doação e serviço,
oremos ao Senhor.
4. Pelos noivos que se preparam para o
matrimónio,
para que vivam o tempo de namoro como autêntica preparação
de uma santa e verdadeira comunidade de vida e de amor,
oremos ao Senhor.
5. Por todas as famílias para que fomentem o amor
à vida,
sejam verdadeiras comunidades onde cada pessoa
se sente amada e pode crescer,
e
onde o serviço e a doação fazem descobrir a autêntica felicidade,
oremos ao Senhor.
6. Por todos nós, reunidos nesta assembleia,
para que, imitando a santidade de Maria,
nos tornemos imagens vivas dos seu Filho Jesus Cristo,
oremos ao Senhor.
Deus todo-poderoso e
eterno,
ouvi as orações do vosso povo
que celebra a festa da Natividade da Santíssima
Virgem Maria,
e, por sua intercessão e auxílio,
enriquecei-o com os dons da vossa graça..
Por Jesus Cristo,
nosso Senhor.
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Desde toda a eternidade, M.
Carneiro, NRMS 18
Oração
sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem:
Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade
de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa
oblação. Por Nosso Senhor.
Prefácio de Nossa
Senhora I [na natividade]: p. 486 [644-756] ou II, p. 487
Santo: F. da Silva, NRMS 38
Monição da Comunhão
Maria cantará mais
tarde: «O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome».
Acolhamos a vida de
Deus em nós. Agradeçamos a nossa vida. Façamos da nossa vida doação.
Cântico
da Comunhão: Minha alma exulta de alegria, F. da
Silva, NRMS 32
Is 7, 14; Mt
1, 21
Antífona
da comunhão: A Virgem dará à luz
um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.
Cântico
de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34
Oração
depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos
mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria, que foi para o mundo
inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.
Ritos Finais
Monição final
Viver é uma aventura maravilhosa,
mas cheia de perigos e dificuldades.
Que Maria nos ensine
e ajude a viver com alegria, a não ter medo da vida.
Nos ensine a viver o
sofrimento da vida com esperança.
Maria de Nazaré nos
ensine a fazer os outros felizes.
Cântico
final: A nossa padroeira, F. da Silva,
NRMS 33-34
Homilia Ferial
Sábado, 9-IX: S.
Pedro Claver: Um olhar de amor.
1 Cor. 4, 6-15 / Lc. 6, 1-5
Insultados,
bendizemos; perseguidos, aguentamos; difamados, dizemos palavras de conforto.
Recorda S. Paulo o
modo como os primeiros cristãos viviam a caridade,
quando confrontados com calúnias, insultos e difamações (cf. Leit.). Deste modo, imitaram Jesus, que perdoou a todos.
Temos que amar, em
Deus e com Deus, as pessoas que não nos agradam. E olhá-las como as olhava
Cristo: «Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro… o olhar de amor de que ele precisa» («Deus é amor», 18). S
Pedro Claver dedicou toda a sua vida a ajudar os
escravos negros. Via neles o próprio Cristo e, com amor, procurava arranjar o
que eles precisavam.
Celebração e Homilia: Armando
Rodrigues dias
Nota Exegética: Geraldo
Morujão
Homilia Ferial: Nuno
Romão
Sugestão Musical: Duarte
Nuno Rocha