OPINIÃO
NAMORO: UM TEMPO
DE PROFUNDO DIÁLOGO
Rodrigo Lynce De Faria
Já estavam casados há três anos. Tinha sido um amor à
primeira vista. No namoro não houvera muito diálogo. O amor, como todos sabem,
não se expressa com palavras, mas sim com sentimentos. As palavras sobram. O
coração entende tudo. Os sentimentos expressam o que de mais verdadeiro há no
interior de cada pessoa.
No entanto, agora, ela sentia-se profundamente sozinha. Faltava o
diálogo. Sobrava o monólogo. Deu-se conta de que não o conhecia. Nunca o tinha
conhecido de verdade. Parecia óbvio que ele iria mudar, mas não tinha mudado.
Se pudesse voltar atrás... Se pudesse explicar a outras pessoas o sentido do
namoro... Não quereriam ouvir e não iriam acreditar. Pensariam que procurava roubar-lhes
a felicidade que ela não tinha encontrado. E não era nada disso. Será que
alguém a entenderia?
Esta história, que
tem muito de real, põe-nos diante de perguntas importantes nos dias de hoje e
de sempre. Para que serve o namoro? Em que consiste essa preparação para o
casamento? Porque é que o amor não se pode apoiar só nos sentimentos?
O Catecismo da Igreja
Católica (n. 2350) diz-nos que o namoro é um tempo de prova. Se é um tempo de
prova é porque exige esforço. É preciso construí-lo com paciência. Não basta
deixar-se levar pelo vento dos sentimentos, por muito sinceros que pareçam. No
namoro deve-se descobrir o respeito mútuo; deve-se aprender a ser fiel; deve-se
esperar receber um ao outro do próprio Deus quando chegar o momento oportuno. E
esse momento chama-se casamento.
No entanto,
respeitar-se mutuamente não é fácil. Desejar uma pessoa não é o mesmo que
amá-la. O amor vai sempre unido à capacidade de sacrifício pela pessoa amada.
Esta capacidade é a prova dos nove do verdadeiro amor. E é uma prova que requer
uma purificação dos desejos instintivos. Não superar essa prova é sinal de que, mais do que amar o outro, nos amamos unicamente
a nós próprios.
Por isso o namoro
requer muito diálogo. Um diálogo que gere um conhecimento profundo e sólido, não
fundamentado somente nos sentimentos. É o único modo de compreender o outro. É
o único modo de preparar-se a sério para a grande aventura do casamento. E com
base nesse conhecimento mútuo, meditar, sem se esquecer de Deus, se aquela
pessoa é ou não a escolhida por Ele para mim.
Deus não é ilógico.
Se dá a uma pessoa uma vocação para casar-se, dará a outra do sexo oposto uma
vocação que seja complementar. E além disso, facilitará providencialmente o
encontro mútuo pelos caminhos desta vida. Porque o casamento, para um cristão,
é uma vocação divina. E o namoro é uma preparação para esse compromisso
definitivo. Compromisso que é sempre total, fiel, exclusivo e fecundo. Por
isso, o namoro não pode ser nunca uma brincadeira. Não se brinca com o amor nem
com os sentimentos. O namoro deve ser de verdade um tempo de profundo diálogo.