aCONTECIMENTOS eclesiais
DO MUNDO
ÍNDIA
400 ANOS DA ARQUIDIOCESE
DE MADRASTA-MYLAPORE
D. Jorge Ortiga, Presidente
da Conferência Episcopal Portuguesa, presidiu à celebração da Eucaristia no
passado dia 1 de Julho, durante as comemorações dos 400 anos da arquidiocese de
Madrasta-Mylapore, onde, segundo reza a tradição,
esteve sepultado o Apóstolo S. Tomé.
Em virtude do Padroado português, até 1955 os bispos daquela
diocese eram apresentados por Portugal e, portanto, portugueses. De 1897 a
1897, esta diocese indiana teve como pastor D. António Barroso, natural de
Barcelos, que foi também bispo do Porto e cujo processo de beatificação está a
decorrer.
D. Jorge Ortiga deixou ficar uma síntese histórica da vida
de D. António Barroso e o arcebispo de Madrasta disse que iria promover a
devoção a este antigo bispo da diocese. Durante a celebração da Eucaristia, o
arcebispo colocara as fotografias dos bispos portugueses diante do altar e, ao
passarem, as pessoas deitavam pétalas de flores sobre as fotografias.
O Núncio Apostólico, Mons. Pedro Quintana, natural de Santiago de Compostela, referiu a
importância do padroado português na evangelização daquelas comunidades.
FILIPINAS
ABOLIDA A PENA DE MORTE,
POR PRESSÃO DA IGREJA
A Presidente das Filipinas,
Gloria Arroyo, assinou a lei que decreta a abolição
da pena de morte no seu país, na véspera da sua viagem ao Vaticano.
A lei, aprovada por unanimidade no início do mês de Junho pelo
Senado, altera de forma automática as condenações à morte pronunciadas contra
cerca de 1200 detidos.
Sete execuções tiveram lugar entre 1999 e 2000, antes da
entrada em vigor de uma moratória na sequência de pressões da Igreja Católica,
largamente maioritária no país.
A Conferência Episcopal das Filipinas aplaudiu a aprovação
da lei de abolição da pena de morte. Cerca de mil reclusos esperavam até agora,
no corredor da morte, a sua execução.
ROMA
MÃE DE S. JOÃO BOSCO
MAIS PRÓXIMA DOS ALTARES
.
O Reitor-Mor
dos Salesianos, Pe. Pascoal Chávez,
comunicou aos provinciais da Congregação que a Mãe de São João Bosco, Margarida Occhiena, está
mais perto da beatificação.
«Comunico-vos com grande alegria que o processo canónico
para a Causa de beatificação da Mãe Margarida está no bom caminho. Sob o
estímulo do Santo Padre, a Comissão de Teólogos, encarregada de examinar as
actas da Causa (Positio),
reuniu-se no dia 26 de Maio e deu um parecer unanimemente favorável», refere
uma missiva publicada em 24 de Junho.
Agora falta apenas o parecer da Comissão de Cardeais,
chegando-se assim, provavelmente em finais de 2006, ao decreto de Venerável.
«Isto significa para nós um dom incalculável neste ano em
que celebramos os 150 anos da morte da Mãe de Dom Bosco.
Quis tomar este acontecimento como motivo do lema para 2006 e associá-lo ao
tema da Família como 'berço da vida e do amor e lugar
primário de humanização'», escreve o Superior geral
dos Salesianos.
A família Salesiana deseja que Margarida Occhiena
possa ser declarada Venerável, e, portanto, indicada como modelo de virtudes ao
povo de Deus, por ocasião do 150.º aniversário da sua morte.
Em Agosto do ano passado, o Papa Bento XVI afirmou que «a
santidade de Mãe Margarida é evidente», reconhecendo com essas palavras as suas
virtudes.
.
INGLATERRA
COMUNHÃO ANGLICANA
PODE DIVIDIR-SE
Dividir a Comunhão Anglicana
Após a ordenação de um bispo assumidamente homossexual e da
escolha de uma mulher como primaz, a Igreja Episcopaliana
(ramo anglicano nos EUA) e as que seguirem o mesmo rumo podem ver-se colocadas,
como Igrejas associadas, à margem de uma Igreja central, composta por dioceses
que obedecem à linha oficial anglicana – que não prevê a ordenação de
homossexuais ou a escolha de mulheres como Bispos, neste momento.
O Primaz da Comunhão Anglicana, com 77 milhões de fiéis,
explica em comunicado que a relação entre as Igrejas associadas e as Igrejas
centrais seria a mesma que existe entre a Igreja de Inglaterra e a Igreja
Metodista (no fundo, duas Igrejas separadas, ainda que ligadas por laços
históricos). Ainda que, de facto, se esteja a falar de um cisma, nenhuma
província seria efectivamente expulsa.
Rowan Williams
propôs que as Igrejas sejam instadas a assinar um pacto, permitindo que algumas
se tornem membros mais plenos da Comunhão do que outras. «As Igrejas preparadas
para assumir isso, como uma expressão da sua responsabilidade com as outras,
estariam dispostas a limitar as suas liberdades locais em nome de uma
participação mais ampla. Outras podem não querer fazer isso», disse na sua
longa declaração.
CHINA
UNIÃO EUROPEIA INTERVÉM PARA
LIBERTAÇÃO DOS CRISTÃOS PRESOS
A União Europeia espera que
a China liberte imediatamente os Bispos e os cristãos que estão presos por
causa das suas convicções religiosas. O pedido é apresentado num relatório
votado no dia 12 de Julho, por larga maioria, na comissão responsável pelas
relações externas entre a UE e Pequim.
O documento recorda o destino de muitos Bispos presos e pede
às autoridades «a libertação imediata de todos os membros das Igrejas cristãs
chinesas que estão injustamente presos ou que são perseguidos».
Embora o Partido Comunista Chinês se declare oficialmente
ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais (Associações Patrióticas), entre elas a católica,
que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja católica «clandestina»
conta mais de 8 milhões de fiéis.
A agência do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, AsiaNews, assegura
que há, neste momento, «dezenas de Bispos da Igreja clandestina sob prisão
domiciliária ou impedidos de exercer o seu ministério». Três Bispos fiéis ao
Vaticano estão desaparecidos há vários anos, sem que nenhuma justificação seja
dada por parte de Pequim.
TIMOR-LESTE
CONTRIBUIÇÃO DA IGREJA
PARA A RECONCILIAÇÃO
O Primeiro-ministro
timorense, Ramos Horta, revelou no dia 13 de Julho que conta com a contribuição
da Igreja Católica para promover a reconciliação em Timor-Leste, no âmbito da
crise político-militar que afecta o país, sobretudo no seio da Polícia
Nacional.
Ramos Horta, que falava no final das visitas que fez ao
Quartel-General da Polícia Nacional, em Díli, e ao
Centro de Instrução das Falintil-Forças de Defesa de
Timor-Leste (F-FDTL), em Metinaro, 40 quilómetros a
leste da capital, reconheceu que não vai ser fácil fazer a reconciliação.
«As feridas são profundas, frescas. São feridas reabertas
neste último conflito e dos conflitos passados. Nas F-FDTL não há um grande
problema de clivagem, mas dentro da Polícia Nacional os problemas são profundos»,
disse.
Para trabalhar na reconciliação, no seio das duas
instituições, e entre estas e a sociedade timorense, «para recuperar a
credibilidade e prestígio», Ramos Horta avançou uma proposta que envolve a
hierarquia da Igreja Católica.
«O Presidente [Xanana Gusmão] tem
em mente a constituição de uma Comissão Nacional de Diálogo. Já abordámos esta
ideia com os dois Bispos [D. Alberto Ricardo da Silva, de Díli,
e D. Basílio dos Nascimento, de Baucau], que, aliás,
vão ter um papel de liderança neste processo de diálogo», explicou.
O processo, que envolve ainda as autoridades tradicionais e
a sociedade civil, visa encontrar soluções.