aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

O ATENTADO CONTRA O PAPA

E A MENSAGEM DE FÁTIMA

 

Bento XVI recordou no Domingo 14 de Maio as aparições de Fátima, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de S. Pedro para a recitação do Regina Caeli. O Papa considerou que a mensagem de Nossa Senhora foi profética para o século XX, uma época marcada por destruições, guerras e regime totalitários.

 

«Se não faltaram preocupações e sofrimentos e se ainda persistem motivos de apreensão pelo futuro da humanidade é para nós reconfortante o que a Senhora de Branco prometeu aos Pastorinhos: por fim o meu Coração Imaculado triunfará», apontou.

O Papa recordou o atentado na Praça de São Pedro contra João Paulo II ligando-o à mensagem que Nossa Senhora de Fátima entregou a Lúcia, Francisco e Jacinta em 1917. «No dia 13 de Maio de 1981 - há 25 anos - o Servo de Deus João Paulo II sentiu que foi salvo milagrosamente da morte pela intervenção de uma ‘mão materna’, como ele mesmo disse. E todo o seu pontificado foi assinalado pelo que a Virgem tinha anunciado em Fátima», disse Bento XVI.

«A mensagem que lhes confiou, em continuidade com a mensagem de Lourdes, era um forte apelo à oração e à conversão; mensagem verdadeiramente profética considerando que o século XX foi fustigado por destruições inauditas, causadas por guerras e por regimes totalitários e por extensas perseguições contra a Igreja», acrescentou.

Milhares de fiéis participaram no dia 13 de Maio à tarde, na Praça de São Pedro, numa procissão que assinalou o 25.º aniversário do atentado contra o Papa João Paulo II. Cerca de 20 mil pessoas reuniram-se para rezar diante da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda de propósito de Portugal.

«Peço-vos para rezarem para que João Paulo II seja rapidamente beatificado», afirmou o Cardeal Camillo Ruini, Vigário do Papa para a Diocese de Roma.

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CARDEAL IVÁN DIAS

CHAMADO PARA A CÚRIA ROMANA

 

Bento XVI nomeou no passado dia 20 de Maio o Cardeal Iván Dias, que era arcebispo de Bombay (Índia), como Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, antiga Propaganda Fide. Substitui o Cardeal italiano Crescenzio Sepe, nomeado arcebispo de Nápoles.

 

O Cardeal Ivan Dias nasceu em Bombay, filho de pais goeses, em 1936. Ordenado sacerdote em 1958, depois de três anos de trabalho pastoral em Bombay, foi estudar para Roma na Academia Pontifícia Eclesiástica, preparando-se para o serviço diplomático da Santa Sé; entretanto, doutorou-se em Direito canónico na Universidade Pontifícia Lateranense. Em 1964 colaborou na preparação da visita do Papa Paulo VI ao Congresso Eucarístico Internacional de Bombay, em Dezembro desse ano.

De 1965 a 1973 serviu nas Nunciaturas de vários países nórdicos, da Indonésia, Madagáscar, etc. De 1973 a 1982 trabalhou em Roma, na Secretaria de Estado do Vaticano, como Chefe da Secção relativa à União Soviética e países satélites, à China, Indochina, África do Sul e outros países da África.

Ordenado Bispo em 1982, foi Núncio Apostólico no Ghana, na Coreia (1987) e depois na Albânia (1991), sendo ao mesmo tempo Administrador Apostólico de uma das dioceses, quando este país iniciava a época da libertação do comunismo. Aqui o veio encontrar a sua nomeação para Bombay (1996), quando João Paulo II o escolheu para arcebispo desta importante diocese indiana. Em 2001 o Papa conferiu-lhe a dignidade cardinalícia, associando-o mais de perto ao governo da Igreja universal. Desde então, além de governar a sua arquidiocese, com a colaboração de três bispos auxiliares, interveio como membro do Sínodo dos Bispos para a Ásia (1998), foi um dos presidentes delegados do Papa no Sínodo dos Bispos de 2001, etc.

Ultimamente, esteve em Portugal para presidir a Peregrinação internacional de Fátima em 12 e 13 de Outubro de 2004 e interveio no Colóquio Cristianismo na Índia (Fátima, 3-4 de Dezembro de 2005) com a conferência de encerramento «A Igreja Católica e o diálogo inter-religioso na Índia» (publicado no número anterior da Celebração Litúrgica). Fala fluentemente o português.

A Congregação para a Evangelização dos Povos é o dicastério da Santa Sé que dirige e coordena a actividade missionária em todo o mundo, sobretudo na África e na Ásia.

 

 

PAPA VALORIZA PAPEL

DOS MOVIMENTOS LAICAIS

 

Foi num ambiente verdadeiramente festivo que cerca de 400 mil membros de movimentos eclesiais e novas comunidades se reuniram em volta do Papa, para a Vigília do Pentecostes, dia 3 de Junho passado, no Vaticano – algo que aconteceu apenas pela segunda vez em oito anos.

 

Bento XVI saudou os presentes e, na homilia da celebração de Vésperas a que presidiu, destacou o papel destas realidades eclesiais – que explodiram após a segunda metade do século XX – como «escolas de liberdade».

Os novos movimentos eclesiais caracterizam-se, sobretudo, pelo facto se dirigirem principalmente a fiéis leigos para ajudá-los a viver como católicos na sua vida quotidiana.

O Papa pediu que estes movimentos sejam seus colaboradores na construção de uma Igreja «ao serviço dos homens, em particular dos mais pobres».

Nua intervenção muito aguardada, o Papa valorizou o papel de movimentos e comunidades, na Igreja, face aos desafios e erros da cultura contemporânea.

Partindo da parábola evangélica do filho pródigo, Bento XVI falou dos perigos de uma falsa noção de liberdade, definida como «fazer tudo o que se quer». As consequências desse conceito egoísta são, segundo o Papa, «a destruição da liberdade e da vida».

123 movimentos, associações, comunidades e experiências eclesiais de base estiveram presentes na Praça de São Pedro. Para o presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, arcebispo Stanislaw Rylko, esta presença massiva representa a vontade de «dizer mais uma vez ao sucessor de Pedro que estamos prontos para a missão e que a Igreja pode contar connosco».

Os movimentos eclesiais e novas comunidades já têm uma história de várias décadas e uma grande implantação na Igreja. A maioria destas realidades já obteve o reconhecimento canónico da Santa Sé.

Em Novembro de 2004, o CPL publicou o primeiro Directório dos movimentos e comunidades internacionais de leigos.

 

 

NOVO DOCUMENTO SOBRE

FAMÍLIA E PROCRIAÇÂO

 

A Santa Sé denuncia, num novo documento, o risco de manipulação genética seja no que diz respeito ao «uso de embriões», seja relativamente à «intervenção através da inseminação artificial ou a fecundação in vitro no processo de fecundação».

 

A posição é assumida no documento do Conselho Pontifício para a Família, presidido pelo Cardeal Alfonso López Trujillo, de 6 de Junho passado, enviado aos episcopados de todo o mundo: «Família e Procriação humana».

Segundo a nota explicativa do documento, o documento «está destinado a ser objecto de estudo, tanto na sua doutrina, como na sua aplicação pastoral».

O tema é desenvolvido em quatro capítulos: «o que implica a procriação; por que é a família o único lugar apropriado para a mesma; o que se entende por procriação integral na família; que aspectos sociais, jurídicos, políticos, económicos e culturais implica o serviço à família». Um último capítulo propõe duas «perspectivas complementares. a teológica, enquanto a família é imagem da Trindade, e a pastoral, porque a família está na base da Igreja e é lugar da evangelização».

Neste documento, «faz-se referência sobretudo ao Concílio Vaticano II, ao Papa João Paulo II, que lhe dedicou grande atenção, ao Catecismo e ao recente Compêndio da doutrina social da Igreja». Isto indica que «o documento não só se propõe uma orientação doutrinal do problema, mas também abrir portas à investigação futura das questões que hoje são objecto de discussão».

 

 

CARDEAL TARCÍSIO BERTONE,

NOVO SECRETÁRIO DE ESTADO

 

Bento XVI aceitou por motivo de idade a resignação do Cardeal Ângelo Sodano, de 78 anos, mas pediu-lhe que continue no cargo até 15 de Setembro próximo. Nesta data, nomeará o Cardeal Tarcísio Bertone, S.D.B., arcebispo de Génova (Itália), novo Secretário de Estado.

 

A Secretaria de Estado é definida como o Dicastério da Cúria Romana que mais de perto coadjuva o Papa no exercício da sua missão (Pastor Bonus, art. 39). A Secretaria de Estado é presidida por um Cardeal que assume o título de Secretário de Estado. Primeiro colaborador do Papa no governo da Igreja, o Cardeal Secretário de Estado pode ser considerado o máximo expoente da actividade diplomática e política da Santa Sé, representando, em circunstâncias particulares, a própria pessoa do Papa.

O Cardeal Tarcisio Bertone, italiano, de 71 anos, nasceu em 2 de Dezembro de 1934 e cedo entrou na Sociedade de Dom Bosco (Salesianos). Ordenado sacerdote em 1960, é licenciado em Teologia e doutor em Direito Canónico, colaborando na fase final da revisão do Código de Direito Canónico. De 1995 a 2002 foi Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, tornando-se o braço direito do Cardeal Joseph Ratzinger. João Paulo II encarregou-o de falar com a Irmã Lúcia antes da publicação da terceira parte do segredo de Fátima, no ano 2000. Em 2002 foi nomeado arcebispo de Génova e, no ano seguinte, foi feito Cardeal.

Em Génova, investiu muito na pastoral juvenil e nas áreas da comunicação e da cultura. Numa carta enviada à Diocese de Génova, que vê partir o seu Arcebispo após três anos, o Papa descreve o Cardeal Bertone como «um pastor fiel, capaz de conjugar actividade pastoral e preparação doutrinal».

O próximo Secretário de Estado do Vaticano é, de facto, conhecido pela sua capacidade pastoral e já geriu, para a Santa Sé, alguns dossiers delicados, como o caso do arcebispo Milingo, a tentativa de aproximação aos seguidores de Mons. Lefebvre, a publicação da terceira parte do segredo de Fátima e os acontecimentos de Medjugorie.

Quem o conhece destaca o carácter afável e a proximidade com as pessoas – visível, por exemplo, na paixão pelo futebol, tendo feito já dois relatos radiofónicos.

 

 

BENTO XVI DESTACA O VALOR

DA POLIFONIA SACRA

 

Bento XVI voltou a revelar, no passado dia 24 de Junho, a sua faceta de amante da música, afirmando que é necessário conservar e manter vivo o «inestimável património espiritual, artístico e cultural» constituído pela polifonia sacra.

 

O Papa falava no final de um concerto de música polifónica oferecido, em sua honra, pela Fundação Domenico Bartolucci, sob a direcção deste Maestro, que ao longo de décadas dirigiu o coro da Capela Sixtina.

Reflectindo sobre a necessidade de «procurar novas vias expressivas sem renegar o passado», Bento XVI frisou que «uma autêntica actualização da música sacra não pode ter lugar a não ser no sulco da grande tradição do passado, do canto gregoriano e da polifonia sacra».

«É por isso que, no campo musical, como também no das outras formas artísticas, a Comunidade eclesial sempre tem promovido e apoiado os que procuram novas vias expressivas sem renegar o passado, a história do espírito humano, que é também a história do seu diálogo com Deus», acrescentou.

O concerto deste sábado alternou peças de Giovanni Pierluigi da Palestrina com outras do próprio Maestro Bartolucci. O Papa observou que «a polifonia sacra, em particular a da chamada escola romana, constitui uma herança a conservar cuidadosamente, a manter viva e a fazer conhecer, em benefício não só dos estudiosos e cultores, mas da comunidade eclesial no seu conjunto, para a qual representa um inestimável património espiritual, artístico e cultural».

 

 

O CULTO AO
SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 

A Igreja Católica celebrou na sexta-feira dia 23 de Junho passado a Solenidade do Coração de Jesus, no ano em que se assinalam os 50 anos sobre a encíclica «Haurietis aquas», de Pio XII, sobre este culto.

 

Para assinalar esta data, Bento XVI escreveu uma carta ao Padre Peter-Hans Kolvenbach, Prepósito-Geral da Companhia de Jesus, na qual lembrava que «ao promover o culto ao Coração de Jesus, a Encíclica 'Haurietis aquas' exortava os crentes a abrirem-se ao mistério de Deus e do seu amor».

Embora tenha fundamentos bíblicos, patrísticos e tradicionais, a devoção ao Coração de Jesus só começou a crescer na Igreja nos meados do séc. XVII, em resposta ao rigorismo do jansenismo e, mais tarde, contra o racionalismo e laicismo, favorecida pelo clima sentimental e romântico desses tempos.

A devoção dirige-se à pessoa de Jesus, como sinal vivo do amor de Deus pelos homens, reflectindo-se particularmente na devoção à Eucaristia (especialmente na festa do Corpo de Deus) e a Cristo-Rei.

Em Portugal, esta devoção, ligada à devoção das Chagas de Cristo, data pelo menos de 1728 e teve como grande impulsionadora a rainha D. Maria I, que obteve do Papa a prescrição da festa do Coração de Jesus em todo o Reino e ergueu em sua honra a Basílica da Estrela.

Para a difusão do culto concorreram principalmente as revelações a Santa Margarida Maria Alacoque, divulgadas por S. Cláudio La Colombière, o apostolado de S. João Eudes (1601-1680), o eco encontrado na piedade popular e o favor dos Papas.

As revelações de S. Margarida Maria Alacoque (1647-1690) aconteceram em Paray-le-Monial, de 1673 a 1675. S. Cláudio de la Colombière, jesuíta, confessor da vidente, considerou verdadeiras as revelações.

Na primeira metade do século XIX, não havia quase nenhuma diocese que não tivesse obtido da Santa Sé o indulto de celebrar a liturgia do Sagrado Coração. Pio IX estendeu a festa à Igreja universal (1856), que é actualmente celebrada na sexta-feira da 2.ª semana a seguir ao Pentecostes, oito dias depois da festa do Corpo de Deus.

 

 

PAPA RENOVA COMPROMISSO

PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

Bento XVI renovou no passado dia 29 de Junho, Solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, a sua oração e o seu compromisso para que a unidade dos cristãos seja uma realidade quanto antes. Recebendo no Vaticano uma delegação do Patriarcado ortodoxo de Constantinopla, cuja presença o Papa considerou «um sinal de fraternidade», Bento XVI deixou votos para que as duas partes possam caminhar rumo à «celebração conjunta da Eucaristia do Senhor, como símbolo de plena comunhão».

 

Recordando, em especial, a importância da sua próxima viagem à Turquia, no mês de Novembro, o Papa considerou que as visitas recíprocas irão «fortalecer a nossa fraternidade eclesial e facilitar a colaboração nas iniciativas comuns».

Para Bento XVI, o retomar dos trabalhos da Comissão Mista Internacional para o diálogo teológico entre Católicos e Ortodoxos – cujo próximo encontro terá lugar, em Setembro, na Sérvia – é um sinal de que o diálogo entre as duas Igrejas «voltou ao seu caminho e entrou numa nova fase».

Noutra intervenção, por ocasião do Angelus, o Papa voltou a lembrar a presença da delegação do Patriarcado de Constantinopla, agradecendo ao Patriarca Bartolomeu I «por ter manifestado mais uma vez, com este gesto, a ligação de fraternidade existente entre as nossas Igrejas».

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ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS,

EM VALÊNCIA (ESPANHA)

 

Os actos conclusivos do V Encontro Mundial das Famílias (EMF), em Valência, em 8 e 9 de Julho passado, confirmaram a intenção de Bento XVI lançar a Igreja para a alinha da frente da defesa da família contra o que considera serem ataques ao matrimónio e à vida.

 

Após umas primeiras horas marcadas pelas homenagens às vítimas do acidente no Metropolitano de Valência, Bento XVI centrou-se nos temas que preocupam as famílias católicas um pouco por todo o mundo. Na Missa que encerrou o Encontro, o Papa afirmou claramente que «reconhecer e promover a maravilhosa realidade do matrimónio indissolúvel entre homem e mulher, a origem da família», é um dos maiores serviços que se podem prestar ao bem comum e ao verdadeiro desenvolvimento das sociedades.

Consciente do país em que se encontrava, Bento XVI repetiu o seu apoio a todos os que lutam pelos princípios católicos numa sociedade cada vez mais secularizada e precisou que a família, célula básica da sociedade, não pode deixar de existir, lamentando que a mesma esteja acossada.

Sobre o tema do Encontro, a transmissão da fé na família, Bento XVI lembrou que esta fé não é uma «mera herança cultural», mas «uma acção contínua da Graça». Esta perspectiva faz do matrimónio uma alta expressão da dimensão relacional, filial e comunitária, e da paternidade o sinal tangível da presença de Deus Criador.

Por tudo isto, o Papa deixou um alerta contra uma cultura que «muitas vezes exalta a liberdade do indivíduo como sujeito autónomo, como se ele se fizesse por si só e se bastasse a si próprio». Na mesma linha, condenou uma organização da vida social que seja feita «apenas a partir dos desejos subjectivos e mutáveis, sem referência alguma à verdade objectiva».

«A Igreja não se cansa de recordar que a verdadeira liberdade do homem provém de ser criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, a educação cristã é a educação à liberdade e para a liberdade», explicou.

 

«O avô do mundo»

 

A firmeza das convicções de Bento XVI, imagem de marca do pontificado, tem tido um impacto tão grande nas pessoas que o seguem como a aparente surpresa do seu carácter afável, que, nesta viagem, se manifestou em diversos gestos de agradecimento e sorrisos perante o entusiasmo da multidão.

No grande encontro festivo de sábado à noite, 8 de Julho, Bento XVI reafirmou diante de centenas de milhares de pessoas a vigência da família baseada no casamento entre um homem e uma mulher, a única – disse – capaz de resistir ao hedonismo.

«Deste modo se contraria um hedonismo muito difundido, que banaliza as relações humanas e as esvazia do seu valor genuíno e da sua beleza. Promover os valores do matrimónio não impede gozar plenamente a felicidade que o homem e a mulher encontram no seu amor recíproco. A Fé e a ética cristã, não podem sufocar o amor, mas sim torná-lo mais são, mais forte e realmente livre», afirmou.

Mais uma vez, Bento XVI convidou os governantes e legisladores a reflectirem «sobre o bem evidente que os lares em paz e em harmonia asseguram ao homem e à família, centro nevrálgico da sociedade».

«O objectivo das leis é o bem integral do homem, a resposta às suas necessidades e aspirações. Além disso, a família é uma escola de humanização do homem, para que cresça até se tornar verdadeiramente homem», acrescentou.

Um dos momentos mais destacados deste encontro festivo aconteceu quando o Papa falou do papel dos avós na transmissão da fé e se assumiu como o «avô do mundo». Então, defendeu que os idosos não sejam excluídos do âmbito familiar sob nenhum pretexto, lembrando que os avós «podem dar aos netos a perspectiva do tempo, a memória da família».

 «Para a Igreja – sublinhou – a família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida». Além disso, é um bem insubstituível para os filhos, «que hão de ser fruto do amor, da doação total e generosa dos pais».

Bento XVI anunciou no Angelus do domingo dia 9 de Julho que o VI Encontro Mundial das Famílias será realizado na Cidade do México, em 2009.

 

 

NOVO PORTA-VOZ DO VATICANO

 

A anunciada remodelação dos Serviços de informação do Vaticano conheceu no dia 11 de Julho passado um novo capítulo com a nomeação do Pe. Federico Lombardi, SJ, como Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, substituindo Joaquín Navarro-Valls, que desempenhava o cargo desde Dezembro de 1982.

 

O primeiro gesto do Pe. Lombardi, que é também Director geral da Rádio Vaticano e do Centro Televisivo Vaticano, foi escrever aos jornalistas acreditados junto da Sala de Imprensa para lhes assegurar que «há muito tempo trabalho, como vós, para que a actividade do Santo Padre e a realidade da Igreja possam ser conhecidas e compreendidas de forma objectiva e adequada».

Após manifestar a sua gratidão ao Papa e aos seus Superiores pela confiança que nele depositam, o novo Director da Sala de Imprensa da Santa Sé dirigiu-se a Navarro-Valls, para homenagear o seu «longo serviço neste campo, com capacidade, inteligência e dedicação excepcionais».

Aos jornalistas disse que «não posso pretender imitar» Joaquín Navarro-Valls, mas assegurou que «podem contar com o meu empenho».

O padre Federico Lombardi, jesuíta, nasceu em 1942 e foi ordenado padre em 1972. De 1984 a 1990 foi Superior provincial da Companhia de Jesus na Itália e, em 1991, foi nomeado director de programas da Rádio Vaticano.

Em 2001 foi nomeado Director geral do Centro Televisivo Vaticano e, em 2005, Director geral da Rádio Vaticano.

 

Adeus ao «eterno» porta-voz do Vaticano

 

Joaquín Navarro-Valls disse, por seu lado, que agradece a Bento XVI por ter acolhido a sua vontade de deixar o cargo, após um número tão grande de anos à frente da Sala de Imprensa da Santa Sé.

O mundo habitou-se a olhar para este homem que gere a informação sobre o Papa e a actividade do Vaticano. Joaquín Navarro-Valls, de 69 anos, esteve mais de duas décadas ao serviço directo do Papa, como porta-voz e homem de confiança para uma série de temas eclesiais.

Psiquiatra de formação, Navarro-Valls apaixonou-se pelo jornalismo e foi correspondente em Roma do jornal ABC, antes de ser presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Itália, cargo que ocupava quando conheceu João Paulo II, em 1978.

Quando se preparava para regressar à Espanha e dedicar-se ao ensino da Medicina, Navarro-Valls recebeu o convite que mudaria a sua vida: João Paulo II, que o tinha conhecido quando era Cardeal, durante um Sínodo, queria-o para tomar conta da Sala de Imprensa.

Desde que assumiu o cargo, Navarro-Valls modernizou significativamente o funcionamento da Sala de Imprensa e trouxe para a sua actividade um nível de profissionalismo que foi reconhecido por todos os jornalistas do meio. Esta revolução na forma de comunicar da Santa Sé passou por uma maior agilização na transmissão das notícias, o que acabou por originar uma presença mediática universal como a Igreja nunca tinha tido antes.

O Director cessante da Sala de Imprensa da Santa Sé remodelou o espaço reservado pelo Vaticano aos jornalistas, criou uma agência de notícias da Santa Sé (Vatican Information Service) e deu um grande impulso à página web do Vaticano, hoje por hoje uma das que tem maior número de visitas no mundo. O trabalho com João Paulo II, o Papa mais mediático de sempre, também fica registado para a história.

Navarro-Valls foi o primeiro leigo que ocupou esta função, tendo sido ao longo de 22 anos o porta-voz de João Paulo II. O limite de idade para que um leigo exerça funções no Vaticano é de 70 anos, que Navarro-Valls completará ainda em 2006.

Ao ser questionado sobre qual o momento de que guarda uma recordação mais particular, Navarro-Valls disse que «existem dois momentos muito diferentes»: «um é o momento da morte de João Paulo II, e o segundo foi a eleição de Bento XVI».

«Conheço o Cardeal Ratzinger há muitos anos, tenho grande admiração por ele e foi uma bela surpresa quando foi eleito Papa», frisou.

Em relação à ausência do primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero na missa celebrada por Bento XVI na viagem no Pontífice à Espanha, Navarro-Valls disse que «apesar de não esperar o primeiro-ministro na primeira fileira, não se pode criticar a atitude». «O Papa também não fez nenhum comentário», concluiu.

 

Octávio Carmo (Agência Ecclesia)

 

 

DIA MUNDIAL DA PAZ 2007

 

 «Pessoa humana: coração da paz» será o centro da reflexão do Papa para o Dia Mundial da Paz 2007, numa mensagem marcada pela preocupação com as «ideologias aberrantes» que atentam contra a dignidade humana.

 

«Hoje, talvez com força persuasiva e meios mais eficazes que no passado, a dignidade humana está ameaçada por ideologias aberrantes, agredida por um uso distorcido da ciência e da técnica, contradita por estilos de vida incongruentes», pode ler-se no comunicado da Santa Sé.

A nota oficial explica que «o tema de reflexão escolhido pelo Santo Padre exprime a convicção de que o respeito pela dignidade da pessoa humana é uma condição essencial para a paz da família humana».

Na linha das preocupações manifestadas pelo Papa desde o início do seu pontificado, a nota da Santa Sé aponta o dedo às «ideologias marcadas pelo niilismo ou o fanatismo (materialista ou religioso)», que pretendem negar a «verdade sobre a realidade, sobre o homem e sobre Deus».

«A ciência e a técnica (a biomedicina em particular) são, muitas vezes, instrumentalizadas por uma visão egoísta do progresso e do bem-estar, em vez de servir o bem comum da humanidade», acrescenta.

O texto, particularmente crítico, denuncia a «propaganda e a crescente aceitação dos estilos de vida desordenados e contrários à dignidade humana», os quais «vão enfraquecendo os corações e as mentes das pessoas, ao ponto de apagar o desejo de uma convivência pacífica e ordenada».

A Santa Sé considera que este cenário representa uma ameaça para a humanidade, explicando que «a paz está ameaçada quando não é respeitada a dignidade humana e quando a convivência social não procura o bem comum».

Defendendo que a Igreja tem a missão de anunciar o «Evangelho da Vida», o comunicado sublinha a centralidade do homem e a validade da «antropologia cristã». «Qualquer ofensa à pessoa é uma ameaça à paz, qualquer ameaça à paz é uma ameaça à verdade da pessoa e de Deus: 'A pessoa humana é o coração da paz'», conclui.


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