Sagrada Família de Jesus, Maria e José

31 de Dezembro de 2006

 

Domingo dentro da Oitava do Natal

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Somos a Igreja de Cristo, Mário Silva, NRMS 17

Lc 2, 16

Antífona de entrada: Os pastores vieram a toda a pressa e encontraram Maria, José e o Menino deitado no presépio.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A celebração da Solenidade da Sagrada Família de Nazaré actualiza o apelo do Papa João Paulo II dirigido a todas as famílias do mundo: «Família, torna-te aquilo que és!» (João Paulo II, Familiaris Consortio, 17). Sim, aquilo que é «desde o princípio» (Cf. Mt 19, 3-6), segundo o plano de Deus. Trata-se de um convite a tornar-se verdadeira comunidade de amor, duradoura e firme, onde a vida humana possa germinar e crescer, onde possa ser defendida por toda a duração da mesma, desde o instante da concepção até ao seu termo natural.

 

Oração colecta: Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Celebramos hoje a festa da Sagrada Família. Os textos da liturgia fazem referência a temas familiares. Na primeira leitura, tirada do livro de Eclesiástico, escutamos os conselhos de Ben Sirac, o sábio que viveu vários séculos antes de Cristo, dá a seus filhos. O respeito e a veneração destes para com seus pais é coisa agradável aos olhos de Deus, que não os deixará sem recompensa.

 

Ben-Sira 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

3Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. 4Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados 5e acumula um tesouro quem honra sua mãe. 6Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. 7Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. 14Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. 15Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, 16porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida 17ae converter-se-á em desconto dos teus pecados.

 

Esta leitura é extraída da Sabedoria de Jesus Ben Sira, título grego do livro do A.T. mais lido na Liturgia, depois do Saltério, o que lhe veio a merecer, na Igreja latina, o nome de Eclesiástico, como já lhe chama no séc. III S. Cipriano. O autor inspirado escreve pelo ano 180 a. C., quando a Palestina acabava de passar para o domínio dos Selêucidas (198). Então, a helenização, favorecida pelas classes dirigentes, começava a tornar-se uma sedução para o povo da Aliança, com a adopção de costumes totalmente alheios à pureza da religião. Perante tão perigosa ameaça, Ben Sira vê na família o mais poderoso baluarte contra o paganismo invasor. Assim, os seus ensinamentos vão insistentemente dirigidos aos filhos, e estes são continuamente exortados a prestar atenção às palavras do pai.

O nosso texto é um belíssimo comentário inspirado ao 4.º mandamento do Decálogo (Ex 20, 12; Dt 5, 16), concretizando alguns deveres: o cuidado com os pais na velhice (v. 14a); não lhes causar tristeza (v. 14b); ser indulgente para com eles, se vierem a perder a razão (15a); nunca os votar ao desprezo (15b).

 

Salmo Responsorial      Sl 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

 

Monição: O Salmo 127 recorda-nos que seguem os caminhos de Deus encontram a felicidade.

 

Refrão:         Felizes os que esperam no Senhor,

                e seguem os seus caminhos.

 

Ou:                Ditosos os que temem o Senhor,

                ditosos os que seguem os seus caminhos.

 

Feliz de ti, que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem.

 

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos serão como ramos de oliveira

ao redor da tua mesa.

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião te abençoe o Senhor:

vejas a prosperidade de Jerusalém

todos os dias da tua vida.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A família tem uma função insubstituível: ser uma comunidade da amor onde os que os que fazem parte dela possam abrir-se mutuamente com uma total sinceridade e confiança. Nesse sentido, S. Paulo exorta-nos à mansidão, à paciência, ao perdão e, sobretudo ao amor, é algo realmente básico para a família de nosso tempo.

 

Colossenses 3, 12-21

Irmãos: 12Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. 13Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. 14Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. 16Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. 17E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 18Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. 19Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. 20Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. 21Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

 

A leitura é tirada da parte final da Carta, a parte parenética, ou de exortação moral, em que o autor fundamenta a vida moral do cristão na sua união com Cristo a partir do Baptismo: trata-se duma «vida nova em Cristo».

12-15 Temos aqui a enumeração de uma série de virtudes e de atitudes indispensáveis à vida doméstica, diríamos nós agora, para que ela se torne uma imitação da Sagrada Família de Nazaré. Estas virtudes são apresentadas com a alegoria do vestuário, como se fossem diversas peças de roupa, que, para se ajustarem bem à pessoa, têm de ser cingidas com um cinto, que é «a caridade, o vínculo da perfeição». Na linguagem bíblica, «revestir-se» não indica algo de meramente exterior, de aparências, mas assinala uma atitude interior, que implica uma conversão profunda.

18-21 O autor sagrado não pretende indicar aqui os deveres exclusivos de cada um dos membros da família, mas sim pôr o acento naqueles que cada um tem mais dificuldade em cumprir; com efeito, o marido também tem de «ser submisso» à mulher, e a mulher também tem de «amar» o seu marido.

 

Aclamação ao Evangelho          Col 3, 15a.16a

 

Monição: O evangelho de Lucas, que nos conta a perda do menino Jesus no Templo, foi escrito provavelmente uns cinquenta anos depois deste acontecimento. Doze anos é aproximadamente a época em que as crianças começam a sentir-se independentes. Para Lucas, esta primeira subida de Jesus a Jerusalém é o presságio de sua independência. Para o evangelista esta primeira subida de Jesus a Jerusalém é o presságio de sua subida pascal e por isso, estes acontecimentos devem ser lidos à luz da morte e ressurreição do Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia Gregoriano

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. 51aJesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.

 

No nosso comentário julgamos que não há razões suficientes para prescindir da realidade do facto narrado, mas pretendemos valorizar a teologia de Lucas no seu maravilhoso trabalho redaccional. É certo que Lucas não pretende, sem mais, relatar um episódio – curiosamente o único em cerca de três dezenas de anos passados em Nazaré. Ele visa, antes de mais e acima de tudo, por um lado, pôr em foco como toda a vida de Jesus estava radicalmente marcada pelo cumprimento da vontade do Pai, ao sublinhar o contraste – «teu pai e eu» (v. 48) e «meu Pai» –, deixando (como diz o Catecismo da Igreja Católica, nº 534) «entrever o mistério da sua consagração total à missão decorrente da sua filiação divina» (v. 49); por outro lado, deixa ver como o conhecimento do mistério de Jesus nunca é pleno para ninguém, nem sequer para Maria e José: «eles não entenderam…» (v. 50).

Segundo a Mixnáh, (Niddáh, V, 6) depois dos 13 anos, o rapaz israelita começava a ser «bar-hamitswáh», «filho-da-lei», isto é, passava ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém, mas os pais piedosos costumavam antecipar um ano ou dois o cumprimento deste dever. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição; é por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém», onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta» – especialmente Lucas gosta de apresentar Jesus como Profeta (cf. 7, 16; 9, 19; 13, 33; 24, 19) –, e, por isso mesmo, Jesus não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas em todos os passos da sua vida actua como Profeta, ensinando através do seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» não aparece como um simples menino, é um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» (v. 49). Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, em Jerusalém, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento próprio e dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus. Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de toû Patrós mou pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolve um sentido muito profundo que ultrapassa uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas, dada a sua extrema delicadeza e reverência, que uma profunda fé lhes ditava. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

A vida humana é um valor absoluto

5 razões

Um futuro digno da humanidade

A vida humana é um valor absoluto

Por ocasião da Festa da Sagrada Família, e lembrando que a Assembleia da República decidiu sujeitar, mais uma vez, a referendo popular o alargamento das condições legais para o aborto voluntário, somos convidados a assumir a nossa responsabilidade na defesa e promoção da vida humana em todas as circunstâncias, com toda a sua dignidade, desde o primeiro momento da concepção.

A festa da Sagrada Família, é, por isso, mais um importante apelo. Sabemos das dificuldades pelas quais passam as famílias, não só pelo pouco tempo que a sociedade moderna deixa para ocupações desta índole, como também pelas ideias que veicula e que funcionam como verdadeiras tentações que afastam de Deus e do Seu projecto.

Para os cristãos, a vida humana é um valor absoluto e portanto, não é referendável e, portanto, o aborto provocado é um pecado grave porque é uma violação do 5º mandamento da Lei de Deus, «não matarás», e é-o mesmo quando legalmente permitido. E não se trata de uma questão exclusivamente da moral religiosa; o aborto agride valores universais de respeito pela vida.

5 razões

Convém, neste sentido, recordar a Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa onde enunciadas 5 razões para votar «não» e escolher a Vida:

1ª. O ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é apenas embrião. E esta é hoje uma certeza confirmada pela Ciência. O aborto provocado é sempre uma violência injusta contra um ser humano, que nenhuma razão justifica eticamente.

2ª. A legalização não é o caminho para resolver o drama do «aborto», que acrescenta aos traumas espirituais no coração da mulher-mãe que interrompe a sua gravidez, os riscos de saúde inerentes à precariedade das situações em que consuma esse acto. A luta contra este drama social deve empenhar todos e passa por um planeamento equilibrado da fecundidade, pelo apoio decisivo às mulheres, pela dissuasão de todos os que intervêm no processo, frequentemente com meros fins lucrativos.

3ª. Não se trata de uma mera «despenalização», mas sim de uma «liberalização legalizada», pois cria-se um direito cívico, de recurso às instituições públicas de saúde, preparadas para defender a vida e pagas com dinheiro de todos os cidadãos. «Penalizar» ou «despenalizar» o aborto é uma questão de Direito Penal. Nunca fizemos disso uma prioridade na defesa da vida, porque pensamos que as mulheres que passam por essa provação precisam mais de um tratamento social do que penal. Elas precisam de ser ajudadas e não condenadas; foi a atitude de Jesus perante a mulher surpreendida em adultério: «alguém te condenou? Eu também não te condeno. Vai e não tornes a pecar».

4ª. O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não. Mas desde que uma vida foi gerada no seu seio, é outro ser humano, em relação ao qual tem particular obrigação de o proteger e defender.

5ª. O aborto não é uma questão política, mas de direitos fundamentais. Mas é função das leis promoverem a prática desse respeito pela vida. A lei se vier a ser aprovada, será mais um caso em que aquilo que é legal não é moral.

 

Depois de apresentar estas 5 razões, a Conferência Episcopal pede a todos que se empenhem no esclarecimento das consciências. Façam-no com serenidade, respeito e um grande amor à vida. Pensamos particularmente nos jovens, muitos dos quais votam pela primeira vez e para quem a vida é uma paixão e tem de ser uma descoberta.

Um futuro digno da humanidade

Tudo isto é ousado e radical. Tudo isto faz-nos lembrar um pensamento de Martin Luther King: «A covardia perguntou, isto é seguro? A segurança perguntou, isto é político? A vaidade perguntou, isto é popular? E a consciência perguntou, isto é certo? Chega o momento em que é necessário assumir posições, não por ser segura, política ou popular, mas porque a consciência diz que é certo».

Tudo isto torna evidente a urgência de procurarmos juntos construir uma sociedade mais justa e consentânea com o projecto de Deus. Não serão as dificuldades a travarem o Evangelho. Como escrevia S. Paulo aos Coríntios: «Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados (...) animados do mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: acreditei e por isso falei, também nós acreditamos e por isso falamos» (cf 2 Cor 4, 8.13).

Caríssimos pais e mães, famílias aqui presentes: fostes chamados para a excelsa missão de colaborar com o Criador na transmissão da vida (cf. João Paulo II, Carta às Famílias, 8); não tenhais medo da vida! Com a Sagrada Família de Nazaré, proclamai juntos o valor da família e da vida, pois só com estes valores, haverá um futuro digno da humanidade!

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Fala o Santo Padre

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Poucos dias depois do Natal, a Igreja contempla hoje a Sagrada Família. Na escola de Nazaré cada família aprende a ser o centro de amor, de unidade e de abertura à vida.

No nosso tempo, um mal-entendido sentido dos direitos por vezes perturba a própria natureza da instituição familiar e do vínculo conjugal. É preciso que, a todos os níveis se unam os esforços de quantos crêem na importância da família baseada no matrimónio. Trata-se de uma realidade humana e divina que deve ser defendida e promovida como bem fundamental da sociedade.

2. Os cristãos, recorda o Concílio Vaticano II, atentos aos sinais dos tempos, devem promover «activamente o bem do matrimónio e da família, quer pelo testemunho da sua vida pessoal, quer pela acção harmónica com todos os homens de boa vontade» (Gaudium et spes, 52). É necessário proclamar com alegria e com coragem o Evangelho da família. Para esta finalidade, elevemos a nossa oração comum a Jesus, a Maria e a José por todas as famílias, sobretudo pelas que se encontram em dificuldades materiais e espirituais. […]

Papa João Paulo II, Angelus, 28 de Dezembro de 2003

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e imploremos a misericórdia d’Aquele

por intercessão da Sagrada Família de Nazaré

 

1.  Por toda a Igreja,

para que os cristãos façam dela uma verdadeira família

onde não haja discriminações,

mas reinem a justiça, o amor e a fraternidade,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que tanto os governos como as Organizações internacionais e,

de modo particular, a ONU,

se comprometam em defender o valor da família e o respeito da vida humana,

desde o momento da concepção,

oremos ao Senhor.

 

3.  Por todos os cristãos,

para que sejamos solidários na tarefa de fazer deste mundo

uma família humana marcada pelo sinal da paz, da concórdia e da justiça,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelas famílias cristãs,

para que estejam abertas e atentas a todas as transformações positivas

que incidem hoje sobre a instituição familiar,

oremos ao Senhor.

 

5.  Pelas famílias separadas,

pelos filhos que sofrem as consequências de uma separação,

por aqueles que estão distantes de suas famílias,

por aqueles que não conseguem conviver com os seus familiares,

oremos ao Senhor.

 

6.  Pelas famílias sem casa nem trabalho,

que são obrigadas a emigrar,

oremos ao Senhor.

 

7.  Pelas nossas famílias,

para que saibam viver sempre em coerência com a fé,

trabalhando alegre e activamente pelo Reino de Deus,

oremos ao Senhor.

 

........

Senhor nosso Deus e nosso Pai, fazei-nos encontrar em Jesus Cristo

a fonte da água viva onde a nossa sede de justiça e santidade

se possa saciar em plenitude.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A Virgem Imaculada, David Oliveira, NRMS 24

 

Oração sobre as oblatas: Nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de reconciliação e humildemente Vos suplicamos que, pela intercessão da Virgem, Mãe de Deus, e de São José, se confirmem as nossas famílias na vossa paz e na vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria Natal.

 

Santo: F. dos Santos, NCT 84

 

Monição da Comunhão

 

Na Sagrada Comunhão recebemos Cristo, o Pão da Vida para que, fortalecidos com este alimento de eternidade, também nós nos tornemos sinal e fonte de vida para os irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Vinde e Louvai o Bom Jesus, M. Faria, 20 Cânticos para a Missa

cf. Bar 3, 38

Antífona da comunhão: Deus apareceu na terra e começou a viver no meio de nós.

 

Oração depois da comunhão: Pai de misericórdia, que nos alimentais neste divino sacramento, dai-nos a graça de imitar continuamente os exemplos da Sagrada Família, para que, depois das provações desta vida, vivamos na sua companhia por toda a eternidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Sagrada Família de Nazaré, pela fidelidade com que viveu a missão recebida de Deus, seja o modelo inspirador de todas as famílias. Celebrar a sua festa é recordar que todo o ser humano tem em si um instinto incoercível pela defesa da vida. Por isso, a Família de Nazaré hoje interpela-nos: sede sempre fonte de vida, nunca de morte!

 

Cântico final: Reunidos em Igreja, M. Carneiro, NRMS 71-72

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     Nuno Westwood

Nota Exegética:                       Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                            Duarte Nuno Rocha

 


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