Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2007

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Resplandeça sobre nós, S. Marques, NRMS 102

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia de hoje mostra-nos Cristo como Alguém que já passou pela morte da cruz, que já chegou à glória e que nos espera. Só nos resta segui-l’O de coração convertido. Que o desejo de chegarmos até ao reino nos estimule quando o caminho se tornar mais difícil; que a visão da glória celeste, que nos está reservada, dê aos pecadores que nós somos, o gosto de sermos purificados, transfigurados.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A glória que Cristo recebeu no Monte Tabor, foi profetizada por Daniel quando nos diz: «Foi-lhe entregue a majestade e a realeza e todos os povos O serviram». É este texto profético que vamos escutar de seguida.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o antigo em dias»): é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 101[102], 25-26; Is 41, 4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26, 11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», um numeral que não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 13; 14, 14; cf. Lc 1, 32-33), ou uma maneira discreta de Jesus se referir a Si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino.

 

Salmo Responsorial    Sl 96 (97), 1-2.5-6.9 e 12 (R. 1a.9a)

 

Monição: Porque o domínio de Cristo é eterno e a Sua realeza jamais será destruída, cantemos com o salmista:

 

Refrão:         O Senhor é rei,

                      o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Pedro cumpriu com o pedido do Divino Mestre no cimo do Tabor: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do Homem ressuscitar dos mortos». Apesar de só escrever muito mais tarde este acontecimento, S. Pedro ainda recorda maravilhado esse dia único na Sua vida. Agora ele compreende que a glória do Tabor acabou por desaparecer e que o verdadeiro caminho da glória será o caminho da Cruz.

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17, 1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3, 3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos: a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a ‘estrela da manhã’ (cf. Apoc 2, 28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1 Tes 5, 4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22, 16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22, 17.20).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 17, 5c

 

Monição: Aclamemos o Evangelho e preparemo-nos para escutar a Palavra do Filho muito amado de Deus, no qual o Pai pôs todas as Suas complacências.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamção ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 9, 28b-36

Naquele tempo, 28bJesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. 29Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. 30Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, 31que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. 35Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». 36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

 

Antes de mais, convém notar, na narrativa lucana da Transfiguração, um pormenor cronológico omitido na leitura litúrgica, mas nada despiciendo: «cerca de oito dias depois», em vez do habitual «naquele tempo», que preferiram adoptar. Com efeito, em todos os três Sinópticos, não é sem razão que se estabelece uma das raras ligações cronológicas entre este relato e o relato da confissão de fé de Pedro e do 1º anúncio da Paixão e Morte de Jesus. É uma ligação de grande alcance teológico: por um lado, a fé de Pedro é confirmada e ilustrada de forma singular com a glória divina que Jesus manifesta na sua Transfiguração; por outro, indica-se que a Cruz é o caminho da glória, como para Jesus, assim como para os seus discípulos (per crucem ad lucem).

28 «Subiu ao monte para orar». O monte Tabor (562 m), na Galileia, segundo a tradição, ou, segundo muitos hoje pensam baseados em Mt 17, 1 e Mc 9, 2 que falam de «um monte elevado», o monte Hermon, sobranceiro a Cesareia de Filipe, no maciço central da Síria (o Anti-líbano) com 2.759 metros, a região por onde Jesus então andava (cf. Mc 8, 27; 9, 1). S. Lucas é o único a notar que Jesus subiu ali para fazer oração; também não diz que se transfigurou, mas que «se alterou o aspecto do seu rosto…», certamente com a preocupação de que os seus primeiros leitores de ambientes greco-romanos não pensassem que se tratava de alguma metamorfose própria das religiões mistéricas. Mas a transfiguração de Jesus não deixa de apontar para a nossa própria transfiguração pela graça do Espírito do Senhor, como diz S. Paulo em 2 Cor 3, 18: «todos nós…, que reflectimos como num espelho a glória do Senhor vamos sendo transformados na sua própria imagem, cada vez mais gloriosa…».

31 «Falavam da morte d’Ele». Também só o 3.° Evangelho diz o assunto da conversa de Jesus com Moisés e Elias. Falavam da «saída» de Jesus, como se expressa o original grego, que a nossa tradução interpretou como «a morte», mas que também se poderia referir à Ascensão (menos provável); de qualquer modo, o uso do termo grego êxodo pode aludir ao carácter libertador da morte de Jesus, numa alusão à libertação da escravidão do Egipto.

32-33 «Estavam a cair de sono; mas, despertando...» Este pormenor exclusivo de Lucas pressupõe que a Transfiguração se deu de noite, enquanto Jesus fazia oração, pois gostava de orar de noite (cf. Lc 6, 12; Mc 6, 46). A proposta de Pedro de construir «três tendas» (de ramos), tem na devida conta a diferente dignidade de cada um e pretende prolongar aquele êxtase feliz.

35 «Este é o meu Filho, o meu Eleito». A Transfiguração é um confirmar da fé daquele núcleo duro dos Doze, as «colunas» do Colégio Apostólico: o próprio Pai apresenta Jesus como o seu Filho. S. Lucas, em vez de «o Amado» (cf. Mt 17, 5; Mc 9, 7), diz: «o meu Eleito», que é mais uma forma (e mais clara) de O designar como o Messias (cf. Lc 23, 35; Is 42, 1). Comenta S. Tomás de Aquino: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa» (Sum. Th. 3, 45, 4, ad 2).

36 «Guardaram silêncio», por ordem de Jesus (Mc 9, 9-10) que pretende, a todo o custo, evitar a agitação popular à sua volta.

 

Sugestões para a homilia

 

1. A revelação do Filho de Deus

2. Um Deus que surpreende

1. A revelação do Filho de Deus

A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V, no Oriente. Na Idade Média estendeu-se por toda Igreja Universal, especialmente com o Papa Calisto III.

O episódio foi relatado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. Presentes estavam os apóstolos Pedro, João e Tiago. Jesus transfigurou-se diante deles, seu corpo ficou deveras luminoso e resplandecentes as suas vestes. Com isto Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era realmente o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas de Deus; é Deus connosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens. A sua paixão e morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica - luz, brancura, glória, nuvem... que indicam a presença de Deus.

O caminho necessário para a ressurreição é, contudo, o caminho da cruz, da paixão e morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados.

2. Um Deus que surpreende

Já o profeta Daniel ficou surpreendido, de ver entrar na glória e receber uma realeza divina, com poder eterno, alguém semelhante a qualquer filho do homem (1ª leitura).

Surpreendidos ficaram também os três apóstolos no Tabor ao verem Jesus tão divinamente transfigurado, estando precisamente a rezar preocupado, como qualquer homem, com o que ia sofrer em Jerusalém (Evangelho).

E Pedro, mais tarde, continuava ainda impressionado de ter sido «testemunha ocular da sua majestade divina» no Tabor, habituado como andava à sua companhia tão humana (2ª leitura).

Nunca apreciaremos devidamente que Jesus, sendo tão humano e tão próximo, seja também tão divino e poderoso: «O Altíssimo sobre toda a terra» (Salmo).

 

 

Fala o Santo Padre

 

«No rosto transfigurado de Jesus brilha um raio da luz divina que Ele conservava no seu íntimo»

 

Queridos irmãos e irmãs

Na liturgia de hoje, o Evangelista refere que Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João a um monte elevado e se transfigurou diante deles, tornando-se resplandecente de tal brancura que «lavadeiro algum da terra poderia branquear as suas vestes assim» (cf. Mc 9, 2-10). É neste mistério de luz que hoje a liturgia nos convida a fixar o nosso olhar. No rosto transfigurado de Jesus brilha um raio da luz divina que Ele conservava no seu íntimo. Esta mesma luz resplandecerá no rosto de Cristo no dia da Ressurreição. Neste sentido, a Transfiguração manifesta-se como uma antecipação do mistério pascal.

A Transfiguração convida-nos a abrir os olhos do coração para o mistério da luz de Deus, presente em toda a história da salvação. Já no início da criação, o Todo-Poderoso diz: «Fiat lux Faça-se a luz!» (Gn 1, 3), e verifica-se a separação entre a luz e as trevas. Como as outras criaturas, a luz é um sinal que revela algo de Deus: é como o reflexo da sua glória, que acompanha as suas manifestações. Quando Deus aparece, «o seu esplendor é como a luz, das suas mãos saem raios» (Hab 3, 4 s.). Como se afirma nos Salmos, a luz é o manto com que Deus se reveste (cf. Sl 104 [103], 2). No Livro da Sabedoria, o simbolismo da luz é utilizado para descrever a própria essência de Deus: a sabedoria, efusão da glória de Deus, é «um reflexo da luz eterna», superior a todas as luzes criadas (cf. Sb 7, 26.29 s.). No Novo Testamento, é Cristo que constitui a plena manifestação da luz de Deus. A sua Ressurreição debelou para sempre o poder das trevas do mal.

Com Cristo ressuscitado a verdade e o amor triunfam sobre a mentira e o pecado. Nele, a luz de Deus já ilumina definitivamente a vida dos homens e o percurso da história. «Eu sou a luz do mundo afirma Ele no Evangelho Quem me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8, 12). […]

 

Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 6 de Agosto de 2006

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

Na festa da Transfiguração do Senhor Invoquemos a Deus nosso Pai,

Que nos revelou a divindade de Seu Filho muito amado e nos mandou escutá-l’O,

dizendo com alegria:

Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

1.  Para que Deus transfigure a santa Igreja,

peregrina nos quatro cantos da terra, e a faça brilhar pela santidade,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que Deus transfigure os homens públicos,

os ensine a trabalhar para o bem comum e a promover a paz e a justiça,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que Deus transfigure aqueles que sofrem,

os ajude a levar a sua cruz e a seguir os passos do Seu Filho,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que Deus transfigure o nosso olhar

e nos ensine a descobrir, dia após dia,

a Sua presença nas pessoas que sofrem,

oremos, irmãos.

 

5. Para que Deus nos transfigure inteiramente

e imprima no nosso coração a imagem do rosto de Jesus,

oremos, irmãos.

 

6. Para que Deus transfigure, com a Sua glória, os moribundos

e os leve a contemplar, na eternidade, o rosto de Jesus, o Redentor,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, as nossas súplicas, e envolvei-nos com a luz santíssima

que os Apóstolos viram brilhar no monte santo,

para escutarmos a voz do Vosso Filho, imagem e esplendor da Vossa glória.

Por N. S. J. C., Vosso Filho, que é Deus conVosco na unidade do E. S..

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados, Az. Oliveira, NRMS 17

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo Mistério da Transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Mistério da Transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça. Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: «Da Missa de Festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Na Hóstia consagrada está o Filho muito amado do Pai, está Jesus a quem devemos escutar, está Aquele que transfigurará os nossos corpos no Seu Corpo glorioso e que tira o pecado do mundo.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós Senhor está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

cf. 1 Jo 3, 2

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: A terra inteira cante ao Senhor, B. Salgado, NRMS 5(II)

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Dizia-nos o Evangelho que, enquanto orava, Jesus transfigurou-Se. Que este dia e o resto da semana sejam, pois, um tempo forte de oração pessoal e comunitária (familiar). Rezar não é senão falar com Deus, entrar na Sua intimidade; é transfigurar-se, progressivamente, diante de Deus, a exemplo de Cristo, no Monte Tabor.

 

Cântico final: Glória a Jesus Cristo, Az. Oliveira, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

18ª SEMANA

 

feira, 7-VIII: A Eucaristia e as tempestades diárias.

Num 12, 1-13 / Mt 14, 22-36

Mas (Pedro), ao notar a ventania teve medo e, começando a afundar-se, lançou um grito: Salva-me, Senhor.

Pedro começou a afundar-se porque reparou mais nas dificuldades que o rodeavam (a ventania) e esqueceu-se de se apoiar em Deus. Por isso, Jesus lhe chamou a atenção: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» (Ev).

Para caminharmos no meio das ‘tempestades’, presentes na vida diária, precisamos apoiar-nos mais na Eucaristia. «Quanto mais viva for a fé eucarística no povo de Deus, tanto mais profunda será a sua participação na vida eclesial por meio de uma adesão convicta à missão que Cristo confiou aos seus discípulos» (SC, 6).

 

feira, 8-VIII: Participação na Missa com fé.

Num 13, 1-2. 25- 14, 1. 26-29 / Mt. 15, 21-28

(Jesus): Mulher, é grande a tua fé. Terás aquilo que desejas.

Os exploradores enviados à terra de Canaã (cf. Leit) parecem encontrar imensos obstáculos e o povo recusa-se a entrar nela. Pelo contrário, a mulher cananeia (cf. Ev), apesar de uma primeira reacção negativa de Cristo, continua a pedir a cura de sua filha. Os primeiros foram impedidos por Deus de entrar na terra prometida, enquanto a cananeia conseguiu um milagre do Senhor.

Precisamos descobrir o Messias em Jesus, como a mulher cananeia. Na Santa Missa encontramos Jesus, igualmente presente na comunidade dos fiéis, na Palavra, no ministro e nas espécies eucarísticas.

 

feira, 9-VIII: S. Teresa Benedita da Cruz: Força para vencer os descuidos.

Os 2, 16. 21-22 / Mt 25, 1-13

À meia-noite, ouviu-se um brado: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.

Celebramos hoje a festa de uma Padroeira da Europa, S. Teresa Benedita da Cruz, nomeada pelo Papa João Paulo II. Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com o Senhor, enchendo de azeite (graça de Deus) no dia a dia a lâmpada da sua vida (cf. Ev), que culminou no martírio.

Evitemos os descuidos (como o das virgens insensatas: cf. Ev), consequência do ambiente aburguesado, desejoso apenas de conforto e comodidade. Venceremos os descuidos, indo ao encontro do Esposo na Santa Missa, na Comunhão, no Sacrário.

 

feira, 10-VIII: S. Lourenço: Os frutos da morte do grão de trigo.

2 Cor 9, 6-10 / Jo. 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto.

S. Lourenço, diácono do Papa Sisto II, sofreu o martírio poucos dias depois do deste Papa, durante a perseguição de Valeriano.

Graças ao seu martírio e ao de tantos outros, nos primeiros séculos, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro: «quem semeia com largueza também colherá em largueza» (Leit). Cada um de nós participa na obra da Redenção oferecendo as contrariedades de cada dia, os sacrifícios vividos para superar os obstáculos, muito unidos ao sacrifício de Cristo. São coisas pequenas, mas é o nosso ‘grão de trigo’ (cf. Ev), que darão muito fruto.

 

Sábado, 11-VIII: Para Deus não há ‘impossíveis’.

Dt 6, 4-13 / Mt 17, 14-20

Se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda, direis a esse monte: muda-te daqui para acolá, e ele há-de mudar-se. E nada vos será impossível.

Se a nossa fé é grande, poderemos levar a cabo muitos empreendimentos, considerados ‘impossíveis’ (cf. Ev). Moisés também apela à fé do povo falando da empresa difícil de chegar à terra prometida e às suas maravilhas (cf. Leit).

Se alguma vez nos parece que há muitas dificuldades, que temos muitas debilidades, etc., é altura de nos lembrarmos que «Deus não nos pede coisas impossíveis mas, ao mandar, avisa que faças o que podes e que peças o que não podes, e ajuda para que peças» (S. Agostinho).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    Nuno Westwood

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha

 


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