31º
Domingo Comum
5 de Novembro de 2006
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Escutai, Senhor, a prece, M.
Carneiro, NRMS 90-91
Sl 37, 22-23
Antífona
de entrada: Não me abandoneis,
Senhor; meu Deus, não Vos afasteis de mim. Senhor, socorrei-me e salvai-me.
Introdução ao espírito
da Celebração
Na sua carta
encíclica, o Papa Bento XVI, lembrava que Deus «não nos ofereceu somente o
amor, mas antes Ele o viveu e de tantas formas se dirige ao nosso coração para
suscitar em nós um amor de resposta. O amor não é só um sentimento,
pertencem-lhe também a vontade e a inteligência. Com sua palavra, Deus
dirige-se à nossa inteligência, à nossa vontade e ao nosso sentimento de modo
que podemos aprender a amá-lo 'com todo o coração e
com toda a alma'». A Liturgia de hoje é um forte apelo
ao amor a Deus e ao próximo, um amor que tem de amadurecer e crescer sempre
mais.
Oração
colecta: Deus omnipotente e
misericordioso, de quem procede a graça de Vos servirmos fiel e dignamente,
fazei-nos caminhar sem obstáculos para os bens por Vós prometidos. Por Nosso
Senhor...
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: Escutemos os insistentes apelos de Deus a amá-Lo, umas palavras que fazem parte da oração da manhã e
da tarde de todo o bom judeu.
Deuteronómio
6, 2-6
Moisés dirigiu-se ao povo,
dizendo: 2«Temerás o Senhor, teu Deus, todos os dias da tua vida,
cumprindo todas as suas leis e preceitos que hoje te ordeno, para que tenhas
longa vida, tu, os teus filhos e os teus netos. 3Escuta, Israel, e
cuida de pôr em prática o que te vai tornar feliz e multiplicar sem medida na
terra onde corre leite e mel, segundo a promessa que te fez o Senhor, Deus de
teus pais. 4Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor. 5Amarás
o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as
tuas forças. 6As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no
teu coração».
A leitura é um pequenino trecho da introdução ao «Código Deuteronómico», ou «Aliança de Moab» (Dt 12 – 26), que constitui o núcleo da obra. Os vv. 4-6 pertencem à célebre Xemá‘, a oração assim chamada a partir da palavra hebraica com que começa, que quer dizer «escuta». É constituída pelas seguintes passagens: Dt 6, 4-9; 11, 18-21; Nm 15, 37-41, que ainda hoje os judeus piedosos continuam a rezar, como nos tempos de Jesus, duas vezes ao dia, de manhã e de tarde.
A resposta de Jesus no Evangelho de hoje é uma chamada para este texto demasiadamente conhecido (cf. Mc 12, 28), onde Deus pede um amor total em que toda a pessoa se empenha (v. 5).
Salmo Responsorial Sl 17 (18), 2-3.4.47.50-51ab (R. 2)
Monição: Com as palavras do Salmo, não nos cansemos de
repetir ao Senhor que o amamos, apesar das nossas faltas.
Refrão: Eu
Vos amo, Senhor:
Vós sois a minha força.
Eu Vos amo, Senhor,
minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador,
meu Deus, auxílio em que ponho a minha
confiança,
meu protector, minha defesa e meu salvador.
Invoquei o Senhor –
louvado seja Ele –
e fiquei salvo dos meus inimigos.
Viva o Senhor, bendito
seja o meu protector;
exaltado seja Deus, meu salvador.
Senhor, eu Vos louvarei entre os povos
e cantarei salmos ao vosso nome.
O Senhor dá ao seu Rei
grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu Ungido.
Segunda Leitura
Monição: O sacerdócio da antiga Lei era tão
passageiro como os homens que o exerciam; ao serem muitos em número revelavam
como era efémero e ineficaz, a par do sacerdócio de Jesus, que, como «permanece para sempre, possui um sacerdócio
eterno». Na Igreja, o sacerdócio dos padres é uma especial participação no
sacerdócio de Cristo para agir em seu nome e na sua pessoa enquanto Cabeça da
Igreja; torna-o visível entre nós. Jesus oferece-se a si mesmo em sacrifício, «de uma vez para sempre», em contraste
com a multiplicidade de sacrifícios que precisavam de oferecer cada dia os
sacerdotes do culto judaico. O sacrifício eucarístico não repete o único
sacrifício de Cristo: «A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais
um, nem o multiplica» (Ecclesia de Eucharistia,
nº 12).
Hebreus 7, 23-28
Irmãos: 23Os
sacerdotes da antiga aliança sucederam-se em grande número, porque a morte os
impedia de durar sempre. 24Mas Jesus, que permanece eternamente,
possui um sacerdócio eterno. 25Por isso pode salvar para sempre
aqueles que por seu intermédio se aproximam de Deus, porque vive perpetuamente
para interceder por eles. 26Tal era, na verdade, o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem
mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus, 27que não
tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios,
primeiro pelos seus próprios pecados, depois pelos pecados do povo, porque o
fez de uma vez para sempre quando Se ofereceu a Si mesmo. 28A Lei
constitui sumos sacerdotes homens revestidos de
fraqueza, mas a palavra do juramento, posterior à Lei, estabeleceu o Filho sumo
sacerdote perfeito para sempre.
No capítulo 7 o autor começa a desenvolver o tema antes anunciado (5, 10) de como Cristo foi «proclamado por Deus como Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisédec» (cf. 6, 20). Depois duma breve apresentação da figura misteriosa de Melquisédec (vv. 1-3), expõe, com diversos argumentos, a superioridade do seu sacerdócio sobre o dos filhos de Levi; estes, na pessoa do seu antepassado Abraão, pagaram-lhe o dízimo e receberam dele a bênção (vv. 4-10; cf. Gn 14, 17-20); por outro lado, o sacerdócio de Jesus, que pertence à tribo de Judá, não se pode entender na continuidade com o sacerdócio judaico, que passava de pais a filhos só dentro da tribo de Levi; mais ainda, ao ficar cumprida em a profecia do Salmo 110, 4, fica abolida, e com juramento, a velha ordem de coisas no respeitante ao sacerdócio (vv. 11-22). O texto da nossa leitura dá o cheque mate: o sacerdócio da antiga Lei era tão passageiro como os homens que o exerciam; ao serem muitos em número revelavam como era efémero e ineficaz, a par do sacerdócio de Jesus, que, como «permanece para sempre, possui um sacerdócio eterno» (vv. 23-24). Note-se, a propósito, que na Igreja o sacerdócio ministerial é isso mesmo, ministerial: é uma especial participação no sacerdócio de Cristo para agir em seu nome e na sua pessoa enquanto Cabeça da Igreja; visibiliza-o, mas sem acrescentar nada ao seu sacerdócio; de modo nenhum se pode pensar que haja qualquer espécie de sucessão no seu sacerdócio único, sumo e eterno.
25-28 E a exposição termina com uma bela síntese, que é uma entusiástica exaltação do sacerdócio de Cristo, «perfeito para sempre», sobressaindo que é Ele que se oferece a si mesmo em sacrifício, «de uma vez para sempre», em contraste com a multiplicidade de sacrifícios que precisavam de oferecer cada dia os sacerdotes do culto judaico. O valor e eficácia do sacrifício do Sumo Sacerdote da Nova Aliança é um tema que é aprofundado nos capítulos seguintes. Note-se que o sacrifício eucarístico não repete o único sacrifício de Cristo: «A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica» (Ecclesia de Eucharistia, nº 12).
Aclamação ao
Evangelho Jo 14, 23
Monição: O Evangelho insiste no 1º mandamento; no
entanto, como diz a encíclica de Bento XVI, «dado que Deus foi o primeiro a
amar-nos, agora o amor já não é apenas um 'mandamento',
mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro». Aclamemos
a Palavra do Senhor.
Aleluia
Cântico: F da Silva, 73-74
Se alguém Me ama,
guardará a minha palavra, diz o Senhor;
meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.
Evangelho
São Marcos 12, 28b-34
Naquele tempo, 28baproximou-se
de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o
primeiro de todos os mandamentos?» 29Jesus respondeu: «O primeiro é
este: ‘Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás
o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu
entendimento e com todas as tuas forças’. 31O segundo é este:
‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que
estes». 32Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando
dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele. 33Amá-l’O com todo o coração,
com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si
mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». 34Ao
ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás
longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-l’O.
A redacção de Marcos apresenta o interlocutor de Jesus como sendo um doutor da lei bem intencionado, a intervir numa típica discussão de escola, ao passo que, nos lugares paralelos de Mateus e Lucas, o doutor da Lei aparece com a intenção de pôr Jesus à prova. Há estudiosos que propendem para que se trate de dois casos diferentes – em Lucas aparece noutro contexto, o da parábola do bom samaritano –, e não dum simples arranjo redaccional ou divergência na tradição do mesmo facto (J. Schmid); de qualquer modo, Marcos optou por passar por alto a hostilidade e apresenta uma questão de escola, a mesma já posta uns 20 anos antes ao célebre mestre Hillel, a que este respondeu com uma bela síntese: «aquilo de que não gostas para ti, isso não o faças ao teu próximo» (Talmud; cf Mt 7, 12). É compreensível a importância do problema, se temos em conta que então se contavam 613 preceitos da Lei, discutindo-se quais eram os graves e quais os leves no emaranhado de 365 proibições (correspondentes ao número dos dias do ano!) e 248 prescrições positivas (tantas quantos os ossos do corpo humano!). Jesus dá uma resposta, que constitui uma síntese original e libertadora, ligando, como nunca antes se tinha feito, os dois preceitos do amor a Deus (Dt 6, 4-5) e ao próximo (Lv 19, 18).
29-31 «O primeiro mandamento… O segundo…». Embora inseparáveis, há nestes dois preceitos uma hierarquia: devemos amar a Deus mais do que a ninguém e dum modo incondicional; ao próximo – o segundo –, como consequência e efeito do amor a Deus. Se se amasse ao próximo por ele mesmo, e não por amor a Deus, esse amor impediria o cumprimento do primeiro mandamento e acabaria por deixar de ser autêntico amor ao próximo, pois entrar-se-ia pelo caminho do relativismo e do desinteresse pela salvação eterna dos outros e do da redução do próximo a uma determinada classe de pessoas (as que agradam ou oferecem vantagens…), ou do da equiparação ao amor a um animal de estimação.
34 «Não estás longe do Reino de Deus». Embora o doutor da Lei pertencesse a um grupo hostil, nem por isso Jesus deixou de dialogar com ele, indo mesmo até ao ponto de o estimular à conversão definitiva com uma palavra amável de ânimo. Jesus não cataloga as pessoas pondo-lhes um rótulo, fichando-as por grupos, mas dirige-se às pessoas, tendo em conta quem é cada uma e buscando salvar todas as almas, independentemente do grupo a que pertençam.
Sugestões para a
homilia
Gravar bem no coração:
o amor a Deus tem de ser posto em tudo e acima de tudo
Corresponder ao Amor
de Cristo revelado na sua entrega na Cruz e na Eucaristia
Amor com obras: «Na
tarde da vida, seremos examinados sobre o Amor!»
1. «Hás-de escutar,
Israel!» – «Escuta, Israel!» – «As palavras ficarão gravadas no teu coração!»
Que será isto? Para
que realidade chama o Senhor tão intensamente a atenção do seu Povo? Que
mandamento quer o Senhor meter-lhe no coração? Que norma quer o Senhor ditar à
sua gente, mas que eles, «gravando-a no coração», a observem como se fosse sua mesma, e não imposta de fora?
– Amarás o Senhor teu
Deus! Amarás com um amor que esgote todas as tuas capacidades: «de todo o teu
coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças» Porquê? – Porque Ele é o
único. O amor é assim mesmo: «És único para mim! Não há
mais ninguém fora de ti! Só tu, e mais ninguém!» – É a linguagem bem conhecida
do amor.
2. Mas este Deus-Amor, encontra-se agora entre os homens – o Homem Jesus Cristo.
Assim no-Lo apresenta hoje a segunda leitura, da
Epístola aos Hebreus: Sacerdote para sempre, para sempre medianeiro, pontífice,
oferecendo-se a Si próprio e a todos os homens de quem se faz irmão, oferecendo
este Seu corpo – a Sua Igreja, o povo que resgatou com o Seu sangue, aqueles
que vivificou com o Seu Espírito, aqueles que incessantemente congrega na
unidade, até ao extremo de se fazer o único Pão, que será capaz de vivificar
este único corpo, mais uma vez, a Sua Igreja.
3. Não estranhemos portanto a insistência de
Jesus ao chamar a atenção, no Evangelho deste domingo, para a necessidade de,
por assim dizer, tornar perfeito o amor a Deus, querendo que ele englobe também
o amor ao outro ao próximo, ao irmão. Como alguém disse: «O amor do próximo é o
momento verificável do nosso amor a Deus». Já S. João perguntava: «Quem não ama
o próximo, a quem vê, como pode amar a Deus, a Quem não vê?»
Por isso o Senhor,
respondendo ao escriba que O interrogava sobre o primeiro de todos os
mandamentos, une definitivamente o amor de Deus e o do próximo, acrescentando:
«Não há qualquer mandamento maior do que estes». O escriba dá o seu
assentimento ao que Jesus dissera e conclui, sabiamente, que «amar a Deus com
todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais que todos os
holocaustos e sacrifícios». São João dirá mais: – «Se nos amarmos uns aos
outros, Deus está em nós, e o Seu amor é perfeito em nós». E ainda: «Quem
permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele». – Não foi em vão
que este apóstolo reclinou a cabeças sobre o coração do Senhor!
Temos pois que o
fundamental do cristianismo é o amor. Tantas vezes o temos ouvido! Tantas
vezes, os que temos o dever de pregar, o havemos
proclamado!
Mas, pergunto: já o
sabemos? É que há coisas que só se sabem quando se fazem. Deixemos teorias:
qual é a nossa prática do amor?
Termino com isto de
S. João da Cruz: «Na tarde da vida, seremos examinados sobre o Amor!»
A tarde da vida – é o
que nos traz à mente a quadra litúrgica que estamos a viver – o aproximar da
morte, do encontro com o Senhor que vem! Lembrámos no passado dia 1 de Novembro
os que já realizaram este encontro e passaram com óptima classificação esse
exame sobre o Amor: «Vinde, benditos de meu Pai!»
E no dia 2, lembrámos
e sufragámos os que estão realizando o seu processo purificador e anseiam pela
plenitude da libertação.
Aprendamos com todos
eles a caminhar no amor!
Oração Universal
Na presença de Jesus,
apresentemos por Ele ao Pai,
as nossas aspirações e as de todos os homens.
1. Pelo Santo Padre:
para que o Senhor lhe conceda a graça
de ser ouvido por todos os homens,
oremos, irmãos.
2. Pelos bispos, sacerdotes e diáconos:
para que com a sua entrega à missão que lhes foi confiada
nos recordem a vida de Jesus,
oremos, irmãos.
3. Pelos jovens, vítimas de carências e
injustiças:
para que saibam pôr em Jesus a sua esperança
na edificação de uma nova sociedade,
oremos, irmãos.
4. Pelos que não receberam a fé ou a perderam:
para que Jesus, presente na sua Igreja,
os cure da cegueira em que se encontram,
oremos, irmãos.
5. Pelas famílias do nosso tempo:
para que saibam ser verdadeiramente famílias de Cristo,
oremos, irmãos.
6. Pelos nossos entes queridos que se purificam
no purgatório:
para que, por mediação de Maria, entrem em breve no Céu,
oremos, irmãos.
Senhor,
ajudai-nos a ter consciência da Vossa presença junto de
nós,
para que por Vós cheguemos ao Pai que é Deus conVosco,
na unidade do Espírito Santo.
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Corri, Senhor, M. Carneiro, NRMS 13
Oração
sobre as oblatas: Senhor, fazei
que este sacrifício seja para Vós uma oblação pura e para nós o dom generoso da
vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...
Santo: «Da
Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51
Monição da Comunhão
Se estamos
devidamente preparados, vamos comungar, isto é cimentar a nossa união com
Cristo realmente presente na Hóstia santa; com o seu poder divino, Ele alimenta
a nossa fé, a nossa esperança e o nosso amor.
Cântico
da Comunhão: O Pão de Deus, J. Santos, NRMS 62
Sl 15, 11
Antífona
da Comunhão: O Senhor me
ensinará o caminho da vida, a seu lado viverei na plenitude da alegria.
Ou:
Jo 6. 58
Assim como o Pai que
Me enviou é o Deus vivo e Eu vivo pelo Pai, também o que Me come viverá por
Mim, diz o Senhor.
Cântico
de acção de graças: No meio da minha vida, F da Silva,
NRMS 1(II)
Oração
depois da Comunhão: Multiplicai
em nós, Senhor, os frutos da vossa graça, para que os sacramentos celestes que
nos alimentam na vida presente nos preparem para alcançarmos a herança
prometida. Por Nosso Senhor...
Ritos Finais
Monição final
Vamos começar mais
uma semana com uma alma nova, lutando por fazer tudo por amor daquele que é o
próprio Amor, «o Amor que não é amado» (S. Francisco de Assis).
Cântico
final: O Senhor me apontará o caminho, F.
da Silva, NRMS 69
Homilias Feriais
31ª SEMANA
2ª feira, 6-XI: B. Nuno de Santa Maria: generosidade com o
próximo e vida eterna.
Filip. 2, 1-4 / Lc. 14, 12-14
E
serás feliz por eles não terem com que retribuir-te, pois serás retribuído na
ressurreição dos justos.
Todos somos convidados
a exercer a misericórdia para com os
outros, mas não estejamos à espera de uma recompensa. Deste modo receberemos a
retribuição na vida eterna (cf. Ev.). Procuremos ajudar muito o próximo: é como fazê-lo por
Deus e é caminho seguro de vida eterna.
S. Paulo recomenda a unidade entre todos: «conservai a mesma
caridade, uma alma comum, um mesmo e único sentir» (Leit.).
O B. Nuno de Santa Maria sentia
grande satisfação por pedir esmolas, por desempenhar os ofícios mais humildes e
manifestou sempre grande compaixão com os pobres.
3ª feira, 7-XI: Aceitação do convite para a vida eterna.
Filip. 2, 5-11 / Lc. 14, 15-24
O
Senhor disse ao criado: Sai aos caminhos e às azinhagas e obriga essa gente a
entrar, para que a minha casa fique cheia.
Através de uma simples
parábola Jesus faz um convite para a vida
eterna (cf. Ev.). Mas já no começo do seu
ministério público convida a entrar
no seu Reino (cf. 3º mistério da
luz). Os convidados da parábola apresentaram muitas desculpas, mas a conversão não é compatível com elas.
Jesus indicou-nos o
caminho que conduz à vida eterna: «Humilhou-se
a si mesmo, obedecendo até à morte e morte na cruz. Foi por isso que Deus o
exaltou» (Leit.). Aceitando as humilhações de cada dia seremos bem acolhidos por Deus.
4ª feira, 8-XI: Exigências dos trabalhos de salvação.
Filip. 2, 12-18 / Lc. 14, 25-33
Como
sempre tendes sido obedientes, trabalhai com temor e tremor na vossa salvação.
Este trabalho para a salvação (cf. Leit.) é comparado por Jesus à construção de uma torre (cf. Ev.). Para
construirmos esta torre devemos verificar os recursos com que contamos, os
defeitos que é preciso corrigirmos, as ajudas que Ele nos oferece, etc.
Jesus enuncia as condições para segui-lo: «A união com Ele
prevalece sobre todas as outras, quer se trate de laços familiares, quer
sociais (cf. Ev.)» (CIC, 1618). E também:
«propõe-lhes que renunciem a todos os seus bens por causa dele e do Evangelho»
(CIC, 2544).
5ª feira, 9-XI: Dedicação da Basílica de Latrão:
Respeito pela casa de oração.
1 Cor. 3, 9-11. 16-17 / Jo. 2, 13-22
Tirai
isto daqui: não façais da casa de meu Pai casa de comércio.
A Basílica de Latrão foi um dos primeiros templos a ser construído logo
que acabaram as perseguições (século IV). É um sinal de amor e unidade com o Papa.
Cada templo há-de ser
uma casa de oração (cf. Ev.), um lugar onde damos culto a Deus. Por isso, devemos
estar com o respeito e compostura adequadas; chegar com pontualidade à Missa;
cumprir os ritos como estão indicados; evitar conversas inúteis; rezar mais…
Deste modo participaremos na construção
do edifício: «Vós sois um edifício que Deus está a construir» (Leit.).
6ª feira, 10-XI: S. Leão Magno: Como administramos os bens do
Senhor?
Filip. 3, 17-4, 1 / Lc. 16, 1-8
Quanto
a nós, a nossa pátria está nos Céus: é de lá que esperamos, como Salvador, o
Senhor.
O Apóstolo, derramando
lágrimas, lamenta-se daqueles que se portam como inimigos da Cruz de Cristo,
esquecendo-se da verdadeira pátria, que
está nos Céus (cf. Leit.).
Para alcançarmos esta
pátria, devemos ser bons administradores
dos bens do Senhor (cf. Ev.). Ele contou esta
parábola para vermos como o administrador infiel foi prudente em relação ao futuro, para que nos envergonhássemos os que
não temos esse empenho (cf. S. Agostinho). S.
Leão Magno recebeu este apelido ‘Magno’ pelo modo como administrou o dom
concedido pelo Senhor: o de ser Papa.
Sábado, 11-XI: S.
Martinho de Tours: Desprendimento e vida eterna.
Filip 4, 10-19 / Lc. 16, 9-15
Em
todo o tempo e em todas as situações, estou preparado para comer com fartura e
para passar fome, para viver na abundância e para viver na penúria.
O Apóstolo dá-nos um
belo testemunho (cf. Leit.) de como aceitar, com alegria, a escassez e até a
falta do que é necessário; a evitar gastos pessoais, por causa do capricho, do
comodismo, do desleixo…
Não podemos servir a
dois senhores (cf. Ev.): «Toda a prática que reduz as
pessoas a não serem mais que simples meios com vista ao lucro, escraviza o
homem, conduz à idolatria e contribui para propagar o ateísmo» (CIC, 2424). É
conhecido o episódio da capa de S.
Martinho de Tours, que não hesitou dá-la a um
pedinte, que resultou ser o próprio Cristo.
Celebração: Geraldo
Morujão
Homilia: Abel Figueiral (adaptação da rádio por GM)
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: