Exaltação da Santa Cruz

14 de Setembro de 2006

 

Festividade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Toda a nossa glória está na Cruz, M. Simões, NRMS 25

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa da Santa Cruz. Olhemos para Jesus crucificado, meditemos mais a fundo no que nos ensina com a Sua cruz.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa infinita misericórdia, quisestes que o vosso Filho sofresse o suplício da cruz para salvar o género humano, concedei que, tendo conhecido na terra o mistério de Cristo, mereçamos alcançar no Céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A serpente de bronze no deserto era figura da Jesus crucificado. Olhando para Ele também seremos livres das mordeduras da serpente infernal.

 

Números 21, 4b-9

Naqueles dias, 5o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egipto, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. 7O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. 8Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». 9Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

 

5 «Este alimento miserável». Referência bem realista ao maná, cuja idealização posterior o considera, pelo contrário, «pão dos fortes» e «pão dos anjos», pão com todas as delícias e com todos os sabores ao gosto de cada pessoa (cf. Sab 16, 20-21; Salm 78, 23-25).

6 «Serpentes venenosas», à letra, de fogo, um hebraísmo para dizer serpentes abrasadoras, cuja espécie se ignora.

8 «Faz uma serpente de bronze…» Como se pode ver no Evangelho de hoje (Jo 3, 14-15), este relato encerra um sentido típico visado por Deus: o poste é figura da Cruz, a serpente de bronze é figura de Cristo Salvador, que salva da morte eterna todos os homens feridos pela mordedura mortal do pecado, desde que olhem para Jesus com fé.

 

Salmo Responsorial      Sl 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)

 

Monição: O Senhor convida-nos à conversão. Em Cristo crucificado temos a garantia do perdão

 

Refrão:         Não esqueçais as obras do Senhor.

 

Escuta, meu povo, a minha instrução,

presta ouvidos às palavras da minha boca.

Vou falar em forma de provérbio,

vou revelar os mistérios dos tempos antigos.

 

Quando Deus castigava os antigos, eles O procuravam,

tornavam a voltar-se para Ele

e recordavam-se de que Deus era o seu protector,

o Altíssimo o seu redentor.

 

Eles, porém, enganavam-n’O com a boca

e mentiam-Lhe com a língua

o seu coração não era sincero,

nem eram fiéis à sua aliança.

 

Mas Deus, compadecido, perdoava o pecado

e não os exterminava.

Muitas vezes reprimia a sua cólera

e não executava toda a sua ira.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus crucificado manifesta a entrega total à vontade de Deus, que nos obteve a salvação.

 

Filipenses 2, 6-11

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino e a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». Há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão, segundo se considera o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo), ou passivo (coisa roubada): a Vulgata traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo); segundo a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossas tradução (sentido passivo), teríamos: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón) … Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22) e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje; «tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15); «humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz» (v. 8). Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosisde Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-11 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o desfecho duma história trágica com que tudo acabou; temos o sublime paradoxo da sua «exaltação»: foi «por isso» mesmo que «Deus» (não Ele próprio, mas o Pai) «O exaltou» de modo singularíssimo (à letra, acima de tudo o que existe: tenha-se em conta hypér na composição do verbo grego), o que se deu na glorificação da humanidade de Jesus com a sua Ressurreição e Ascensão. A esta exaltação corresponde o «nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes de todos os tempos: já não é apenas o nome usado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, mas com o mesmo nome com que o próprio Deus é designado para traduzir o nome divino «Yahwéh» – «Senhor». A todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo sem artigo, como no original grego) e o seu domínio sobre toda a criação – «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente: «que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 56 (como pensam muitos), e, como dissemos, estes versículos fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola. Assim pensa, por exemplo, o notável Professor protestante de Tubinga, Martin Hengel.

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Jesus fala-nos do amor infinito que Deus nos tem e que se manifesta na Sua cruz.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo,

que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13«Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. 14Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

 

O texto é tirado do «discurso» de Jesus a Nicodemos. Não é fácil distinguir nos discursos de Jesus em S. João, quando é que o evangelista apresenta as próprias palavras de Jesus de quando apresenta a sua reflexão divinamente inspirada sobre elas. Aqui costuma-se considerar a meditação do evangelista a partir do v. 13, meditação que, do v. 16 ao 21, é o chamado kérigma joanino.

13 «Filho do Homem» tem em S. João um sentido glorioso, indicando a origem divina de Jesus, o Filho de Deus pré-existente enviado ao mundo para salvar os homens e que «subiu ao Céu», uma realidade que pertence às coisas do Céu (v. 12); nos Sinópticos conserva mais o sentido da literatura apocalíptica (cf. Dn 7, 13; 4 Esd; Henoc Etiópico), indicando o Messias, o salvador do povo que virá no fim dos tempos e também o Messias-sofredor. Mas expressão na Filho do homem nem sempre fica bem claro o título cristológico, pois por vezes poderia não passar de um mero asteísmo, uma figura de linguagem para Jesus se referir discretamente à sua pessoa: este homem = eu.

14 «Elevado», na Cruz, entenda-se. Mas S. João joga com os dois sentidos da elevação, na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é na Paixão que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13, 1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. 7, 38; 12, 23-24; 17, 1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (cf. 12, 16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21, 4-9 (1ª leitura de hoje); Sab 16, 5-15 e o Targum que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus... entregou o seu Filho Unigénito». Parece haver aqui uma alusão ao sacrifício de Isaac (cf. Gn 22, 1-12), que os Padres consideravam uma figura de Cristo, até por aquele pormenor de Isaac subir o monte Moriá com a lenha às costas, figura de Jesus subindo o monte Calvário carregando a Cruz.

17 «Não… para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo». Jesus contraria as ideias judaicas da época, que imaginavam o Messias como um juiz que antes de mais vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus, ou se lhe opunham.

 

Sugestões para a homilia

 

A serpente no deserto

Deus amou de tal modo o mundo

Obedecendo até à morte

A serpente no deserto

Celebramos a festa da Santa Cruz. Por ela Jesus venceu o demónio, que enganou os primeiros pais na árvore do paraíso.

A primeira leitura fala-nos da serpente de bronze que Moisés ergueu no deserto por ordem de Deus. Quando os israelitas eram mordidos pelas serpentes venenosas se olhassem para aquela imagem ficavam curados. Jesus no evangelho compara a Sua crucifixão à serpente erguida por Moisés, como fonte de salvação.

Ele quer que olhemos para a Sua cruz com fé e piedade, que saibamos ler esse livro ao alcance de todos, que é o crucifixo. Que ali encontremos o remédio para as mordeduras do demónio, para o pecado e a fonte da graça e do perdão.

Jesus venceu Satanás na árvore da cruz. Ela é sinal de vitória. Devemos fazer muitas vezes o sinal da cruz: ao levantar, ao deitar, ao entrar na igreja, ou quando somos tentados pelo demónio. É um gesto piedoso, que nos defende do mal e afugenta o inimigo.

Deus amou de tal modo o mundo

O crucifixo foi o livro dos santos, mesmo dos grandes teólogos. Um dia perguntaram a S.Boaventura qual era o seu livro preferido e ele respondeu: – o crucifixo.

E o grande apóstolo S.Paulo escrevia aos coríntios: – «Julguei que não devia saber coisa alguma entre vós senão a Jesus Cristo e este Crucificado» (I Cor 2,2).

Fala-nos do amor de Deus. Ele amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu próprio Filho.

Fala-nos do amor de Jesus que voluntariamente se entregou à morte para nos salvar. «Não há maior prova de amor do que dar a vida por aqueles que se amam» (Jo 15, 13)

É também uma lição viva sobre a maldade do pecado. Hoje perdeu-se a sensibilidade ao pecado, mesmo entre os cristãos mais fervorosos. Olhando para Jesus crucificado vemos a maldade infinita do pecado, que ofende a majestade infinita de Deus. A Carta aos Hebreus diz que aqueles que pecam gravemente crucificam de novo o Filho de Deus (Cfr. Heb 6, 6).

Obedecendo até à morte

Obedecer à vontade de Deus significa esforço e sacrifício, às vezes heróico. Temos de aprender com Jesus, que nos anima e ajuda com a Sua graça.

Às vezes encontramos a cruz no caminho da nossa vida, nas doenças, nas contrariedades, naquilo que o mundo chama desgraças. Se olhamos para Jesus crucificado essas dores encontram sentido e achamos coragem para levar a cruz que o Senhor nos entrega. Com ela podemos amar a Deus, ajudar a salvar os outros, como Jesus. Nela podemos encontrar alegria verdadeira. Deus abençoa com a cruz.

João Paulo II numa das visitas ao Brasil esteve numa leprosaria. Procurou animar os leprosos: «A vossa doença é uma cruz mas não uma cega fatalidade. O sofrimento pode converter-se num princípio de graça e salvação.»

Na capela da leprosaria havia uma rosa pintada cheia de espinhos que representava o sofrimento que cresce no amor. Havia também uma imagem de Cristo mutilado de braços e de pernas, diante do qual os leprosos rezam uma antiga oração: «Cristo não tem mãos porque tem as nossas, não tem pés porque tem os nossos, para guiar e conduzir os homens ao seu caminho» (P.GOMEZ BORRERO, Juan Pablo amigo; cit. em JULIO EUGUI, Más anédotas e virtudes (Madrid 1999), nº 85).

«Se alguém quer seguir-Me negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me (Lc 9, 23). Di-lo Cristo outra vez a nós, como que ao ouvido, intimamente: a Cruz cada dia» (S.JOSEMARIA, Cristo que passa, 58).

Que a Virgem das Dores nos ensine a estar bem unidos à cruz de Seu Filho e a sermos corredentores com Ele.

 

Fala o Santo Padre

 

«Na Cruz contemplamos o sinal do amor infinito de Deus pela humanidade.»

 

1. «O Crux, ave spes unica! Salve, ó Cruz, nossa única Esperança!».

Queridos Irmãos e Irmãs, na celebração desta liturgia dominical somos convidados a contemplar a Cruz. Ela é o «lugar privilegiado» em que se revela e se manifesta para nós o amor de Deus.

Na Cruz encontram-se a miséria do homem e a misericórdia de Deus. Adorar esta misericórdia incondicional é, para o homem, o único caminho para se abrir ao mistério que a Cruz revela.

A Cruz está plantada na terra e pareceria mergulhar as suas raízes na malícia do homem, mas projecta-se para o alto, como um indicador que aponta para o céu, um indicador que aponta para a bondade de Deus. Por intermédio da Cruz de Cristo, é derrotado o maligno, é vencida a morte, é-nos transmitida a vida, restituída a esperança e comunicada a luz. «O Crux, ave spes unica!». […]

3. «Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. Assim, todo aquele que nele acreditar, terá a vida eterna» (Jo 4, 14-15), diz Jesus. Portanto, o que é que vemos, quando dirigimos o nosso olhar para a Cruz, onde Jesus está pregado (cf. Jo 19, 37)? Contemplamos o sinal do amor infinito de Deus pela humanidade.

«O Crux, ave spes unica!» São Paulo fala disto na sua carta aos Filipenses, que acabámos de escutar. Não apenas Jesus Cristo se fez homem, em tudo semelhante aos homens, mas assumiu a condição de servo e humilhou-se ainda mais, fazendo-se obediente até à morte e morte de cruz (cf. Fl 2, 6-8).

Sim, «Deus amou de tal forma o mundo, que lhe deu o seu Filho único» (Jo 3, 16)! Admiremos extasiados e agradecidos a amplidão, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o saber (cf. Ef 3, 18-19)! «O Crux, ave spes unica!». […]

5. No jardim do Éden, aos pés da árvore, havia uma mulher, Eva (cf. Gn 3). Seduzida pelo inimigo, ela assenhoreia-se daquilo que julga ser a vida divina. Ao contrário, trata-se de um germe de morte que se insinua nela (cf. Tg 1, 15; Rm 6, 23).

No Calvário, aos pés do madeiro da Cruz, havia outra mulher, Maria (cf. Jo 19, 25-27). Dócil ao projecto de Deus, ela participa intimamente na oferta que o Filho faz de Si ao Pai, pela vida do mundo e, recebendo de Jesus a entrega do Apóstolo João, torna-se Mãe de todos os homens.

Ela é a Virgem das Dores, que amanhã recordaremos na liturgia, e que vós venerais com terna devoção como vossa Padroeira. Confio-lhe o presente e o futuro da Igreja, para que cresçam à sombra da Cruz de Cristo e saibam descobrir e aceitar sempre a mensagem de amor e salvação.

Pelo mistério da tua Cruz e da tua ressurreição, salva-nos ó Senhor! Amen.

João Paulo II, Bratislava, 14 de Setembro de 2003

 

Oração Universal

 

Da Cruz de Jesus nos vêm todas as graças, que Ele nos alcançou com o Seu sangue. Imploremos com toda a confiança neste dia:

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus,

perseguida em tantas nações e pelos cristãos que sofrem pela Sua fé,

para que essas dores continuem a ser semente de cristãos, oremos ao Senhor.

 

2.  Pelo Santo Padre,

para que o Senhor o encha de alegrias nos trabalhos

e nos cuidados por todas as igrejas, oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que se entreguem generosamente no serviço das almas

sem medo das cruzes do seu ministério, oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos cristãos do mundo inteiro,

para que cresçam na devoção à Santa Cruz, oremos ao Senhor.

 

5.  Para que todos escutemos os apelos de Nossa Senhora

para oferecer a Jesus os sacrifícios nas pequenas coisas de cada dia ,oremos ao Senhor.

 

Senhor ,que nos chamastes a seguir a Cristo ,Vosso Filho, pelo caminho da cruz ,

ensinai-nos a entender melhor o mistério da Sua Paixão e Morte

e a unir-nos mais a ele em nossa vida .

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: É dura a caminhada, M. Faria, NRMS 6 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Purificai-nos de todas as culpas, Senhor, pela oblação deste sacrifício, que no altar da cruz tirou o pecado do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O triunfo glorioso da cruz

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Na árvore da cruz estabelecestes a salvação da humanidade, para que donde viera a morte daí ressurgisse a vida e aquele que vencera na árvore do paraíso fosse vencido na árvore da cruz, por Cristo nosso Senhor.

Por Ele, numa só voz, os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes proclamam com júbilo a vossa glória. Permiti que nos associemos às suas vozes, cantando humildemente o vosso louvor:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Pode dizer-se o prefácio da Paixão do Senhor I: p. 467 [600-712]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Na Eucaristia Jesus dá-nos a força para levar e amar a cruz de cada dia. 

 

Cântico da Comunhão: Amai como eu vos amei, J. Santos, NRMS 87

Jo 12, 32

Antífona da comunhão: Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a Mim, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor Jesus Cristo, que nos alimentais nesta mesa sagrada, fazei que o vosso povo, resgatado pela cruz redentora, seja conduzido à glória da ressurreição. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebrámos a festa da Santa Cruz. Que saibamos ler e meditar muitas vezes as lições do crucifixo.

 

Cântico final: Ó Cruz vitoriosa, F. da Silva, NRMS 29

 

 

 

Celebração e Homilia:       Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha


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