DIREITO E
PASTORAL
BEATIFICAÇÕES E
PASTORAL
Bento Xvi
Oferecemos aos leitores outro
excerto da entrevista concedida pelo Santo Padre (V. Secções «A Palavra do Papa»
e «Documentação»), onde se manifesta a relação entre o direito e a pastoral.
Rádio Vaticana: Santo Padre, o seu Predecessor
declarou bem-aventurados e santos um grandíssimo número de cristãos. Alguns
pensam que terá sido demasiado. Esta é a minha pergunta: as beatificações e as
canonizações são uma vantagem para a Igreja somente se essas pessoas podem ser
consideradas como verdadeiros modelos. A Alemanha produz relativamente poucos
santos e bem-aventurados, se comparada a outros países. Pode-se fazer alguma
coisa para que esta dimensão pastoral se desenvolva, e para que a necessidade
de beatificações e canonizações dê um verdadeiro fruto pastoral?
Bento XVI: No início, eu também tinha um pouco a ideia de que a grande quantidade
das beatificações quase nos esmagava, e que talvez houvesse necessidade de
escolher melhor: figuras que entrassem mais claramente na nossa consciência.
Entretanto, descentralizei as beatificações, para tornar cada vez mais visíveis
essas figuras nos lugares específicos a que pertencem. Talvez um santo da
Guatemala interesse menos a nós, na Alemanha, e vice-versa, um de Altötting
talvez não encontre tanto interesse
DW: Histórias de humor também? Em 1989, em Mónaco,
recebeu a condecoração da Ordem de Karl Valentin. Que papel tem na vida de um
Papa, o humor e a descontracção?
Bento XVI: (o Papa ri) Não sou um homem que se lembra continuamente de anedotas.
Mas, saber ver o aspecto divertido da vida e a sua dimensão alegre, e não tomar
tudo tragicamente, isto considero muito importante, e diria que é até
necessário para o meu ministério. Um escritor disse que os anjos podem voar
porque não se tomam muito a sério. Talvez também nós pudéssemos voar um pouco
mais, se não nos déssemos tanta importância.
Pergunta: Quando se desempenha uma tarefa importante
como a sua, Santo Padre, naturalmente é-se muito observado. Os outros falam de
si. Pelo que li, fiquei impressionado com o que dizem muitos observadores: que
o Papa Bento XVI é uma personalidade diferente do Cardeal Ratzinger. Como vê a
si mesmo, se posso permitir-me esta pergunta?
Bento XVI: Eu já fui seccionado diversas vezes: o professor do primeiro período e
o do período intermédio, o primeiro Cardeal e o sucessivo. Agora, acrescenta-se
outra divisão. Naturalmente, as circunstâncias e a situação e também os homens
influenciam, porque se desempenham responsabilidades diversas. Mas - digamos assim - a minha personalidade fundamental e também a
minha visão fundamental cresceram, mas em tudo o que é essencial permanecem
idênticas. Fico contente por agora serem percebidos também aspectos que antes
não eram tão notados.