Arcanjos
S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael
29 de Setembro de 2006
Festividade
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Somos a Igreja de Cristo, M. Silva,
NRMS 17
Sl 102, 20
Antífona
de entrada: Bendizei ao Senhor
todos os seus Anjos, poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua
palavra.
Diz-se o Glória
Introdução ao
espírito da Celebração
Os Anjos são
espíritos celestes a quem foi confiada uma determinada missão. Entre estes «puros
espíritos» destacam-se três a quem é dedicada especial devoção e veneração: S.
Miguel, S. Gabriel e S. Rafael. É destes seres invisíveis, espíritos da corte
celestial que a Igreja celebra neste dia a festa litúrgica e queremos honrar.
Oração
colecta: Senhor Deus do
universo, que estabeleceis com admirável providência as funções dos Anjos e dos
homens, concedei, propício, que a nossa vida seja protegida na terra por
aqueles que eternamente Vos assistem e servem no Céu. Por Nosso Senhor...
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: No caso
da profecia – O Profeta refere-se a um Ancião, diante do qual centenas de
milhões se encontravam na sua presença para, na linguagem do profeta, louvar a
Deus e cantar as suas glórias.
Ou -
No caso do Livro do Apocalipse - O Apocalipse apresenta Miguel como chefe e
grande guardião da honra divina.
Daniel 7, 9-10.13-14
9Estava eu a olhar,
quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram
brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono
eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo
corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de
miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava
eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a
um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua
presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos
os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu
reino jamais será destruído.
Ver notas de CL, atrás neste mesmo número, na Festa da Transfiguração do Senhor.
Ou:
Apocalipse 12, 7-12a
7Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus
Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também, 8mas
foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre. 9Foi
expulso o enorme Dragão, a antiga serpente, aquele que chamam Diabo e Satanás,
que seduz o universo inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos
foram precipitados com ele. 10Depois ouvi
no Céu uma voz poderosa que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a
realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi precipitado o
acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso
Deus. 11Eles venceram-no, graças ao sangue do Cordeiro e à palavra
do testemunho que deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte. 12Por
isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais».
7 Houve um combate. É difícil determinar a que combate concreto se refere o texto sagrado. Não parece tratar-se aqui da rebelião dos Anjos maus no momento da sua criação (cf. Mt 25, 41; 2 Pe 2, 4), como alguns pensam, uma vez que o contexto nos situa nos tempos cristãos. Assim, prefere-se ver a luta tremenda desencadeada pelo demónio contra Cristo e os fiéis (os «nossos irmãos» - v. 10), a partir sobretudo da Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus (cf. v. 5b).
«Miguel» - em hebraico Mi-kha-el - quer dizer «quem como Deus?». Era o protector do antigo povo de Deus (Dan 10, 13.21), e que aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo de Deus.
«O Dragão». É identificado no v. 9, com a «antiga serpente» que tentou os primeiros pais, por isso se chama antiga; é «aquele que chamam Diabo e Satanás». Diabo é um nome grego correspondente ao hebraico - Xatan (aramaico - xataná), que significa caluniador, acusador, adversário.
Salmo Responsorial Sl 137 (138),
1-2a.2bc-3.4-5 (R. 1c)
Monição: O
salmista acompanha o hino de louvor dos anjos e reza: na presença dos Anjos vos
hei-de louvar, Senhor.
Refrão: Na
presença dos Anjos,
eu Vos louvarei, Senhor.
De todo o coração,
Senhor, eu Vos dou graças,
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos
hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo
santo.
Hei-de louvar o vosso
nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a
vossa promessa.
Quando Vos invoquei,
me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.
Todos os reis da terra
Vos hão-de louvar, Senhor,
quando ouvirem as palavras da vossa boca.
Celebrarão os caminhos
do Senhor,
porque é grande a glória do Senhor.
Aclamação ao
Evangelho Sl 102 (103), 21
Monição: Sendo
os anjos puros espíritos, a linguagem do Evangelho só pode ser de alegria e
louvor como vamos ouvir.
Aleluia
Cântico: F. da Silva, NRMS 46
Bendizei o Senhor
todos os seus exércitos,
poderosos executores da sua vontade.
Evangelho
São João 1, 47-51
Naquele tempo, 47Jesus
viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse:
«Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». 48Perguntou-lhe
Natanael: «De onde me conheces?». Jesus
respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo
da figueira». 49-lhe Natanael: «Mestre, Tu
és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». 50Jesus respondeu:
«Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas
maiores do que estas». E acrescentou: 51«Em verdade, em verdade vos
digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho
do homem».
Filipe não tinha guardado para si a grande alegria de ter tido a dita de encontrar o Messias anunciado pelos Profetas, mas comunicara-a a seu amigo Natanael, que se mostrou incrédulo em face da procedência humilde de Jesus, filho dum carpinteiro de Nazaré, quando o Messias devia ser descendente de David e procedente de Belém. Filipe não se desmoraliza com as razoáveis objecções do amigo e também não confia nas explicações que o seu próprio engenho poderia excogitar; opta por convidar o amigo a aproximar-se pessoalmente de Jesus: «vem e verás» (v. 46).
47 «Natanael». Nome semítico que significa «dom de Deus». Deveu ser um dos Doze Apóstolos (cf. Jo 21, 2); mas qual deles? Muito provavelmente era Bartolomeu, o qual teria dois nomes, sendo este último um nome patronímico (filho de Tolmay), como o patronímico de Simão Pedro, Baryona (filho de Jonas). Esta identificação é deduzida dos diversos catálogos dos Apóstolos que nos deixaram os Sinópticos, onde Bartolomeu sempre se segue a Filipe, aquele Apóstolo que levou Natanael a Jesus (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14).
48 «Eu vi-te, debaixo da figueira». Natanael sentiu que o olhar de Jesus penetrava os mais profundos recônditos da sua alma, pois algo de significativo devia ter passado no seu coração naquela hora e naquele local exacto a que Jesus se referia, e que só Deus podia conhecer.
49 «Tu é o Filho de Deus… Rei de Israel» - títulos messiânicos procedentes do Salmo 2. A intencionalidade do Evangelista (cf. 20, 31) evidencia-se ao apresentar, desde a primeira hora, confissões explícitas de fé em Jesus (cf. Mt 14, 33; 16, 16).
51 «Os Anjos de Deus subindo e descendo…» Trata-se duma forma muito expressiva de Jesus aparecer como Mediador entre o Céu e a terra, ficando assim os Céus abertos para a humanidade (Is 63, 19; Apoc 19, 11; Mt 3, 16 par.), numa clara alusão à escada de Jacob, pela qual subiam e desciam os Anjos na visão de Jacob (Gn 28,12). É por isso que adoptámos, na Bíblia da Difusora Bíblica, a tradução «por meio do Filho do Homem», em vez da tradução corrente «sobre o Filho do Homem», tendo em conta que aqui aparece a mesma preposição (epí) que no texto grego do sonho de Jacob, com o sentido de subir por.
Sugestões para a
homilia
Mensageiros
de Deus
Protectores
do homem
Mensageiros
de Deus
As considerações que
melhor se enquadra na reflexão desta festa provêm de alguns elementos
doutrinais do Catecismo da Igreja e várias passagens da Sagrada Escritura.
Segundo os livros da Igreja, os anjos são criaturas espirituais, e invisíveis a
quem foi confiada a ordem cósmica, social e religiosa.
A um anjo é confiada
a missão de anunciar o projecto divino da redenção na mensagem a Maria, na
Anunciação. Dela se dirá. Feliz aquela que acreditou. Criaturas
inteligentes e livres a desempenhar na liberdade a sua missão e caminhar
para o seu destino, cumprindo o desígnio do Criador.
No A T o Anjo exprime
a manifestação de Javé – o Anjo de Javé. Anjos, Querubins e Serafins formam a corte de Deus,
revelam aos profetas os segredos de Deus. No Evangelho de S. Mateus eles
executam as ordens de Deus no juízo final. Milhões de anjos assistem a Deus no
julgamento.
Nas suas diversas
funções o anjo intercessor leva a Deus as orações dos homens e defende-os contra
os perigos. Os homens e as nações são protegidos pelos anjos.
Mesmo na sua condição
de espírito são modelo de perfeição, obediência e serviço em louvor do sagrado
e das causas do céu. Na terra vive o homem a caminho do céu. No céu os
espíritos celestes cantam continuamente as glórias de Deus.
E executam igualmente
as ordens de Deus. Assim fez aquele que foi enviado a uma Virgem da cidade da
Galileia. O anjo da anunciação é Gabriel, o anjo das grandes mensagens divinas.
Gabriel aparece a Zacarias e um anjo aparece a José a transmitir a mensagem de
Deus. Assim como Gabriel é o anjo das grandes mensagens, Miguel é o príncipe e
comandante que levanta a voz para exclamar: «quem como Deus», o defensor da
verdade e da honra de Deus, o Anjo da vitória e dos supremos combates. Miguel é
o protector de Israel Protector da Igreja de Deus, como em tempos passados se
rezava na conclusão da celebração Eucarística.
Dotado de
inteligência e vontade, ultrapassa em perfeição todas as criaturas visíveis,
assim o afirma o Catecismo da Igreja Católica. Sendo mensageiros de Deus, estão
atentos à sua palavra e dela se fazem eco, anunciam o plano divino e a sua
realização, como anunciam junto do sepulcro vazio a ressurreição e após a
Ascensão mandam os apóstolos para o mundo a realizar a missão que lhes tinha
sido confiada.
Protectores
do homem
Se Miguel assume a
autoridade na defesa do bem e na proclamação da glória de Deus, é Gabriel que
vem trazer à terra as grandes mensagens, Rafael é o protector da família,
médico dos doentes, companheiro e conselheiro de viagem. Melhor dito, o
protector do homem em todas as suas dúvidas e nas suas necessidades, desde a
infância até à morte. Rafael combate o demónio para livrar dos perigos.
Honrando os anjos,
com eles cantamos as glórias de Deus e de toda a criação, cantamos a glória de
Maria, a Mãe de Deus e Rainha dos Anjos.
Os anjos alegram-se
pela conversão de um pecador, estão ao serviço do Filho do Homem, servem Jesus
depois das tentações no deserto, aparecem a consolar Jesus no Horto da Agonia.
O Apocalipse aplica
esta palavra aos bispos das diversas igrejas do primeiro século. Linguagem
figurada a indicar a veneração e estima e também a responsabilidade que o autor
sagrado lhes queria dedicar. São participantes na liturgia celeste, servos de
Deus na comunicação da revelação profética, executores das ordens de Deus.
Oração Universal
Irmãos, neste dia dos
santos Anjos
em que a palavra do Senhor nos propõe uma opção
clara
de amor e obediência à vontade divina,
peçamos a graça da perseverança nos bons propósitos,
assim como os dons de bem e felicidade para todos
os nossos irmãos.
1. Pelo Santo Padre e pela Igreja sempre atenta e
vigilante
na celebração dos santos Anjos e nas festas dos santos, oremos, irmãos
2. Pelos bispos, sacerdotes e missionários,
pelos homens e mulheres de apostolado
que encontram dificuldades na sua missão,
para que o Senhor seja sempre a sua fortaleza, oremos, irmãos.
4. Para que com a ajuda dos Anjos e com a graça
do Senhor
os homens se convertam e sejam eliminadas
todas as tentações e indiferenças do mundo contemporâneo, oremos, irmãos.
5. Para que os movimentos de espiritualidade e
apostolado,
com o auxílio divino e a protecção dos espíritos celestes
se tornem exemplo para o nosso mundo, oremos, irmãos.
6. Pelos povos de todas as nações
para que vivam no amor e ninguém seja descriminado
ou excluído na busca de interesses justos que lhe são devidos, oremos,
irmãos.
7. Pelos responsáveis na condução dos cidadãos
para que desempenhem o seu dever com generosidade
e
manifestem o interesse pelo bem comum, oremos, irmãos.
Atendei, Senhor a
nossa oração e concedei-nos a nós a aos nossos irmãos
a graça de viver companhia dos Anjos a alegria
dos verdadeiros discípulos de Cristo.
Por nosso Senhor…
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Com os benditos Anjos, M. Faria,
NRMS 11-12
Oração
sobre as oblatas: Aceitai,
Senhor, este sacrifício de louvor e fazei que, pelo ministério dos Anjos, seja
levado à presença da Vossa divina majestade e se torne para nós fonte de
salvação eterna Por Nosso Senhor.
Prefácio dos Anjos: p.
491
Santo: F. da Silva, NRMS 38
Monição da Comunhão
A graça da comunhão é
um dom que nunca saberemos apreciar convenientemente. Não esqueçamos este favor
divino instituído na Última Ceia para a salvação do mundo.
Cântico
da Comunhão: Santos Anjos e Arcanjos, J.
Parente, NCT 701
Sl 137, 1
Antífona
da comunhão: De todo o coração, Senhor,
eu Vos dou graças. Na presença dos Anjos Vos louvarei, meu Deus.
Oração
depois da comunhão: Senhor,
nosso Pai, que nos fortalecestes com o pão do Céu, fazei
que, protegidos pelos santos Anjos, sigamos firmemente o caminho da salvação.
Por Nosso Senhor.
Ritos Finais
Monição final
Acabamos de viver
momentos de oração e de graça divina através da devoção aos santos Anjos.
S. Miguel, S. Gabriel
e S. Rafael e sejam nossos protectores.
Cântico
final: Ao Deus do universo, J. Santos,
NRMS 1 (I)
Homilia Ferial
Sábado, 30-IX: S.
Jerónimo: Como entender a linguagem da Cruz?
Co.
11, 9- 12, 8 / Lc. 9, 43-45
O
Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Mas eles não entendiam
aquela linguagem.
A pregação sobre a Cruz, a mortificação, o sacrifício e o sofrimento, há-de
ser sempre difícil de entender (cf. Ev.), quando se
encara apenas com olhos humanos. À primeira vista é mais uma desilusão:
«Desilusões e mais desilusões… Tudo é desilusão» (Leit.).
A fé, no entanto,
ajuda-nos a ver que, sem sacrifício, não há amor, não há purificação dos
pecados, não há encontro com Deus. O caminho da santificação passa
necessariamente pela Cruz. A S. Jerónimo devemos a tradução latina da Sagrada Escritura,
fonte da verdadeira vida cristã.
Celebração
e Homilia: José Valentim Vilar
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Homilia
Ferial: Nuno Romão
Sugestão
Musical: Duarte Nuno Rocha