aCONTECIMENTOS eclesiais
DO PAÍS
SINES
EXPOSIÇÃO DE
IGREJA E TESOURO
A Diocese de
Beja, em parceria com o IPPAR e a Câmara Municipal de Sines, inaugurou no
passado dia 9 de Agosto, a Igreja e o Tesouro de Nossa Senhora das Salas, em
Sines, um dos mais importantes monumentos nacionais do nosso território.
Construído nos primórdios do século XVI por
iniciativa de Vasco da Gama, a Igreja de Nossa Senhora das Salas, em Sines, é
um dos raros testemunhos arquitectónicos que pode ser associado à vida do
célebre almirante. O enigma continua a rodear as suas origens, mas a
colaboração entre diversas entidades permitiu preservá-lo e torná-lo agora
acessível. Embora classificado como Monumento Nacional desde 1922, esteve
durante muitos anos encerrado aos visitantes, em risco de ruína.
A Igreja constitui um dos mais interessantes
exemplos da arquitectura manuelina do Sul de Portugal, com a nave coberta por
uma abóbada de cruzaria de ogivas, estrutura que se reflecte nas fachadas
laterais com três panos, separados por contrafortes escalonados que terminam em
pináculos cónicos, bem característicos da época dos Descobrimentos. Embora a
fundação deste curioso santuário remonte a D. Vataça Lescaris, princesa bizantina que foi donatária de Santiago
do Cacém, Sines e Panóias nos inícios do século XIV, o edifício actual foi
construído por ordem de Vasco da Gama – que nasceu em Sines, onde o seu pai era
alcaide, ao redor de 1468 –, em sinal de reconhecimento pela protecção recebida
na empresa do descobrimento do caminho marítimo para a Índia.
A ermida foi sagrada e aberta ao culto em 1529,
já depois da morte de Vasco da Gama, mas ostenta na frontaria as suas armas e
uma inscrição gótica que evoca os seus títulos de conde de Vidigueira e
vice-rei da Índia, tornando bem patente o apreço que dedicou ao monumento.
Contudo, o valor patrimonial do monumento
abrange também outras incorporações posteriores, entre as quais se destacam o
notável conjunto de azulejaria de finais do século XVIII e os três retábulos de
talha dourada e policromada, além de notáveis
exemplares de pintura, escultura, ourivesaria, joalharia e artes decorativas.
O tesouro
No âmbito da parceria existente entre o IPPAR, a
Câmara Municipal de Sines e o Departamento do Património Histórico e Artístico
da Diocese de Beja, este organismo, a quem cabe a responsabilidade científica e
técnica pela tutela dos bens culturais da Igreja no Baixo Alentejo, procedeu à
montagem do Tesouro de Nossa Senhora das Salas. Este núcleo constitui a sexta
unidade da Rede Museológica da Diocese de Beja. Dá a conhecer ao público, pela
primeira vez, as dezenas e dezenas de jóias e alfaias que foram oferecidas ao
longo dos séculos à imagem da Virgem, incluindo também outras peças
provenientes de outros monumentos religiosos do concelho de Sines, alguns dos
quais já desaparecidos, como o convento de Santo António e a ermida de Santa
Catarina (cujos últimos vestígios foram demolidos, com explosivos, aquando da
realização do novo complexo portuário). No fundo, concretiza-se assim um passo
decisivo, através da colaboração entre o Estado, o município e as paróquias,
para devolver à fruição colectiva, num ponto de grande interesse turístico, um
vasto conjunto de bens que nasceram da devoção popular e foram ciosamente
acautelados pela comunidade local.
FÁTIMA
ASSEMBLEIA INTERDIOCESANA DO
RENOVAMENTO CARISMÁTICO
A Assembleia Interdiocesana do Renovamento Carismático decorreu entre os
dias 25 e 27 de Agosto passados. É uma actividade que conta já com 29 anos, e
pretende congregar todos aqueles que pertencem ao Renovamento Carismático em
Portugal.
Estiveram reunidas três mil pessoas em torno do
tema «Não tenhais medo!». «São palavras de Jesus Cristo, para não termos medo
do amor de Deus, para nos deixarmos envolver pelo seu amor e sermos felizes e
recordando também as palavras de João Paulo II, que tantas vezes nos alertou
para não termos medo de Cristo» afirmou José
Este encontro tem um duplo sentido: por um lado,
finalizar o ano de actividades diocesanas e aproveitar o período de férias para
juntar todos; ao mesmo tempo, entusiasmados com a reflexão do tema, começar a
perspectivar o novo ano pastoral nas dioceses.
O encontro foi coordenado pelo casal Michelle e Peter Moran, pertencentes ao Movimento na Inglaterra. Michelle Moran é vice-presidente
do Sub-Comité Europeu do ICCRS (International
Catholic Charismatic Renewal Services) e Coordenadora
Nacional da Equipa de Serviço de Inglaterra. Os animadores desenvolveram o tema
e orientaram as orações, salientando-se o momento de sábado à noite como «um
grande momento de oração de louvor e libertação».
GUARDA
PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO DE
D.
«Não se podem
fazer previsões sobre a data de beatificação de D.
Numa altura em que se encontrava a passar alguns
dias de descanso em Portugal, o Prefeito da
Congregação para a Causa dos Santos disse que o processo está a correr, mas «é
preciso ter em conta que na Congregação há mais de 2200 causas a ser estudadas
e as que estão prontas são mais de 400»; «cada ano concluímos, em média,
Em tempo de descanso, o cardeal romano não
esconde o amor que sente pela terra que o viu nascer e considera obrigatória a
passagem pelos Gagos, sempre que vem a Portugal. «A nossa terra é sempre a
nossa terra e, apesar de dar a volta ao mundo, o pensamento vai sempre para os
Gagos», explicou D. José Saraiva Martins. Sem preconceitos, assume que «foi nos
Gagos que vivi a minha meninice e que senti o chamamento de Deus». O Santuário
de Fátima é outro dos locais de visita obrigatória nas passagens por Portugal.
Mesmo em férias tem sempre bastantes
compromissos e, nas últimas semanas, presidiu a diversas celebrações em Braga,
Guimarães e Bragança.
Próximo do actual Papa, com quem tem «um
relacionamento perfeito», considera que se trata de um pontificado
positivíssimo. Ao falar de Bento XVI, adiantou que «é o Papa que a Igreja
precisa hoje», pois «é um homem de grande cultura e de grande sensibilidade
pastoral».
FÁTIMA
SIMPÓSIO DO CLERO
Reuniu em Fátima, de
Com a presença do Núncio Apostólico, D. Alfio
Rapisarda, do Presidente da Conferência Episcopal, D.
Jorge Ortiga e de 30 Bispos, participaram mais de 400 sacerdotes, provenientes
de todas as Dioceses de Portugal e de muitos Institutos Religiosos. Foram
conferencistas D. Rino Fisichella,
Bispo Auxiliar de Roma e Reitor da Universidade Pontifícia Lateranense,
Enzo Bianchi, Prior da
Comunidade Monástica de Bose (Itália), Doutor João
Duque, Professor da UCP-Braga e D. Manuel Madureira
Dias, Bispo Emérito do Algarve; contou também com a participação de muitos
outros intervenientes nos diversos painéis.
A comunhão é uma das correntes mais fecundas da actual
reflexão da Igreja com evidentes repercussões no ministério presbiteral,
na sua acção e esforço e é simultaneamente assumida numa perspectiva de
resposta serena e positiva às tendências pós-modernas
do individualismo, do isolamento e do egoísmo e, aos perigos permanentes do
desânimo, da ansiedade e da solidão.
Em síntese, pode afirmar-se que os presbíteros são homens
dados ao povo de Deus, para se viver a comunhão e se construir em Igreja a
comunidade.
Entre outros aspectos, destacou-se a necessidade de
redefinir e reafirmar uma identidade presbiteral
eucarística, aquela que resulta da intimidade com Jesus Cristo e da
solidariedade com os irmãos.
Foi solicitada uma maior visibilidade pública do presbítero
no meio do mundo, onde leve a cabo a missão da profecia e da simpatia por esse
mundo.
No contexto da comunhão, a acção do Espírito Santo assume
uma importância primordial na teologia cristã e na espiritualidade eclesial.
A problemática da alteridade foi
bastante desenvolvida ao longo destes dias e forneceu contexto teológico e
espiritual a partir do qual é possível implementar a vida de comunhão.
O presbítero é um homem único e imprescindível no interior
da humanidade, consagrado pela ordenação para servir e dar a vida por amor, a
favor do povo de Deus e de todo o mundo.
O Simpósio aprovou uma proposta de criação de
equipas sacerdotais para servir várias paróquias, de modo a combater o
isolamento e a falta de vocações religiosas.
Estas equipas sacerdotais podem servir várias
paróquias e permitem uma maior comunhão entre os padres, explicou D. António Francisco
dos Santos, Bispo auxiliar de Braga e presidente da Comissão Episcopal organizadora.
A proposta prevê que os sacerdotes vivam juntos,
articulando o trabalho, embora cada um deles possa continuar responsável por
uma ou mais paróquias.
FÁTIMA
PRIMEIRO CONGRESSO DOS
«CONVÍVIOS FRATERNOS»
Terminou no dia
9 de Setembro passado o I Congresso do Movimento dos Convívios Fraternos,
contando com a presença de 140 congressistas de todo o País.
Trata-se de um movimento de espiritualidade e de
acção de jovens católicos que, de acordo com a orientação e directrizes da
Igreja, propõe a vivência, testemunho e anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo,
como oportunidade de realização individual, familiar e social de todos os
jovens que a ele adiram, através da participação num Convívio Fraterno e de
meios individuais e colectivos de perseverança postos ao seu alcance.
O movimento Convívios
Fraternos corresponde a duas fases distintas, embora complementares:
participação num curso a que chamam Convívio
Fraterno e caminhada em Igreja, com auxílios especiais, a que chamam Post-Convívio.
A numerosa participação era espelho da
importância que o Movimento tem hoje em dia para a Igreja em Portugal, no
Brasil e Moçambique, e entre as comunidades portuguesas do Luxemburgo, Suiça e
França, bem como para a sociedade em geral.
Segundo, o Pe. Valente
de Matos, Fundador do Movimento, «o esforço evangelizador deste movimento
provocou a consciência de muitos jovens para a sua missão na Igreja. Este
esforço teve, entre outros frutos, o surgimento de inúmeras vocações
sacerdotais e religiosas e um grande empenhamento nas suas comunidades e
paróquias, por parte da generalidade dos que um dia passaram por esta
experiência».
Mais de 42000 jovens, ao longo de 40 anos,
passaram pela experiência de um Convívio Fraterno, e a acção deste Movimento
encontra-se hoje alargada a outros destinatários (no âmbito da Pastoral
Familiar) e dispõe ainda de um projecto de Acção Social de Recuperação de
toxicodependentes no Norte do País.
O Congresso surgiu da necessidade de continuar o
esforço de renovação e revitalização do Movimento e de manutenção da unidade na
diversidade.
Entre outras, uma das preocupações centrais
abordada pelos congressistas foi a necessidade do reconhecimento jurídico do
Movimento, como tal, por parte da Conferência Episcopal Portuguesa.
LAMEGO
APELO A MAIOR
JUSTIÇA SOCIAL
D. Jacinto
Botelho, Bispo de Lamego, deu especial atenção aos desfavorecidos na homilia da
Eucaristia de Acção de Graças, a que presidiu no passado domingo 10 de
Setembro, na Sé de Lamego. «A solidariedade é um dos pilares do cristianismo e
todos, sobretudo os políticos, não podem esquecer os mais desfavorecidos»,
lembrou.
«Desde o princípio do Cristianismo que os
privilegiados têm que ser os pobres. Em todo o tempo, todos temos que estar
muito atentos para com as classes mais desprotegidas. Sobretudo as classes
dirigentes, não podem esquecer que essa é a sua missão: zelar para que haja
mais justiça social».
A Eucaristia, por ocasião dos 250 anos da Região
Demarcada do Douro, pretendia «ser um momento celebrativo e não decorativo,
dando um espírito cristão ao aniversário» do reconhecimento dado à Região,
património da humanidade.
A homilia foi ocasião para «apreciar o trabalho
de séculos realizado pelas pessoas da região». D. Jacinto Botelho lembrou ainda
que, «antigamente, havia o cuidado de não faltar aos trabalhadores a celebração
dominical, no decorrer das vindimas, pois Cristo utilizou o vinho na Eucaristia
e deixou-o como símbolo do seu sacrifício».
FÁTIMA
CONGRESSO INTERNACIONAL
SOBRE OS ANJOS
Por ocasião da
realização do Congresso Internacional «Figuras do Anjo revisitadas», que
decorrerá no Santuário de Fátima de
Recorde-se que o Santuário de Fátima comemora
este ano o 90.º aniversário das Aparições do Anjo de Portugal a Lúcia,
Francisco e Jacinta.
No dia 9 de Outubro, pelas 16 horas, será
inaugurada, no Museu de Arte Sacra e Etnologia de Fátima (Centro Missionário Allamano), a exposição «Sou o Anjo da Paz». Começará com uma
comunicação do Prof. Doutor Luís Casimiro, da Universidade do Porto,
subordinada ao tema «Iconografia angélica», seguindo-se, pelas 17h00, a
abertura da exposição.
Promovida pelo Santuário de Fátima em parceria
com a Comissão de Arte e Património da Diocese de Leiria-Fátima
e o Museu Arte Sacra e Etnologia, a mostra será sobre iconografia angélica e
estará patente ao público, na sala de exposições temporárias, até ao dia 1 de
Abril de 2007. Poderá ser visitada diariamente, excepto às segundas-feiras, das
10h00 às 17h00.
Exposição «Terna e Sublime Presença»
No dia 10 de Outubro, pelas 21horas, será
inaugurada, no Centro Pastoral Paulo VI, a exposição «Terna e Sublime Presença».
Esta mostra exibirá as obras seleccionadas do concurso de artes plásticas «A
Figura dos Anjos», levado a efeito pelo Santuário de Fátima junto das Escolas
do Ensino Secundário e Superior com a respectiva área pedagógica.
Na abertura da exposição, Emília Nadal, presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes,
fará uma comunicação sobre a «Figura dos Anjos», seguida de uma visita à
exposição, na presença do Bispo de Leiria-Fátima e do
Reitor do Santuário de Fátima.
Este momento vai contar com a presença dos
participantes no congresso internacional «Figuras dos Anjo revisitadas».
Com entrada livre, «Terna e sublime presença»
estará patente ao público até 7 de Janeiro de 2007.
Bailado «A solo com os Anjos»
Com entrada gratuita, o espectáculo de dança
contemporânea «A solo com os Anjos» – cuja estreia decorreu por ocasião das
jornadas «Aljustrel e Valinhos, o outro pulmão do
Santuário de Fátima», em finais de Abril – sobe novamente ao palco no dia 11 de
Outubro, às 21 horas, no anfiteatro do Centro Pastoral Paulo VI, por ocasião do
congresso internacional «Figuras do Anjo revisitadas».
«A solo com os anjos» é uma co-produção
da companhia de dança contemporânea Vortice Dance com
o Santuário de Fátima. Os directores artísticos e coreógrafos são Cláudia
Martins e Rafael Carriço, proprietários da companhia de dança sedeada em
Fátima.
Esta obra, nas palavras dos directores
artísticos, pretende retratar «a relação entre o Homem e o Divino».
«No desenrolar da acção são sugeridos alguns dos
mais belos e intensos momentos em que um anjo traz uma mensagem. É referido o
momento da anunciação do anjo a Maria, de que dará à luz o filho de Deus e a
ascensão de Jesus aos céus. Numa vertigem temporal, serão focadas outras
aparições de anjos, mais próximas dos nossos tempos, como a do anjo que falou a
três crianças