24º Domingo Comum

17 de Setembro de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

 

cf. Sir 36, 18

Antífona de entrada: Dai a paz, Senhor, aos que em Vós esperam e confirmai a verdade dos vossos profetas. Escutai a prece dos vossos servos e abençoai o vosso povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Convivemos mais com os outros, neste tempo de férias em que ficamos mais livres das ocupações habituais.

É precisamente nesta altura que encontramos em nós, com mais insistência, sentimentos contrários: desejamos manter a nossa personalidade, mas assusta-nos o sermos e agirmos diferentemente dos outros.

E, no entanto, o Senhor continua a dizermos que temos por vocação sermos fermento do mundo, sal da terra e luz no meio das trevas.

Desta vocação nos fala a Liturgia da Palavra deste 24º Domingo do tempo comum.

Peçamos, uma vez mais, humildemente ao Senhor que tenha paciência connosco, nos perdoe os nossos pecados, avive em nós o fogo que dá origem ao arrependimento e ao firme propósito de emenda.

 

Oração colecta: Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, lançai sobre nós o vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor...

 

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías descreve profeticamente com profundo realismo a Paixão do Servo de Iavé. Pela sua coragem e fidelidade à vontade do Senhor, alcança-nos a graça da salvação eterna.

 

Isaías 50, 5-9a

5O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. 6Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. 7Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio e por isso não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido. 8O meu advogado está perto de mim. Pretende alguém instaurar-me um processo? Compareçamos juntos. Quem é o meu adversário? Que se apresente! 9aO Senhor Deus vem em meu auxílio. Quem ousará condenar-me?

 

A leitura é extraída do 3º poema dos célebres Cantos do Servo de Yahwéh, que aparecem dispersos pelo Segundo Isaías. Trata-se de um poema literariamente bem estruturado em estrofes iniciadas da mesma forma: «O Senhor Deus». Neste texto é o próprio Servo (cf. v. 10) quem é apresentado a falar. Apresenta-se «a falar como um discípulo» (v. 4), embora não se trate de um discípulo qualquer: é um discípulo do Senhor (cf. Is 54, 13), instruído pelo próprio Deus, tal como dirá Jesus: «a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7, 16; cf. 14, 24). Segundo o que os Evangelhos deixam ver, a Tradição cristã primitiva logo viu nesta figura uma representação profética de Jesus Cristo e da sua Paixão, ao arrepio das expectativas messiânicas da época.

5 «Eu não resisti nem recuei». Mesmo os maiores profetas e os maiores santos tiveram a consciência clara de opor alguma resistência, embora sem qualquer rebeldia, à acção de Deus, como Moisés e Jeremias (cf. Ex 3, 11; 4, 10; Jer 1, 6). Jesus, porém, identifica-se plenamente com a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; Lc 22, 42).

6 «Apresentei as costas àqueles que me batiam... não desviei o rosto daqueles que me insultavam e cuspiam». Um pleno cumprimento deu-se no relato da Paixão do Senhor, particularmente Mt 26, 67; 27, 26-30; Lc 22, 63-64; etc.

 

Salmo Responsorial    Sl 114 (116), 1-2.3-4.5-6.8-9 (R. 9)

 

Monição: Cristo entregou-Se à Sua Paixão e Morte para nos salvar. Com Jesus arrancado do sepulcro e da morte, constantemente somos alertados das provas de cada dia.

Cantemos com profunda gratidão ao Senhor: Caminharei na terra dos vivos na presença do Senhor.

 

Refrão:         Andarei na presença do Senhor

                      sobre a terra dos vivos.

Ou:                Caminharei na terra dos vivos

                      na presença do Senhor.

Ou:                Aleluia.

 

Amo o Senhor,

porque ouviu a voz da minha súplica.

Ele me atendeu

no dia em que O invoquei.

 

Apertaram-me os laços da morte,

caíram sobre mim as angústias do além,

vi-me na aflição e na dor.

Então invoquei o Senhor:

«Senhor, salvai a minha alma».

 

Justo e compassivo é o Senhor,

o nosso Deus é misericordioso.

O Senhor guarda os simples:

estava sem forças e o Senhor salvou-me.

 

Livrou da morte a minha alma,

das lágrimas os meus olhos, da queda os meus pés.

Andarei na presença do Senhor,

sobre a terra dos vivos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: É bem conhecida esta frase de S. Tiago Apóstolo: «A fé sem obras é morta.»

Com muita facilidade proclamamos o nosso catolicismo, mas faltamos aos compromissos baptismais quando eles exigem de nós algum sacrifício.

 

Tiago 2, 14-18

Meus irmãos: 14De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Poderá essa fé obter-lhe a salvação? 15Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, 16e um de vós lhe disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? 17Assim também a fé sem obras está completamente morta. 18Mas dirá alguém:  «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé.

 

Tiago começa a desenvolver aqui a ideia subjacente a toda a carta: a coerência da vida com a fé, com uma argumentação repetitiva para insistir na mesma ideia nuclear, expressa em termos equivalentes (v. 14.17.18.20.26). Conjugando o método sapiencial e exemplos vivos do A. T. com a pedagogia estóica de perguntas retóricas e de interlocutores fictícios, obtém um belo efeito, desperta o interesse do leitor e convence. Na leitura de hoje o ensino gira à volta duma situação típica, a saber, a do crente que não presta assistência ao irmão (v. 14-17; cf. 1 Jo 3,17). S. Tiago não está em oposição a S. Paulo, como Lutero afirmou, mas coloca-se noutro ponto de vista distinto. S. Paulo quer demonstrar aos judaizantes que as obras da Lei de Moisés são inúteis para obter a salvação, que só Cristo nos traz. S. Tiago pretende visar os crentes que não vivem a fé, e, segundo pensam alguns, apoiando-se numa interpretação abusiva de S. Paulo, o qual também não deixa de apelar para a necessidade das boas obras, uma vez recebido o dom da graça (cf. Rm 2, 6; 6, 15-22; 8, 4.12-13; 12, 9-21; 1 Cor 13, 2-3; Gl 5, 6.19-22). O mesmo texto de Gn 15,6 é citado por ambos, S. Paulo para ensinar a gratuidade da justificação (Rm 4,2-3; Gl 3,5-7) e S. Tiago para inculcar a necessidade duma fé coerente e activa (mais adiante, nos vv. 20-23). S. Paulo tem diante de si a lei judaica e situa-se na fase que precede a justificação, ao passo que S Tiago considera o cristão, o homem já justificado, que tem de viver a sua fé com obras de amor a Deus e ao próximo, e não considera aqui as observâncias próprias do judaísmo. Os ensinamentos estão em plena concordância com o Evangelho: «Nem todo o que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus» (Mt 7, 21).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Gal 6, 14

 

Monição: No coração de Pedro, primeiro Chefe visível da Igreja, lutam um contra o outro dois sentimentos: o amor apaixonado a Jesus Cristo e o medo à Cruz.

Aclamemos o Evangelho da Salvação que nos aponta a verdadeira saída deste combate que todos sentimos dentro de nós.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Toda a minha glória está na cruz do Senhor,

por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 8, 27-35

Naquele tempo, 27Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28Eles responderam: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». 29Jesus então perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias». 30Ordenou-lhes então severamente que não falassem d’Ele a ninguém. 31Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. 32E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O. 33Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens». 34E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 35Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

 

O texto da leitura pode ser considerada como um ponto de charneira na estrutura do Evangelho de S. Marcos. Os vv. 27-29 encerram a primeira parte do Evangelho, com a confissão de fé de Pedro, «Tu és o Messias», a qual não é mais uma resposta entre tantas acerca da pessoa de Jesus, mas é a resposta certa, a resposta da fé à pergunta implícita ao longo da redacção: «Quem é este homem?» Os vv. 30-35 iniciam a segunda parte do Evangelho de Marcos, em que Jesus começa uma instrução aprofundada aos discípulos, revelando a natureza da sua condição de Messias, contra tudo o que era de esperar, bem posto em evidência na oposição frontal do próprio Pedro, que «não compreende as coisas de Deus» (vv. 32-33).

 34-35 «Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me…» Esta passagem evangélica, em termos fortemente paradoxais – um recurso semítico frequente em Jesus para chamar a atenção para um ensinamento importante e a não esquecer –, é uma daquelas que todos os cristãos deviam saber de cor, a par com as outras fórmulas do catecismo (cf. Cathechesi tradendæ). Aceitar e abraçar a cruz é fundamental para o homem alcançar a salvação: para viver é preciso morrer. O fim do homem é o próprio Deus, não é gozar dos bens deste mundo, que são puros meios. Para se chegar a Deus é preciso «renegar-se a si mesmo», renunciando ao comodismo, egoísmo, apego aos bens terrenos, e «tomar a sua cruz», abraçando os sacrifícios que acarreta o dever bem cumprido. Na expressão do Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015: «O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças».

 

Sugestões para a homilia

 

As contradições do ambiente em que vivemos

Vivemos continuamente em recta de colisão com a mentalidade do ambiente, com o pensar e agir do meio em que vivemos.

Na mentalidade em que se vive hoje, é proibido ser diferente dos outros, pensar de modo diverso e, como consequência, sentimos uma grande pressão psicológica para nos configurarmos com o modelo único.

Isto é tanto mais de admirar, quando ouvimos proclamar em cada instante a liberdade pessoal, expressa na fórmula: «É proibido proibir!»

Se nos deixássemos levar por estas exigências, poríamos em causa um princípio fundamental da fé: onde estaria a nossa missão de fermento, de sal e de luz para um mundo novo.

O exemplo dos primeiros cristãos

Não foi conformando-se com o ambiente de então que os primeiros cristãos modelaram um mundo novo. Revolucionaram os costumes, santificaram as festas e fermentaram o mundo para o respeito pelos direitos humanos.

Fizeram-no em circunstâncias imensamente mais difíceis do que aquelas em que vivemos hoje. Não podiam manifestar a sua condição de cristãos, porque, o fazê-lo, custar-lhes-ia a vida.

A escravidão da moda no vestir, afecta sobretudo a mulher. Mas o homem também não fica isento desta pressão social: no perdão das ofensas, na fidelidade matrimonial, na seriedade dos negócios e no uso racional dos bens à sua disposição.

Também o respeito humano sufoca na garganta as convicções cristãs e vive-se, muitas vezes, uma vida dupla.

Uma falsa compaixão e respeito pela liberdade, leva as pessoas a estar de acordo com as atitudes mais absurdas. Pense-se, por exemplo, no drama que se vive à volta dos problemas que se relacionam com a vida humana: o aborto, – crime encoberto com a expressão «interrupção voluntária da gravidez» –, com a eutanásia – enfeitada com a mentira do «direito a morrer com dignidade»; em tudo o que diz respeito à origem da vida, pelas expressões «sexo seguro» e uso de todas as drogas como se a pessoa humana vivesse livre de qualquer norma moral.

Teima-se em viver cristianismo sem Cristo

A par disto, muitas pessoas continuam a teimar em chamar-se católicas, embora as suas vidas nada tenham a ver com o cristianismo.

O Senhor pede-nos a fortaleza do «Servo de Iavé».

Precisamos, além disso, de vencer o medo ao sofrimento corredentor. Somos a família dos filhos de Deus que vive, na teoria e na prática, a comunhão.

Procuramos viver duas virtudes: a fortaleza com que vencemos o medo e a generosidade com que ajudamos os outros, tantas vezes em dificuldade de salvação eterna.

Aqui encontramos o natural e normal medo ao sofrimento, exagerado pela falta de fé, de confiança em nossa filiação divina.

Com efeito, se não espero mais nada para além da morte e se o que sofro é para mim e fica apenas em mim, que força me poderá levar a não procurar uma vida cómoda, irresponsável diante os males alheios?

O Salmo responsorial é uma oração magnífica para cantarmos muitas vezes ao dia: Caminharei na terra dos vivos na presença do Senhor.

Fé inabalável em Jesus Cristo e uma intimidade crescente com Ele

Hoje muitos consideram Jesus Cristo como um homem bom, bem intencionado, mas não passam além desta superficialidade.

Encaram a Sua doutrina como um conjunto de bons conselhos que tentam seguir quando lhes convém e não exigem qualquer sacrifício.

A vida presente passa inevitavelmente pelo mistério da Cruz. A confissão de Pedro na divindade de Jesus Cristo foi inspirada pelo Espírito Santo, e o Mestre escolheu este momento para fazer a revelação do mistério.

Mas tem o cuidado de não separar esta verdade do mistério da Cruz, e passa imediatamente a falar da Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Ele nunca separa estas três verdades porque, de facto, são inseparáveis.

No entanto, nós sentimos a tentação de as separar, como fez Pedro.

Participamos na vida de Cristo, e formamos um só corpo com Ele. Por isso, somos corredentores dos nossos irmãos. É urgente ajudá-los a mudar de vida, a converterem-se, a libertarem-se das suas peias, enquanto não passa o tempo válido para o fazer. Temos por diante um vasto programa de oração, mortificação e apostolado.

Um doente em estado terminal, uma pessoa idosa que vai ficando de cada vez mais dependente, não são pesos insuportáveis para a família, mas uma das maiores fontes de graças que ali jorram para a vida eterna de todos.

Todas as vezes que participamos na renovação do mistério pascal de Jesus Cristo, na Santa Missa, O espírito Santo aviva em nós esta verdade confortante.

Foi assim que Maria encarou ao pé da Cruz os sofrimentos do Servo de Iavé que é seu Filho.  

 

 

Oração Universal

 

Felizes e agradecidos pelo dom inestimável da fé,

oremos humildemente ao Senhor que nos dá a vida,

pedindo-Lhe humildemente que nos torne fiéis

até ao último momento da vida mortal na terra,

dizendo (cantando) com a alegria dos filhos de Deus:

Ensinai-nos, Senhor, os nossos caminhos.

 

1. Para que todos nós, unidos a Cristo pregado na Cruz,

saibamos resistir à tentação de viver como  os outros,

oremos, irmãos.  

 

2. Para que o Santo Padre, com os Bispos em união com ele,

ilumine intensamente os homens com a luz do Evangelho,

oremos, irmãos.

 

3. Para que os cristãos resistam à tentação de nivelarem

a sua conduta pelo comportamento imoral do ambiente,

oremos, irmãos.

 

4. Para que os doentes terminais e os idosos limitados

encontrem nos seus familiares e amigos o conforto,

oremos, irmãos.

 

5. Para que todos nós, aqui reunidos em comunhão,

nos esforcemos por sermos fermento, sal e luz,

oremos, irmãos.

 

6. Para que os nossos irmãos na fé que já partiram

e se purificam antes de entrar no Céu para sempre,

nos ajudem a viver generosamente a nossa fé,

oremos, irmãos.

 

Senhor Jesus Cristo, que viestes ao mundo

para nos dar os tesouros da salvação eterna,

ensinai-nos a perder o medo à Cruz de cada dia

e a dar testemunho da nossa alegria de filhos de Deus.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, com bondade as nossas súplicas e recebei estas ofertas dos vossos fiéis, para que os dons oferecidos por cada um de nós para glória do vosso nome sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Paz

 

A verdadeira paz é aquela que só Jesus Cristo nos pode dar. É fundada no Amor de Deus e só com o esforço pessoal a podemos conquistar.

Nesta saudação da paz, desejemos uns aos outros este tesouro que custou todo o Sangue de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor levou-nos pela mão, depois da iluminação pela Sua Palavra, até à comunhão total com Ele.

Peçamos-Lhe que esta comunhão nos conserve unidos a Ele para sempre.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 35, 8

Antífona da Comunhão: Como é admirável, Senhor, a vossa bondade! A sombra das vossas asas se refugiam os homens.

Ou:           Salmo 35, 8

O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é comunhão no Corpo do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da Comunhão: Senhor nosso Deus, concedei que este sacramento celeste nos santifique totalmente a alma e o corpo, para que não sejamos conduzidos pelos nossos sentimentos mas pela virtude vivificante do vosso Espírito. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Somos enviados para o meio dos nossos irmãos, na família, no trabalho e em todas as encruzilhadas humanas.

Não esquecemos que, em qualquer lugar, o Senhor quer que sejamos fermento, sal e luz de todos os que encontrarmos em nossos caminhos.

 

Cântico final: Senhor fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

 

Homilias Feriais

 

24ª SEMANA

 

feira, 18-IX: Edificar através da Eucaristia.

1 Cor. 11, 17-26. 33 / Lc. 7, 1-10

Sempre que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

A Igreja vive da Eucaristia desde os primeiros tempo: «No Cenáculo, os Apóstolos, tendo aceite o convite de Jesus: ‘Tomai, comei’…, entraram pela primeira vez em comunhão sacramental com Ele. Desde então, e até ao final dos séculos, a Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus imolado por nós» («Igreja vive da Eucaristia», 21).

Para edificarmos a nossa vida sobre a Eucaristia procuremos melhorar as nossas disposições para recebermos bem o Senhor na Comunhão. Sigamos o exemplo do centurião (cf. Ev.) que a Igreja nos propõe para esse momento: fé, humildade e delicadeza.

 

feira, 19-IX: S. Januário: Imitar a misericórdia de Jesus.

1 Cor. 12,  12-14. 27-31 / Lc. 7, 11-17

E vinha com ela (a viúva) bastante gente da cidade. Ao vê-la o Senhor compadeceu-se e disse-lhe: Não chores.

Jesus veio carregar com as nossas misérias sobre os seus ombros, veio compadecer-se dos que sofrem, como a viúva de Naim (cf. Ev.). «Jesus faz da misericórdia um dos temas principais da sua pregação… São muitos os passos dos ensinamentos de Cristo que manifestam o amor-misericórdia sob uma espécie sempre nova» («Rico em misericórdia», 3)

À semelhança de Cristo todos devemos ser igualmente misericordiosos para com os outros: «todos os membros do corpo constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo» (Leit.). S. Januário, martirizado no tempo de Diocleciano, continua a usar da sua misericórdia, especialmente para com a cidade de Nápoles.

 

feira, 20-IX: S. André Kim, Paulo Chang e Comp.: A Magna Carta do serviço.

1 Cor. 12, 31- 13, 13 / Lc. 7, 31-35

Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo.

E este caminho de perfeição é o caminho da caridade. «No seu hino à caridade (cf. 1 Cor. 13), S. Paulo ensina-nos que a caridade é sempre algo mais do que mera actividade: ‘Ainda que eu distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita’. Este hino deve ser a Magna Carta de todo o serviço eclesial(«Deus é amor», 34).

S. André Kim, primeiro sacerdote coreano, e Paulo Chang, leigo, foram martirizados na Coreia, pondo a sua vida ao serviço da fé. Com esta sementeira houve abundantes conversões à fé católica.

 

feira, 21-IX: S. Mateus: A importância da Palavra de Deus.

Ef. 4, 1-7. 11-13 / Mt. 9, 9-13

Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me.

Logo que foi chamado pelo Senhor, S. Mateus deixou tudo para se dedicar ao seu serviço. A partir de então pode acompanhá-lo, ser testemunha da sua vida e ensinamentos, dos milagres, da Última Ceia, etc. Deixou-nos um precioso documento: o seu Evangelho.

«Nos Livros Sagrados, o Pai que está nos céus sai amorosamente ao encontro dos seus filhos para conversar com eles…A Palavra de Deus é, em verdade, apoio e vigor da Igreja, e fortaleza da fé para os seus filhos, alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual» («Dei Verbum», 2).

 

feira, 22-IX: O contributo específico da mulher.

1 Cor. 15, 12-20 / Lc. 8, 1-3

Andavam com Ele os doze, bem como algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos maligno e de enfermidades.

O Evangelho mostra como estas mulheres seguem e servem o Senhor, como estão ao pé da Cruz e como vão em primeiro lugar ao sepulcro.

«A Igreja está ciente do contributo específico da mulher para o serviço do Evangelho e da esperança. A história da comunidade cristã atesta que as mulheres sempre tiveram um lugar de relevo no testemunho do Evangelho. Recorde-se tudo o que elas fizeram, muitas vezes em silêncio e sem dar nas vistas, para acolher e transmitir o dom de Deus, seja mediante a maternidade física e espiritual, a acção educativa, a catequese, a realização de grandes obras de caridade» (J. Paulo II).

 

Sábado, 23-IX: Provações e crescimento de virtudes.

1 Cor. 15, 35-37. 42-49 / Lc. 8, 4-15

E a semente que ficou na terra boa são aqueles que ouviram a palavra com um coração recto e bom, a conservaram e, com perseverança, dão fruto.

Ambas as Leituras referem as sementeiras e as sementes. S. Paulo lembra: «O que tu semeias não volta à vida sem morrer» (Leit.). Isto significa que, sem o sacrifício, não pode haver frutos na vida de um cristão.

Jesus fala dos terrenos que recebem a sementeira de Deus. Num dos terrenos, o demónio tenta arrancar a palavra do coração: «O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação necessária ao crescimento interior em vista duma virtude comprovada» (CIC, 28479). Mais uma vez se verifica que, para o crescimento das virtudes, é necessária a provação, o sacrifício.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial