Solenidade de Todos os Santos

1 de Novembro de 2006

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os santos resplandecem como luz, J. Santos, NRMS 63

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebrar a festa de Todos os Santos é recordar os homens nossos irmãos de todas as raças, povos e condições; os santos canonizados pela Igreja e os santos desconhecidos; os que são proclamados bem-aventurados por Jesus Cristo no Evangelho que hoje é lido.

Todos viveram de forma deveras empenhada a fé em Jesus Cristo, a qual é fonte de toda a santidade e da vida da Igreja.

Preparemos nossas almas para celebrar com toda a fé e o melhor espírito de conversão estes sagrados mistérios.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O cenário apresentado pelo livro do Apocalipse manifesta a alegria dos eleitos diante do trono do Cordeiro e acentua a diversidade e universalidade dos eleitos que são os santos em multidão imensa, procedentes de todos os cantos da terra.

 

Apocalipse 7, 2-4.9-14

2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

 

Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.

2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.

11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins se Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.

12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.

«Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

 

Salmo Responsorial      Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

 

Monição: O santuário da terra é apenas figura do santuário eterno, onde os que têm mãos inocentes e o coração puro para sempre repetem os louvores de Deus.

 

Refrão:         Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

o que não invocou o seu nome em vão.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face de Deus.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Corresponder ao amor de Deus é a fonte da santidade, privilégio e dever de todos os baptizados.

 

1 São João 3, 1-3

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

 

A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.

1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.

2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já; mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é». Esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).

3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 11, 28

 

Monição: Os santos são aqueles que melhor souberam cumprir o programa das bem-aventuranças.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Vinde a Mim, vós todos os que andais cansados e oprimidos

e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. 4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas sim dum ideal de vida para almas fortes e generosas, correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.

3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é» (não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.

«Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceite e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. Casciaro). Pode-se ver o belo comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.

4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.

5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.

6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.

8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela.

9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.

11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3 e 10), há uma ampliação e uma aplicação da 8ª e última bem-aventurança, directa aos ouvintes.

 

Sugestões para a homilia

 

Aqueles que melhor seguiram o modelo que é Jesus

Os santos são o rico património da Igreja

Aqueles que melhor seguiram o modelo que é Jesus

Ao celebrar Todos os Santos estamos a pensar na multidão imensa de todas as nações a que se refere a primeira leitura desta Solenidade.

Os que no passado, ao longo dos tempos pertenceram a movimentos renovadores da Igreja: eremitas e conventuais, monges de todas as denominações, beneditinos e franciscanos, carmelitas e dominicanos; os grandes reformadores de todas as épocas, às vezes incompreendidos e até perseguidos no seu tempo, mas a quem devemos uma tradição admirável de fé e apostolado: os evangelizadores e reformadores de todos os séculos e do nosso tempo, os missionários, os santos vivos que no tempo presente militam nesta Igreja de Jesus Cristo que muito amamos e queremos ver cada vez mais activa e missionária com a nossa presença e de todos os homens de fé por entre as «incompreensões do mundo e as bênçãos de Deus».

Ninguém pode ser santo sem seguir o modelo que é Jesus, sem se deixar impelir pelo vento do Espírito que soprou no Pentecostes que levaria os discípulos de Cristo até aos confins da terra. Alguns, muitos mesmo, os levaria ao martírio, outros dariam testemunho das mais diversas maneiras. O Pentecostes, aliás não aconteceu só um dia. É Pentecostes todos os dias e todas a vezes que alguém fica cheio do Espírito Santo como os discípulos do Cenáculo.

Quando o Espírito intervém e muda radicalmente as pessoas e a história, opera maravilhas, santifica e conduz pelos caminhos da fé no reflorescimento de movimentos eclesiais e novas comunidades. Os movimentos são hoje caminhos de santidade que alguns percorrem graças à efusão do Espírito.

Abri-vos com docilidade aos dons do Espírito. Cada carisma é dado para o bem comum, em benefício de toda a Igreja

Os santos que queremos rezar cada vez com mais verdade a oração do Senhor... Pai nosso... santificado seja o vosso nome... não nos deixeis cair em tentação.

Entre estes estão certamente quantos vivem comprometidos com novos movimentos de renovação cristã.

Alguns movimentos eclesiais serão por ventura olhados com reserva por leigos ou sacerdotes mas se eles estão na comunhão da Igreja, se a experiência nova é ditada pela inspiração do Espírito Santo, se estão na linha evangélica que nos recorda que na «casa de meu Pai há muitas moradas», vivam os novos movimentos que vêm ornar o rosto sempre jovem da Igreja de novos carismas e sinais de evangelização. E neles se encontra o espaço de graça dos novos santos.

Olhai: é o evangelho de hoje que nos avisa: bem-aventurados sereis se vos perseguirem por causa do meu nome...

A Igreja é bela, quando na unidade da fé do Baptismo e na Eucaristia encontra o valor da oração e a graça da caridade na união com Deus. Todos os que fizeram de Cristo o perfeito modelo são os santos que fazem bela esta Igreja que amamos.

Os santos são o rico património da Igreja

Os santos que se converteram depois de uma pausa na vida e de terem meditado o Evangelho são um rico património da Igreja. Alguns trouxeram à mesma Igreja uma novidade inesperada, encontraram-se diante de um forte desafio e desafiam a própria Igreja a transmitir aos seus membros uma sólida e aprofundada formação cristã.

Personalidades fortes, dóceis ao chamamento do Espírito enriquecem continuamente Igreja, mesmo quando lhes colocam problemas pelo inesperado do seu aparecimento.

Jesus disse: «Vim lançar fogo sobre a terra; e que quero Eu senão que ele já se tenha ateado?» (Lc 12, 49).

Também não devemos esquecer os santos de amanhã aqueles que hão-de receber o ideal que aqui nos reúne e nos traz à prática dos sacramentos.

Vamos ao ponto central da questão: honrar os santos de ontem que hoje fazem coro junto do trono do cordeiro. Com eles cantamos; Hossana. Amen.

Ao referir-me aos santos de hoje agora queria recordar todos aqueles que João Paulo II no seu pontificado foi apontando como modelo – e são bastantes – e elevou às honras dos altares e cuja lista vai crescendo continuamente. Também associamos a nossa voz à sua e cantamos: Hossana... amen!

 

Fala o Santo Padre

 

«A morte é a passagem da peregrinação terrena para a pátria do Céu.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

 

Celebramos hoje a Solenidade de Todos os Santos, que nos faz saborear a alegria de participar na grande família dos amigos de Deus ou, como escreve São Paulo, de «tomar parte na herança dos santos na luz» (Cl 1, 12). A Liturgia repropõe a expressão repleta de maravilha do apóstolo João: «Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e, realmente, o somos» (1 Jo 3, 1).

Sim, tornarmo-nos santos significa realizar plenamente aquilo que já somos enquanto elevados, em Cristo Jesus, à dignidade de filhos adoptivos de Deus (cf. Ef 1, 5; Rm 8, 14-17). Com a encarnação do Filho, a sua morte e ressurreição, Deus quis reconciliar consigo a humanidade e abri-la à partilha da sua própria vida. Quem crê em Cristo Filho de Deus renasce «do alto», é como que regenerado por obra do Espírito Santo (cf. Jo 3, 1-8). Este mistério actualiza-se no sacramento do Baptismo, mediante o qual a mãe Igreja dá à luz os «santos».

A vida nova, recebida no Baptismo, não está sujeita à corrupção e ao poder da morte. Para quem vive em Cristo a morte é a passagem da peregrinação terrena para a pátria do Céu, onde o Pai acolhe todos os seus filhos, «de toda nação, raça, povo e língua», como lemos hoje no Livro do Apocalipse (7, 9).Por isso é muito significativo e apropriado que depois da festa de Todos os Santos a Liturgia nos faça celebrar amanhã a Comemoração de todos os fiéis defuntos. A «comunhão dos santos», que professamos no Credo, é uma realidade que se constrói aqui, mas que se manifestará plenamente quando nós contemplarmos Deus «assim como ele é» (1 Jo 3, 2).

É a realidade de uma família ligada por profundos laços de solidariedade espiritual, que une os fiéis defuntos a quantos peregrinam no mundo. Um vínculo misterioso mas real, alimentado pela oração e pela participação no sacramento da Eucaristia. No Corpo místico de Cristo as almas dos fiéis encontram-se a superar a barreira da morte, intercedem umas pelas outras, realizam na caridade um íntimo intercâmbio de dons.

Em tal dimensão de fé compreende-se também a prática de oferecer orações de sufrágio pelos defuntos, de modo especial o Sacrifício eucarístico, memorial da Páscoa de Cristo, que abriu aos crentes a passagem para a vida eterna. […]

Queridos amigos, a tradicional pausa diante dos túmulos dos nossos defuntos seja uma ocasião para pensar sem temor no mistério da morte e cultivar aquela constante vigilância que nos prepara para a enfrentar com serenidade. A Virgem Maria, Rainha dos Santos, a quem agora com confiança filial nos dirigimos, nos ajude nisto.

 

Bento XVI, Vaticano, 1 de Novembro de 2005

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, na solenidade de Todos os Santos

apresentemos a Deus Pai todo poderoso

as nossas preces filiais por Jesus nosso irmão, dizendo:

Santificai, Senhor a vossa Igreja.

 

1.  Pelo Santo Padre, bispos e presbíteros,

para que exerçam o seu ministério

com o fervor dos verdadeiros apóstolos,

oremos, irmãos.

 

2.  Por todos os fiéis leigos,

particularmente por aqueles a quem foi confiada

uma tarefa especial ao serviço da Igreja,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos movimentos de espiritualidade e de apostolado,

para que sigam com docilidade as inspirações do Espírito Santo,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos cristãos constituídos em autoridade

para que saibam servir o bem comum

e promovam a paz e a fraternidade,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelas comunidades que experimentam maiores dificuldades

por falta de pastores e ministros do Evangelho,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos jovens a quem Deus chama a ser santos,

para que se decidam a seguir com audácia

os caminhos que o Senhor lhes aponta,

oremos, irmãos.

 

7.  Pelos que estão doentes,

pelos que sofrem e sentem maiores dificuldades,

pelos que se encontram em crise de fé,

para que o exemplo dos santos a todos anime,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus,

ouvi as preces que Vos dirigimos pelos vossos filhos de toda a terra

e pela intercessão de todos os santos conduzi-nos à bem-aventurança celeste.

Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cristo Verbo de Deus Pai, M. Simões, NRMS 59

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra de Todos os Santos e fazei-nos sentir a intercessão daqueles que já alcançaram a imortalidade. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da nova Jerusalém, nossa mãe

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste, onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Alimentados com o Pão da vida, o verdadeiro Jesus Cristo presente neste sagrado Sacramento da Eucaristia, aproveitemos para Lhe falar das nossas vidas neste momento oportuno. À semelhança dos Santos, falemos com Ele dos nossos problemas, do que nos vai na alma, do bem e do mal que nos acontece como que fala com um velho amigo, porque Cristo é o melhor amigo que se pode ter, aquele que deu a vida pelos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Louvai, nações do universo, M. Simões, NRMS 63

Mt 5, 8-10

Antífona da Comunhão: Bem-aventurados os puros de coracão, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

 

Cântico de acção de graças: Bem- Aventuranças, B. Salgado, NRMS 7 (I)

 

Oração depois da Comunhão: Nós Vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os Santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Todo o homem tem a sua história. Para o cristão a presença de Deus na sua vida e o exemplo dos santos são motivo de conforto e alegria. Ninguém pode esquecer a multidão incontável de todos aqueles que em cada momento da vida souberam tomar consciência desta consoladora verdade.

 

Cântico final: Nós vos louvamos, ó Deus, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Valentim Vilar

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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