25º
Domingo Comum
24 de Setembro de 2006
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23
Antífona
de entrada: Eu sou a salvação do
meu povo, diz o Senhor. Quando chamar por Mim nas suas tribulações, Eu o
atenderei e serei o seu Deus para sempre.
Introdução ao
espírito da Celebração
Nós vivemos numa
sociedade profundamente competitiva. Desde pequenos que assimilamos a ideia de
que, se não se for bonito, esperto, endinheirado e atraente, nunca se terá
sucesso na vida. Daí a fonte dos inúmeros conflitos existentes entre os homens
e também em muitas comunidades cristãs.
A liturgia da Palavra
deste domingo vem-nos recordar que o discípulo de Jesus deve fazer-se pequeno e
considerar-se ao serviço dos mais pobres, segundo a sabedoria de Deus.
Oração
colecta: Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no
amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos
a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: O
«justo», porque leva uma vida exemplar, torna-se uma pessoa incómoda demais,
pois a sua atitude constitui uma reprovação silenciosa. Por tal motivo deve ser
eliminado. É este o conteúdo da primeira leitura que vamos escutar.
Sabedoria 2, 12.17-20
Disseram os ímpios: 12«Armemos
ciladas ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras; censura-nos as
transgressões à lei e repreende-nos as faltas de educação. 17Vejamos
se as suas palavras são verdadeiras, observemos como é
a sua morte. 18Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá
e o livrará das mãos dos seus adversários. 19Provemo-lo com ultrajes
e torturas para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência. 20Condenemo-lo
à morte infame, porque, segundo diz, Alguém virá socorrê-lo.
A escolha deste texto foi ditada pela leitura evangélica de hoje, em que temos o 2.° anúncio da Paixão e Morte do Senhor. O contexto desta passagem é o da descrição da vida desaforada dos ímpios, que não se limitam a gozar desenfreadamente dos prazeres da vida, mas vão ao ponto de não tolerarem a vista do justo, que é para eles uma constante repreensão; por isso dedicam-se a atormentá-lo e a escarnecê-lo, num desafio irónico a Deus, a quem o justo considera Pai, para que o venha socorrer. E, se Deus não lhe vem acudir, então os ímpios cantam vitória. Os sofrimentos, provações e zombarias a que está sujeito um justo vêm a ser as mesmas que sofre o justo por excelência, Jesus Cristo. Quando em Jesus se cumpriram estas palavras proféticas, foi possível à Igreja, segundo o atesta a Tradição Patrística e a Liturgia, descobrir uma plenitude de sentido nas palavras do hagiógrafo (sentido típico, ou também sentido plenário). «É diante do nosso crucifixo que podemos e devemos mesmo, meditar esta passagem, e nesta contemplação acharemos a força para seguir, se tal é a vontade de Deus a nosso respeito, o divino Justo perseguido, na via do opróbrio» (Pirot-Clamer).
18 «Se o justo é filho de Deus…». Nos livros mais recentes do A. T., o título de filho de Deus aplica-se a todos os justos e mais propriamente ao Messias.
Salmo Responsorial Salmo 53, 3-4. 5. 6. 8
Monição: O salmo que vamos recitar é uma resposta à
leitura anterior. Nele, perante a opressão causada pelos injustos, o íntegro
mostra-se confiante na fidelidade do Senhor, que sustenta a sua vida e o salva.
Por isso, canta glória a Deus.
Refrão: O
Senhor sustenta a minha vida.
Senhor, salvai-me pelo
vosso nome,
pelo vosso poder fazei-me justiça.
Senhor, ouvi a minha
oração,
atendei às palavras da minha boca.
Levantaram-se contra
mim os arrogantes
e os violentos atentaram contra a minha vida.
Não têm a Deus na sua
presença.
Deus vem em meu
auxílio,
o Senhor sustenta a minha vida.
De bom grado
oferecerei sacrifícios,
cantarei a glória do vosso nome, Senhor.
Segunda Leitura
Monição: O egoísmo leva ao domínio sobre os outros. Daqui derivam as
incompreensões, a maldade, a falta de generosidade, a inveja e a hipocrisia. É
a análise da sabedoria de Deus que S. Tiago põe à nossa consideração nesta
leitura.
Tiago 3, 16 - 4, 3
Caríssimos: 16Onde
há inveja e rivalidade, também há desordem e toda a espécie de más acções. 17Mas
a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de
misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia. 18O fruto
da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. 1De
onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é
precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? 2Cobiçais e
nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada:
então entrais em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis. 3Pedis
e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas
paixões.
Tiago, um verdadeiro «sábio» cristão, explica agora em que consiste a sabedoria cristã; depois de apelar para que esta se mostre com obras (v. 13), denuncia uma falsa sabedoria, «a terrena, a da natureza corrompida (psykhikê/animalis), a diabólica», que, por proceder da soberba, leva a uma «inveja amarga», e a um «espírito dado a contendas» (v. 14), «desordem e toda a espécie de más acções» (v. 16). A esta contrapõe «a sabedoria que vem do alto», que qualifica com uma série de dotes (vv. 17-18) que fazem lembrar os que S. Paulo atribui à caridade em 1 Cor 13.
18 Este versículo forneceu o lema a Pio XII: «opus iustitia pax». Na Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica traduzimos: «E é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz»: Uma colheita (um fruto) de justiça é a santidade, a conformidade com Deus e a sua palavra, manifestada nas obras, como reflexo da autêntica sabedoria. Este versículo é uma bela síntese jacobeia (cf. Is 32, 17-18; Mt 5, 9; Filp 1, 11; Hebr 12, 11).
4, 1-3 S. Tiago, após ter caracterizado a sabedoria cristã como uma sementeira de paz, passa a fustigar uma série de atitudes contrárias e incoerentes com a fé: as discórdias (4, 1-12), a presunção (v. 13-16) e a avareza (5, 1-6). E começa por se interrogar: «De onde vêm as guerras?» Se a sabedoria leva à paz, como pode haver conflitos entre os fiéis? «Das vossas paixões», que é preciso controlar. Como dizia João Paulo II logo no início do seu pontificado, «Não bastam as análises sociológicas para trazer a justiça e a paz. A raiz do mal está no interior do homem (cf. Mc 7, 21). O remédio, portanto, parte também do coração». Sem a reforma interior, todas as outras reformas não fazem mais do que adiar a verdadeira solução e agravar muitos males (cf. Rom 7, 14-25; Gal 5, 17; 1 Pe 2, 11).
Aclamação ao
Evangelho 2 Tes
2, 14
Monição: A comunidade cristã deve agradecer a Deus, pois, ouvindo o Evangelho, abraçando o compromisso da fé e
abrindo-se para dar o testemunho de Jesus Cristo, já se encontra no caminho da
salvação.
Aleluia
Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51
Deus chamou-nos por
meio do Evangelho,
para alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
Evangelho
São Marcos 9, 30-37 (29-36)
Naquele tempo, 30Jesus
e os seus discípulos caminhavam através da Galileia, mas Ele não queria que
ninguém o soubesse; 31porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes:
«O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-l'O; mas Ele, três dias depois de morto,
ressuscitará». 32Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e
tinham medo de O interrogar. 33Quando chegaram a Cafarnaum
e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?» 34Eles
ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era
o maior. 35Então, Jesus sentou-Se, chamou
os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o
servo de todos». 36E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles,
abraçou-a e disse-lhes: 37«Quem receber uma destas crianças em meu
nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que
Me enviou».
Entramos hoje na leitura da 2ª parte do Evangelho de Marcos. A 1ª parte culminou na confissão de fé de Pedro (Mc 8, 29 – no passado domingo), que, segundo a estrutura teológica deste Evangelho, dá a resposta certa à interrogação fulcral das pessoas: «Quem é este?»; a partir de então, Jesus começa a revelar o que significa ser o Messias e o modo como tem de realizar a sua missão: será um Messias rejeitado, que deverá morrer na cruz para depois ressuscitar, mas «os discípulos não compreendiam» (v. 31), como Marcos não se cansa de sublinhar. A confissão de Pedro e a do centurião no Calvário (15, 39) ilustram o título que Marcos pôs à sua obra: «Evangelho de Jesus, o «Messias», o «Filho de Deus»».
A leitura junta hoje duas perícopes: o 2º anúncio da Paixão (vv. 30-32) e a discussão sobre quem é o maior no Reino (vv. 33-37).
34 «O último de todos e o servo de todos». Duma penada, Jesus corta pela raiz toda a ambição de poder dentro da sua Igreja, que desgraçadamente pode infectar tanto os membros da hierarquia como os leigos, por vezes ainda mais ciosos de poder dentro da Igreja. Jesus deixou bem claro que a autoridade é uma forma de serviço humilde e discreto, alheia a clericalismos e protagonismos (cf. Mt 20, 28; Jo 13, 14-17).
35 «Receber uma criança…: o gesto de Jesus de abraçar uma criança é um gesto profético, uma verdadeira acção simbólica. Se nos reportarmos à época, abraçar um menino não era um gesto corrente, sobretudo num mestre, pois as crianças não eram objecto de carinho dos adultos, mas sim de desprezo. Assim Jesus ensinava aos Apóstolos que a sua grandeza estava em acolher com afecto e humildade aqueles que não têm valor aos olhos do mundo, como as crianças, os pobres, os doentes e em geral todos os necessitados; fazer isto «em nome de Cristo», por amor a Ele, é acolhê-lo a Ele.
Sugestões para a
homilia
O medo dos discípulos
O serviço aos irmãos
A sabedoria de Deus
O
medo dos discípulos
Conforme ouvimos na
proclamação do Evangelho, «os discípulos não compreendiam as palavras de Jesus
e tinham medo de o interrogar». Na verdade, Jesus tinha começado a
esclarecê-los sobre a sua verdadeira identidade e do modo como haveria de
terminar a sua caminhada terrena. Ora, eles não o queriam compreender porque
esperavam um Messias triunfador dos inimigos e não um Messias sofredor.
Este medo dos
discípulos representa a dúvida que inevitavelmente surge em todos os que querem
confrontar-se lealmente com Cristo e com o seu Evangelho. Quando Ele revela o
seu rosto de «Servo», que oferece a sua vida, e exige que sigam os seus passos,
o mais natural é ter medo.
É precisa muita
coragem para O escutar e para O interrogar, procurando compreender quem é e o
que quer. É mais fácil recitar orações do que fazer uma pausa para reflectir
naquilo que Ele nos pede. Tais práticas devocionais mantêm-nos nas nossas
convicções, nos nossos hábitos e ideias, enquanto a Palavra de Deus põe a
descoberto todas as nossas fraquezas e misérias, exigindo conversão, mudança de
mentalidade e de vida num serviço concreto aos irmãos.
O
serviço aos irmãos
Esta falta de coragem
em procurar a verdade leva os discípulos a não quererem compreender as palavras
do Mestre e a continuarem a centrar a sua preocupação nos seus problemas
insignificantes e caricatos: «Quem será o maior entre nós?», interrogavam-se
eles. Mas Jesus é muito directo: «Se alguém quiser ser o primeiro, seja o
último de todos e o servo de todos».
Na comunidade cristã,
ao contrário da comunidade civil, quem ocupa o primeiro lugar deve dispensar
todos os sinais de grandeza. A comunidade não é o lugar adequado para atingir
posições de prestígio, para subjugar os outros, para se impor. É o espaço onde
cada um, consoante os dons recebidos do Senhor, exalta a própria estatura
servindo os irmãos mais frágeis e indefesos, de que as crianças são o modelo
simbólico a imitar. O gesto de Jesus é claro e significativo ao colocar a
criança no meio deles: A criança depende inteiramente dos adultos, nada produz,
só gasta, tem necessidade de ajuda, facilmente arranja confusão e acidentes se
não é controlada.
Por isso, Ele quer
que o grupo dos seus discípulos ponha no centro da sua atenção, das suas
inquietações, das suas actividades e propósitos, os mais pobres, os que não
contam, os marginalizados, as pessoas menos correctas.
Seremos capazes de
«estreitar», os que, já mais idosos, ainda precisam de assistência como as
«crianças»; os pobres; aqueles que «não dizem coisa com coisa»; os que não
sabem o que dizem; os mal-educados; os que são dificuldade para os outros; os
que não produzem?
O que faz cada um de
nós e a nossa comunidade por esses «meninos»?
Os que seguem tais
princípios vão ao encontro da perseguição, porque apoquentam, abanam os que
continuam a construir a própria vida segundo a lógica da competição, do domínio
e da exploração dos mais fracos. E é neste serviço que se identifica a
sabedoria de Deus.
A
sabedoria de Deus
Segundo S. Tiago, «a
sabedoria que vem do alto» manifesta-se em compreensão, bondade, misericórdia,
paz, generosidade e nela não há inveja nem hipocrisia. Só os que se deixam
guiar por esta «sabedoria» se tornam construtores de paz, porque abandonam o
egoísmo e o domínio sobre os outros.
Por vezes pedimos a
Deus coisas para gastar com os próprios prazeres e esquecemo-nos de pedir a
sabedoria, a capacidade de compreender a única coisa que vale na vida e que é
este serviço aos irmãos, como esclarece a segunda leitura.
É altura para cada um
de nós se interrogar: Como tenho agido, segundo a sabedoria de Deus, ou a
competitividade dos homens? O que terei de modificar na minha vida?
Oração Universal
Irmãos,
oremos a Deus nosso Pai
com toda a confiança,
movidos pela acção do Espírito,
que sopra onde quer,
e por intermédio de Jesus Cristo, nosso
salvador, rogando:
Senhor, nossa
força e consolação, ouvi-nos
1. Pelo Papa, Bispos, Presbíteros e Diáconos,
para que, fiéis ao ensinamento de Cristo,
sejam fortes no auxílio aos mais pobres,
oremos, irmãos.
2. Pelos animadores das nossas comunidades,
para que se deixem guiar pela sabedoria de Deus
e
não segundo a sabedoria dos homens,
oremos, irmãos.
3. Por todos os governantes das nações,
para que consigam fazer gestos simples
e espontâneos de hospitalidade e aproximação,
tornando-se assim construtores de paz,
oremos, irmãos.
4. Por todos os cristãos,
para que, pelas suas atitudes,
sejam portadores de esperança e concórdia
nesta sociedade competitiva e conflituosa,
oremos, irmãos.
5. Pelos membros empenhados da nossa comunidade,
para que tenham espírito de serviço
e manifestem compreensão, bondade e misericórdia,
oremos, irmãos.
6. Para que cada um de nós
consiga arrancar de si mesmo o egoísmo,
transformando-o em generosidade
e gestos de amor pelos outros,
oremos, irmãos.
Senhor nosso Deus e
nosso Pai,
dai a cada homem um coração
que se deixe conduzir pelo Espírito,
e que acolha, com alegria,
a Boa Nova anunciada pelo vosso Filho.
Ele que é Deus
convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Bendito seja Deus, bendito seja,
Az. Oliveira, NRMS 48
Oração
sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons da vossa Igreja, para
que receba nestes santos mistérios os bens em que pela fé acredita. Por Nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito
Santo.
Santo: F. da Silva, NRMS 38
Monição da Comunhão
Peçamos a Deus nosso
Pai que aceite a nossa boa vontade e nos ajude, através da comunhão do sagrado
Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, a tornarmo-nos motivo de paz,
compreensão, generosidade e misericórdia para os homens nossos irmãos.
Cântico
da Comunhão: Em vós Senhor está a fonte da vida,
Az. Oliveira, NRMS 67
Salmo 118, 4-5
Antífona
da comunhão: Promulgastes,
Senhor, os vossos preceitos para se cumprirem fielmente. Fazei que meus passos
sejam firmes na observância dos vossos mandamentos.
Ou
Jo 10, 14
Eu sou o Bom Pastor,
diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.
Cântico
de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva,
NRMS 70
Oração
depois da comunhão: Sustentai, Senhor, com o auxílio da vossa graça
aqueles que alimentais nos sagrados mistérios, para
que os frutos de salvação que recebemos neste sacramento se manifestem em toda
a nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Saibamos evitar o
dedo apontado em atitude arrogante de quem impõe a sua própria vontade; as mãos
que roubam e os dedos que apontam; os olhares sobranceiros, invejosos ou
maldosos que dividem; os pés que nos conduzem por caminhos de vingança, mas
sejamos capazes de estar ao serviço dos nossos irmãos mais carenciados como
construtores de justiça, de bem e de paz.
Cântico
final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda,
NRMS 43
Homilias Feriais
25ª SEMANA
2ª feira, 25-IX: A actuação da graça de Deus.
Prov. 3, 27-34 / Lc. 8, 16-18
Pois
àquele que tiver dar-se-á, mas, àquele que não tiver, até o que julga ter lhe
será tirado.
Assim actua a graça de Deus nas nossas almas. Quando
correspondemos à graça, recebemos novas graças; mas, quando não nos empenhamos
em ser dóceis às ajudas do Espírito Santo, ficamos cada vez mais pobres. A vida espiritual exige sempre um progresso,
uma correspondência, um novo empenho. Pelo contrário, quem não avança
retrocede: «Se disseres basta, estás perdido» (S. Agostinho).
Deus abençoa e concede
novos favores quando encontra boas
disposições: «Ele abençoa a residência dos justos… aos humildes concede o
seu favor… os sábios hão-de alcançar a glória» (Leit.).
3ª feira, 26-IX: S. Cosme e Damião:
Características da ‘família de Jesus’.
Prov. 21, 1-6. 10-13 / Lc. 8, 19-21
Mas
Jesus respondeu-lhes: minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra
de Deus e a põem em prática.
Quem pertence à família de Jesus? «O germe e começo do
reino é o pequeno rebanho daqueles que Jesus veio congregar ao seu redor e dos
quais Ele próprio é o pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus (cf. Ev.)»
(CIC, 764).
Esta família é
caracterizada pelo cumprimento da vontade
de Deus: quem fizer a vontade do Pai que está nos céus; tem uma nova
maneira de agir (ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática); e uma oração
própria (o Pai nosso) (cf. CIC. 764). Os S.
Cosme e Damião eram irmãos médicos que preferiram
morrer martirizados a deixar de fazer parte da família de Deus.
4ª feira, 27-IX: S. Vicente de Paulo: Apoio nos meios
sobrenaturais.
Prov. 30, 5-9 / Lc. 9, 1-6
Disse-lhes
então: Não leveis nada para o caminho, nem cajado, nem saco, nem pão, nem
dinheiro.
Jesus quer ensinar os
Apóstolos, quando os envia para a primeira missão apostólica, que têm que
aprender a apoiar-se nos meios
sobrenaturais, pois é Ele quem dá toda a eficácia.
A mesma confiança se há-de notar nos pedidos que
fazemos na nossa oração: «Duas coisas vos peço, Senhor: não mas negueis até que
eu morra…não me deis pobreza nem fortuna… É que na
abundância poderia renegar-vos» (Leit.). S. Vicente de Paulo entregou a sua vida
ao serviço dos pobres e à formação do clero.
5ª feira, 28-IX: S. Venceslau: Desejo de vero rosto de Cristo.
Co.
1, 2-11 / Lc.
9, 7-9
(Herodes): Mas quem é este homem, de quem oiço dizer tais
coisas? E procurava maneira de ver Jesus.
O desejo de ver o rosto de Cristo é fundamental para
a nossa vida, pois n’Ele Deus nos abençoa, fazendo resplandecer sobre nós a luz
do seu rosto. Sendo ao mesmo tempo Deus e homem, Ele revela-nos também o rosto
autêntico do homem, revela o homem a si mesmo» (João Paulo II)
O resto das coisas
acaba por ser uma desilusão: «todas as coisas produzem cansaço, ninguém o pode
explicar; o olhar não consegue ver bastante…» (Leit.).
S. Venceslau, mártir, contribuiu
muito para a implantação do cristianismo no ducado da Boémia, começada por S. Cirilo e Metódio.
Celebração e Homilia: António
Elísio Portela
Nota Exegética: Geraldo
Morujão
Homilias Feriais: Nuno
Romão
Sugestão Musical: Duarte
Nuno Rocha