23º
Domingo Comum
10 de Setembro de 2006
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az.
Oliveira, NRMS 48
Salmo 118, 137.124
Antífona
de entrada: Vós
sois justo, Senhor, e são
rectos os vossos julgamentos. Tratai o vosso servo segundo a vossa bondade.
Introdução ao
espírito da Celebração
A celebração
da Eucaristia é a celebração das maravilhas do Senhor. Tudo o que o Senhor faz
é admirável. Mas para se maravilhar com a grandeza do Senhor é preciso ter um
coração pobre e puro, ter um coração que se deixa maravilhar e não habitado
pelo cinismo niilista que perdeu o encanto por tudo. Abramos o nosso coração às
maravilhas do Senhor
Oração
colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos
filhos adoptivos, atendei com paternal bondade às nossas súplicas e concedei
que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança
eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: Tende coragem!
Este grito do profeta é o grito do próprio Deus. Um grito de compreensão pelo
nosso sofrimento e lassidão mas também uma mensagem de esperança. Se Deus nos
apela à perseverança é porque a salvação está mesmo à porta.
Isaías 35, 4-7a
4Dizei aos corações perturbados: «Tende
coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a
recompensa; Ele próprio vem salvar-nos». 5Então se abrirão os olhos
dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. 6Então o coxo
saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão
no deserto e as torrentes na aridez da planície; 7aa terra seca
transformar-se-á em lago e a terra árida em nascentes de água.
Este pequeno trecho é tirado do chamado «Pequeno Apocalipse de Isaías» (Is 34, 1 – 35, 10), redigido em forma de um díptico: em contraste com a ruína de Edom (um símbolo das nações), descreve-se a utopia messiânica da Jerusalém restaurada, em que todos as doenças serão curadas Os vv. 5-6 são citados implicitamente em Mt 11, 5 e Lc 7, 22; no Evangelho de hoje (Mc 7, 37) também se pode ver uma alusão a esta passagem (v. 5): «e se desimpedirão os ouvidos dos surdos».
Salmo Responsorial Sl 145 (146),
7.8-9a.9bc-10 (R. 1)
Monição: Deus é digno de louvor porque é Ele quem restabelece
a justiça, e defende os oprimidos. O Senhor ama de um amor especial aqueles que
ninguém tem vontade de amar.
Refrão: Ó
minha alma, louva o Senhor.
Ou: Aleluia.
O Senhor faz justiça
aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.
O Senhor ilumina os
olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.
O Senhor protege os
peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.
O Senhor reina
eternamente;
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.
Segunda Leitura
Monição: Deus não julga com critérios humanos mas sim
segundo a justiça e quer que nós o imitemos não fazendo acepção de pessoas nas
nossas assembleias.
Tiago 2, 1-5
Meus irmãos: 1A
fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. 2Pode
acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de
ouro e entre também um pobre e mal vestido; 3talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te
aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí,
abaixo do estrado dos meus pés». 4Não estareis a estabelecer
distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? 5Escutai,
meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem
ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?
Na secção de que extraída a leitura (vv. 1-13), S. Tiago, de modo incisivo e com exemplos concretos (vv. 2-4), mostra-se a incompatibilidade entre a fé cristã e as discriminações e o favoritismo (cf. Mt 22, 16; 23, 8-11; Mc 10, 44-45; Jo 17, 20-21; Act 10, 34; Rm 2, 11; Gal 2, 6; 3,28; Ef 4, 3-5; 1 Pe 1, 17); mas não quer dizer que pretenda reprovar alguma distinção que se possa conferir a algum fiel, em razão da sua autoridade, idade, necessidade, ministério hierárquico, etc., mas condena as distinções ditadas por critérios mundanos (vaidade, subserviência, parcialidade, etc.); também são de reprovar os exageros ao atender legítimas distinções, pois há uma igualdade radical de todos os fiéis que a prática diária não pode desfigurar sem atraiçoar a lei do Reino, ou a régia lei como outros traduzem (no sentido de suprema), da caridade cristã.
1 «Não ligueis a fé em N.S.J.C. glorioso…»: há quem traduza: fé na glória do Senhor N. J. C., ou também fé no Senhor da glória (cf. 1 Cor 2, 8; Jo 12, 41; 17, 5; Is 42, 8; Ex 24, 16); assim teríamos uma afirmação da divindade de Jesus, mas parece preferível a tradução mais óbvia e corrente, referida à condição de Jesus glorificado, que adoptámos na tradução da Bíblia da Difusora Bíblica.
2-5. «Pode acontecer que…» Uma forma delicada de prevenir abusos, que se davam entre os judeus, a que poderiam estar sujeitos cristãos com pouca formação; de qualquer modo, Tiago é claro e enérgico. Se condena «estabelecer distinções», não pretende reprovar alguma distinção, como acima se disse.
Aclamação ao Evangelho cf. Mt 4, 23
Monição: Jesus cumpre o seu programa messiânico,
anunciado pelos profetas. Cantemos com alegria, aclamando o Evangelho, Palavra
da Salvação, que nos confirma na fé!
Aleluia
Cântico: F da Silva, NRMS 73-74
Jesus pregava o
Evangelho do reino
e curava todas as enfermidades entre o povo.
Evangelho
São Marcos 7, 31-37
Naquele tempo, 31Jesus
deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da
Galileia, atravessando o território da Decápole. 32Trouxeram-Lhe
então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe
que impusesse as mãos sobre ele. 33Jesus, afastando-Se
com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a
língua. 34Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que quer dizer «Abre-te». 35Imediatamente
se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a
prisão da língua e começou a falar correctamente. 36Jesus recomendou
que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais
intensamente eles o apregoavam. 37Cheios de assombro, diziam: «Tudo
o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».
Só Marcos refere em pormenor esta cura. Jesus não se limita a um gesto corrente de impor as mãos, mas «meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua» (v. 33), o que não envolve qualquer espécie magia, mas é um gesto simbólico, como que sacramental, apto para excitar a fé e confiança do doente e pôr em evidência como a graça divina da cura passa através de sinais sensíveis. Mas o milagre não aparece como fruto dos gestos de Jesus, mas devido à eficácia da sua palavra; nisto se distingue das benzeduras dos curandeiros judeus e dos passes mágicos helenísticos.
34 «Effathá»: a força poderosa da palavra de Jesus é de tal modo impressionante que se manteve na tradição a própria expressão aramaica, mesmo depois de o Evangelho ter passado a ser pregado em grego. S. Marcos, escrevendo para não judeus, tem o cuidado de fornecer a sua tradução: «abre-te!» A ordem não é dada por Jesus aos membros afectados pela doença, mas à pessoa do doente, o que reforça o seu simbolismo; neste sentido, a mesma palavra passou ao rito do Baptismo, mantendo-se ainda no Baptismo dos adultos; no das crianças temos agora apenas a oração a pedir que os ouvidos do baptizando se abram para em breve ouvir e aceitar a palavra de Deus; nesta linha está o apelo emblemático do Papa João Paulo II: «abri as portas a Cristo!»
Sugestões para a
homilia
A maravilha do
milagre de Jesus não está tanto no poder que ele manifesta sobre as forças da
natureza, a doença, a fatalidade, etc, mas sim no sentido
salvador que a sua acção manifesta.
O que é maravilhoso
na acção de Jesus não é que um mudo de nascença fale mas que alguém que não
tinha voz a passe a ter.
Os milagres de Jesus
não significam que agora não mais serão precisos os médicos, os hospitais e as
clínicas. Os milagres de Jesus significam que, com Ele, o Reino de Deus se
torna presente no seio dos homens e que a justiça dos tempos messiânicos se
manifesta.
Deus não vem à terra
para fazer chover nos dias de calor e secos e trazer sol nos dias frios. Deus
vem ao mundo para que a justiça triunfe: «Tende coragem, não temais. Aí está o
vosso Deus; vem fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos.»
Esse triunfo da
justiça manifesta-se pela inversão de situações: O coxo salta, o mudo canta de
alegria, os surdos ouvem; mas também entrava o caminho aos pecadores. Como
cantava Maria: «O Senhor eleva os humildes e dispersa os soberbos.»
Deus mostra que é
Deus fazendo reinar a justiça, dando voz a quem a não tem e tornando acessível
a Palavra da salvação a quem a não podia ouvir.
Este é o nosso Deus.
O Deus de que a Igreja deve testemunhar. É por essa razão que são Tiago exorta
as suas comunidades a que não façam distinção de pessoas: O rico não deve ser
tratado em função da sua riqueza e o pobre ser posto na margem, sem lugar, sem
voz, sem importância. Não, a fé em Jesus Cristo não pode fazer acepção de
pessoas porque Jesus não agiu dessa forma.
Este é o papel do
padre, continuar, na comunidade cristã e pela comunidade cristã, a fazer as coisas
admiráveis que Jesus fazia. Essa é a missão que eu recebi no dia do meu
baptismo e, de uma maneira especial, no dia da minha ordenação. Conto com a
vossa oração para ser fiel a esta missão de continuar as maravilhas de Deus.
E a maior maravilha
de Deus é o Pão e o Vinho que Deus nos oferece em cada Eucaristia. Na mesa do
altar, pobres e ricos são alimentados da mesma maneira, todos recebem a mesma
vida que brota generosamente do coração trespassado de Jesus.
Oração Universal
O senhor fala-nos
hoje a cada um com um amor pessoal.
Ele atende também as
nossas súplicas com a misericórdia
que manifesta em cada momento da nossa vida.
Vamos apresentar-Lhe as intenções pelas quais queremos rezar
1. Pelo Santo Padre, bispos e sacerdotes,
para que saibam apresentar com fidelidade
a
doutrina de Jesus Cristo,
oremos, irmãos.
2. Pelos homens e mulheres, jovens e adultos,
que o Senhor chama para serem fermento e
animadores da comunidade e das obras apostólica da paróquia,
oremos, irmãos.
3. Pelos pobres, pelos doentes e pelos que
sofrem,
para que em Jesus Cristo encontrem conforto e consolação,
oremos, irmãos.
4. Para que o Senhor aumente cada vez mais a
nossa fé e nossa confiança nele,
e
saibamos descobrir os mil gestos de seu amor que diariamente acontecem ao nosso
lado,
oremos, irmãos
5. Para que todos nós vivamos nossa fé em Cristo
ressuscitado
numa comunidade que saiba repartir com os demais tudo o que é e o que tem,
oremos, irmãos.
Ó Deus que bem
conheceis os nossos projectos e fraquezas
escutai as orações que humildemente Vos dirigimos
e ajudai-nos a vencer todas as tentações de
comodismo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo …
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Os dons que vos trazemos, F. da
Silva, NRMS 4 (II)
Oração
sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, fonte da verdadeira devoção e da paz,
fazei que esta oblação Vos glorifique dignamente e que a nossa participação nos
sagrados mistérios reforce os laços da nossa unidade. Por Nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Santo: «Da
Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51
Monição da Comunhão
Tudo o
que o Senhor faz é admirável e a Eucaristia é a Sua maior maravilha. Este homem é Aquele que dá a sua vida por
nós para que nós tenhamos vida em abundância. Deixemos que a força da
Eucaristia suscite em nós o assombro por aquilo que Jesus é para nós.
Cântico
da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo,
F. da Silva, NRMS 67
Salmo 41, 2-3
Antífona
da comunhão: Como suspira o veado
pela corrente das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor. A minha alma
tem sede do Deus vivo.
ou
Jo 8, 12
Eu sou a luz do mundo,
diz o Senhor; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.
Cântico
de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento,
F. da Silva, NRMS 6 (II)
Oração
depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais e fortaleceis à mesa da palavra e
do pão da vida, fazei que recebamos de tal modo estes dons do vosso Filho que
mereçamos participar da sua vida imortal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
O tempo
de não contar nada a ninguém só durou até à ressurreição de Jesus. Agora estamos
no tempo do anúncio constante e alegre da Boa-Nova. Ao partirmos desta
celebração levemos um novo entusiasmo pela evangelização. Hoje é Deus que diz à
Igreja: «Effathá»
Cântico
final: Senhor, fica connosco, M. Carneiro,
NRMS 94
Homilias Feriais
23ª SEMANA
2ª feira, 11-IX: Um novo empenho.
1 Cor. 5, 1-8 / Lc. 6, 6-11
Então,
olhou-os a todos em redor e disse ao homem: estende a tua mão. Ele assim fez, e
a mão ficou-lhe curada.
Quando temos
dificuldades em melhorar os nossos defeitos, quando nos aparecem obstáculos
difíceis de ultrapassar, o Senhor pede-nos igualmente que façamos o esforço de estender a mão (cf. Ev.),
isto é, que nos empenhemos um pouco mais e que tenhamos muita confiança n’Ele,
pois para Deus nada é impossível.
A fé cristã conduzirá
a uma reforma da nossa vida, a um novo
modo de ser e actuar: «Celebramos a festa, não com o fermento velho, nem
como fermento da malícia e perversidade, mas com os pães ázimos da pureza e da
verdade» (Leit.).
3ª feira, 12-IX: Santíssimo Nome de Maria: recurso ao Nome de
Maria.
1 Cor. 6, 1-11 / Lc. 6, 12-19
Mas
fostes purificados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do
Senhor Jesus e pelo Espírito de Deus.
A vida de alguns
cristãos de Corinto era má, mas transforma-se graças à acção do Espírito Santo
(cf. Leit.). «Curando as nossas feridas do pecado, o
Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual, ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos
como filhos da luz, em toda a espécie de bondade, justiça e verdade» (CIC; 1695).
Do mesmo modo, Jesus
escolhe doze do grupo dos discípulos para que O sigam, cura todos os que lhe
apresentam (cf. Ev.). O recurso ao Santo Nome de Maria ajudar-nos-á a vencer as tentações
e a aproximar-nos mais de Jesus.
4ª feira, 13-IX: S. João Crisóstomo: Felicidade fugaz e
felicidade eterna.
1 Cor. 7, 25-31 / Lc. 6, 20-26
Felizes
de vós os pobres… os que estais agora cheios de fome… os que chorais.
Ao falar das bem-aventuranças Jesus ensina-nos que um
homem, embora possua muitos bens da terra, pode ser infeliz. Pelo contrário, o
homem que vive no meio da pobreza, da dor, do abandono, pode alcançar a
felicidade eterna.
S. Paulo recorda que o
«cenário deste mundo é passageiro» (Leit.), isto é, a
felicidade aqui na terra é sempre
fugaz, não dura sempre. O importante é conseguir a felicidade eterna. S. João Crisóstomo foi um bispo de
grande eloquência e coragem, suportando com amor as duas vezes que foi enviado
para o exílio.
Celebração e Homilia: Hermenegildo
faria
Nota Exegética: Geraldo
Morujão
Homilias Feriais: Nuno
Romão
Sugestão Musical: Duarte
Nuno Rocha