Assunção
da Virgem Santa Maria
Missa
do Dia
15 de Agosto de 2007
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Alegres, Jubilosos, F. Silva, NRMS
10
Ap 12, 1
Antífona
de entrada: Um sinal grandioso
apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma
coroa de estrelas na cabeça.
Ou
Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra
da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho
de Deus.
Diz-se o Glória
Introdução ao
espírito da Celebração
A Assunção de Nossa
Senhora é celebrada em todo o mundo cristão, desde há muitos séculos. S. João
Damasceno, na segunda metade do século VII, deixou um sermão famoso sobre a
«dormição» de Nossa Senhora no qual nos transmite a tradição desta verdade de
fé.
Esta festa é
celebrada em diversas partes do mundo sob diversas invocações como: Nossa
Senhora da Abadia, em muitas terras de Portugal, Santa Maria Maior, Nossa
Senhora da Graça, na cidade da Praia, em Cabo Verde.
A maior parte das catedrais
portuguesas estão dedicadas a este mistério da vida de Nossa Senhora, 13 das
dioceses têm-na como Padroeira principal desde há muitos séculos.
Unamo-nos, pois, à
alegria de toda a Igreja, ao celebrar este quarto mistério glorioso da vida de
Nossa Senhora.
Deus, nosso Pai,
aguarda-nos de braços abertos, para partilhar connosco a Sua felicidade. Mas
temos necessidade de endireitarmos continuamente os nossos caminhos, para
chegarmos à Sua Casa.
Neste dia em que, à
luz da vida sem mácula de Nossa Senhora, elevada ao Céu em corpo e alma, vemos
com mais facilidade as nossas manchas.
Reconheçamos que
temos ofendido ao Senhor, desviando-nos do caminho do Céu, e peçamos
humildemente perdão.
(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o
esquema C)
– Senhor: deixamo-nos, por vezes, enganar pelo
Inimigo tentador
e procuramos encontrar a verdadeira
felicidade fora da Vossa Lei.
Senhor, tende piedade de nós!
Senhor, tende piedade de nós!
– Cristo: confiamos demasiado, às vezes, em
nossas capacidades
e deixamo-nos vencer, quando nos
encontramos em tentação.
Cristo, tende piedade de nós!
Cristo, tende piedade de nós!
– Senhor, temos sido negligentes em acolher a
Vossa Palavra
e em procurar a fortaleza na frequência dos
Sacramentos.
Senhor, tende piedade de nós!
Senhor, tende piedade de nós!
Deus todo poderoso
tenha compaixão de nós,
perdoe os nossos
pecados e nos conduza à vida eterna.
Oração
colecta: Deus eterno e omnipotente,
que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do
Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para
merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor...
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: O texto do Apocalipse recorda-nos que estamos em luta permanente contra
o Inimigo do homem. Maria, Mãe da Igreja, como está profetizado nos Génesis,
aparece deslumbrante no Céu, para nos conduzir à vitória final.
Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab
19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da
aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal
grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa
de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias
da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor
de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A
cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O
dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o
filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger
todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do
seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha
preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu:
«Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu
Ungido».
Sob a imagem da Arca (v. 19) e da
mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da liturgia, a Virgem Maria.
Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas
imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão
discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num
primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a
Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo
na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) –, podemos
englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em
conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):
4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão
está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros.
Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».
6 «E
a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa
e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio
de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder
de satanás».
Salmo Responsorial Sl 44 (45),
10.11.12.16 (R. cf. 10b)
Monição: O salmo 45 é um cântico de louvor ao Ungido e à Sua esposa no dia das
núpcias: A Liturgia aplica-o à solenidade da Assunção de Nossa Senhora, para
celebrar a sua glorificação em corpo e alma.
Façamos dele a nossa
oração de louvor e carinho a Nossa Senhora elevada ao Céu.
Refrão: À
vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,
ornada do ouro mais fino.
Ou: À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.
Ao vosso encontro vêm
filhas de reis,
à vossa direita está a
rainha, ornada com ouro de Ofir.
Ouve, minha filha, vê
e presta atenção,
esquece o teu povo e a
casa de teu pai.
Da tua beleza se
enamora o Rei
Ele é o teu Senhor,
presta-Lhe homenagem.
Cheias de entusiasmo e
alegria,
entram no palácio do
Rei.
Segunda Leitura
Monição: S. Paulo, na Carta aos cristãos de Corinto, fundamenta a fé na
Ressurreição de todos os fiéis na Ressurreição de Jesus, Cabeça da Igreja.
Foi em atenção aos
méritos de Cristo, e em razão de Maria ter sido escolhida para Mãe de Deus, que
Ela foi elevada glorificada em corpo e alma ao Céu.
1 Coríntios 15, 20-27
Irmãos: 20Cristo
ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez
que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos
mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim
também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém,
na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a
Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo
entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania,
autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha
posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a
ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas
quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que
Lhe submeteu todas as coisas.
É a partir deste texto e do de Romanos
5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo
antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado
e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na
ressurreição.
20-23 S. Paulo, começando por se apoiar
no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da
ressurreição (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v.
20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a
Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm
15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando
pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta
ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade
da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as
almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório,
como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo,
como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por
completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos».
Por seu turno, a S. Congregação
para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua
doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com
que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem
de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os
outros eleitos».
Aclamação ao
Evangelho
Monição: No encontro de Nossa Senhora com Isabel, esta proclama a Virgem de
Nazaré a Mãe do meu Senhor.
Maria exulta num
cântico de louvor e acção de graças, ensinando-nos os caminhos da humildade,
para que A possamos seguir na glorificação.
Aclamemos a Palavra
de Deus que nos anuncia verdades tão consoladoras.
Aleluia
Cântico: J. Duque, NRMS 21
Maria foi elevada ao
Céu:
alegra-se a multidão
dos Anjos.
Evangelho
São Lucas 1, 39-56
39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e
dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou
em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a
saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito
Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e
bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter
comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus
ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada
aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do
Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e
o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os
olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada
todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é
o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e
dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e
exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos
despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da
sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à
sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca
de três meses e depois regressou a sua casa.
Os estudiosos descobrem neste relato
uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas
ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como
na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9
e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo,
qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual
nova Ester (Lc 1, 52 e Est
1 – 2).
39 «Uma
cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a
Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias
de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito
de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v.
43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua
rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se
em se fazer a criada da sua prima e
de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento
de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou
junto de Isabel cerca de três meses».
42 «Bendita
és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as
mulheres.
43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o
mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele
saudar o Messias e sua Mãe.
46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária
beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor
expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais
sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à
saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É
como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se
deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer
referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua
humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está
todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam
2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9;
98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21,
31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos
comentários se fizeram ao Magnificat;
mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras
materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no
princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é
urgente realizar, não se faz com o inverter a ordem social, o «derrubar os
poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o
comentário da Encíclica Redemptoris
Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal
de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de
Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom
irrevogável, entra na história do homem».
Sugestões para a
homilia
Introdução
– Maria, promessa da
vitória
Maria, resplandecente de glória na Assunção
A cheia de graça
Rainha do Universo
Mãe da Igreja
– O caminho de Maria
para a sua glorificação
A humildade e a caridade são inseparáveis
Maria ensina-nos a ser humildes
A humildade nasce da fé
No texto do Apocalipse
aparece coroada de glória, em luta com o Dragão infernal que tenta, em vão,
atingi-l’A no calcanhar.
O grande ruído que
faz o mal pode levar-nos à falsa convicção de que a Igreja está derrotada e
deixará de estar presente no mundo com a luz da sua doutrina e força dos
sacramentos.
Quando estudamos a
história da Igreja à luz da fé, descobrimos que, bem contra a sua vontade, o
Inimigo acaba sempre por trabalhar para a glória de Deus.
Maria,
promessa da vitória
O texto do Apocalipse
é uma proclamação da vitória da Igreja sobre o demónio, pela intervenção de
Maria. Esta certeza foi já profetizada no Génesis. «Ela esmagará a cabeça» da serpente infernal.
A serpente do
Génesis, porém, armará ciladas ao seu calcanhar, tentando atingi-lo. A figura
do calcanhar usa-se na linguagem corrente para significar o ponto mais
vulnerável, mais sensível de uma pessoas. Para uma mãe, o que ela tem de mais
sensível são os filhos.
Até ao fim dos
tempos, o demónio procurará arrastar os filhos da Mulher – a Virgem Imaculada –
à eternidade infeliz.
Esta Mulher aparece
agora gloriosa na visão do Apocalipse em luta contra o Dragão (a serpente
infernal) e vencendo-o.
a) Maria, resplandecente de glória na
Assunção. «Apareceu um sinal
grandioso». A Assunção de Nossa Senhora é a sua glorificação final.
Jesus Cristo
antecipou n’Ela o que há-de acontecer com todos os membros do Corpo Místico, no
fim dos tempos.
Em atenção a que for
a escolhida para Mãe de Deus, foi preservada, pelos méritos de seu Filho, da
corrupção do túmulo, por este privilégio singular.
Qual dos filhos, se
pudesse, não faria o mesmo à sua mãe? Maria é a Arca da Aliança que guardou em
seu seio durante nove meses o Filho de Deus, O estreitou contra o coração
muitas vezes O alimentou e defendeu dos
perigos.
Ao meditarmos nesta
verdade, podemos raciocinar como no dogma da Imaculada Conceição: Deus podia
tê-lo feito; convinha que o fizesse; e, portanto, fê-lo.
b) A cheia de graça. «uma Mulher revestida com o Sol». Maria é a cheia de graça, a
Imaculada Conceição, como a proclama o Arcanjo S. Gabriel no momento da
Anunciação.
Assim a descreveram
também os Pastorinhos de Fátima: uma Senhora vestida de luz depois de 13 de
Maio de 1917.
A manifestação de
Nossa Senhora, nesta visão do Apocalipse, é também um apelo à santidade pessoal
para cada um de nós. Salvas as distâncias, cada um de nós está vocacionado para
se parecer com Ela. Só o seremos na medida em que procurarmos que o Espírito
Santo nos transforme nesta luz que é a graça de Deus.
c) Rainha do Universo. É «uma Mulher (…) com (…) Lua debaixo do pés.»
Podemos ver nela um símbolo de toda a criação.
Tem como missão
conduzir os filhos de Deus – contando com a nossa humilde colaboração – à
vitória sobre o demónio.
É da união com Ela,
que procuramos cultivar por uma verdadeira devoção, que depende a vitória no
espaço do mundo que nos está confiado.
A sua presença é um
apelo à coragem e ao optimismo, nesta luta sem tréguas. Basta que façamos o que
está ao nosso alcance, para que o Povo de Deus triunfe.
Não será, com certeza,
uma vitória ao modo humano de pensar, com triunfalismos que a nada conduzem,
mas uma fermentação de santidade em cada um de nós e à nossa volta.
d) Mãe da Igreja. «Na cabeça, uma coroa de doze estrelas.» É uma alusão às doze tribos
de Israel, a todo o Povo de Deus da Antiga Aliança. O Povo de Deus da Nova
Aliança, que nasceu do lado aberto de Cristo na Cruz é a Igreja.
A coroa mais preciosa
para uma mãe são os seus filhos ornados com as virtudes. Com que alegria falam
elas das qualidades, boas acções e triunfos daqueles que deram à luz!
Embora nos sintamos
muitas vezes tentados pelo desânimo, quer pelas dificuldades que o Dragão
infernal semeia no nosso caminho, quer pelas tentações contra a fé que nos
sugerem a derrota ou que tudo acabaria com a morte, a presença de Maria
Santíssima, gloriosa em corpo e alma no Céu, é uma ajuda para vencermos nesta
luta quotidiana. Basta que levantemos o olhar para Ela, por um simples
pensamento ou jaculatória, para sentirmos renovar as nossas forças.
2.
O caminho de Maria para a sua glorificação
Ao levar-nos a
contemplar a glorificação de Maria, elevada em corpo e alma ao Céu, a Liturgia
aponta-nos o caminho que Ela seguiu e convida-nos a imitá-l’A.
a) A humildade e a caridade são inseparáveis.
Na Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel, esta verdade aparece em
evidência.
Não foi para
satisfazer uma curiosidade superficial que o Arcanjo revelou a Maria e
concepção miraculosa de Isabel. Nele se encerra um convite para a Visitação.
Pede-o a delicadeza humana e o plano de Deus de santificar S. João Baptista
ainda no seio materno.
A humildade e a
caridade são, de facto, inseparáveis. Só consegue viver o mandamento novo do
amor quem for humilde. Os que se julgam o centro do mundo pensam e cuidam apenas de si; o mais pequeno
incidente causa melindres e afasta as pessoas.
Em Maria encontramos a escola desta harmonia: vive a
caridade, dá-se, porque é humilde; e humilha-se para servir, porque está
abrasada no fogo do amor de Deus. É este fogo que A faz caminhar apressadamente,
alegremente pela serra, ao encontro da sua parente.
b) Maria ensina-nos a ser humildes. O
encontro de Maria com Isabel é um compêndio de humildade. Deus manifesta-o nos
Evangelho de S. Lucas, para que possamos aprender a vivê-la com a nossa Mãe.
– A humildade é a verdade. Temos uma ideia
deformada da humildade: a de uma pessoa que se recusa a reconhecer as próprias
qualidades e virtudes e a actuar de acordo com elas.
Isabel corresponde à
saudação de Maria: «Bendita és tu entre
as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter
comigo a mãe do meu Senhor?»
Nossa Senhora não
recusa o elogio de Isabel, porque ele é verdadeiro. Ela tem perfeita
consciência da sua dignidade pessoal e do lugar único que ocupa na história da
Salvação: «de hoje em diante me chamarão
bem-aventurada todas as gerações.»
De facto, Ela é a Mãe
de Deus e João Baptista foi santificado ainda no seio materno, pela presença de
Maria, Arca da Aliança em que é transportado o Filho de Deus feito Homem. «Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio.»
Ela tem perfeita
consciência da dignidade que lhe foi concedida e, no íntimo, agradece-o a Deus.
Negá-la seria uma mentira e uma tremenda indelicadeza para com Deus.
Reconhecer as
qualidades que Deus nos dá, as coisas belas que opera por nosso intermédio, o
fecundar maravilhosamente os nossos gestos insignificantes é um gesto de
verdade e de justiça.
– Tudo é obra de Deus. A resposta de Maria
é um cântico de acção de graças ao Senhor. «A
minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da Sua serva.»
Quando reconhecemos
os dons recebidos, o demónio tenta levar-nos a uma apropriação deles, como se
fossem obra das nossas mãos. Como todas as tentações, também esta começa a
partir de uma coisa boa: o reconhecimento do que se é. O desvio vem depois.
Por isso devemos
estar alerta contra as sugestões da vaidade ou do orgulho. Somos, na expressão de
um santo: «Não é falta de humildade conheceres o progresso da tua alma. Assim
podes agradecê-lo a Deus. – Mas não te esqueças de que és um pobrezito, que
veste um bom fato… emprestado.»[1].
– A pessoa humilde é alegre. O Magnificat
é, antes de tudo, um hino de alegria. «A
minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.»
É a soberba que nos
encerra em nós mesmos, por causa de melindres reais ou imaginários, ou porque
não nos deram a importância que julgávamos ter.
– A pessoa humilde é operativa. Não é
humildade esconder a preguiça e o comodismo com uma desculpa de incapacidade,
de ignorância.
A pessoa humilde não
é tacanha, encolhida, inoperante, mas põe a render os talentos recebidos do
Senhor. Ocupa com serena dignidade e responsabilidade o seu lugar no mundo e na
Igreja, e procura desempenhar-se da sua missão com a maior eficácia possível.
Só as pessoas
humildes constroem., de facto, um mundo novo, mais acolhedor; desenvolvem uma
atenção operativa em relação aos mais carenciados. Não o fazem por táctica
interesseira. É um fruto que brota naturalmente da sua humildade. Basta olhar
para a vida dos santos e verificar que as respostas aos grandes problemas
humanos foram dadas por eles.
c) A humildade nasce da fé. «Bem-aventurada aquela que acreditou no
cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor.»
Sem a luz da fé não
se pode ser humilde, porque o orgulho cega-nos. Só à luz de Deus temos uma
visão real do que somos e do lugar que ocupamos na vida.
Ela fez ver em Isabel
o Senhor que precisava da sua ajuda. Por isso «Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a
sua casa.»
Fala o Santo Padre
«A força do amor
expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano»
[…]
3. «Naqueles dias,
Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma
cidade...» (Lc 1, 39). As palavras deste trecho evangélico fazem-nos
vislumbrar, com os olhos do coração, a jovem de Nazaré a caminho da «cidade
da Judeia», onde morava a sua prima, para lhe oferecer os seus serviços.
Aquilo que nos surpreende acima de tudo, em Maria, é a sua atenção repleta
de ternura pela sua parente idosa. Trata-se de um amor concreto, que
não se limita a palavras de compreensão, mas que se compromete pessoalmente
numa verdadeira assistência. À sua prima, a Virgem não dá simplesmente algo que
lhe pertence; Ela dá-se a si mesma, sem nada exigir como retribuição.
Ela compreendeu de maneira perfeita que, mais do que um privilégio, o
dom recebido de Deus constitui um dever, que a empenha no serviço aos
outros, na gratuidade que é própria do amor.
4. «A minha alma
proclama a grandeza do Senhor...» (Lc 1, 46). No seu encontro com
Isabel, os sentimentos de Maria brotam com vigor no cântico do Magnificat. Através
dos seus lábios exprimem-se a expectativa repleta de esperança dos
«pobres do Senhor», e a consciência do cumprimento das promessas, porque
Deus «se recordou da sua misericórdia» (cf. Lc 1, 54).
É precisamente desta
consciência que brota a alegria da Virgem Maria, que transparece no
conjunto do cântico: alegria de saber que Deus «olha» para Ela, apesar
da sua «fragilidade» (cf. Lc 1, 48); alegria em virtude do
«serviço» que lhe é possível prestar, graças às «grandes obras» que o
Todo-Poderoso realizou em seu favor (cf. Lc 1, 49); alegria pela
antecipação das bem-aventuranças escatológicas, reservadas aos «humildes» e aos
«famintos» (cf. Lc 1, 52-53).
Depois do Magnificat
chega o silêncio; nada se diz acerca dos três meses da presença de
Maria ao lado da sua prima Isabel. Talvez nos seja dita a coisa mais
importante: o bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na
discrição tranquila do serviço quotidiano.
5. Mediante as suas
palavras e o seu silêncio, a Virgem Maria aparece como um modelo ao longo do
nosso caminho. Não se trata de um caminho fácil: em virtude da culpa dos
seus pais primitivos, a humanidade traz em si a ferida do pecado, cujas
consequências ainda continuam a fazer-se sentir nas pessoas remidas. Mas o mal
e a morte não terão a última palavra! Maria confirma-o através de toda a
sua existência, sendo testemunha viva da vitória de Cristo, nossa Páscoa. […]
João Paulo II, Santuário
de Nª Sª de Lourdes, 15 de Agosto de 2004
Oração Universal
Irmãos e irmãs:
Na solenidade da Assunção
de Nossa Senhora ao Céu,
Imploremos a Jesus
Cristo, pela mediação de sua Mãe,
As ajudas necessárias
para a nossa caminhada na terra.
Oremos (cantando),
com filial confiança:
Pela
Assunção gloriosa de Maria,
ouvi-nos,
Senhor!
1. Para que o Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e
Diáconos
nos
anunciem a imitação de Maria como caminho para Deus,
oremos,
irmãos.
Pela
Assunção gloriosa de Maria,
ouvi-nos,
Senhor!
2. Para que as crianças e jovens das nossas
comunidades
encontrem
na devoção a Nossa Senhora um caminho seguro,
oremos,
irmãos.
Pela
Assunção gloriosa de Maria,
ouvi-nos,
Senhor!
3. Para que todas as famílias se apoiem na
devoção a Maria,
para
vencerem as dificuldades que enfrentam em nossos dias,
oremos,
irmãos.
Pela
Assunção gloriosa de Maria,
ouvi-nos,
Senhor!
4. Para que as pessoas mais carenciadas encontrem
na Igreja
a
resposta aos problemas com que se enfrentam nesta hora,
oremos,
irmãos.
Pela
Assunção gloriosa de Maria,
ouvi-nos,
Senhor!
5. Para que todos os que se debatem com dificuldades
na vida,
encontrem,
como Isabel em Maria, a ajuda de que precisam,
oremos,
irmãos.
Pela
Assunção gloriosa de Maria,
ouvi-nos,
Senhor!
6. Para que os nossos familiares e amigos que já
partiram,
pela
mediação de Maria, contemplem a glória de Deus,
oremos,
irmãos.
Pela
Assunção gloriosa de Maria,
ouvi-nos,
Senhor!
Senhor, que nos
convidais a celebrar a Assunção da Vossa Mãe:
ajudai-nos a
imitá-l’A com fidelidade na vida de cada dia,
para nos tornarmos
dignos de alcançar as Vossas promessas.
Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, Vosso Filho,
na unidade do
Espírito Santo.
Liturgia
Eucarística
Introdução à
Liturgia Eucarística
Agradecemos a Maria
Santíssima a sua fidelidade ao Senhor, que nos tornou possível a alegria desta
hora.
Depois de termos sido
purificados pela Palavra do Senhor, vamos agora celebrar o mistério da
Eucaristia, no qual Jesus Se fará nosso alimento.
Saudação da Paz
A Mãe é, para os
filhos, sinal de paz e reconciliação entre eles; e mais ainda quando celebramos
a sua festa.
Desejosos de vivermos
na verdadeira paz que o Senhor nos veio trazer,
Saudai-vos na paz
de Cristo!
Cântico
do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos
Santos, NRMS 33-34
Oração
sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor,
a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada
ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam
continuamente para Vós. Por Nosso Senhor...
Prefácio
A glória da
Assunção de Maria
v. O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.
v. Corações ao alto.
R. O nosso coração está em Deus.
v. Demos graças ao Senhor nosso Deus.
R. É nosso dever, é nossa salvação.
Senhor, Pai santo, Deus
eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos
graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos
na Assunção da Virgem Santa Maria.
Hoje a Virgem Mãe de
Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja
triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino.
Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à
luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.
Por isso, com os Anjos
e os Santos, proclamamos a Vossa glória, cantando com alegria:
Santo: F. dos Santos, NCT 201
Monição da
Comunhão
Jesus Cristo glorioso
que glorificou a Sua e nossa Mãe, está agora sacramentalmente feito nosso
alimento.
Aproximemo-nos com
humildade, fé e devoção para O receber, e peçamos a Nossa Senhora que nos
ensine e ajude a fazê-lo de modo que agrademos ao Senhor.
Cântico
da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, F. dos
Santos, NCT 254
cf. Lc
1, 48-49
Antífona
da comunhão: Todas as gerações
me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.
Cântico
de acção de graças: Foi um sono de Luz, H. Faria, NRMS
103-104
Oração
depois da comunhão: Senhor, que
nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da
Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da
ressurreição. Por Nosso Senhor...
Ritos Finais
Monição final
A Assunção gloriosa
de Nossa Senhora é uma lembrança e promessa de que a vida humana não acaba no
túmulo, mas aguarda-a a glória da Ressurreição.
Proclamemos em todos
os ambientes esta verdade de fé que nos enche de alegria e felicidade.
Cântico
final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro,
NRMS 33-34
Homilias Feriais
5ª feira, 16-VIII:
Aprender a perdoar.
Jos 3, 7-10. 11. 13-17 / Mt 18, 21- 19, 1
Assim
vos há-de fazer também meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu
irmão do íntimo do coração.
São quase inevitáveis
os pequenos conflitos diários, fruto do convívio com outras pessoas: as
discussões caseiras ou entre amigos, os gestos e palavras que incomodam, etc.
O Senhor pede-nos que
perdoemos do íntimo do coração (cf. Ev). Também pedimos perdão ao Senhor nalguns momentos da Santa Missa: no acto
penitencial, no Glória, no Agnus Dei. A Eucaristia é um convite à conversão constante
(cf. SC, 55) e purifica o coração do penitente; ajuda-nos a ter compaixão do
próximo e a perdoá-lo.
6ª feira, 17-VIII:
A dignidade do matrimónio e a Eucaristia.
Jos 24, 1-13 / Mt 19, 3-12
Foi
por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas
mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.
Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza
original, tal como foi instituído por Deus no princípio da criação.
Infelizmente, o ambiente continua a desfigurar
esta dignidade: pedem-se formas de reconhecimento legal para as
convivências de facto; reclama-se aceitar modelos de casais onde não interesse
a diferença de sexos, etc.
No matrimónio cristão
«em virtude do sacramento, o vínculo conjugal está intrinsecamente ligado com a
união eucarística entre Cristo esposo e a Igreja esposa» (SC, 27). O consentimento recíproco entre marido e
esposa tem também uma dimensão
eucarística (cf. id.).
Sábado, 18-VIII:
Como tornar-se criança.
Jos 24, 14-29 / Mt 19, 13-15
Deixai
as criancinhas e não as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino dos céus
é daqueles que são como elas.
Tornar-se crianças diante de Deus é a condição para receber a Revelação
de Deus, pois Jesus revela-se aos pequeninos; e também para entrar no reino dos
céus (cf. Ev).
Tornar-se crianças é: «renunciar à soberba, à auto-suficiência;
reconhecer que sozinhos nada podemos, porque temos necessidade da graça, do
poder do nosso Pai Deus, para aprender a caminhar e para perseverar no caminho»
(S. Josemaria). Além disso, precisamos converter-nos e criar um coração novo e
uma alma nova.
Celebração e Homilia: Fernando
Silva
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno
Romão
Sugestão Musical: Duarte
Nuno Rocha