27º Domingo Comum

8 de Outubro de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro de Deus é o nosso pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Est 13, 9.10-11

Antífona de entrada: Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o Senhor do universo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Deus é o Pai carinhosíssimo que nos reúne em cada Domingo, para nos ensinar ou recordar verdades fundamentais para a nossa felicidade temporal e eterna.

Se não fora a luz da Revelação, constantemente a recordar-nos a nossa dignidade humana e de filhos de Deus, as paixões desordenadas acabariam por obscurecer a nossa razão, e em breve o mundo se tornaria um lugar insuportável.

Deus quer ver-nos felizes na terra e no Céu. Por isso, vem hoje recordar-nos uma verdade doutrinal muito atacada em nossos dias: a indissolubilidade do matrimónio. Preparemo-nos convenientemente para acolher a Palavra de Deus.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus fala-nos, no trecho do Génesis que vamos escutar, acerca da indissolubilidade do matrimónio. Agradeçamos ao Senhor que tenha organizado deste modo a família, e procuremos ser fiéis aos Seus ensinamentos.

 

Génesis 2, 18-24

18Disse o Senhor Deus: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele». 19Então o Senhor Deus, depois de ter formado da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, conduziu-os até junto do homem, para ver como ele os chamaria, a fim de que todos os seres vivos fossem conhecidos pelo nome que o homem lhes desse. 20O homem chamou pelos seus nomes todos os animais domésticos, todas as aves do céu e todos os animais do campo. Mas não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. 21Então o Senhor Deus fez descer sobre o homem um sono profundo e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma costela, fazendo crescer a carne em seu lugar. 22Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. 23Ao vê-la, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem». 24Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne.

 

A narrativa conserva, na linguagem e no estilo, todas as características da tradição jarvista, em particular, uma grande vivacidade de expressão, e, de acordo com o modo de pensar e de falar da época a que o texto pertence, uma rica linguagem simbólica ou mítica. No entanto, mesmo quando se vê que adopta elementos comuns aos mitos cosmogónicos da antiguidade, esta linguagem é cuidadosamente purificada de toda a magia e politeísmo que os impregnam, de tal modo que Deus aparece como Senhor transcendente e Pai providente. Sem dificuldade, sob o estrato da antiga narração, descobrimos aquele conteúdo verdadeiramente admirável no que diz respeito às qualidades e à condensação das verdades, que nele estão encerradas (cf. João Paulo II, numa série de Audiências Gerais de 1979/80, que tomamos como pano de fundo destas notas). O texto deixa claro que a atracção dos sexos é algo querido por Deus e que a diferenciação sexual encerra um sentido intrínseco, não arbitrário, e que não foi introduzida no mundo por nenhum princípio maléfico misterioso.

18-20 Deus é apresentado em linguagem antropomórfica, isto é, à maneira humana, como um «oleiro», e a deliberar no sentido de ir aperfeiçoando a sua obra, num texto que se presta a veicular ricos ensinamentos de antropologia teológica. «Não é bom que o homem esteja só»: a solidão do homem, sentida por ele (v. 20) e reconhecida por Deus (v. 18), traduz, por um lado, a interioridade do ser humano, capaz de perceber a sua própria solidão (coisa de que os animais não são capazes), e, por outro lado, como este foi criado por Deus para a comunhão inter-pessoal.

«Um auxiliar semelhante». O facto de se dizer auxiliar, ou ajuda, não contradiz a dignidade da mulher, como se esta ficasse reduzida a uma simples muleta para o homem, pois estamos perante uma complementaridade que é mútua; de qualquer modo, não se diz que é uma serva ou uma propriedade do marido, destinada dar-lhe frutos, à maneira de uma terra fecunda, como então se pensava. Por outro lado, também de Deus se diz que Ele é um auxiliar para o homem; além disso, a palavra hebraica (‘ézer, auxílio), ao designar habitualmente o socorro que Deus concede ao seu povo (15 em 21 vezes no A. T.), indicia que o relato está redigido com base na noção de aliança: a relação homem-mulher aparece então como um reflexo da relação Deus-homem, uma relação de aliança (M. Merode).

«O homem deu nome a todos os animais», é uma forma de pôr em relevo a superioridade do homem e o seu domínio sobre eles, que ficam postos ao seu serviço (cf. Gn 1, 28). Adão aparece como um rei que passa revista a todos os seus súbditos. Impor o nome significava frequentemente ter direito sobre algo ou alguém, assim como o mudar o nome correspondia a assinalar uma nova missão. Não se pretende ensinar que os animais foram criados só depois do homem (nem antes!), apenas o autor visa dramatizar a situação do homem solitário e enaltecer a Providência amorosa de Deus, que instituiu a sociedade conjugal para bem do próprio homem e num plano de grande dignidade, sublinhando que até os próprios animais maiores eram «behemáh», isto é, (animais) mudos, que não estavam ao nível do homem. Nesta encenação poderia haver também, em segundo plano, a condenação da bestialidade, frequente entre os cananeus e os egípcios (cfr. Lv 18, 23-25) – um pecado que a Lei punia drasticamente (Ex 22, 18; Lev 20, 15-16; cf. Dt 21, 21) –, e ainda a rejeição do paganismo, que com frequência prestava culto a animais divinizados, uma aberração absurda, dado que Adão é superior e nem sequer encontra algum que, ao menos, lhe seja semelhante.

21-22 Ao arrepio da mentalidade da época, a mulher aparece em toda a sua dignidade, não como os animais, que são tirados da terra (v. 19); com efeito, ela é tirada da costela do homem, isto é, «da substância de Adão», como esclarece S. Gregório de Nissa, igual por natureza. Para isso – não para o anestesiar, como às vezes se diz – conta-se que adormeceu profundamente o homem (v. 21), a fim de que, sem que ele se apercebesse, lhe satisfizesse os seus ideais e anseios: formou a mulher e apresentou-a ao homem (v. 22). O «sono profundo» nada tem a ver com alguma espécie de sono de anestesia; o termo hebraico – tardemah – envolve uma certa conotação de mistério, pois é a palavra que se usa, quando durante um sono assim designado, ou logo após este, se verificam acontecimentos de grande alcance (cf. Gn 15, 12; 1 Sam 26, 12; Is 29, 10; Job 4, 13; 33, 15), de modo que até os LXX não traduziram este termo por hypnos, mas sim por ékstasis (êxtase). É assim que se pode ver como a criação da mulher está envolta em mistério, pois aparece como uma especial acção divina que se insere no âmbito do mistério da Aliança, no próprio coração da história da salvação. Assim como em Gn 15, 12 o sono de Abraão é o sinal de que este se deixa ultrapassar por Deus, que lhe revela a Aliança, assim também aqui o sono de Adão é o sinal de que, pela bissexualidade humana, Deus nos revela o mistério do matrimónio como imagem de Deus (cf. Gn 1, 26-28). «Em ambos os casos, segundo os textos em que (...) o livro do Génesis fala do sono profundo (tardemah), realiza-se uma acção divina especial, isto é, uma aliança carregada de consequências para toda a história da salvação: Adão dá começo ao género humano, Abraão ao povo eleito» (João Paulo II, Audiência Geral de 1/11/19). Note-se que costela, – em hebraico tselá‘ – sugere um significativo jogo de palavras: o étimo sumério de tselá‘ significa vida e o nome Eva – em hebraico haváh – também significa vida.

22 «E apresentou-a ao homem». Também é significativo que não se diga que é o homem a fazer aparecer a mulher ou a descobri-la: tudo é dom e iniciativa divina, e a relação do homem com a mulher enquadra-se na relação fundamental do homem com Deus.

23 «Ao vê-la, o homem exclamou». As palavras que o hagiógrafo coloca na boca de Adão são a expressão dum entusiasmo eufórico, próprio dum coração enamorado, em linguagem poética, com ritmo, elegância, paralelismo e jogo de palavras, logrando-se um belo efeito literário: Adão, ignorando como a mulher tinha sido formada, verifica que ela corresponde plenamente ao seu ideal; formada do lado ou da costela sobre o coração, a mulher procedia do coração do homem, respondendo às suas profundas aspirações.

«Osso dos meus ossos...» Trata-se duma expressão corrente para designar parentesco, comunidade de natureza (cf. Gn 29, 14; Jz 9, 2; 2 Sam 5, 1; 1 Cron 11, 1). Esta afirmação é dum alcance extraordinário, transcendendo de longe as mais avançadas civilizações em que a mulher sempre foi considerada um ser inferior, quanto à natureza e direitos. Ela tem a mesma natureza e os mesmos direitos que o homem, por isso «chamar-se-á mulher», num jogo de palavras em hebraico: ixáh («virago»: a forma feminina deix, «varão»); ela já não é mais a beulat-baal (a propriedade dum senhor – Dt 22, 22). Sem diluir diferenças e peculiaridades, há uma igualdade fundamental entre o homem e a mulher, mesmo quando o relato apresenta o homem a ser criado em primeiro lugar; a mulher, embora surja como um auxiliar, ela é criada semelhante a ele (v. 18). Notar que as expressões «osso dos meus ossos» e «carne da minha carne» são uma espécie de superlativo hebraico (como «cântico dos cânticos»), equivalente a dizer que é mesmo carne e osso meu, um «alter ego», correspondendo a: «é igual a mim quanto à natureza e quanto aos direitos», segundo as categorias do nosso pensamento abstracto.

24 «Por isso, o homem deixará pai e mãe...» Os laços que unem marido e mulher são mais fortes ainda do que aqueles que unem os filhos aos pais: a união matrimonial é estável, (perpétua e indissolúvel, segundo a explicação de Jesus no Evangelho de hoje). É uma união total e íntima, tão profunda que abarca toda a pessoa, desde o físico até ao espiritual, segundo a expressão do original hebraico, «wedabaq», que a Vulgata traduziu por «et adhærebit», melhor que a nossa tradução: «para se unir à sua esposa». O texto permite ver a unidade do matrimónio – um só homem com uma só mulher (a sua mulher) – e a indissolubilidade, pois os dois passarão a ser «uma só carne». A expressão hebraica «lebassár ehád» in carnem unam») indica não apenas o corpo, mas tudo o que constitui a natureza do homem: corpo e espírito, pensamento e amor, sentimentos e vontade, o que dá azo a João Paulo II para falar do significado esponsal do corpo humano, um significado que só se pode compreender dentro do contexto da pessoa: «o corpo tem o seu significado esponsal porque o homem-pessoa é uma criatura que Deus quis por si mesma e que, ao mesmo tempo, não pode encontrar a sua plenitude senão mediante o dom de si próprio» (Audiência Geral de 16/1/80). O Papa acrescenta que no celibato pelo Reino dos Céus esse significado não se perde, mas é ainda mais pleno, pois se torna mais expressiva a liberdade do dom no corpo humano; o homem só é capaz de doação enquanto pessoa e é doando-se que se realiza como pessoa; e a sua máxima doação é a entrega total (corpo e alma) a Deus.

 

Salmo Responsorial      Sl 127 (128), 1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5)

 

Monição: O Salmo 127 canta a felicidade do homem e da família que serve a Deus com fidelidade, apesar dos momentos difíceis que têm, por vezes, de enfrentar. Façamos dele a nossa oração nesta hora.

 

Refrão:         O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida.

 

Feliz de ti que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem.

 

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos como ramos de oliveira,

ao redor da tua mesa.

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião o Senhor te abençoe:

vejas a prosperidade de Jerusalém todos os dias da tua vida;

e possas ver os filhos dos teus filhos. Paz a Israel.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na carta aos Hebreus, o Senhor ensina-nos que, pelos sofrimentos de Jesus Cristo, fomos libertados dos nossos pecados e nos tornámos herdeiros da bem-aventurança eterna. Sejamos fiéis, com -uma vida digna, à nossa vocação de filhos de Deus que nos ganhou Jesus.

 

Hebreus 2, 9-11

Irmãos: 9Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l'O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos. 10Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. 11Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos.

 

Vamos ter como 2ª leitura até ao fim do ano litúrgico alguns respigos da epístola aos Hebreus, poucos, mas expressivos. O tema central do «discurso de exortação» (cf. 13, 22), que constitui o escrito, nunca é tratado nos restantes livros do N. T.: o sacerdócio de Cristo, uma elaboração teológica admirável e sublime, entremeada de exortações, uma verdadeira obra prima que impressiona vivamente o leitor. Embora pertença ao chamado corpus paulinum, este documento não parece ter sido redigido por S. Paulo (alguns pensam que poderia ser um sermão do seu colaborador Apolo: cf. Act 18, 24-28), nem tem um carácter epistolar, se exceptuamos os vv. finais (13, 22-25, que até poderiam ser um bilhete do próprio Paulo). O trecho de hoje é extraído da 1ª parte, em que Jesus é apresentado como Filho de Deus e superior aos próprios anjos, não obstante todas as humilhações a que se quis sujeitar.

9-10 «Por um pouco, foi inferior aos Anjos». Em constantes citações do A. T. ao longo de toda a epístola, o autor sagrado faz aqui (nos vv. 5-9) uma releitura cristológica do Salmo 8. A inferioridade de Jesus deu-se apenas no aspecto exterior e sensível, especialmente nos momentos da sua Paixão e Morte; mas a humilhação da morte que sofreu mereceu-lhe a exaltação gloriosa da sua SS. Humanidade (cf. Lc 24, 26; Filp 2, 6-11). Por outro lado, essa humilhação não foi sem um nobilíssimo motivo, pois foi «em proveito de todos», isto é, em ordem à salvação de todas as criaturas, não apenas de uns tantos privilegiados. Mais ainda, «convinha que (Deus, o Pai…) levasse à perfeição, pelo sofrimento, o Autor da salvação». Nesta única vez em que se usa em toda a Escritura o «argumento de conveniência» para o agir divino, aparece um dos temas fulcrais da epístola, o da «perfeição»: Jesus é o sacerdote perfeito (5, 9; 7, 11-28; 10, 14), em contraposição com o sacerdócio levítico com todas as suas exigências de perfeição exterior (cf. Lv 21, 18-23). Aqui se expõe como atingiu essa perfeição; foi pelo sofrimento, com que, obedecendo ao Pai, quis levar a cabo a obra da Redenção até ao «consummatum est» (Jo 19, 30), no supremo exercício do seu sacerdócio.

11 «Procedem todos de um só»: Jesus, «Aquele que santifica» e os homens, «os que são santificados», têm uma origem comum (Deus, Adão, Abraão, ou simplesmente a mesma natureza), o que torna possível que Jesus seja «sacerdote» e «mediador» (cf. 2, 14-18; 5, 1; 8, 6; 9, 15), podendo, apesar da sua suprema dignidade, chamar com toda a verdade os homens «seus irmãos» (cf. Jo 20, 17).

 

Aclamação ao Evangelho          1 Jo 4, 12

 

Monição: Quando o Evangelho é proclamado, é Cristo que passa em nossos caminhos, a anunciar-nos a Boa Nova da felicidade eterna.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós

e o seu amor em nós é perfeito.

 

 

Evangelho *

 

 

*Forma longa: São Marcos 10, 2-16    Forma breve: São Marcos 10, 2-12

Naquele tempo, 2aproximaram-se de Jesus uns fariseus para O porem à prova e perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?» 3Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?» 4Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». 5Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. 6Mas, no princípio da criação, 'Deus fê-los homem e mulher. 7Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, 8e os dois serão uma só carne'. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. 9Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». 10Em casa, os discípulos interrogaram-n'O de novo sobre este assunto. 11Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. 12E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério».

[13Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. 14Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. 15Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». 16E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas.]

 

Jesus é posto à prova num tema hoje bem actual e que já na sua época era debatido entre os rabinos de então: a escola rigorista de Xamai só permitia o divórcio em casos extremos, como por adultério, ao passo que para a escola liberal de Hillel bastava qualquer razão banal, como uma forte atracção por outra mulher, ou simplesmente servir uma comida com esturro. Na sua resposta, Jesus não pergunta pelas posições dos rabinos, mas pela Lei de Moisés na sua forma escrita. No entanto, também não estão no horizonte de Jesus as modernas questões histórico-literárias, pois neste caso poderia dizer que Moisés nunca autorizou o divórcio, apenas o considera como um facto real, a exigir regulamentação para minorar os males que acarreta. De facto, o célebre texto do Deuteronómio, o único na Thoráh a falar do certificado de divórcio (Dt 24, 1-4), quando bem lido no original hebraico, de modo nenhum quer dizer que Moisés «permitiu que se passasse um certificado de divórcio», como responderam os fariseus (v. 4). Como explica Díez Macho, a autorização do divórcio de Dt 24, 1 não passa de uma simples inclusão na legislação do Pentateuco de um costume do meio ambiente, mas nem para o canonizar, nem para o autorizar, mas sim para lhe pôr obstáculo (Sto. Agostinho diz que é mais uma desaprovação do que uma aprovação). Dt 24 1 é uma tolerância do divórcio reinante, pela dureza do coração, como justamente Jesus interpretou». O judaísmo posterior é que interpretou o texto como uma autorização do divórcio, um privilégio divino para os maridos israelitas, considerando o final do v. 1 de Dt 24 como um preceito («escreva-lhe uma carta de repúdio»), quando a verdade é que se tratava da consideração de mais uma condição («e se lhe escreve uma carta de repúdio»); os 3 primeiros vv. devem ser lidos como prótase («se…, se…, se…»), aparecendo a apódose só no v. 4, com o preceito: «(então), o primeiro marido que a despediu não a poderá tomar de novo por sua mulher» (isso seria indecoroso). 

6-9 «Mas no princípio da criação…». Jesus apela para as palavras do Génesis lidas na 1.ª leitura e dá-lhes o seu profundo sentido: «passarão a ser uma só carne» significa a unidade e indissolubilidade do Matrimónio. Por isso a legítima tradição da Igreja nunca admitiu a mínima excepção à indissolubilidade dum matrimónio validamente realizado e consumado. A sentença de Jesus é absoluta e irrevogável: «O que Deus uniu que não o separe o homem» (v. 9); com efeito, não se trata de uma simples imposição duma lei externa, mas de algo que pertence à própria natureza das cosias.

11-12 «Quem repudiar... e, se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério». Jesus apresenta as normas morais tão exigentes para o homem como para a mulher, reforçando o ensino anterior (vv. 5-9), quando para o judaísmo só o marido é que podia repudiar a mulher e não o contrário. Jesus não só restituiu o Matrimónio à sua dignidade original, segundo o projecto de Deus para a felicidade do ser humano, mas também confere a graça do Sacramento do Matrimónio, que possibilita superar as situações mais difíceis, com que nos deparamos cada vez mais, e remediar a dureza do coração, uma coisa impossível para a Lei de Moisés.

13-16 Esta perícope, que fala das crianças, nada tem a ver com a anterior, embora estas sejam as grandes vítimas inocentes dos divórcios; a ligação é artificial, e nada se diz das circunstâncias do momento e do lugar do facto relatado nos três Sinópticos. Então havia o costume de aos sábados os pais abençoarem as suas crianças (com menos de 12 anos), mas só na festa do Yom Kipur é que elas recebiam a bênção dos rabis; que o acontecimento relatado tivesse sido por esta ocasião não passa de mera possibilidade. É apenas S. Marcos – que gosta de registar as emoções de Jesus (cf. 1, 43; 3, 5; 8, 12; 14, 33-34) – quem refere a indignação de Jesus perante a oposição dos discípulos (v. 14), que partilhavam da mentalidade corrente de desprezo pelas crianças; então não se considerava a sua inocência, mas a sua imaturidade. O tema central do relato é o do Reino de Deus, concretamente, que pessoas poderão fazer parte dele: «Só aqueles que o reconhecem e o aceitam como um dom – como uma criança que recebe presentes – é que podem esperar vir a fazer parte dele; o reino é para aqueles que não fazem reivindicações de poder ou de posição social» (The new Jerome B. Commentary). E, sem humildade, como a da criança que se sente débil e insignificante, não é possível entrar no Reino de Deus (cf. Mt 18, 3-4; Mc 9, 35-36), o que está no pólo oposto da atitude dos fariseus, que pensavam poder comprar o Reino de Deus com os seus próprios méritos. Por outro lado, o relato deixa ver como as crianças são tomadas a sério, como pessoas, por Jesus – só Marcos refere que Ele as abraçou – e como elas gostam de se relacionar com Jesus e com o Reino.

 

Sugestões para a homilia

 

1. A santidade do matrimónio

2. Serão os dois numa só carne

3. O sofrimento, prova e condição de amor

1. A santidade do matrimónio

A Liturgia da Palavra convida-nos a uma reflexão profunda sobre o sacramento do Matrimónio.

Embriagado pelos seus progressos no mundo da técnica, pelo domínio da natureza, o homem quer também dispor, segundo a medida dos seus caprichos, de algo que não lhe pertence: as exigências da lei natural. Hoje estão particularmente ameaçadas por esta ambição desorbitada as que se referem ao matrimónio.

a) Homem e mulher: igualdade de direitos e deveres. O texto do Génesis reporta-nos à formação do primeiro par humano. Deus interveio directamente para o formar. É doutrina de fé divina e católica (cfr. Vaticano I). Aqui se afirma também claramente que os dois têm a mesma natureza humana e são, como consequência, iguais em dignidade, embora cada um possua capacidades diferentes, de harmonia com a missão a que se destina.

«Uma vez que todos os homens, dotados de alma racional e criados à imagem de Deus, têm a mesma natureza e a mesma origem, e porque, redimidos por Cristo, gozam da mesma vocação e destino divinos, deve reconhecer-se cada vez mais, a sua igualdade fundamental... Toda a forma de descriminação que atinge os direitos fundamentais da pessoa, quer se funde no sexo, na raça, na cor, na condição social, na língua ou na religião, deve ser ultrapassada e eliminada como contrária aos desígnios de Deus» (II Concílio do Vaticano, Guadium et Spes, n. 29).

O facto de o homem ser o titular da autoridade no matrimónio não prova a sua superioridade sobre a mulher. Com efeito, onde duas ou mais pessoas se reúnem de modo estável, uma delas tem de assumir a chefia. O mando não significa uma superioridade, mas o chamamento a um serviço. E Deus quis dotar especialmente o homem para esta missão de serviço dentro da família.

b) União sagrada. A união entre o marido e a mulher não se pode comparar a qualquer outra na terra. É sagrada, porque foi instituída por Deus, para tornar os dois Seus cooperadores na formação de novos seres humanos.

Nesta missão única, eles estão – falando humanamente – de mãos dadas com Deus. «Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa só carne» (Gen 2,24).

São administradores – não senhores absolutos – da capacidade de gerar e educar, e deverão um dia prestar contas a Deus da sua generosidade ou mesquinhez. Isto quer dizer, portanto, que não devem perguntar-se um ao outro quantos filhos hão-de ter, mas têm de se apresentar os dois lealmente perante o Senhor para ouvir d'Ele a resposta no mais íntimo da consciência.

Só quando o homem e a mulher se esquecem de que são criaturas de Deus e Seus cooperadores no poder maravilhoso de transmitir a vida, caem na tentação de se escudarem atrás de «direitos», de «realização pessoal», de «liberdade», para fazerem vingar o egoísmo ditador.

c) Como Sacramento, o matrimónio é sinal da união de Cristo com a Igreja. Elevando-se à dignidade de sacramento, a união do homem e da mulher no matrimónio tornou-se sinal sensível da união de Cristo com a Igreja (cfr. Ef 5, 21 e ss).

2. Serão os dois numa só carne

Os contemporâneos de Jesus sentiam-se confundidos entre o rigorismo que os «puros» sustentavam e o laxismo que se infiltrava subtilmente, por influência dos povos vizinhos. E assim, a praga do divórcio começou a aparecer como mal menor. Permitia-se o repúdio, por parte do homem, em certas condições.

Não se tratava do divórcio no sentido actual, em que se atribui aos dois, em igualdade, um falso direito a contrair novo matrimónio. A mulher era simplesmente repudiada. É a tentação de sempre: oprimir os mais fracos – neste caso, a mulher – defendendo com leis os mais fortes. Infelizmente, esta situação não chocava muito, num ambiente em que a mulher era negociada para casamento.

O cancro do divórcio que hoje volta a aparecer na nossa sociedade, embora camuflado com as palavras mentirosas de «direito a recomeçar a vida», obrigados de novo a meditar nesta verdade fundamentai: o matrimónio consumado é indissolúvel.

O Senhor formou o homem e a mulher e uniu-os em matrimónio, para que estivessem na origem de novos seres humanos. A finalidade do matrimónio são os filhos. «Por sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados para a procriação e educação da prole que constituem a sua coroa» (II Concílio do Vaticano, Gaudium et Spes, n. 48).

Uma reflexão elementar sobre a realidade do matrimónio ajuda-nos a descobrir algumas das razões da indissolubilidade.

a) Exigência dos filhos. A indissolubilidade compreende-se melhor quando se pensa no fim para o qual ele foi instituído. Esta exigência não se encontra no acasalamento dos animais porque neles apenas se desenvolve a vida animal. O crescimento normal do homem, porém, até ao seu desenvolvimento completo, exige uma família unida, estável. O clima de amor entre os pais é indispensável para um desenvolvimento psíquico sadio da criança. Mais uma vez, como não podia deixar de ser, os dados da ciência estão a bater certos com os da fé.

b) Exigência do amor. Quando o amor é verdadeiro, não pode ter fronteiras de tempo nem de generosidade. Deus quer no lar um amor autêntico.

Os contratempos e pequenos choques que possam surgir são um condicionamento normal da vida. Como são duas pessoas em crescimento que se propõem caminhar juntas ao encontro de Deus, é natural que haja desajustamentos passageiros. De resto, quando estas dificuldades, normais no crescimento da amizade, encontram a condicioná-las um vínculo indissolúvel, valorizam as pessoas; os dois acabam por superá-las e regressar um ao outro mais amigos. Pelo contrário: quando o espantalho da separação se agita constantemente, a energia perde-se e o amor estraga-se, como vinho bom em vasilha rota.

c) Divórcio ou poligamia? Sejamos sinceros, e tiremos as consequências da realidade que o cancro do divórcio nos apresenta: não será ele, afinal, uma poligamia sucessiva, em vez de ser simultânea – por enquanto! – como acontece entre diversos povos bárbaros?

Por isso, Jesus defende intrepidamente a indissolubilidade da instituição matrimonial, e continua a levantar a Sua voz divina, pelos ensinamentos do Magistério, apesar da incomodidade que a aceitação desta verdade possa comportar. «Não separe o homem o que Deus uniu» (Mc 10, 9).

E para nos ajudar a resistir à tentação de soberba, que nos leva a não aceitar as exigências da Fé que ainda não compreendemos (e quando elas contrariam as nossas paixões desordenadas, temos tanta dificuldade em compreender!), Jesus apresenta-nos como modelo da docilidade aos Seus ensinamentos uma criança: «Todo o que não receber o reino de Deus como um menino, não entrará nele» (Mc 10, 25).

3. O sofrimento, prova e condição de amor

É para Jesus crucificado que se hão-de voltar os casados nas horas mais difíceis, em que é preciso superar grandes ou pequenas divergências, humilhar-se, reconhecer os próprios erros, perdoar generosamente e recomeçar o caminho que parecia ter chegado a um beco sem saída.

O amor no matrimónio não pode ser uma procura de satisfação do próprio egoísmo, como, de resto, em qualquer outra situação. Amar é dar-se. Daí que ele reveste-se especialmente aqui de algumas características peculiares.

a) Fidelidade. Antes de procurarem ser fiéis, leais um ao outro – no sentido mais comum da palavra – têm de procurar ser fiéis a Jesus Cristo, na generosidade, no respeito sagrado pelas exigências da Lei de Deus. Quantas vezes a cruz se torna insuportável e a fidelidade e lealdade sumamente difíceis, porque os dois se puseram antes de acordo para serem desleais a Deus!

b) Espírito de serviço. Se cada um dos dois procurar amar e servir a Jesus Cristo misteriosamente presente no outro, a alegria não parará de crescer. Amar é isto mesmo: lutar contra o egoísmo.

É preciso vencer os complexos de superioridade (e a preguiça!) que levam as pessoas a sentirem-se sempre com o direito a ser servidas e nunca com o dever de servir, a pronunciar a última palavra na discussão, a dizer coisas que ofendem a sensibilidade. Jesus dá-nos o exemplo: «aquele Jesus que por um pouco foi feito inferior aos anjos, nós O vemos pela paixão e morte, coroado de honra» (Hebr 2, 9).

c) Generosidade. É preciso que a capacidade de amar não cesse de crescer. Amar é também perdoar, esquecer. Quem ama, dá-se, perde o direito de si próprio. Porque hão-de, então, os dois, estar sempre à espera de agitar títulos de dívida (em tal dia tive esta atenção para contigo e tu não correspondeste!), a tomar uma atitude permanente de desconfiança, como se tivesse sido enganado no «negócio» que «realizou» no dia do casamento?

Algum de nós terá perdoado tanto – ofensas tão graves e tão numerosas – a outro, como as que nos perdoou Jesus Cristo, a preço do Seu Sangue?

O Senhor reúne-nos para nos ensinar estas verdades e oferecer (quem sabe?) a algum dos presentes a chave da felicidade conjugal há tempos perdida. Ele bem sabe que esta caminhada de amor em crescimento constante é difícil, porque esbarra muitas vezes contra o nosso egoísmo. E, por isso, oferece-nos generosamente este Alimento Divino que é o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, ao mesmo tempo que, com este gesto, nos ensina como nos havemos de dar aos nossos irmãos.

Deus pede-nos a todos que sejamos, neste mundo desorientado, sal, fermento e luz, ajudando a todos que andam desorientados a encontrar o verdadeiro caminho.

Maria Santíssima, presente em. Cana da Galileia, a garantir a felicidade imperturbável de dois recém-casados, intercederá junto de Jesus para que transforme a água do amor humano no vinho espirituoso de boa obras que jorra para a vida eterna.

Outras sugestões de homilia

1. A solidão. Só o homem pode comunicar. O homem tem necessidade de comunicar. O egoísmo, mesmo quando tem as aparências de amor (infidelidade conjugal, divórcio) fecha o homem numa solidão tremenda porque, fundamentalmente, o afasta de Deus.

2. Dignidade da mulher. a) A descoberta da dignidade da mulher feita por ela própria; para que não se deixe banalizar, ser tratada como uma coisa, levando-a a desviar os seus valores reais para atitudes que a diminuem (v.g. a sua capacidade para fazer andar à roda a cabeça do homem), b) A descoberta da dignidade da mulher pelo homem: reconhecer nela uma irmã com dignidade humana e, quando esposa, com igualdade de direitos e deveres. A lei entre os homens não pode ser a .mesma que entre os animais ,onde vence aquele que tem mais força física. Entre os homens prevalece o direito. Entre os cristãos prevalece o Amor.

 

 

Oração Universal

 

O Senhor acaba de nos dirigir a Sua Palavra.

Nós procurámos corresponder à Sua generosidade,

fazendo a profissão de nossa Fé.

Apresentemos-Lhe agora as necessidades

da Igreja, da Pátria e de todos os homens.

 

1.  Pela Santa Igreja, Luz do mundo:

para que a doutrina que Jesus nos ensina

conduza os homens à salvação eterna,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelo Santo Padre, Bispos e Sacerdotes:

para que anunciem corajosamente

o Evangelho em toda a sua exigência,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os lares cristãos:

para que se defendam da praga do divórcio

e dêem testemunho de fidelidade ao amor,

oremos, irmãos.

 

4.       Pelos governantes da nossa Pátria:

para que sintam a responsabilidade

de promulgar leis que protejam a família,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos jovens que se preparam para o matrimónio:

para que compreendam a sua responsabilidade

e se ofereçam generosamente para fazer um mundo novo,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos matrimónios divorciados:

para que reconsiderem o seu descaminho

e regressem aos caminhos da fidelidade,

oremos, irmãos.

 

7.  Pelas benditas almas do Purgatório:

para que, por intercessão de Nossa Senhora,

sejam livres do seu cativeiro,

oremos, irmãos.

 

Senhor que nos fizestes vir ao mundo no seio duma família fundada no amor:

ajudai-nos a guardar a Vossa Lei e a viver de tal modo

que todos participemos dessa vida de família eternamente no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício que Vós mesmo nos mandastes oferecer e, por estes sagrados mistérios que celebramos, confirmai em nós a obra da redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A santa Igreja é a família dos filhos de Deus.

Deus serve-nos agora, depois do Pão da Sua Palavra, o manjar do Corpo e Sangue do Senhor.

Unidos na mesma Eucaristia, viveremos como exige de nós a vocação cristã.

 

Cântico da Comunhão: Comemos, ó Senhor, do mesmo pão, M. Borda, NRMS 43

Lam 3, 25

Antífona da Comunhão: O Senhor é bom para quem n'Ele confia, para a alma que O procura.

Ou:   

cf. 1 Cor 10, 17

Porque há um só pão, todos somos um só corpo, nós que participamos do mesmo cálice e do mesmo pão.

 

Cântico de acção de graças: Louvarei para sempre, Frederico de Freitas, NRMS 9-10 (I)

 

Oração depois da Comunhão: Deus todo-poderoso, que neste sacramento saciais a nossa fome e a nossa sede, fazei que, ao comungarmos o Corpo e o Sangue do vosso Filho, nos transformemos n'Aquele que recebemos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Iluminados pela Palavra do Senhor, e fortalecidos pela Santíssima Eucaristia partamos agora para a nossa vida, bem conscientes de que temos, no mundo, um: vocação missionária: anunciar aos homens as riquezas do reino de Deus, levando-os à fidelidade ao Senhor.

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

27ª SEMANA

 

feira, 9-X: S. Dionísio: Ser bons samaritanos como Jesus.

Gal. 1, 6-12 / Lc. 10, 25-37

Mas um samaritano, que seguia de viagem, veio por junto dele e, quando o viu, encheu-se de compaixão.

O bom samaritano da parábola (cf. Ev.) é, em primeiro lugar o próprio Cristo. Manifestou o seu amor por nós entregando a sua vida (cf. Santa Missa), e parando junto de nós para nos curar as nossas feridas (cf. Sacramento da Confissão).

De igual modo temos que ser também nós samaritanos. Encontramos no nosso caminho muitas pessoas com feridas na alma: longe de Deus, em circunstâncias dolorosas, com falta de carinho, de abandono, cheios de misérias. S. Dionísio foi o primeiro bispo de Paris e deu a sua vida, como o samaritano, anunciando aos pagãos a Boa-Nova.

 

feira, 10-X: Sempre unidos a Deus.

Gal. 1, 13-24 / Lc. 10, 38-42

(O Senhor): Marta, Marta, andas inquieta e agitada com muita coisa, quando uma só é necessária.

O que é importante é mantermos a nossa união com Deus, ao longo do nosso dia (cf. Ev.). Procuremos arranjar alguns momentos dedicados exclusivamente ao Senhor, como Maria: a oração, a participação na Eucaristia, as leituras, etc. E arranjá-los também para nos lembrarmos do Senhor enquanto trabalhamos, como Marta: oferecendo o trabalho ao Senhor, pedindo pelas pessoas que nos rodeiam, etc.

S. Paulo, depois de receber a revelação de Deus, esteve uns dias retirado, dedicado à contemplação e, depois, começou as suas viagens (cf. Leit.).

 

feira, 11-X: O Pão da vida e a Palavra de Deus.

Gal. 2, 1-2. 7-14 / Lc. 11, 1-4

Dai-nos em cada dia o pão para nos alimentarmos.

«Tomado no sentido qualitativo (cf. Ev.), significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência. Tomado à letra, designa directamente o Pão da vida, o corpo de Cristo, remédio da imortalidade, sem o qual não temos a vida em nós» (CIC, 2837). Além do pedido, aproximemo-nos da Comunhão, para recebê-lo.

S. Paulo fala de um outro alimento, igualmente importante, a Palavra de Deus «Expus o Evangelho que prego entre os gentios aos membros da Igreja» (Leit.). Dediquemos alguns minutos a tomar este alimento diariamente.

 

feira, 12-X: Oração eficaz e Cristo crucificado.

Gal. 3, 1-5 / Lc. 11, 5-13

Mas, por causa da sua impertinência, levantar-se-á para lhe dar tudo o que precisa.

Esta é uma das três parábolas principais que S. Lucas nos oferece sobre a oração: a do amigo inoportuno (cf. Ev.). Somos convidados a uma oração perseverante: «Batei e hão-de abrir-vos» (Ev.).

A oração é sempre eficaz pois, mesmo que o Senhor não nos conceda o que lhe pedimos, fizemos uma obra boa: rezar. O fruto será mais abundante se tivermos presente o conselho do Apóstolo: «a vossos olhos, foi traçada a imagem de Cristo crucificado» (Leit.). O Senhor não deixa de escutar os que estão perto da Cruz, o que vai exigir de nós a realização de algum sacrifício.

 

feira, 13-X: A defesa dos tesouros pela fé.

Gal. 3, 7-14 / Lc. 11, 15-26

Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus haveres estão em segurança.

Precisamos estar muito atentos, vigilantes, para podermos defender os tesouros (haveres) da nossa vida: a presença de Deus na nossa alma, o amor a Nossa Senhora, o amor limpo pelo próximo… Jesus ajuda-nos expulsando os demónios pelo dedo de Deus (a omnipotência de Deus).

E também é necessária a nossa vida de fé: «o justo viverá pela fé» (Leit.). A fé dá-nos fortaleza e temos uma armadura adequada para lutarmos contra o demónio. Uma das armadilhas que ele utiliza é a sementeira da divisão: na família, no trabalho, no convívio social, nos problemas entre as nações.

 

Sábado, 14-X: Os louvores a Nossa Senhora.

Gal. 3, 22-29 / Lc. 11, 27-28

A Escritura declara que tudo está sujeito ao domínio do pecado.

Só Nossa Senhora foi concebida sem mancha do pecado original. Por isso, gostamos tanto de louvar Nossa Senhora como fez aquela mulher (cf. Ev.), através da Ave-Maria: «as suas palavra exprimem a admiração do céu e da terra, e deixam de certo modo transparecer o encanto do próprio Deus ao contemplar a sua obra prima: a encarnação do Filho no ventre virginal de Maria… A repetição da Ave-Maria sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, é admiração, é reconhecimento de um milagre da história» (Rosário da V. Maria, 33).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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