Quarta-Feira de Cinzas

6 de Fevereiro de 2008

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o tempo favorável, M. Borda, NRMS 53

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Vamos iniciar a preparação do Mistério Pascal. A cerimónia da imposição das cinzas é muito antiga e rica em simbolismo.

O povo cristão tem um grande apreço pelos sinais. As Eucaristias deste dia têm como «rito penitencial» a imposição das cinzas. As Eucaristias devem celebrar-se em horas compatíveis com as saídas dos empregos. Os ministros extraordinários da Comunhão podem colaborar no rito da imposição das cinzas que decorrerá com seriedade e calma. As palavras que acompanham a imposição das cinzas: «Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar»; ou «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho», devem ser ditas com clareza, em voz audível e sem pressa.

 

Omite-se o acto penitencial, porque é substituído pela imposição das cinzas.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor pede: «Convertei-vos a Mim com jejuns, lágrimas e lamentações». Mas acrescenta: «Eu sou clemente e compassivo, paciente e misericordioso».

 

Joel 2, 12-18

 

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1, 2 – 2, 17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1, 13).

12-13 «Convertei-vos a Mm de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37, 29; Mt 26, 65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Neovulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36, 22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11, 29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus que, sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Reconheçamos que somos pecadores. O homem hodierno não reconhece os seus pecados. Sem este acto de humildade, como nos atreveremos a dizer: «Pecamos, Senhor, tende Compaixão de nós».

 

Refrão:         Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:                Tende compaixão de nós, Senhor,

                porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Em nome da Igreja todos vamos dizer: «Reconciliai-vos com Deus». Façamos tudo para trazer as pessoas à confissão dos pecados, e a todos Deus conceda o Seu perdão.

 

2 Coríntios 5, 20 – 6, 2

 

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5, 14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio». Os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de Cristo), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado), uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral. Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado; isto, que pode parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado»; com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6, 2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49, 8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo diz que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4, 4-5). A linguagem paulina é ainda mais expressiva e rica do que a da versão grega de Isaías (LXX): agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. Não há dúvida que a Liturgia pretende fazer uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: O Senhor fala-nos hoje. Faz o que te pede. Começa já. Amanhã será tarde.

 

 

Cântico: M. Simões, NRMS 1 (I)

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 1-6.16-18

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual, mas exige que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10, 3); daqui que são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14, 23; Mc 1, 35; Lc 5, 16; 6, 12; 9, 18; 11, 1.28-29), um exemplo que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10, 9-16). Também a experiência pessoal de todos os santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

«Convertei-vos a Deus de todo o coração» (1.ª leitura)

«Pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus» (2.ª leitura)

«O Senhor é clemente e compassivo, paciente e misericordioso» (1.ª leitura)

«Não recebais em vão a graça de Deus» (2.ª leitura)

 

Pode parecer-nos muito insistente e repetitivo este apelo à conversão. Mesmo assim, para muitas pessoas, não é suficiente.

Mas a dificuldade que temos de curar-nos de nossos pecados também acontece com as doenças do nosso corpo.

Quer nas doenças da alma, sobretudo em caso de pecados graves, ou mortais, quer tratando-se de doenças do corpo, pôr em marcha o processo de cura exige muito esforço e decisão.

Reparem sobretudo na decisão. Quantas pessoas, com doenças graves, que não se decidem a ir ao médico!

Reparem neste diálogo:

– António, estás muito magro, com um rosto de cor estranha... Não te sentes doente?

– Sinto, mas não decido ir ao médico.

– Vou marcar-te, hoje, a consulta no médico. Amanhã às tantas horas... acompanho-te na ida ao médico.

– Não sei se conseguirei.

– Consegues porque eu vou contigo. A tua mulher também te acompanhará.

 

Mas o problema ainda não está totalmente resolvido. Após o diagnóstico, caso de cancro, há que fazer os tratamentos com fármacos, quimioterapia, etc. Vejam quanto trabalho, quantas dificuldades a vencer! O mesmo se passa, até certo ponto, com a ida à confissão, ao Sacramento da Penitência.

Para confessar-se, os problemas a ultrapassar serão mais complexos? Talvez.

Primeiro que tudo, atender às armadilhas do demónio. Reparem na sua técnica! Quando somos tentados a cometer um pecado grave, por exemplo «faltar à Missa ao domingo», ele diz:

– Que mal tem. São muitos os que o fazem. Depois confessas-te.

Quando decidimos confessar-nos ele adverte:

– Não te confesses. Não tens vergonha do mal que fizeste? Deixa-te disso. O Padre vai ficar admirado. Tu até és daqueles que são mais assíduos a estas coisas! Além disso, já não te confessas há oito anos. O Padre até vai desmaiar quando lhe disseres isso!

As armadilhas do demónio são muitíssimas. Citei estas. Para vencer o demónio precisamos de rezar muito e de ser ajudados por algum amigo.

Meditem neste caso verídico.

Um homem já não se confessava há bastantes anos. Um seu amigo, antes da Páscoa, começou a falar-lhe da Confissão. Rezou muito por ele e prometeu levá-lo a um Padre desconhecido, para não ter vergonha de se confessar. Marcaram o dia e lá foram. Chegados ao local onde o Padre estava a confessar diz o da iniciativa:

– Primeiro vou eu. Tomou a iniciativa para avisar o Sacerdote e pedir-lhe que ajudasse um seu amigo, que viria a seguir, porque já se tinha esquecido do acto de contrição, etc. Acabada a sua confissão vai chamar o amigo. Não o viu no seu lugar onde ficara, nem estava na igreja. Chega cá fora e nada! Dirige-se à casa do amigo. Encontra-o assustado.

– Afinal, que aconteceu?

Comecei a tremer, vieram-me suores frios. Receei desmaiar e vim para casa.

O amigo não desanimou. Marcou para o dia seguinte. Tudo normal. Enquanto o amigo se confessava ele rezou. Quando se levantou e vinha para o seu lugar estava banhado em lágrimas. O amigo fica aflito e pergunta:

– Que tens, que aconteceu?

– Choro de alegria. Não sabes avaliar o que vai dentro de mim. Libertei-me de um grande pesadelo. Só me falta comungar. Daqui por diante confessar-me-ei no Natal, Páscoa e sempre que cometa um pecado mortal.

 

Para conseguir a conversão e para levar muitas pessoas à Confissão, o Evangelho aponta-nos três coisas:

ORAÇÃO

Não esqueçamos as nossas orações ao levantar:

Oferecimento do dia ao Senhor. Podemos usar uma frase muito simples: «Senhor, seja tudo por vosso amor».

Oração ao Anjo da Guarda

Três Avé-Marias a Nossa Senhora

Ao meio-dia, toque das trindades, a oração própria desta hora. Se não a sabemos, rezamos três Avé-Marias.

Depois virá, ao longo do dia, a repetição daquela pequena oração: «Senhor, seja tudo por vosso amor.»

Ao deitar teremos a oração da noite. Pode ser igual à oração da manhã.

Quem for mais generoso, rezará o Terço em Família ou um mistério do Terço.

Também é bom rezar antes e depois das refeições.

ESMOLA

Pode ficar para o dia do Contributo Penitencial. Dar esmola a quem não conhecemos não é muito aconselhável.

PENITÊNCIA, SACRIFÍCIO OU MORTIFICAÇÃO

Continua em vigor a abstinência. Noutros tempos falava-se de jejuns e abstinência. Hoje falamos mais do oferecimento do trabalho, feito por amor de Deus: privar-se do tabaco e ver televisão; diminuir às bebidas alcoólicas; visitar doentes ou pessoas idosas que vivem sozinhas, etc.

NOTA

Não esquecer o mais essencial que é a Missa aos domingos e dias santos de guarda.

Devemos, na medida do possível, frequentar também a Missa nos dias de semana. Ao menos à quinta-feira, dia da instituição da Eucaristia.

 

Fala o Santo Padre

 

«Convertei-vos a mim de todo o vosso coração

 

Queridos irmãos e irmãs!

Com a procissão penitencial entrámos no clima austero da Quaresma e introduzindo-nos na Celebração eucarística rezámos há pouco para que o Senhor ajude o povo cristão a «iniciar um caminho de verdadeira conversão para enfrentar vitoriosamente com as armas da penitência o combate contra o espírito do mal» (Oração da Colecta). Ao receber daqui a pouco as cinzas sobre a cabeça, ouviremos mais uma vez um claro convite à conversão que pode expressar-se numa fórmula dupla: «Convertei-vos e acreditai no evangelho», ou: «Recorda-te que és pó e em pó te hás-de tornar». Precisamente devido à riqueza dos símbolos e dos textos bíblicos, a Quarta-Feira de Cinzas é considerada a «porta» da Quaresma. De facto, a hodierna liturgia e os gestos que a distinguem formam um conjunto que antecipa de modo sintético a própria fisionomia de todo o período quaresmal. Na sua tradição, a Igreja não se limita a oferecer-nos a temática litúrgica e espiritual do itinerário quaresmal, mas indica-nos também os instrumentos ascéticos e práticos para o percorrer frutuosamente.

«Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos». Com estas palavras inicia a Primeira Leitura, tirada do livro do profeta Joel (2, 12). Os sofrimentos, as calamidades que afligiam naquele tempo a terra de Judá estimulam o autor sagrado a encorajar o povo eleito à conversão, isto é, a voltar com confiança filial ao Senhor dilacerando o seu coração e não as vestes. De facto, recorda o profeta, ele «é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia e se compadece da desgraça» (2, 13). O convite que Joel dirige aos seus ouvintes também é válido para nós, queridos irmãos e irmãs. Não hesitemos em reencontrar a amizade de Deus perdida com o pecado; encontrando o Senhor experimentamos a alegria do seu perdão. E assim, quase respondendo às palavras do profeta, fizemos nossa a invocação do refrão do Salmo responsorial: «Perdoai-nos Senhor, porque pecámos». Proclamando o Salmo 50, o grande Salmo penitencial, apelámo-nos à misericórdia divina; pedimos ao Senhor que o poder do seu amor nos volte a dar a alegria de sermos salvos.

Com este espírito, iniciamos o tempo favorável da Quaresma, como nos recordou São Paulo na Segunda Leitura, para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra claramente como precisamente através d'Ele, seja oferecida ao pecador, isto é a cada um de nós, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.

«Aquele que não havia conhecido o pecado diz ele Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus» (2 Cor 5, 21). Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de graça. Eis por que assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: «Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus»; e ainda: «Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação» (5, 20; 6, 2). Enquanto Joel falava do futuro dia do Senhor como de um dia de terrível juízo, São Paulo, referindo-se às palavras do profeta Isaías, fala de «momento favorável», de «dia da salvação». O futuro dia do Senhor tornou-se o «hoje». O dia terrível transformou-se na Cruz e na Ressurreição de Cristo, no dia da salvação. E este dia é agora, como ouvimos no Canto ao Evangelho: «Hoje não endureçais os vossos corações, mas ouvi a voz do Senhor». O apelo à conversão, à penitência ressoa hoje com toda a sua força, para que o seu eco nos acompanhe em cada momento da vida.

A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas indica assim na conversão do coração a Deus a dimensão fundamental do tempo quaresmal. Esta é a chamada muito sugestiva que nos vem do tradicional rito da imposição das cinzas, que daqui a pouco renovaremos. Rito que assume um dúplice significado: o primeiro relativo à mudança interior, à conversão e à penitência, enquanto o segundo recorda a precariedade da condição humana, como é fácil compreender das duas fórmulas diversas que acompanham o gesto. Aqui em Roma, a procissão penitencial da Quarta-Feira de Cinzas parte de Santo Anselmo e conclui-se nesta basílica de Santa Sabina, onde tem lugar a primeira estação quaresmal. A este propósito é interessante recordar que a antiga liturgia romana, através das estações quaresmais, tinha elaborado uma singular geografia da fé, partindo da ideia que, com a chegada dos apóstolos Pedro e Paulo e com a destruição do Templo, Jerusalém se tivesse transferido para Roma. A Roma cristã era vista como uma reconstrução da Jerusalém do tempo de Jesus dentro dos muros da Cidade. Esta nova geografia interior e espiritual, ínsita na tradição das igrejas «estacionais» da Quaresma, não é uma simples recordação do passado, nem uma antecipação vazia do futuro; ao contrário, pretende ajudar os fiéis a percorrer um caminho interior, o caminho da conversão e da reconciliação, para chegar à glória da Jerusalém celeste onde Deus habita.

Amados irmãos e irmãs, temos quarenta dias para aprofundar esta extraordinária experiência ascética e espiritual. No Evangelho que foi proclamado, Jesus indica quais são os instrumentos úteis para realizar a autêntica renovação interior e comunitária: as obras de caridade (a esmola), a oração e a penitência (o jejum). São as três práticas fundamentais queridas também à tradição hebraica, porque contribuem para purificar o homem aos olhos de Deus (cf. Mt 6, 1-6.16-18).

Estes gestos exteriores, que devem ser realizados para agradar a Deus e não para obter a aprovação e o consenso dos homens, são por Ele aceites se expressam a determinação do coração a servi-l'O, com simplicidade e generosidade. Recorda-nos isto também um dos Prefácios quaresmais onde, em relação ao jejum, lemos esta singular expressão: «ieiunio... mentem elevas: com o jejum elevas o espírito» (Prefácio IV).

O jejum, ao qual a Igreja nos convida neste tempo forte, certamente não nasce de motivações de ordem física ou estética, mas brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior que o desintoxique da poluição do pecado e do mal; que o eduque para aquelas renúncias saudáveis que libertam o crente da escravidão do próprio eu; que o torne mais atento e disponível à escuta de Deus e ao serviço dos irmãos. Por esta razão o jejum e as outras práticas quaresmais são consideradas pela tradição cristã «armas» espirituais para combater o mal, as paixões negativas e os vícios. A este propósito, apraz-me ouvir de novo convosco um breve comentário de São João Crisóstomo. «Como no findar do Inverno escreve ele volta a estação do Verão e o navegante arrasta para o mar a nave, o soldado limpa as armas e treina o cavalo para a luta, o agricultor lima a foice, o viandante revigorado prepara-se para a longa viagem e o atleta depõe as vestes e prepara-se para as competições; assim também nós, no início deste jejum, quase no regresso de uma Primavera espiritual forjamos as armas como os soldados, limamos a foice como os agricultores, e como timoneiros reorganizamos a nave do nosso espírito para enfrentar as ondas das paixões. Como viandantes retomamos a viagem rumo ao céu e como atletas preparamo-nos para a luta com o despojamento de tudo» (Homilias ao povo antioqueno, 3). […]

Bento XVI, Aventino, 21 de Fevereiro de 2007

 

Bênção das cinzas

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção + sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar + estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

Cântico: Confesso o meu pecado, J. Santos, NRMS 61

 

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

 

Oração Universal

 

Ao iniciarmos o tempo da Quaresma peçamos por

Todos os cristãos, sobretudo os que andam mais afastados do Senhor,

para que se convertam, se confessem e tomem parte na renovação pascal, digamos (cantemos):

Senhor, ajudai-nos a viver santamente esta Quaresma

 

1.  Por todos os católicos, sobretudo os que se dizem não praticantes,

para que vivam em paz com todos e se reconciliem com Deus

através do Sacramento da Penitência, ou Confissão, oremos.

 

2.  Pelos que gerem os destinos dos povos,

para que busquem o bem comum, construam a paz

e se preocupem sobretudo com os mais pobres, oremos.

 

3.  Por todos os que seguem Jesus Cristo,

para que dêem esmola, rezem

e façam penitência de seus pecados, oremos.

 

4.  Pelos doentes, os desempregados e os famintos,

para que tenham quem os alivie, oremos.

 

5.  Por todos nós aqui presentes,

para que as graças que vamos receber nesta Quaresma

sejam partilhadas com os mais necessitados, oremos.

 

Senhor, que nos chamais a trilhar o caminho da mudança de vida, dai-nos a graça

de sermos salvos e fazei-nos chegar, de coração purificados às Festas Pascais.

Por Cristo, Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: No coro da assembleia, Az. Oliveira, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Sem Confissão frequente não é possível a Comunhão frequente.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor me apontará o caminho, F. da Silva, NRMS 69

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não haverá verdadeira Quaresma sem mais oração, sacrifícios (privação de coisas que são boas) e ajuda aos outros (sobretudo através do Contributo Penitencial).

 

Cântico final: Da morte e do pecado, J. Santos, NRMS 29

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

CINZAS

 

5ª feira, 7-II: As Cinco Chagas do Senhor: Apalpar o amor de Deus.

Is 53, 1-10 / Jo 19, 28-37 ou Jo 20, 24-29

O castigo que nos salva caiu sobre Ele e, por causa das suas chagas, é que fomos curados.

A festa das Cinco Chagas do Senhor recorda-nos que Ele sofreu este castigo por causa dos nossos pecados: «A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor (cf. Leit). O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor» (CIC, 601).

Aproveitemos o convite do Senhor para nos metermos nas suas chagas, tal como fez com Tomé. Este fez um acto de fé e manifestou uma profunda contrição: «meu Senhor e meu Deus» (Ev).

 

6ª feira, 8-II: Incompatibilidades com o jejum.

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-15

De que nos serve jejuar, Senhor, se vós não o vedes, e fazer penitência, se vós não quereis saber?

Como poderemos agradar a Deus com a nossa penitência quaresmal? «A penitência interior do cristão poder ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola, que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros» (CIC, 1434).

Para que a penitência seja autêntica deve ser acompanhada da caridade, por exemplo, as obras de misericórdia, que são ajudas ao próximo nas suas necessidades corporais e espirituais (cf. Leit).

 

Sábado, 9-II: A salvação e as nossas feridas.

Is 59, 9-14 / Lc 5, 27-32

Hão-de chamar-te ‘reparador de brechas’, ‘restaurador dos caminhos para as áreas habitadas’.

Jesus afirmou, diante dos fariseus e escribas, que vinha salvar os pecadores, para que se arrependessem (cf. Ev). Vem como Médico divino para curar as feridas da nossa alma.

Todos precisamos de ser salvos. Para isso, Ele vem como reparador das brechas (cf. Leit), isto é, das nossas feridas: do egoísmo, da sensualidade, da soberba, da preguiça, etc. Contamos para isso, com o sacramento do perdão, em que nos são oferecidos os méritos da Paixão do Senhor, de Nossa Senhora e de todos os Santos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Adriano M. Teixeira

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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