Ascensão do Senhor

D. M. das Comun. Sociais

20 de Maio de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Reinos da terra, cantai a Deus, F. da Silva, NRMS 109

cf. Actos 1, 11

Antífona de entrada: Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Como vistes Jesus subir ao céu, assim há-de vir na sua glória. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste domingo, dedicado à Ascensão do Senhor, recordamos simultaneamente o Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social.

Pelas representações que a liturgia da Palavra nos apresenta, pode parecer que é uma festa que nos convida a olhar para o céu. Na realidade, passa-se exactamente o contrário: é uma solenidade que nos convida a olhar para a terra, para os homens a quem teremos de fazer chegar, por todos os meios ao nosso alcance, a presença de Cristo e da Sua Boa Nova, mais do que nunca, lançando mão das novas tecnologias de Comunicação.

É este o papel da Igreja, é este o testemunho que Ele nos mandou realizar até que volte de novo, para que seja «tudo em todos».

Iniciemos, pois, esta celebração procurando centrar a nossa atenção naquilo que tem sido a nossa experiência testemunhal cristã com a coragem de saber pedir perdão por todas as vezes que temos omitido tal critério.

 

Oração colecta: Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial acção de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta primeira leitura relata o último acto da existência terrena de Jesus. É o ponto de partida para o início da vida da Igreja. As palavras do Anjo aos Apóstolos constituem hoje um convite a que, também nós, anunciemos a Boa Nova de Jesus e que, através do testemunho, não descuidemos os deveres concretos deste mundo.

 

Actos dos Apóstolos 1, 1-11

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio 2até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. 3Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. 4Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. 5Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». 6Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» 7Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; 8mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». 9Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. 10E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, 11que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

Lucas começa o livro de Actos com o mesmo facto com que tinha terminado o seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel de charneira, pois assinala tanto a ligação como a distinção entre a história de Jesus que se realiza aqui na terra (o Evangelho) e a história da Igreja que então tem o seu início (Actos).

3 «Aparecendo-lhes durante 40 dias». Esta precisão do historiador Lucas permite-nos esclarecer algo que no seu Evangelho não tinha ficado claro quanto ao dia da Ascensão, pois o leitor poderia ter ficado a pensar que se tinha dado no dia da Ressurreição. A verdade é que a Ascensão faz parte da glorificação e exaltação de Jesus; por isso S. João parece pretender uni-la à Ressurreição, nas palavras de Jesus a Madalena (Jo 20, 17), podendo falar-se duma ascensão invisível no dia de Páscoa, sem que em nada se diminua o valor do facto sucedido 40 dias depois e aqui relatado: a Ascensão visível de Jesus, que marca um fim das manifestações visíveis aos discípulos, «testemunhas da Ressurreição estabelecidas por Deus», engloba uma certa glorificação acidental do Senhor ressuscitado, «pela dignidade do lugar a que ascendia», como diz S. Tomás de Aquino (Sum. Theol., III, q. 57, a. 1). Há numerosas referências à Ascensão no Novo Testamento: Jo 6, 62; 20, 17; 1 Tim 3, 26; 1 Pe 3, 22; Ef 4, 9-10; Hbr 9, 24; etc. Mas a Ascensão tem, além disso, um valor existencial excepcional, pois nos atinge hoje em cheio: Cristo, ao colocar à direita da glória do Pai a nossa frágil natureza humana unida à Sua Divindade (Cânon Romano da Missa de hoje), enche-nos de esperança em que também nós havemos de chegar ao Céu e diz-nos que é lá a nossa morada, onde, desde já, devem estar os nossos corações, pois ali está a nossa Cabeça, Cristo.

4 «A Promessa do Pai, da qual Me ouvistes falar». Na despedida da Última Ceia, Jesus não se cansou de falar aos discípulos do Espírito Santo: Jo 14, 16-17.26; 16, 7-15.

5 «Baptizados no Espírito Santo», isto é, inundados de enorme força e luz do Espírito Santo, cheio dos seus dons, dez dias depois (cf. Act 2, 1-4).

8 «Minhas Testemunha em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra». Estas Palavras do Senhor são apresentadas por S. Lucas para servirem de resumo temático do seu livro; o que nos vai contar ilustrará como a fé cristã se vai desenvolver progressivamente seguindo estas 3 etapas geográficas: Act 2 – 7; 8 – 12; 13 – 28.

 

Salmo Responsorial    Sl 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R. 6)

 

Monição: O cântico de meditação é a resposta festiva à proclamação do triunfo do Senhor. Bater palmas, aclamar, cantar, são sinais de alegria que só se tornarão efectivos se houver uma atitude festiva interior de quem está em comunhão com Cristo e compreende a Sua missão e o Seu triunfo.

 

Refrão:         Por entre aclamações e ao som da trombeta,

                      ergue-Se Deus, o Senhor.

 

Ou:                Ergue-Se Deus, o Senhor,

                em júbilo e ao som da trombeta.

 

Ou:                Aleluia

 

Povos todos, batei palmas,

aclamai a Deus com brados de alegria,

porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,

o Rei soberano de toda a terra.

 

Deus subiu entre aclamações,

o Senhor subiu ao som da trombeta.

Cantai hinos a Deus, cantai,

cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

 

Deus é Rei do universo:

cantai os hinos mais belos.

Deus reina sobre os povos,

Deus está sentado no seu trono sagrado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Se a primeira leitura nos convidava a não descuidar os nossos deveres de seguidores de Cristo, esta segunda leitura aconselha a que não esqueçamos que a nossa vida não está circunscrita aos horizontes desta existência terrena.

 

Efésios 1, 17-23

Irmãos: 17O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente 18e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos 19e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força 20que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, 21acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. 22Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

 

Neste texto temos um dos principais temas da epístola: a Igreja como Corpo (místico) de Cristo. A Igreja é a plenitude de Cristo, «o Cristo total» (S. Agostinho). A Igreja recebe da sua Cabeça, Cristo, não só a chefia, mas o influxo vital, a graça; vive a vida de Cristo. Jesus sobe ao Céu, mas fica presente no mundo, na sua Igreja.

17 «O Deus de N. S. J. Cristo». «O Pai é para o Filho fonte da natureza divina e o criador da sua natureza humana: assim Ele é, com toda a verdade, o Deus de N. S. J. Cristo.» (Médebielle). «O Pai da glória», isto é, o Pai a quem pertence toda a glória, toda a honra intrínseca à sua soberana majestade. «Um espírito», o mesmo que um dom espiritual. Não se trata do próprio Espírito Santo; uma vez que não tem artigo em grego, trata-se pois de uma graça sua.

20-22 Ternos aqui a referência a um tema central já tratado em Colossenses: a supremacia absoluta de Cristo, tendo em conta a sua SS. Humanidade, uma vez que pela divindade é igual ao Pai. A sua supremacia coloca-O «acima de todo o nome», isto é, acima de todo e qualquer ser, de qualquer natureza que seja, e qualquer mundo a que pertença. Mas aqui a atenção centra-se num domínio particular de Cristo, a saber, na sua Igreja, da qual Ele é não apenas o Senhor, mas a Cabeça. A Igreja é o «Corpo de Cristo»; ela é o plêrôma de Cristo, isto é, o seu complemento ou plenitude: a Igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. (Alguns autores preferem entender o termo plêrôma no sentido passivo: a Igreja seria plenitude de Cristo, enquanto reservatório das suas graças e merecimentos que ela faz chegar aos homens).

23 «Aquele que preenche tudo em todos». A acção de Cristo é sem limites, especialmente na ordem salvífica; a todos faz chegar a sua graça, sem a qual ninguém se pode salvar. No entanto, é mais corrente preferir, com a Vulgata, outro sentido a que se presta o original grego: «A Igreja é a plenitude daquele que se vai completando inteiramente em todos os seus membros»; assim, a Igreja completa a Cristo, e Cristo é completado pelos seus membros (é uma questão de entender como passivo, e não médio, o particípio grego plêrouménou, de acordo com o que acontece em outros 87 casos do N. T.).

 

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Hebreus 9, 24-28; 10, 19-23

24Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. 25E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no santuário, com sangue alheio; 26nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. 27E como está determinado que os homens morram uma só vez – e a seguir haja o julgamento –, 28assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem aparência de pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam. 19Tendo nós plena confiança de entrar no santuário por meio do sangue de Jesus, 20por este caminho novo e vivo que Ele nos inaugurou através do véu, isto é, o caminho da sua carne, 21e tendo tão grande sacerdote à frente da casa de Deus, 22aproximemo-nos de coração sincero, na plenitude da fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado na água pura. 23Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel.

 

A leitura é respigada do final da primeira parte de Hebreus em que o autor sagrado expõe a superioridade do sacrifício de Cristo sobre todos os sacrifícios da Lei antiga (8, 1 – 10, 18). Aqui Jesus é apresentado como o novo Sumo Sacerdote da Nova Aliança, em contraste com o da Antiga, que precisava de entrar cada ano – «com sangue alheio» –, no dia da expiação (o Yom Kippur: cf. Ex 16) «num santuário feito por mãos humanas», ao passo que Jesus entra «no próprio Céu» (v. 24), não precisando de o fazer «muitas vezes» (v. 25-26), pois, «uma só vez» bastou «para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo» (v. 26), por meio do seu próprio sangue. Como habitualmente, o autor aproveitando a exposição doutrinal para fazer ricas exortações práticas apela, um pouco mais adiante (10, 19-23), para a virtude da «esperança», a esperança de também nós podermos chegar ao Céu, apoiados na certeza das promessas de Cristo. A «água pura» é certamente a do Baptismo (cf. 1 Pe 3, 21), que não pode ser encarado à margem da fé e da pureza da consciência. Notar como a SS. Humanidade de Jesus – «o caminho da sua carne» – é focada como o véu do Templo, o que bem pode evocar a nuvem da Ascensão, que ao mesmo tempo esconde e revela a presença invisível de Cristo ressuscitado.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 28, l9a.20b

 

Monição: Anunciar a Boa Nova a todos os povos é mandato conferido a todo o cristão pelo sacramento do Baptismo. Este anúncio será assistido da presença do Senhor, que prometeu estar connosco em todos os instantes da nossa vida e até ao fim dos tempos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 46-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 46«Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia 47e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois testemunhas disso. 49Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». 50Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. 52Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. 53E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

 

Estes versículos finais do Evangelho de Lucas encerram como que uma síntese de todo o Evangelho: Jesus cumpre as profecias com a sua Paixão e Ressurreição, com que nos obtém o perdão dos pecados; e é isto que tem de ser pregado a todos os povos, a partir de testemunhas credenciadas, e com a força do Espírito Santo.

49 «Aquele que foi prometido», à letra, a Promessa do meu Pai, o Espírito Santo, segundo se diz em Act 2, 23 (cf. Jo 15, 26). Não deixa de ser curioso notar que, só pela leitura do Evangelho de S. Lucas poderíamos ser levados a pensar que a Ascensão se deu no Domingo de Páscoa. No entanto, possuímos dados suficientes, a partir de todos os restantes Evangelhos, para saber que não foi assim. O próprio S. Lucas, em Actos, diz que Jesus foi aparecendo durante 40 dias (Act 1, 3).

50 «Até junto de Betânia». A discordância com Act 1, 12, que fala do Monte das Oliveiras como o lugar da Ascensão, é só aparente, pois Betânia fica na vertente oriental do dito monte.

52-53 «Voltaram para Jerusalém». A terminar o seu Evangelho, Lucas mais uma vez deixa ver a importância teológica de Jerusalém: onde tinha começado a sua narração, com o anúncio do nascimento do Baptista, aqui culmina a obra salvadora de Jesus, com a sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus, por isso Ele, «quando estava para se cumprir o tempo da sua partida, decidiu firmemente caminhar rumo a Jerusalém» (Lc 9, 51); daqui hão-de partir os discípulos para levar a boa-nova até aos confins da terra.

 

Sugestões para a homilia

 

·          Ascensão e alegria dos discípulos

·          Boa Nova para o nosso tempo

·          Anúncio de vida para além da morte

Ascensão e alegria dos discípulos

A ascensão de Jesus ao céu não é mais do que uma conclusão da ressurreição. O triunfador, aquele que está vivo, na sua vida nova, não podia estar destinado a uma vida pautada pelo tempo e pelo espaço. Os discípulos perceberam que Ele não ficou prisioneiro da morte, mas que a venceu. Comprovou assim que tudo o que na terra sucede – êxitos, adversidades, amarguras, morte, tudo aquilo que também fez parte da vida de Jesus – não se desvia do plano de Deus. Se este é o destino dos homens, então não há que ter receio da própria morte, porque Jesus a transfigurou em nascimento para a vida.

Por isso os discípulos se alegraram.

Boa Nova para o nosso tempo

Jesus não se afastou, não foi para outro lugar, mas ficou com os homens. Cristo ficou efectivamente connosco até à consumação dos séculos. Não foi para outro lugar, mas entrou na plenitude de seu Pai já como Deus e como homem. Foi elevado, exaltado na sua humanidade. E, exactamente por isso, pôs-Se mais do que nunca em união com cada um de nós.

Jesus não deixa de viver quando desaparece do meio dos homens, Ele continua vivo na sua Igreja. Vive na Eucaristia; vive na sua Palavra; vive na Comunidade Civil e Religiosa; vive em cada crente; vive em cada homem que luta por amar e viver; vive em todos nós que enfrentamos lutas, triunfos e feridas, fracassos e êxitos.

Com a ascensão, a sua presença não diminuiu, mas propagou-se. Eis o segundo motivo da alegria dos discípulos e que deve constituir a nossa própria alegria     

Isto foi sentido fortemente pelos primeiros cristãos. Quando Cristo desapareceu de junto deles é que O começaram a perceber e a viver. E porque O entendiam, sentiam-n’O viver neles, a seu lado, experimentavam-n’O. Desde então a história deste Cristo presente, e todos os altos e baixos da comunidade cristã são também altos e baixos desta protecção vivida na plenitude, ou encoberta pela infidelidade.

E é esta vida que tem de ser transmitida também hoje, lançando mão dos mass media, a fim de impulsionar a dignidade humana fundamental, o valor autêntico do matrimónio e da vida familiar, e as conquistas e os intuitos positivos da humanidade à luz da sabedoria transmitida pelo Espírito.

Anúncio de vida para além da morte

É deste mistério de sabedoria de que S. Paulo fala na leitura que ouvimos proclamar. Não se trata de duma sabedoria humana, mas do discernimento para compreender o mistério da Igreja.

Pela fé, os cristãos possuem uma sabedoria que supera qualquer outro conhecimento: sabem que Deus manifestou em Jesus Cristo a Sua força, destronando todos os poderes que até agora aprisionam a vida, e libertando os homens para uma esperança nova diante do futuro. É que a vida não está limitada pelos horizontes deste mundo. Embora sem deixarem de estar empenhados nele, os cristãos sabem que o mundo não constitui morada permanente, mas que a todos está reservada uma morada eterna junto de Deus. Para a conseguir, é exigida a cada um de nós, uma conversão contínua do modo de viver as realidades terrenas que constituem o nosso dia a dia, sem cairmos numa espiritualidade irreal que nos afaste das nossas responsabilidades na edificação de um mundo mais humano.

 

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O 41º DIA MUNDIAL

DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

 

 «As crianças e os meios de comunicação social:

um desafio para a educação»

20 de Maio de 2007

 

Queridos Irmãos e Irmãs

1. O tema do 41º Dia Mundial das Comunicações Sociais, «As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação», convida-nos a reflectir sobre dois assuntos de imensa importância. A formação das crianças é o primeiro. O segundo, talvez menos óbvio mas não menos importante, é a formação dos meios de comunicação social.

Os complexos desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão frequentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social no nosso mundo. Como um dos aspectos do fenómeno da globalização, e facilitados pelo rápido desenvolvimento da tecnologia, os meios de comunicação social modelam profundamente o ambiente cultural (cf. Papa João Paulo II, Carta Apostólica O rápido desenvolvimento, 3). Com efeito, algumas pessoas afirmam que a influência formativa dos meios de comunicação social concorre com a da escola, da Igreja e talvez mesmo do lar. «Para muitas pessoas, a realidade corresponde ao que os mass media definem como tal» (Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Aetatis novae, 4).

2. A relação entre crianças, meios de comunicação social e educação pode ser considerada a partir de duas perspectivas: a formação das crianças por parte dos mass media; e a formação das crianças para que respondam apropriadamente aos mass media. Sobressai um tipo de reciprocidade que indica as responsabilidades dos meios de comunicação social como indústria e a necessidade de uma participação activa e crítica dos leitores, dos espectadores e dos ouvintes. Nesta perspectiva, formar-se no uso apropriado dos meios de comunicação social é essencial para o desenvolvimento cultural, moral e espiritual das crianças.

Como é que se há-de salvaguardar e promover o bem comum? Educar as crianças a serem judiciosas no uso dos mass media é uma responsabilidade que cabe aos pais, à Igreja e à escola. O papel dos pais é de importância primordial. Eles têm o direito e o dever de assegurar o uso prudente dos meios de comunicação social, formando a consciência dos seus filhos a fim de que expressem juízos sadios e objectivos, que sucessivamente há-de de orientá-los na escolha ou rejeição dos programas disponíveis (cf. Papa João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 76). Ao agir deste modo, os pais deveriam contar com o encorajamento e a assistência das escolas e das paróquias, para garantir que este aspecto difícil mas estimulante da educação é apoiado pela comunidade mais vasta.

A educação aos mass media deveria ser positiva. As crianças expostas ao que é estética e moralmente excelente são ajudadas a desenvolver o apreço, a prudência e as capacidades de discernimento. Aqui é importante reconhecer o valor fundamental do exemplo dos pais e os benefícios da apresentação aos jovens dos clássicos infantis da literatura, das belas-artes e da música edificante. Enquanto a literatura popular terá sempre o seu espaço na cultura, a tentação do sensacionalismo não deveria ser passivamente aceite nos lugares de ensino. A beleza, uma espécie de espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos.

Como a educação em geral, a educação aos mass media exige a formação no exercício da liberdade. Trata-se de uma tarefa exigente. Muitas vezes a liberdade é apresentada como uma busca implacável do prazer e de novas experiências. Contudo, isto é uma condenação, não uma libertação! A verdadeira liberdade jamais poderia condenar o indivíduo – especialmente a criança – a uma busca insaciável de novidades. À luz da verdade, a liberdade autêntica é experimentada como uma resposta definitiva ao «sim» de Deus à humanidade, enquanto nos chama a escolher, não indiscriminada mas deliberadamente, tudo o que é bom, verdadeiro e belo. Assim os pais, como guardiães de tal liberdade, concederão gradualmente uma maior liberdade aos seus filhos, introduzindo-os ao mesmo mesmo na profunda alegria da vida (cf. Discurso no V Encontro Mundial das Famílias, Valência, 8 de Julho de 2006).

3. Esta aspiração sincera dos pais e professores de educar as crianças pelos caminhos da beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela indústria dos meios de comunicação social, na medida em que ela promover a dignidade humana fundamental, o valor genuíno do matrimónio e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da humanidade. Deste modo, a necessidade que os mass media têm de se comprometerem na formação efectiva e nos padrões éticos é considerada com particular interesse e mesmo urgência, não só pelos pais e professores, mas também por todos aqueles que têm um sentido de responsabilidade cívica.

Mesmo quando estamos convencidos de que muitas pessoas comprometidas nos meios de comunicação social desejam realizar o que é justo (cf. Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Ética nas Comunicações, 4), devemos reconhecer também que as que trabalham neste campo enfrentam «pressões psicológicas e dilemas éticos particulares» (Aetatis novae, 19), que por vezes vêem a concorrência comercial impelir os comunicadores para níveis mais baixos. Qualquer tendência a realizar programas e produtos – inclusive desenhos animados e videojogos – que, em nome do entretenimento, exalta a violência e apresenta comportamentos anti-sociais ou a banalização da sexualidade humana constitui uma perversão, e é ainda mais repugnante quando tais programas são destinados às crianças e aos adolescentes. Como é que se poderia explicar este «entretenimento» aos numerosos jovens inocentes que realmente são vítimas da violência, da exploração e do abuso? A este propósito, todos deveriam reflectir sobre o contraste entre Cristo, que «as tomou [as crianças] nos braços e as abençoou, impondo-lhes as mãos» (Mc 10, 16) e aquele que «escandaliza... estes pequeninos», a quem «seria melhor... que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho» (Lc 17, 2). Uma vez mais, exorto os responsáveis da indústria dos meios de comunicação social a salvaguardarem o bem comum, a promoverem a verdade, a protegerem a dignidade humana de cada indivíduo e a fomentarem o respeito pelas necessidades da família.

4. A própria Igreja, à luz da mensagem de salvação que lhe foi confiada, é também uma mestra de humanidade e valoriza a oportunidade de oferecer assistência aos pais, aos educadores, aos comunicadores e aos jovens. Os seus programas paroquiais e escolares deveriam ocupar um lugar de vanguarda na educação aos mass media nos dias de hoje. Sobretudo, a Igreja deseja compartilhar uma visão da dignidade humana que é central para toda a comunicação humana digna. «Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa» (Deus caritas est, 18).

 

Desde o Vaticano, 24 de Janeiro de 2007, festa de São Francisco de Sales.

BENEDICTUS PP. XVI

 

Oração Universal

 

Invoquemos com alegria Jesus Cristo

que se encontra junto do Pai e presente no meio de nós,

aclamando com júbilo:

 

Ouvi-nos, Rei da eterna glória.

 

1.  Senhor Jesus, presente na glória de Deus Pai,

ajudai o Santo Padre o Papa, os nossos bispos,

presbíteros e diáconos, a serem vossas testemunhas

em todas as realidades terrestres,

sem deixarem de lembrar a vida gloriosa junto de Cristo.

 

2.  Senhor Jesus, ajudai todos os cristãos

a sentirem a religião como um estímulo

para se comprometerem concretamente na melhoria da vida humana.

 

3.  Senhor Jesus, tocai o coração dos governantes das nações,

para que contribuam para a transformação

das estruturas sociais injustas.

 

4.  Senhor Jesus, auxiliai os agentes da comunicação social

a serem formadores e informadores

em sinceridade e verdade, para transformação dos homens,

à luz dos valores essenciais da vida.

 

5.  Senhor Jesus, que o conhecimento da vossa glória

se converta em amor, o amor em seguimento

e o seguimento em luta apaixonada pela difusão do vosso Reino.

 

6.  Senhor Jesus, juiz dos vivos e dos que já partiram para o Pai,

fazei que um dia possamos, todos juntos,

participar da glória que não tem fim.

 

Deus, Pai de misericórdia,

fazei-nos exultar de santa alegria interior,

pela ascensão ao Céu de Vosso Filho, nossa esperança,

e de nos juntarmos a Ele, como membros do Seu corpo.

Ele que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Povos Batei Palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, o sacrifício que Vos oferecemos ao celebrar a admirável ascensão do vosso Filho e, por esta sagrada permuta de dons, fazei que nos elevemos às realidades do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Saudação da paz

 

Ao celebrar com alegria a glória de Cristo, não podemos esquecer a responsabilidade de sermos suas testemunhas dando provas de autenticidade da nossa fé e não nos desviando do compromisso de melhorarmos a vida real dos nossos irmãos. Deste modo sentiremos serenidade interior que nos convida a partilhá-la com todos os homens, beneficiando e favorecendo a verdadeira paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Pela comunhão do Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo, sintamos, como os primeiros cristãos, a Sua presença em nós, para assim O compreendermos e vivermos, transfigurando-nos com a Sua luz e a Sua vida, a fim de sermos suas testemunhas na vida dos homens.

 

Cântico da Comunhão: Eu Estou Sempre Convosco, C. Silva, NCT 354

Mt 28, 20

Antífona da comunhão: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Minha Alma Exulta, F. da Silva, NRMS 32

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que durante a nossa vida sobre a terra nos fazeis saborear os mistérios divinos, despertai em nós os desejos da pátria celeste, onde já se encontra convosco, em Cristo, a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao deixarmos este templo para voltarmos à nossa vida quotidiana, sejamos anunciadores da salvação, através da palavra e com a vida, dando testemunho de Cristo na fidelidade à missão que Ele nos confiou de sermos emissários da sua mensagem junto dos homens nossos irmãos.

 

Cântico final: Aclamai Jesus Cristo, F. da Silva, NRMS 65

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       António Elísio Portela

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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