28.º Domingo Comum

15 de Outubro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eu sou a salvação – C. Silva, OC, pg 106

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Não há duas sem três. E mais uma vez, a rejeição de Deus é denunciada por Jesus, na parábola do banquete nupcial do filho do rei. Reunidos, em Eucaristia, respondemos e correspondemos ao convite do Senhor, que nos prepara a mesa na abundância. Revistamo-nos do traje nupcial, da alegria, do perdão e da comunhão, para participarmos dignamente do Banquete eucarístico.

 

Kyrie

 

P- Senhor, porque nem sempre fazemos da Eucaristia uma festa,

tende piedade de nós!

Assembleia: Senhor, tende piedade de nós!

 

P- Cristo, porque muitas vezes trocamos a Eucaristia, pelo ócio e pelo negócio,

tende piedade de nós!

Assembleia: Cristo, tende piedade de nós!

 

P- Senhor, porque nem sempre vivemos a Eucaristia com sentimentos de partilha,

tende piedade de nós!

Assembleia: Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os Povos. Acolher o convite de Deus e participar nesse “banquete” é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.

 

Isaías 25, 6-10a

6Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. 7Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; 8destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. 9Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. 10aA mão do Senhor pousará sobre este monte».

 

O texto é extraído do chamado Grande Apocalipse de Isaías (Is 24 – 27), uma colecção de oráculos escatológicos, cuja redacção actual é posterior ao exílio de Babilónia (Is 34 – 35 é o Pequeno Apocalipse). Isaías anuncia a salvação messiânica como extensiva a todos os povos e sob a imagem dum esplêndido banquete. Esta é a razão da escolha do texto, para introduzir a parábola do banquete nupcial do Evangelho de hoje. A tradição cristã viu nesta passagem a prefiguração do banquete eucarístico, as Bodas do Cordeiro (Apoc 19,9).

10 «A mão do Senhor». Não é um simples antropomorfismo, mas uma expressiva imagem para indicar a bênção e a protecção de Deus.

 

Salmo Responsorial Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 6cd )

 

Monição: Cantemos a bondade do Senhor que nos acompanha com a sua bondade e nos convida a habitar na sua casa.

 

Refrão:    habitarei para sempre na casa do Senhor

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em testemunhar o Evangelho diante de todos os homens. A comunidade de Filipos constitui, verdadeiramente, um exemplo que as comunidades do Reino devem ter presente.

 

Filipenses 4, 12-14.19-20

Irmãos: 12Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. 13Tudo posso n’Aquele que me conforta. 14No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. 19O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. 20Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos.

 

Autores há que pensam que a leitura faz parte de um bilhete de agradecimentos aos filipenses pela ajuda enviada (Filp 4,10-23), escrito noutra ocasião, após a chegada de Epafrodito (v. 18), tendo vindo a ser integrado numa carta que corresponderia a duas ou três missivas de Paulo. O Apóstolo estava preso (tradicionalmente em Roma, mais recentemente pensa-se antes em Éfeso). Deixa-nos aqui uma lição de como se deve saber viver «tanto na pobreza como na abundância» (v. 12). Isto não significa desinteresse e alheamento pela justa promoção do bem-estar material, evidentemente, embora pressuponha que não se lhe dê uma primazia absoluta. Paulo coloca toda a sua fortaleza – toda a sua autossuficiência  – em Cristo, e não nos bens, que não passam de meios (cf. v. 13), com que Ele não falta aos que O servem.

 

Aclamação ao Evangelho    cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: O Evangelho sugere que é preciso “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção que fizemos no dia do nosso batismo não é “conversa fiada”; mas é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 22, 1-14   Forma breve: São Mateus 22, 1-10

1Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: 2«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete para o seu filho. 3Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. 4Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. 5Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; 6os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. 7O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. 8Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. 9Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. 10Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.

[11O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: 12‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele ficou calado. 13O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».]

 

A parábola dos convidados para as bodas (com grande paralelo com a de Lc 14,15-24) está na sequência das dos dois últimos domingos, a dos dois filhos e a dos vinhateiros homicidas, pois se insere nas controvérsias de Jesus com as autoridades judaicas de Jerusalém e visam apresentar a Igreja como o novo povo de Deus, que corresponde à chamada divina. Esta parábola completa as anteriores, ao apresentar claramente o chamamento para o «banquete» – imagem bíblica do Reino de Deus – dirigido a todos aqueles que os mensageiros encontrarem «nas encruzilhadas dos caminhos» (v. 9).

1-7 A primeira parte da parábola fala do convite feito, em primeiro lugar, aos mais dignos – os judeus – para entrarem no Reino de Deus inaugurado por Cristo (o filho). É um convite, por isso pode não ser aceite; mas, dado que é Deus quem convida, não há nenhuma escusa legítima: não podem prevalecer impunemente os mesquinhos interesses humanos ao maravilhoso plano divino.

8-13 A segunda parte refere-se à chamada dos gentios – os menos dignos – à fé. Mas também não é suficiente a fé; são necessárias as boas obras («o traje nupcial»: v. 12). A parábola também mostra como no Reino de Deus há bons e maus, mas, quando o Rei vier – para o juízo final (é claro o matiz escatológico da parábola) –, excluirá definitivamente todos os que não quiseram vestir o traje nupcial da graça.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Sombras que obscurecem o futuro

2. «Alegremo-nos e rejubilemos, porque o Senhor nos salvou» (Is 25,9)

3. «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10)

4. O núcleo central da mensagem de Fátima

 

1. Sombras que obscurecem o futuro

Acabámos de escutar a Palavra de Deus e nela a procuramos alimentar a nossa fé e receber a força e a luz para enfrentar as dificuldades pois são muitos os problemas que diariamente nos afligem; são muitos os motivos que nos tiram, por vezes, a alegria de viver.

Sabemos que o mundo inteiro está carregado de feridas por causa das injustiças e do egoísmo. Até nos nossos lares sentimos sinais” de alguma confusão onde o mal parece querer reinar: quantas famílias separadas? Quantos jovens mergulhados na droga? Quantas pessoas que esquecem Deus para entregarem o seu coração ao dinheiro e ao prazer desordenado? Quantas crianças vítimas de trabalhos forçados e de abusos? Quantos doentes e velhinhos esquecidos e abandonados pelos seus familiares? Quantos pobres sem lar nem pão, nem o gesto da nossa amizade?

Tudo isto dá-nos a entender que são muitas as sombras que obscurecem o nosso futuro e o futuro da humanidade. E, no entanto, há em nós, uma ânsia profunda de vida e de felicidade. Todos nós desejamos encontrar a paz.

 

2. «Alegremo-nos e rejubilemos, porque o Senhor nos salvou» (Is 25,9).

Apesar de sermos tentados pelo desânimo, reparemos bem nas leituras deste Domingo que nos convidam a uma atitude otimista. Diz-nos o profeta Isaías: O Senhor Deus destruirá a morte para sempre, enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo (Cf. Is 25,8).

As situações mais ameaçadoras para a vida e felicidade de cada um e de toda a humanidade, são agora iluminadas pela alegria da presença de Deus no meio do Seu povo: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; (...) Alegremo-nos e rejubilemos, porque o Senhor nos salvou» (Is 25,9).

É para este mesmo horizonte que temos de olhar, sentindo a verdade e a alegria desta presença de Deus na nossa vida e na vida do mundo, sabendo que Ele nos conduz como um pastor pelos caminhos do bem, defende-nos do mal e prepara-nos a mesa da vida e da felicidade (Cf. Sal 23).

Em todos os momentos da nossa vida, principalmente nos mais difíceis, temos de dizer como o salmista: «O Senhor é meu pastor: nada me falta» (Sal 23,1). Será que nos apercebemos disto? Será que temos plena consciência de que o Senhor é nosso Deus e que nada nos faltará?

S. Paulo estava bem convencido do amor de Cristo. Ele sabia que Deus jamais o desampararia. Por isso nos diz: «sei viver na pobreza e sei viver na abundância» (Fi! 4,12). E acrescenta: «Tudo posso n’Aquele que me conforta» (Fil 4,13).

 

3. «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10).

Jesus, por sua vez, chama-nos a viver na abundância: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10). E para mostrar que a vida eterna é repleta de felicidade e de plenitude, comparou o Reino dos Céus a um banquete nupcial.

A Eucaristia é o grande sinal desse banquete do Reino e é uma antecipação da festa que havemos de gozar eternamente no Céu. Por isso mesmo a Missa dominical não é um dever triste e pesado, mas deve ser vista como uma participação na festa de Deus e dos irmãos.

Com que espírito costumamos tomar parte na Eucaristia? É para nós uma honra, uma festa, ou mera obrigação que cumpro só para não pecar?

Reparemos que a importância e a alegria deste convite mede-se pela categoria da pessoa que nos convida, pois o seu convite implica fazer parte do círculo dos seus amigos. Já reparámos que quem nos convida é o próprio Deus?

A nós compete-nos dar uma resposta agradecida ao amor do Senhor. Infelizmente, muitas vezes recusamos o convite de Deus e por causa da cegueira dos nossos interesses mesquinhos, auto-excluímo-nos da festa de Deus.

Nesta Eucaristia, Jesus convida-nos a participar do banquete que nos preparou, comungando o Seu Corpo. Por quanto tempo mais continuaremos a recusar a participação na comunhão? De que estamos à espera para mudar a nossa vida e optarmos por viver em estado de graça?

Todos nós somos convidados a participar no banquete da Eucaristia. Mas é necessário que cada convidado corresponda ao convite e se prepare dignamente para tomar parte nele; é necessário vestir o traje nupcial, para que ninguém seja expulso.

Esta veste nupcial, de que nos fala a parábola de hoje, é símbolo da graça de Deus com que todos devem estar revestidos. Daí que participar no banquete do Reino pressupõe estar na graça de Deus.

 

4. O núcleo central da mensagem de Fátima

“Viver em graça” é também o núcleo central da mensagem de Fátima.

Recordámos há dias a aparição de 13 de outubro e o nosso pensamento voltou-se para a Cova da Iria. Nessa última aparição, a Virgem Maria disse quem era e para o que vinha. Passo a recordar as suas palavras: «Quero-te dizer que não ofendam mais a Deus que já está muito ofendido. Sou a Senhora do Rosário; continuem sempre a rezar o terço todos os dias».

Podemos, por isso, afirmar que a mensagem de Fátima faz um apelo ao Evangelho, pois não ofender mais a Deus pressupõe ouvir a Sua Palavra, aceitar o Seu convite, fazer a Sua vontade e, portanto, viver na graça de Deus. “Deixar de ofender a Deus” ou “estar livre do pecado” é a primeira e a maior obrigação de quem quiser viver a mensagem de Fátima e do Evangelho.

É exatamente isso que Nossa Senhora quer. Por isso mesmo ensinou-nos os meios para alcançar esse estado de graça: a oração e a penitência.

Efetivamente, Fátima, que é o Evangelho de Cristo pregado por Maria, convida-nos acima de tudo à oração. São impressionantes as palavras de Nossa Senhora na aparição de agosto: «Rezai, rezai muito e jazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e reze por elas».

Em particular, a Virgem Santíssima recomenda a oração diária do terço: «Quero que rezeis o terço todos os dias para obter a paz para o mundo...» (13 de julho de 1917).

Porque insistirá tanto Nossa Senhora na oração do terço? Porque ele encerra as duas orações mais belas: o Pai Nosso, a oração que o Senhor nos ensinou, e a Ave-Maria. Pelo terço meditamos também os mistérios da vida de Jesus, predispondo-nos a seguir os Seus passos.

Procuremos, pois, seguir os pedidos da Mãe do Céu que há de olhar por nós agora e na hora da nossa morte.

 

Fala o Santo Padre

 

«É assim que Deus se comporta: quando é rejeitado, em vez de se render, insiste e convida

a chamar todos aqueles que estão nas encruzilhadas, sem excluir ninguém.

Ninguém é excluído da casa de Deus.»

Com a narração da parábola do banquete nupcial, da página do Evangelho de hoje (cf. Mt 22, 1-14), Jesus delineia o desígnio de Deus para a humanidade. O rei que «preparou um banquete nupcial para o seu filho» (v. 2), é a imagem do Pai que preparou para toda a família humana uma maravilhosa festa de amor e comunhão ao redor do seu Filho unigénito. Duas vezes o rei envia os seus servos para chamar os convidados mas eles recusam-se, não querem ir ao banquete porque têm outras coisas em que pensar: campos e negócios. Muitas vezes também nós antepomos os nossos interesses e coisas materiais ao Senhor que nos chama - e nos chama para uma festa. Mas o rei da parábola não quer que o salão fique vazio, porque quer doar os tesouros do seu reino. Por isso diz aos servos: «Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes» (v. 9). É assim que Deus se comporta: quando é rejeitado, em vez de se render, insiste e convida a chamar todos aqueles que estão nas encruzilhadas, sem excluir ninguém. Ninguém é excluído da casa de Deus.

O termo original usado pelo evangelista Mateus refere-se aos limites das estradas, ou seja, aqueles pontos onde as ruas da cidade terminam e começam os caminhos que levam à zona rural, fora da cidade, onde a vida é precária. É a esta encruzilhada da humanidade que o rei da parábola envia os seus servos, na certeza de encontrar pessoas dispostas a sentar-se à mesa. Assim, o salão de banquetes está cheio de “excluídos”, aqueles que estão “fora”, aqueles que nunca tinham sido considerados dignos de participar numa festa, num banquete de núpcias. Pelo contrário: o senhor, o rei, diz aos mensageiros: “Convidai todos, bons e maus. Todos”! Deus chama até os maus. “Não, eu sou mau, fiz tantas...”. Ele chama: “Vem, vem, vem!”. E Jesus almoçava com os publicanos, que eram os pecadores públicos, os maus. Deus não tem medo da nossa alma ferida por tantas maldades, porque nos ama, nos convida. E a Igreja é chamada a ir às encruzilhadas de hoje, ou seja, às periferias geográficas e existenciais da humanidade, àqueles lugares marginais, àquelas situações em que as pessoas se encontram acampadas e vivem como farrapos de humanidade sem esperança. Não se trata de nos acomodarmos nas formas confortáveis e habituais de evangelização e de testemunho da caridade, mas de abrir as portas dos nossos corações e das nossas comunidades a todos, pois o Evangelho não é reservado a poucos eleitos. Até os marginalizados, os rejeitados e desprezados pela sociedade, são considerados por Deus dignos do seu amor. Ele prepara o seu banquete para todos: justos e pecadores, bons e maus, inteligentes e incultos. Ontem à noite, consegui fazer um telefonema a um sacerdote italiano idoso, missionário da juventude no Brasil, mas sempre a trabalhar com os excluídos, com os pobres. E ele vive essa velhice em paz: gastou a sua vida com os pobres. Esta é a nossa Igreja-Mãe, ele é o mensageiro de Deus que vai às encruzilhadas.

No entanto, o Senhor apresenta uma condição: usar o hábito nupcial. E voltemos à parábola. Quando o salão está cheio, o rei chega e cumprimenta os convidados da última hora, mas vê um deles sem o hábito nupcial, uma espécie de capa que cada convidado recebia de presente à entrada. As pessoas iam como estavam, como podiam vestir-se, sem hábito de festa. Mas à entrada era-lhes dada uma espécie de capa, um presente. Aquele convidado, ao recusar o presente, auto-excluiu-se: assim o rei mais não pode fazer do que mandá-lo embora. Este homem aceitou o convite, mas depois decidiu que para ele não significava nada: era uma pessoa auto-suficiente, não tinha desejo de mudar ou de deixar que o Senhor o mudasse. O hábito nupcial - esta capa - simboliza a misericórdia que Deus nos concede gratuitamente, ou seja, a graça. Sem a graça não se pode dar um passo em frente na vida cristã. Tudo é graça. Não basta aceitar o convite para seguir o Senhor, é necessário estar aberto a um caminho de conversão que mude o coração. O hábito da misericórdia, que Deus nos oferece incessantemente, é um dom gratuito do seu amor, é precisamente a graça. E requer ser recebido com maravilha e alegria: “Obrigado, Senhor, por me teres concedido este dom”.

Que Maria Santíssima nos ajude a imitar os servos da parábola evangélica para sairmos dos nossos esquemas e da nossa mente fechada, anunciando a todos que o Senhor nos convida para o seu banquete, para nos oferecer a graça que salva, para nos dar o seu dom.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 4 de outubro de 2020

 

Oração Universal

 

P.             Ao Deus do Universo, fonte de todos os bens,

apresentamos confiadamente as preces da sua Igreja, em banquete de festa, dizendo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pela Igreja: para que encontre servos disponíveis,

para levar o convite à humanidade inteira, a partilhar a única mesa da criação, oremos.

 

2. Pelos que governam os povos:

para que aprendam as lições da presente crise e procurem,

com humildade, as melhores soluções, oremos.

 

3. Para que, a partir da Eucaristia,

nasça no coração de todos os cristãos o propósito firme da partilha de bens

e da atenção aos mais pobres e últimos da sociedade, oremos.

 

4. Por todos nós que aqui e agora nos reunimos à volta do banquete da Eucaristia:

para que o façamos com verdadeiro sentido de alegria e de festa, oremos.

 

P. Senhor, que sempre proveis às nossas necessidades,

segundo a vossa riqueza, concedei-nos a abundância dos bens que vos imploramos.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai, cantai alegremente – M. Faria, NRMS, 30

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

No banquete da fraternidade têm lugar todos os filhos de Deus. Revestidos com a veste de Cristo no Batismo, somos servidos à mesa do Senhor. Seja depois Cristo a fazer-nos próximos e a fortalecer-nos os vínculos da nossa comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Os ricos empobrecem – C. Silva – OC, pg. 205

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

 

Ou

cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei eternamente – M. Luís, NRMS, 6 (I)

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Na alegria e na abundância do pão partido e repartido, ide em paz e que o Senhor vos acompanhe!

 

Cântico final: Dai graças ao Senhor – A. F. Santos, CNPL, 335

 

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª feira, 16-X: Jesus é sempre um sinal para nos guiar

Rom 1, 1-7 / Lc 11, 29-32

Tal como Jonas foi um sinal para os habitantes de Níniive, assim também o Filho do Homem o será para esta geração

Jonas conseguiu a conversão dos habitantes de uma cidade; Salomão era ouvido pela sabedoria (EV). Para nós, o sinal será sempre Jesus Cristo, ajudado para as nossas conversões: Nele encontraremos a sabedoria para todos os nossos problemas.

A Ele devemos a graça e a dignidade dos filhos de Deus (LT). Por isso, o nosso comportamento de filhos de Deus terá nEle o modelo perfeito, o Caminho a seguir, a Verdade que nos liberta, e a Vida autêntica. Agradeçamos a Nossa Senhora que, com o seu «fiat», nos abriu as portas da filiação divina.

 

3ª Feira, 17-X: O Evangelho, fonte de salvação

Rom 1, 16-25 /  Lc 11, 37-44

Eu não me envergonho do Evangelho, que ele é a força de Deus para a salvação de todo o crente.

O Evangelho deve ser a fonte de toda a nossa salvação. Mas infelizmente, podemos esquecer-nos de Deus, podemos não dar-lhe toda a glória, trocamos a verdade de Deus pelos nossos interesses, pela mentira, etc. (LT).

A Boa Nova, pregada por Cristo também nos pede que cuidemos muito o nosso interior (EV), para evitar que a nossa vida seja apenas «uma fachada», para que os nossos sentimentos sejam os de Jesus e para que as nossas obras sejam um reflexo dela. Para Nossa Senhora, toda a vida era orientada pela palavra de Deus: Faça-se em mim segundo a vossa Palavra.

 

4ª Feira, 18-X: S Lucas: O seu contributo.

2 Tim 4, 9-17 / Lc 10, 1-9

Escolhestes S. Lucas para revelar, com a sua palavra e com os seus escritos, o mistério do vosso amor pelos pobres.

S.Lucas transmitiu-nos, com a sua palavra e os seus escritos (Oração), os ensinamentos de Jesus (EV) e a vida da primitiva cristandade (Actos dos Apóstolos). Acompanhou S. Paulo nas suas viagens apostólicas, até à prisão de Roma (LT)

A ele devemos um melhor conhecimento da vida de Jesus, especialmente da sua infância, de algumas parábolas (o filho pródigo, o Bom samaritano...). Também nos transmitiu muitos pormenores da vida de Nossa Senhora, que contemplamos nos mistérios gozosos do Santo Rosário. Como aproveitamos todos estes relatos para a nossa vida?

 

5ª Feira, 19-X: A expiação dos nossos pecados.

Rom 3, 21-30 / Lc 11, 47-54

Deus apresentou-se como aquele que expia os pecados pelo sangue derramado e por meio da fé.

Todos pecámos e ficámos privados a glória de Deus. Mas Jesus expiou pelos pecados de todos, pelo Sangue derramado na Cruz (LT). Teremos que corresponder a esta entrega, expiando pelos nossos peados.

Procuremos imitar Jesus, vivendo a expiação pelos nossos pecados e também pelos dos outros, oferecendo pequenos sacrifícios e penitências por estas intenções.  Desagravemos mais os Corações de Jesus e de Maria, pelas muitas ofensas que diariamente se cometem. E participemos com mais amor nas Missas, oferecidas em expiação pelos pecados do mundo.

 

6ª Feira, 20-X: Deus não se esquece de ninguém.

Rom 4, 1-8 / Lc 12,1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um só deles está esquecido diante de Deus.

Deus não se esquece de nada nem de ninguém: estamos sempre diante dEle (EV). É um pai que se preocupa por todas as coisas dos filhos, mesmo as mais insignificantes: até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados (EV)..

Aos olhos de Deus seremos felizes se nos aproximarmos do sacramento da Confissão: felizes a quem foram perdoados os delitos (LT). E também se nos esforçarmos por evitar qualquer tipo de pecado: Feliz o homem a quem o Senhor não atribuir qualquer tipo de pecado. Rezemos: à Vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas.

 

Sábado, 21-X: Deus sabe o que é mais conveniente para cada um de nós.

Rom 4, 13-16.18 / Lc 12, 8-12

Contra toda a esperança humana, Abraão teve esperança e acreditou. Por isso, tornou-se pai de muitas nações.

Abraão não vacilou, apesar de ser muito idoso e sua mulher estéril, estava disposto a imolar o filho. Teve esperança e a promessa de Deus cumpriu-se (LT). O Senhor nunca esquece a sua Aliança.

O Senhor permite às vezes que sejamos atingidos pelo sofrimento. Se assim

acontecer, é porque haverá uma razão mais elevada que talvez não compreendemos. E também promete a assistência do Espírito Santo para a proclamação da Boa-Nova: O Espírito Santo ensinará na própria hora o que haveis de dizer (EV). Imitemos Nossa Senhora, que se entregou plenamente nas mãos de Deus: Faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

 

 

Celebração e Homilia:            Nuno Westwood

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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