26º Domingo Comum

1 de Outubro de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O amor de Deus foi derramado, M. de Carvalho, NRMS 82-83

Dan 3, 31.29.30.43.42

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecámos contra Vós, não observámos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Deus não rejeita ninguém, não faz acepção de pessoas. O homem vê respeitada a sua liberdade e Jesus afirmou que o Espírito de Deus é livre e pode manifestar-se aos homens de muitas maneiras.

 

Oração colecta: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, infundi sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A inveja é um pecado bem como invejar as mercês que Deus faz outrem; é um mal recriminado nesta leitura.

 

Números 11, 25-29

Naqueles dias, 25o Senhor desceu na nuvem e falou com Moisés. Tirou uma parte do Espírito que estava nele e fê-lo poisar sobre setenta anciãos do povo. Logo que o Espírito poisou sobre eles, começaram a profetizar; mas não continuaram a fazê-lo. 26Tinham ficado no acampamento dois homens: um deles chamava-se Eldad e o outro Medad. O Espírito poisou também sobre eles, pois contavam-se entre os inscritos, embora não tivessem comparecido na tenda; 27e começaram a profetizar no acampamento. Um jovem correu a dizê-lo a Moisés: «Eldad e Medad estão a profetizar no acampamento». 28Então Josué, filho de Nun, que estava ao serviço de Moisés desde a juventude, tomou a palavra e disse: «Moisés, meu senhor, proíbe-os». 29Moisés, porém, respondeu-lhe: «Estás com ciúmes por causa de mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles!»

 

Este texto, extraído da 2ª parte de Números, que trata da estância do povo em Cadés (10, 11 – 20, 21), foi seleccionado em função do Evangelho (Mc 9, 38-40), pela semelhança entre a atitude de Josué e a do Apóstolo João. A passagem deixa ver a grandeza de ânimo e a prudência no governo de Moisés, ao fazer participante do seu carisma 70 anciãos: «Deus tomou uma parte do espírito de Moisés». E, quando Josué zela exageradamente a honra de Moisés, ao ver que Eldad e Meldad não actuavam na dependência imediata do caudilho, este não se mostra ciumento, resistindo à tentação de se tornar autoritário, absorvente e exclusivista; pelo contrário, zela mais as vantagens do seu povo do que o seu protagonismo e proeminência pessoal, por isso responde: «quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta» (v. 9).

 

Salmo Responsorial    Sl 18 (19), 8.10.12-13.14

 

Monição: Cumpris a vontade do Senhor dá-nos alegria e paz; as más paixões conduzem-nos à tristeza.

 

Refrão:         Os preceitos do Senhor alegram o coração.

 

A lei do Senhor é perfeita,

ela reconforta a alma.

O testemunho do Senhor é fiel,

é a sabedoria dos simples.

 

É pura a vontade do Senhor,

é imutável como o Eterno.

As decisões do Senhor são rectas,

todas elas são justas.

 

Que a luz da vossa vontade me conduza

e na obediência, Senhor, eu encontre vantagem.

Mas quem se dá conta de todas as suas faltas?

Absolvei-me, Senhor, das dívidas que ignoro.

 

Preservai o vosso servo de todo o orgulho,

para que ele não domine, Senhor.

Só então serei perfeito,

Inocente e isento de pecado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O mundo passa com as suas concupiscências e orgulho de riquezas; quem ama a Deus permanece eternamente.

 

Tiago 5, 1-6

1Agora, vós, ó ricos, chorai e lamentai-vos, por causa das desgraças que vão cair sobre vós. 2As vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça. 3O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo. Acumulastes tesouros no fim dos tempos. Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. 4O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo. 5Levastes na terra uma vida regalada e libertina, cevastes os vossos corações para o dia da matança. 6Condenastes e matastes o justo e ele não vos resiste.

 

Esta tremenda objurgação de S. Tiago aos ricos vai provavelmente dirigida mesmo a alguns já convertidos ao cristianismo, mas que não acabariam de entender e viver a doutrina de Cristo acerca das riquezas (cf. Lc 6, 24.25; Mt 6, 20; 25, 14.16; Lc 12, 20-21; 16, 19-30).

4 «O seu salário clama; e brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor». Daqui vem a designação para certos pecados que bradam ao Céu; não pagar o salário a quem trabalha é um dos 4 pecados que na Escritura se diz que bradam ao Céu, juntamente com o homicídio voluntário, a sodomia e a opressão dos pobres, principalmente órfãos e viúvas (cf. Gn 4, 10; 18, 20-21; Ex 22, 21-23). A linguagem utilizada parece-nos demasiado violenta, mas seria o meio mais eficaz para sacudir almas empedernidas no pecado, para as levar à conversão através do cumprimento dos seus deveres de justiça.

5 O dia da matança, isto é, o dia do castigo divino (cf. Jer 12, 3; Sof 1, 7-9); outros entendem a matança como uma imagem da opressão dos explorados, como em Sir 34, 21-22.

6 Uma outra tradução possível, adoptada por nós, é esta: «Condenastes e destes a morte ao inocente, e Deus não vai opor-se?».

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Jo 17, 17b.a

 

Monição: Difundir o bem é concorrer para a sua prática pessoal e mútua ajuda para a sua consecução.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

A vossa palavra, Senhor, é a verdade;

santificai-nos na verdade.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9, 38-48 (37-47 na Vulgata)

Naquele tempo, 38João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». 39Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. 40Quem não é contra nós é por nós. 41Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. 42Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. 43Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. (44) 45E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. (46) 47E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, 48onde o verme não morre e o fogo não se apaga».

 

A leitura recolhe ensinamentos dispersos de Jesus. No trabalho de formação dos discípulos, depois da confissão de fé de Pedro (8, 29), é interessante notar como Jesus, na 2ª parte de Marcos, tem vindo pacientemente a corrigir o espírito daqueles homens sinceros, mas rudes, aproveitando todos os incidentes diários, em que estes falhavam (cf. 8, 33; 9, 12. 16-19.28-29.33-35). Desta vez, é também mais um dos do núcleo duro que tem de ser advertido, João, que mostra estreiteza de vistas e um exclusivismo incompatível com o espírito cristão; a lição de Jesus permanece para sempre actual: o que é bem é bem, embora seja outro, que não eu, eu a fazê-lo. A sentença «quem não é contra nós é por nós» não está em contradição com o que Jesus afirma em Lc 11, 23 e Mt 12, 30: «quem não está comigo está contra Mim», pois são contextos diversos. No da primeira sentença, trata-se de alguém que também trabalhava pela a causa de Deus e do bem, ao passo que o da segunda frase é o da luta de vida ou morte entre Jesus e o demónio, em que não pode haver meio termo: ou se está do lado de Jesus, ou do lado de satanás (é que acusavam Jesus de ter um pacto com o maligno para fazer os milagres!).

41 Este versículo não tem mais ligação com o resto para além da ligação verbal: «em nome de» (que a tradução «por serdes de» não permite ver); é bem sabido que as palavras de Jesus se transmitiram agrupando-as muitas vezes de forma artificial (também estas palavras são como as cerejas).

42-48 Os versículos que se seguem sobre o escândalo constituem uma perícope diferente. A palavra «escândalo» designa um tropeço para fazer cair, algo que leva a pecar; e os «pequeninos que crêem em Mim» não parece que neste contexto sejam simplesmente os discípulos, como acontece noutras vezes, pois Jesus aqui está a dirigir-se precisamente a eles; serão os pequenos mais pequenos, «os pequeninos», isto é, os mais frágeis e indefesos, os menores de idade. A especial gravidade que há em escandalizar as crianças não provém apenas da sua inocência, mas sobretudo de elas se acharem mais vulneráveis e indefesas contra o mal. As palavras de Jesus são tremendamente sérias e de grande actualidade. Não nos parece que se deva fazer uma tradução restritiva de «escandalizar» por «fazer perder a fé», como faz a Sociedade Bíblica e Britânica If anyone should cause one of these little ones to lose faith in me…»), não assim a Portuguesa («fazer cair em pecado»).

43-48 «Corta... deita fora...» Este cortar e deitar fora os membros do corpo tem que se entender em sentido figurado, mas sem diminuir em nada a força e a importância da expressão: Jesus proclama graficamente a grave obrigação de afastar e evitar a ocasião próxima de pecado, pois o bem da alma é superior a todos os bens materiais, mesmo os mais apreciados. «Geena», (em hebraico Ge-hinnon) é o vale a Sul e a Oeste de Jerusalém, fora das muralhas, que a partir de Jer 19, 6-7, veio a designar o lugar do castigo eterno (assim em 1 Henoc e 4 Esdras); no tempos de Jesus era uma lixeira da cidade a que se chegava o lume e onde sempre havia fogo a remoer; também Jesus usou frequentemente esta imagem para designar o Inferno, «onde o verme não morre e o fogo não se apaga» (v. 48; cf. Mt 25, 41.46). A expressão, para além de indicar a gravidade e a eternidade da pena, pouco pode dizer da sua natureza.

 

Sugestões para a homilia

 

A nossa caminhada no mundo não nos isenta de sofrimentos: provações e reveses que são fruto das nossas infidelidades a Deus; saudosismos de tempos passados, regresso a escravidões mundanas e perigos da perda da liberdade para a prática do bem.

 

Cada um construa a sua história com exigência e responsabilidade, não conforme com critérios humanos mas seguindo a exigências do Espírito.

É difícil governar e conduzir, sair da massa anónima e despertar para um empenho dinâmico no meio do povo de Deus; a igreja é povo de profetas e pastores, um povo sacerdotal que deve acordar com coragem para a escolha do bem comum.

 

As comunidades cristãs devem apresentar-se possuídas de um ministério profético.

Jesus Cristo vivo na Sua Igreja, na vida dos cristãos, é-nos apresentado na celebração da Palavra como uma contínua e renovada transmissão de ensinamentos.

O cristão de vida activa, corajosa, enfrenta os males e injustiças, trata a dignidade humana como o evangelho ensina, não fraqueja na denúncia das explorações.

Crescer à custa dos sacrifícios dos outros, ser privilegiado quando se diminui os direitos alheios, impor ideias através da instrumentalização das comunicações, são rejeições que os cristãos autênticos podem fazer provando que vivem a Palavra de Deus.

 

As preocupações de Jesus são a Verdade e a afeição a tudo o que concorre para viver bem a experiência da filiação divina, a fonte da verdadeira liberdade e paz.

Interessa que as nossas obras sejam por Ele, mais que pertencer a este ou aquele grupo.

Jesus recusou grandezas, ser investido em autoridade civil, ser rei, recusas que nos servem de exemplo.

A nossa realização efectiva-se através da obediência ao Pai; mesmo nas atitudes mais humildes.

Tudo o que leva a que se abracem comportamentos contra essa filiação é corrupção, é lixo que importa denunciar e deitar fora.

Nem sempre é fácil distinguir quem é por Cristo ou contra Cristo. Deus serve-se das pessoas de variadas formas para proclamar e defender os valores humanos.

Pela violência, pela intimidação, pela calúnia, pelo ridículo, pela demagogia na sociedade, na família, na escola, em livros, em cinemas, no teatro. Vê-se campanha anti-Cristo a que devemos prestar atenção.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos: nós que não sabemos praticar o acolhimento fraterno, no Espírito,

façamos súplicas a Deus Pai; por intermédio de Jesus Cristo.

 

1.  Pela Igreja Santa de Deus,

para que reconheça e promova todas as manifestações do Espírito

que conduzem à renovação da terra.

 

2.  Pelo Papa, Bispos e demais servidores do Reino de Deus,

para que, à maneira de Moisés e de Cristo,

respeitem aqueles em que o Espírito se manifesta.

 

3.  Pelos que estão constituídos em autoridade,

para que saibam atender aos rectos de coração,

aos quais se revela o Espírito de Deus.

 

4.  Pela nossa comunidade e por nós, aqui reunidos,

para que, na nossa vida cristã,

não ponhamos obstáculos à acção do Espírito do Senhor.

 

5.  Pelos catequistas das nossas comunidades,

para que se deixem guiar Espírito de Cristo.

 

Ouvi, Senhor, as nossas súplicas, e fazei que os Vossos filhos

se aceitem no Espírito de Cristo. Ele que é Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amen

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A tua voz ouvi, H. Faria, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Deus de misericórdia infinita, aceitai esta nossa oblação e fazei que por ela se abra para nós a fonte de todas as bênçãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Unamo-nos a Jesus Cristo, comungando com fé, na esperança de participarmos na herança definitiva que Ele nos prometeu.

 

Cântico da Comunhão: Banquete sagrado, F. da Silva, NRMS 15

cf. Salmo 118, 9-5

Antífona da comunhão: Senhor, lembrai-Vos da palavra que destes ao vosso servo. A consolação da minha amargura é a esperança na vossa promessa.

 

Ou

1 Jo 3, 16

Nisto conhecemos o amor de Deus: Ele deu a vida por nós também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento celeste renove a nossa alma e o nosso corpo, para que, unidos a Cristo neste memorial da sua morte, possamos tomar parte na sua herança gloriosa. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Partamos conscientes de que somos portadores e responsáveis pelo Espírito de Cristo.

 

Cântico final: A fé em Deus, F. da Silva, NRMS 11-12

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Ferreira de Sousa

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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