Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

1ª Missa

2 de Novembro de 2023

 

As leituras escolhem-se entre as que se propõem para as Missas pelos defuntos (no Leccionário: Missas de Defuntos, vol. VIII). Sugerem-se os textos seguintes:

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Felizes os mortos, F. dos Santos, NRMS 19-20

cf. 1 Tess 4, 14; 1 Cor 15, 22

Antífona de entrada: Assim como Jesus morreu e ressuscitou, também aos que morrem em Jesus, Deus os levará com Ele à sua glória. Se em Adão todos morreram, em Cristo todos voltarão à vida.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

“Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá". (Jo 11,25)

Hoje é um dia de silêncio, de saudades, de esperança e de oração. Hoje visitamos o cemitério e rezamos pelos fiéis defuntos. Rezamos e levamos flores aos túmulos; com estes gestos piedosos revelamos a nossa devoção e a nossa fé na Ressurreição dos mortos. A Liturgia de hoje lembra-nos que a nossa fé se fundamenta na ressurreição de Jesus: “Creio na ressurreição dos mortos. Creio na vida eterna.”

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia, escutai benignamente as nossas orações, para que, ao confessarmos a fé na ressurreição do vosso Filho, se confirme em nós a esperança da ressurreição dos vossos servos. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Job sente Deus como o seu defensor, como alguém que está vivo: “Eu sei que o meu Redentor está vivo e, no último dia, na minha carne verei a Deus. Eu próprio O verei, os meus olhos O hão-de contemplar!”

 

Job 19,1.23-27a

 

1Job tomou a palavra e disse: 23«Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro, ou gravadas em bronze 24com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre! 25Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra. 26Revestido da minha pele, estarei de pé na minha carne verei a Deus. 27aEu próprio O verei, meus olhos O hão-de contemplar».

 

Este pequeno trecho, de irregular transmissão textual, é um dos mais citados pela tradição cristã; corresponde à resposta de Job às acusações dos seus amigos; é um hino de esperança e confiança em Deus no meio do seu atroz sofrimento, um hino que fica bem realçado, ao dizer: «palavras escritas… esculpidas em pedra para sempre».

25 «E no último dia Se levantará sobre a terra». Esta última reformulação da tradução litúrgica – que antes já tinha abandonado o texto latino da Vulgata para se cingir ao texto hebraico massorético – parece ter querido recuperar um sentido escatológico (o da ressurreição final), ao não referir o adjectivo «último» a Deus, mas sim a «dia» (substantivo que não aparece no hebraico, mas que S. Jerónimo subentendeu). No entanto, o verbo «Se levantará» (que S. Jerónimo traduziu na 1ª pessoa, referindo-o a Job) segue o texto hebraico.

26 «Na minha carne verei a Deus». O texto massorético tem o seguinte sentido: ainda nesta vida (com a minha carne já curada) hei-de sentir a protecção de Deus, o seu amor e bondade (é este o sentido corrente no A. T. de «ver a Deus»). A verdade é que a nova tradução litúrgica, baseada na pauta da Neovulgata, quis manter o sentido escatológico do texto, de acordo com o antigo uso do texto na Liturgia dos defuntos. De facto, quando o justo que sofre (Job), haverá de ver plenamente a Deus com a sua carne, será na Ressurreição (ainda que a doutrina da ressurreição não apareça no livro de Job e seja algo ao arrepio desta obra). A Vulgata de S. Jerónimo tinha uma tradução que hoje nenhum crítico segue: «Eu sei que o meu Redentor vive e que no último dia eu hei-de ressuscitar da terra e serei novamente revestido da minha pele e com a minha própria carne verei o meu Deus». A verdade, porém, é que estamos diante duma passagem que oferece bastantes dificuldades para a reconstituição do texto original e a Nova Vulgata optou por um texto aberto a um sentido escatológico, semelhante ao da tradução litúrgica que aqui temos.

 

Salmo Responsorial Sl 26 (27), 1.4.7 e 8b e 9a.13-14 (R. 1a ou 13)

 

Monição: Ao cantarmos este salmo, manifestamos a nossa confiança na bondade de Deus, que tem compaixão de nós e escuta as nossas súplicas. O Senhor é nosso protector. O Senhor é nossa luz e salvação. Desejamos contemplar a sua face.

 

Refrão:    Espero contemplar a bondade do Senhor

                 na terra dos vivos.

 

Ou:           O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é o protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:

habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,

para gozar da suavidade do Senhor

e visitar o seu santuário.

 

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,

tende compaixão de mim e atendei-me.

A vossa face, Senhor, eu procuro:

não escondais de mim o vosso rosto.

 

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte.

Tem coragem e confia no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo ensina-nos que «Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar. Por isso não desanimamos. Se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna.”

 

2 Coríntios 4,14-18 – 5,1

 

14Como sabemos, irmãos, Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. 15Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as acções de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. 16Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. 17Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. 18Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. 5, 1Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.

 

A leitura é duma grande riqueza doutrinal e projecta a luz da fé sobre o mistério da morte, um mistério a que ninguém pode fechar os olhos, sobretudo na comemoração do dia de hoje. A esperança da ressurreição e da glória do Céu, que animava o Apóstolo Paulo, é a mesma que nos anima a nós.

16 «Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia». A antítese «homem exterior» «homem interior» visa a oposta dualidade da antropologia teológica paulina, mais do que a dualidade da antropologia filosófica grega, embora sem prescindir dela. O homem exterior é o ser humano considerado na sua mortalidade, votado à ruína e decomposição física (cf. v. 7: um frágil «vaso de barro»), em contraste com o homem interior, que aqui, mais do que a imortalidade da filosofia grega (a athanasía: cf. 1Cor 15,53-54; 1Tim 6,16), parece indicar a vitalidade sobrenatural imperecível infundida no Baptismo, um princípio de santificação que possibilita que o homem regenerado se vá renovando de dia para dia, identificando-se cada vez mais com Cristo ressuscitado. A vida dos santos demonstra esta afirmação paulina: à medida que os seus corpos se vão consumindo por sofrimentos e penitências corporais, renova-se a sua juventude de alma, a sua alegria. A propósito destas noções, temos que reconhecer que Paulo não utiliza nos seus escritos um modelo antropológico único; com efeito, embora a sua formação seja radicalmente hebraica, ele, ao dirigir-se ao mundo helenístico, também se serve de categorias do pensamento filosófico grego corrente. Daqui provém, às vezes, alguma dificuldade de interpretação dos seus textos, cuja antropologia não se pode absolutizar.

5,1 «Tenda... morada terrestre...» Tenda (skênos), designa no mundo grego o corpo, como invólucro da alma, uma alusão ao carácter provisório da nossa morada terrestre, em contraposição com o corpo já ressuscitado e glorioso, à maneiro do de Cristo. Que Paulo admite uma escatologia individual e intermédia, distinta da ressurreição final, é uma coisa que fica bem clara neste mesmo capítulo 5 da 2ª aos Coríntios «preferimos exilar-nos do corpo para ir morar junto de Cristo» (cf. Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé em 17-5-79; ver texto em CL, ano C (1979-80), n.º 11/12, pp. 1698-1700).

 

Aclamação ao Evangelho   

 

Monição: Jesus Cristo exulta de alegria e louva Seu eterno Pai que revela os mistérios do reino aos humildes, aos pequeninos. Aceitemos o seu convite: “Vinde a mim e encontrareis descanso para as vossas almas.”

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 11,25-30

 

25Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. 30Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

 

A leitura é uma das mais belas orações de Jesus que aparecem nos Evangelhos, um hino de louvor e de acção de graças, que também aparece em Lc 10,21-24.

25-27 «Sábios e inteligentes» (prudentes) são os sábios orgulhosos, que confiam apenas na sua sabedoria; autossuficientes, julgam poder salvar-se com os seus próprios recursos de inteligência e poder. Os «pequeninos» são os humildes, abertos à fé, capazes de visão sobrenatural. A revelação divina só pode ser aceite e captada pela fé. Uma ciência soberba impede de aceitar a loucura divina da Cruz (cf. 1Cor 1,19-31). Jesus reivindica para Si um conhecimento do Pai (Deus) perfeitamente idêntico ao conhecimento que o Pai tem do Filho (Jesus), e isto porque Ele, e só Ele, é o Filho, igual ao Pai, Deus com o Pai.

28-30 Palavras estas maravilhosas, que nos patenteiam os sentimentos do Coração de Cristo. O povo andava «cansado e oprimido» com as minuciosas exigências da lei antiga e das tradições que os fariseus e doutores da lei impunham com todo o rigorismo do seu frio e insuportável legalismo que oprimia a liberdade interior e roubava a paz ao coração. Jesus não nos dispensa de levar o seu «jugo» e a sua «carga», mas não quer que nos oprima, pois quer que O sigamos por amor, e «para quem ama é suave; pesado, só para quem não ama» (Santo Agostinho, Sermão 30, 10). O mesmo Santo Agostinho comenta esta passagem: «qualquer outra carga te oprime e te incomoda, mas a carga de Cristo alivia-te do peso. Qualquer outra carga tem peso, mas a de Cristo tem asas. Se a uma ave lhe tirares as asas, parece que a alivias do peso, mas, quanto mais lhas tirares, mais esta pesa; restitui-lhe o peso das suas asas, e verás como voa» (Sermão 126, 12).

 

(N. B. — Há outras possibilidades de leituras para a 2ª e a 3ª Missa)

 

Sugestões para a homilia

 

Os Fiéis defuntos

Ontem, celebrámos a glória e a felicidade de todos os Santos. Hoje, a Igreja dedica este dia à oração de sufrágio pelos irmãos que adormeceram na esperança da ressurreição. Hoje recordamos a fé na comunhão de todos os crentes em Cristo. Desde o início do século XI, a Igreja consagra o dia dois de Novembro à Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. É uma continuação lógica da festa de Todos os Santos. Se nos limitássemos a lembrar os nossos irmãos santos, a comunhão de todos os crentes em Cristo não seria perfeita. Acreditamos que tanto os fiéis que vivem na glória, como os que vivem na purificação, preparando-se para a visão de Deus, são todos membros do Corpo místico de Cristo, pelo Baptismo. Por isso, a Igreja peregrina na terra, ao celebrar a Igreja da glória, não podia esquecer a Igreja que se purifica no Purgatório.[1] O dia de Todos os Fiéis Defuntos convida-nos a uma mais íntima e profunda comunhão com aqueles que partiram antes de nós, marcados pelo sinal da fé e agora dormem o sono da paz. É dia de oração, de sacrifício e de saudosa recordação. Por este motivo, o dia de Fiéis Defuntos suscitou, desde sempre, um profundo eco no Povo de Deus.[2] “A fé dá-nos a possibilidade de uma comunicação com os nossos queridos irmãos defuntos e dá-nos a esperança de que já possuem a verdadeira vida.” (GS18,2)

 O Catecismo da Igreja Católica afirma que nós podemos ajudar os nossos Irmãos Fiéis Defuntos: “Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja recomenda a esmola, as indulgências e as boas obras em favor dos defuntos.” (1031-1032)

Hoje somos convidados a reflectir na brevidade da vida presente. A vida é breve e o cenário do tempo presente é passageiro como nos ensina São Paulo.

 Ao lembramos os nossos irmãos fiéis defuntos, cumprimos um dever de reconhecimento em favor de quem nos deixou o dom da vida, da fé, da amizade. Recordar os nossos familiares e amigos que partiram deste exílio é também celebrar a sua sobrevivência e a sua imortalidade na Pátria definitiva, a casa do nosso Pai celeste. “Pela fé em Jesus Cristo podemos chegar aos nossos mortos, que vivem em Deus. Acreditamos que é um santo e piedoso pensamento. Como é consolador: do passado, o nosso olhar dirige-se para o futuro, para a aurora do regresso de Jesus Cristo.” (Cf. Papa Beato Paulo VI)

 “Acreditamos em Jesus que morreu e ressuscitou; do mesmo modo, acreditamos que Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. Eis o que temos para vos dizer: nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. Ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares e assim estaremos sempre com o Senhor. Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” (1 Tes 4,13-18)

 

 

Oração Universal

 

Irmãos: Unidos na mesma fé,

roguemos a Jesus Cristo pelos nossos irmãos defuntos,

pela Igreja, pela paz no mundo e pela nossa salvação,

dizendo, com esperança:

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Para que a Igreja, Mãe e Mestra da verdade,

cuide sempre dos seus filhos neste mundo

e interceda por aqueles que já partiram, oremos.

 

2. Para que os nossos familiares defuntos

e todos aqueles de quem já ninguém se lembra

possam contemplar o rosto de Cristo glorioso, oremos.

 

3. Para que todas as famílias que estão tristes

recordem os seus defuntos com amor,

e com esperança orem por eles ao Pai do Céu, oremos.

 

4. Para que todos os fiéis de Jesus Cristo

recebam d’Ele o sentido cristão da vida

e se empenhem por viver como Ele mandou, oremos.

 

5. Para que o Senhor, que é clemente e compassivo,

livre todos os seus fiéis defuntos

do poder das trevas e da morte eterna, oremos.

 

Senhor Jesus Cristo que dissestes:

“Todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá, mas há-de viver”,

dignai-Vos despertar a nossa esperança,

para que possamos saborear na terra

a glória a que nos chamais no Céu.

Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso – A. Oliveira, NRMS, 42

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai com bondade, Senhor, as nossas ofertas e fazei que os vossos fiéis defuntos sejam recebidos na glória do vosso Filho, a quem nos unimos neste sacramento de amor. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Monição da Comunhão

 

A Palavra de Jesus dilata a nossa confiança no Amor misericordioso de Deus:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” João, 6, 54

Podemos oferecer a nossa comunhão pelos nossos irmãos defuntos, pedindo: “dai-lhes, Senhor o descanso eterno, entre os esplendores da luz perpétua. Que as suas almas descansem em paz. Amem.”

 

Cântico da Comunhão: Eu sou a ressurreição e a vida – M. Faria, NRMS, 19-20 Deus nos visitou – M. Simões, NRMS, 2 (I)

 

Jo 11, 25-26

Antífona da comunhão: Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor. Quem crê em Mim, ainda que tenha morrido, viverá. Quem vive e crê em Mim viverá para sempre.

 

Cântico de Acção de Graças: Deus nos visitou – M. Simões, NRMS, 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que os vossos servos defuntos por quem celebrámos o mistério pascal sejam conduzidos à vossa morada de luz e de paz. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Os puros de coração verão a Deus” (São Mateus 5,8)

 Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que o fogo do Amor divino é mais purificador do que o fogo do Purgatório. E São João da Cruz ensina que no entardecer da vida seremos julgados sobre o amor. Ao descrever o décimo degrau da escada pela qual a alma sobe até Deus, diz que Deus leva consigo, antes do tempo, as almas daqueles que Ele muito ama. Estes, que são poucos, porque já estão purificados pelo amor, não entram no Purgatório! (São João da Cruz, Noite escura, livro II, cap. XX, nº 5)

O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos!” (1030)

 

Cântico final: Eu sei que o meu redentor vive – M. Faria, NRMS, 19-20

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            José Roque

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 

 

2ª Missa

2 de Novembro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós Te rogamos Senhor, M. Luis, NRMS 19-20

cf. Esdr 2, 34-35

Antífona de entrada: Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, nos esplendores da luz perpétua.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste mês de novembro, passam as rajadas de vento e as folhas desprendem das árvores, caindo por terra.

São uma imagem da nossa vida. Um dia será a nossa vez de nos desprendermos desta vida, para irmos ao encontro de Deus.

Espera-nos o juízo – uma avaliação da nossa vida na terra – e, possivelmente algum tempo de purificação no Purgatório, antes de entrar no Céu.

A Igreja recorda-nos hoje esta verdade de fé, para nos mover à solidariedade com os que já partiram ao encontro de Deus e são purificados.

 

Acto penitencial

 

Temos vividos alheados da realidade da nossa vida, como se não tivéssemos de prestar contas a ninguém.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor deste nosso comportamento e peçamos a Sua ajuda para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C do Ordinário da Missa)

 

•   Senhor Jesus: Evitamos olhar a nossa vida com coragem, frente a crente,

     porque temos receio de, como consequência, mudar as nossas preferências.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

•  Cristo: Fazemos planos para vida como se permanecêssemos neste mundo,

     e não procuramos preparar convenientemente a nossa eternidade feliz no Céu.

     Cristo, misericórdia.

 

     Cristo, misericórdia.

 

•   Senhor Jesus: Na vida com as pessoas, em família, no trabalho e no lazer,

     abstemo-nos de abordar estes temas, por temor de sermos inconvenientes,

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos salvastes pela morte e ressurreição do vosso Filho, acolhei com bondade os vossos fiéis defuntos, de modo que, tendo eles acreditado no mistério da ressurreição, mereçam alcançar as alegrias da bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Judas Macabeu, chefe do exército de Israel que defendia a integridade da fé, mandou fazer uma coleta entre os soldados e enviou-a a Jerusalém para sufragar os que tinham morrido na batalha.

Com este gesto de misericórdia, manifestou a sua fé na necessidade de purificação no purgatório, depois desta vida.

 

2 Macabeus 12,43-46

Naqueles dias, 43Judas Macabeu fez uma colecta entre os seus homens de cerca de duas mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício de expiação pelos pecados dos que tinham morrido, praticando assim uma acção muito digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição. 44Porque, se ele não esperasse que os que tinham morrido haviam de ressuscitar, teria sido em vão e supérfluo orar pelos mortos. 45Além disso, pensava na magnífica recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente. Era um santo e piedoso pensamento. Por isso é que ele mandou oferecer um sacrifício de expiação pelos mortos, para que fossem libertos do seu pecado.

 

Judas Macabeu é o grande herói tanto do 1º como do 2º livro dos Macabeus; seguiu o seu pai Matatias na resistência contra a helenização pagã do povo de Israel, tendo chegado, em 165 aC, a conseguir a purificação do templo e a restauração do culto (cf. 1Mac 4,36-59; 2Mac 10,1-9). O seu título de Macabeu significa martelo ou malho, título que lhe veio da impugnação do paganismo imposto pelo soberano sírio, e das derrotas infligidas aos opressores do povo judeu (sírios e egípcios). A leitura fala duma colecta de 2.000 dracmas de prata (não 12.000 como aparecia na Vulgata, um texto que a Nova Vulgata corrige, de acordo com os melhores manuscritos). A moeda grega pesava cerca de 4 gramas de prata; tratava-se, pois, de cerca de oito quilos de prata.

46 «Um santo e piedoso pensamento». O sacrifício que Judas manda oferecer revela a fé numa vida além-túmulo. Com efeito, a aprovação formal do hagiógrafo deixa-nos ver como a oração pelos defuntos que têm faltas a expiar – aqueles soldados mortos no campo de batalha conservavam despojos que tinham sido ofertas aos ídolos, o que era proibido pela Lei – é uma coisa que lhes aproveita. Daqui se deduz a existência do Purgatório, uma fase de expiação de pecados que não impedem a salvação eterna, mas, de alguma maneira, a atrasam (falando em linguagem humana de uma realidade transcendente). É sobretudo a Tradição, a vida e o Magistério da Igreja que esclarecem esta doutrina revelada por Deus.

 

Salmo Responsorial Sl 102 (103), 8 e 10.13-14.15-16.17-18 (R. 8a ou Sl 36 (37), 39a)

 

Monição: O salmista convida-nos a elevar ao Senhor uma oração cheia de confiança, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade.

Temos a certeza da fé que, assim como um pai se compadece dos seus filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

 

Refrão:    O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Ou:           A salvação dos justos vem do Senhor.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Não nos tratou segundo os nossos pecados,

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como um pai se compadece dos seus filhos,

assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

Ele sabe de que somos formados

e não Se esquece que somos pó da terra.

 

Os dias do homem são como o feno:

ele desabrocha como a flor do campo

mal sopra o vento desaparece

e não mais se conhece o seu lugar.

 

A bondade do Senhor permanece eternamente sobre aqueles que O temem

e a sua justiça sobre os filhos dos seus filhos,

sobre aqueles que guardam a sua aliança

e se lembram de cumprir os seus preceitos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Segunda Carta aos fiéis da Igreja de Corinto, anima-os a viver a esperança na vida eterna.

 

2 Coríntios 5, 1.6-10

1Nós sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens. 6Por isso, estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, 7pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. 8E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. 9Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. 10Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido enquanto esteve no corpo, quer o bem quer o mal.

 

 

Aclamação ao Evangelho    Jo 11, 25a.26

 

Monição: A morte repugna à nossa natureza humana, porque fomos criados para a vida na terra e no Céu.

Jesus, no evangelho, ilumina as nossas trevas com a luz da fé: Quem acredita em Mim não morrerá para sempre.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor.

Quem acredita em Mim nunca morrerá.

 

 

Evangelho

 

João 11, 21-27

21Naquele tempo, Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». 23Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». 24Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia». 25Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; 26e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?» 27Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo».

 

25-26 São dois versículos paralelos, mas com distinto matiz: Jesus é a «Ressurreição», porque leva os crentes à ressurreição final (v. 25: «viverá») prefigurada na de Lázaro (que ainda não é a ressurreição gloriosa); e é a «Vida», porque dá aos crentes a vida espiritual (sobrenatural), uma vida que não morre (v. 26). Entendido assim o texto, teríamos aqui a síntese da escatologia já presente (tão típica de S. João) e da escatologia do fim dos tempos, compenetrando-se de forma harmoniosa e coerente.

 

Sugestões para a homilia

 

• Sufragar as almas, obra de piedade

• Jesus Cristo, nossa consolação

 

1. Sufragar as almas, obra de piedade

 

Judas Macabeu travou uma dura batalha contra as tropas de Antíoco, rei da Síria, em defesa da fidelidade de Israel ao Deus único e verdadeiro. O grande cabo de guerra ficou angustiado, porque morreram muitos israelitas? Como poderia Deus ter permitido aquilo, se lutavam para defender a fé verdadeira?

No dia seguinte foi visitar o campo de batalha para dar sepultura aos mortos e encontrou a resposta: os soldados tinham levado escondidos na roupa pequenos ídolos de deuses pagãos, para implorar a proteção.

Não teriam pecado gravemente, porque fizeram-no por ignorância, mas precisavam de sufrágios. Fez então uma coleta entre todos e mandou oferecer um sacrifício em Jerusalém.

Os pequeninos ídolos que levamos connosco para as batalhas da vida podem fazer-nos precisar de sufrágios: o amor próprio e o culto da personalidade; a gula e outras faltas de mortificação; a dificuldade em perdoar e a murmuração...

Quando chegarmos ao termo da nossa vida na terra, mesmo recebendo a graça de morrermos na amizade de Deus, é possível que nos apresentemos com manchas que precisam de purificação, antes de entrar no Céu.

A festa do Paraíso é para sempre e nós mesmos não quereríamos entrar lá cheio de manchas.

 Compreendemos que o Purgatório é necessário. É o estado de Purificação depois desta vida.

Judas Macabeu, iluminado pelo Espírito Santo, apressou-se a sufragar os soldados que tinham morrido em combate e reuniu, para isso, o contributo solidário dos seus companheiros de guerra.

Os sufrágios pelas almas. «Naqueles dias, Judas Macabeu fez uma colecta entre os seus homens de cerca de duas mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém

As almas do purgatório não podem adquirir novos merecimentos e, portanto, abreviar com eles os sofrimentos do Purgatório.

Como, porém, pertencemos ao mesmo Corpo Místico que elas, podemos ajudá-las com os nossos sufrágios, fazendo obras meritórias em seu favor.

Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos:

«Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício do seu pai (Cf. Job 1, 5) por que duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? [...] Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações» (São João Crisóstomo, In epistulam I ad Corinthios homilia 41, 5: PG 61, 36). (CIC 1032).

Ao falar do Purgatório, devemos evitar ficarmos num sentimentalismo estéril. A lembrança do Purgatório há de levar-nos a duas atitudes: emendar a nossa vida, evitando aumentar, sem necessidade, o nosso cativeiro, depois da morte; praticar a solidariedade, oferecendo sufrágios pelas almas que ali estão a ser purificadas.

O que podemos oferecer. «para que se oferecesse um sacrifício de expiação pelos pecados dos que tinham morrido, praticando assim uma acção muito digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição

Judas ofereceu pelos seus companheiros de guerra um sacrifício no Templo de Jerusalém.

Nós podemos oferecer a Santa Missa em que participamos fazendo-as participar do fruto de cada uma.

A nossa vida está cheia de sacrifícios que nos esquecemos a aproveitar; levantar todos os dias, cuidar do arranjo pessoal, o trabalho profissional e as dificuldades comuns da vida; pequenas ou grandes perturbações de saúde...

Avivemos a esperança. «Porque, se ele não esperasse que os que tinham morrido haviam de ressuscitar, teria sido em vão e supérfluo orar pelos mortos. Além disso, pensava na magnífica recompensa que está reservada áqueles que morrem piedosamente

A devoção às almas do Purgatório há-de levar-nos também à emenda de vida, preparando uma eternidade feliz.

Em pleno Antigo testamento, Judas Macabeu e os seus companheiros acreditavam na ressurreição dos mortos, no purgatório, e procuravam orientar a sua vida para o Céu. Por servir-nos de modelo, neste mês das almas.

Não coloquemos todas as esperanças apenas nesta vida. Muitas vezes, a esperança usa-se sem qualquer sentido. Porque não se refere à esperança da vida eterna.

 

2. Jesus Cristo, nossa consolação

 

Jesus, avisado da morte do Seu amigo Lázaro, irmão de Marta e de Maria, dirige-se imediatamente a Betânia, para confortar as duas irmãs e ressuscitar o amigo.

Situa-se neste contexto o formosíssimo diálogo do Evangelho de hoje.

Procuremos refúgio na oração. «Naquele tempo, disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas eu sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Ele To concederá”.»

É verdade que a morte de uma pessoa de família ou amiga nos causa muito sofrimento. Mas também é verdade que, às vezes, nos portamos como quem não possui fé e esperança. Reagimos como se fosse a morte daquela pessoa fosse uma separação para sempre.

Deve ajudar-nos o exemplo de Marta e de Maria, que desabafam com Jesus a dor da morte do irmão.

Experimentemos recolhermo-nos diante do Sacrário ou no silêncio do nosso quarto, para falarmos a sós com Deus. Veremos como saímos confortados deste encontro com o Senhor, como aconteceu ás duas irmãs de Lázaro.

É possível que não paremos de chorar a morte da pessoa amiga, mas sentiremos uma grande paz e um momento para estreitarmos a nossa intimidade com Deus.

A esperança na ressurreição final. «Disse-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. Marta respondeu: “Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia”

Jesus referia-Se ao milagre que estava para operar, ressuscitando para a vida mortal o seu amigo, como fizera ao filho da viúva de Naím.

Mas, como referência à ressurreição final, diz o mesmo a cada um de nós, quando nos morre alguém.

O nosso corpo, vai-se debilitando e perdendo capacidades, até que a morte vem pôr termo à nossa caminhada na terra.

Depois da morte, é restituído à terra, voltando ao barro de que foi formado.

Mas é uma verdade de fé que, no fim do mundo, o mesmo corpo que, substancialmente, foi entregue à terra, há-de ressuscitar.

Não se levantará do pó para retomar uma vida igual à anterior, mas, se a alma está salva, o corpo será revestido com os dotes do corpo glorioso, à imitação de Cristo na manhã do Domingo de Páscoa.

A alma e o corpo, novamente unidos substancialmente, como uma só pessoa, entrarão na glória.

Custa-nos entregar à terra os corpos dos que amamos, para serem consumidos por ela. Mas a fé vem ao nosso encontro para nos encher de certezas que nos confortam. 

Jesus Cristo, nossa vida e ressurreição. «Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim não morrerá para sempre.”»

Jesus Cristo veio ao mundo para nos restituir a vida da graça que o pecado nos tinha roubado, ensinar-nos a viver como bons filhos de Deus, caminhando para o Céu e enxugar as nossas lágrimas com conforto da fé.

Merecem-nos muita compaixão as pessoas que não têm fé porque, diante dum problema que surge, não têm a que se agarrar. Olham para a vida como uma pessoa que não sabe ler olha para um livro.

Jesus Cristo é a Vida e comunica-no-la pelos Sacramentos, especialmente pela Confissão Sacramental e pela Comunhão.

O Purgatório, obra do amor de Deus. Todas as mães, porque amam os seus filhos, desejam vê-los asseados e limpos, de modo que quando o filho pequeno se mancha, correm a limpá-los, mudando-lhes a roupa e dando-lhes banho.

Deus ama-nos tanto que nos quer ver com a maior beleza possível. Por isso nos deu esta possibilidade admirável de nos podermos purificar das manchas que levamos desta vida, antes de entrarmos no Céu.

A este espaço de purificação, depois, da morte, chamamos Purgatório.

«Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.» (Catecismo da Igreja Católica, n.º 1030).

A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório sobretudo nos concílios de Florença (Cf. Conc. de Florença, Decr. pro Graecis: DS 1304) e de Trento (Cf. Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de purgatorio: DS 1820: Sess. 6ª. Decr. de iustificatione, canon 30: DS 1580). A Tradição da Igreja, referindo-se a certos textos da Escritura (Por exemplo, 1 Cor 3, 15: 1 Pe 1, 7) fala dum fogo purificador:

Não se pode falar propriamente de um castigo imposto por Deus, mas de uma necessidade, uma vez que a vida não acaba com a morte, mas continua por toda a eternidade.

Os que morrem na graça e amizade de Deus estão salvos para sempre. As almas do Purgatório são amigas de Deus.

Devem entrar numa festa que não tem fim, mas é preciso cuidar do seu arranjo pessoal: retirar as manchas dos pecados mortais confessados, mas de que não se fez penitência, dos pecados veniais, das faltas de generosidade, da soberba. Deus possibilita misericordiosamente esta purificação.

«Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do julgamento, um fogo purificador, conforme afirma Aquele que é a verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir» (São Gregório Magno, Dialogi 4, 41, 3: SC 265, 148 (4, 39: PL 77, 396). (CIC, n.º 1031).

As almas do Purgatório não podem merecer para si – o tempo de merecer acaba com a morte – mas nós podemos interceder por elas.

Durante a purificação, as almas não deixam de ser filhas de Nossa Senhora e, portanto, objeto do seu carinho.

Ao rezar o nosso terço, imploremos a sua ajuda para os nossos irmãos e irmãs que estão a ser purificados.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Unidos na mesma fé e na comunhão da mesma Esperança,

roguemos a Jesus Cristo pelos nossos irmãos defuntos,

pela Igreja, pela paz no mundo e pela nossa salvação.

Oremos (cantando), com esperança:

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Para que a Igreja, Mãe e Mestra da verdade, sinal e instrumento de Salvação,

     cuide sempre dos seus filhos neste mundo e interceda pelos que já partiram,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

2. Para que os nossos familiares defuntos e aqueles de quem ninguém se lembra

     possam contemplar o rosto de Cristo glorioso, quanto antes, com a nossa ajuda,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

3. Para que todas as famílias que estão tristes por causa dos que o Senhor chamou

     os recordem com carinho e, com esperança, orem sempre por eles ao Pai do Céu,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

4. Para que todos os fiéis de Jesus Cristo recebam d’Ele o sentido cristão da vida

  e se empenhem por viver como Ele mandou, cumprindo os Mandamentos,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

5. Para que o Senhor, que é clemente e compassivo e misericordioso para connosco,

     livre todos os seus fiéis defuntos do poder do Inimigo das trevas e da morte eterna,

  oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

6. Para que os membros da nossa comunidade aqui reunidos a celebrar a Santa Missa 

     possam contemplar no Céu, com alegria, o rosto de Cristo ressuscitado e de Maria,

  oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

Senhor Jesus Cristo que dissestes:

“Todo aquele que vive e crê em Mim

não morrerá mas há-de viver”,

dignai-Vos despertar a nossa esperança,

para que possamos saborear na terra

a glória a que nos chamais no Céu.

Vós que viveis e reinais

por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Ma mesa da Palavra, o Senhor revelou-nos o segredo da verdadeira imortalidade, para além das trevas da morte e do pecado.

Ma Mesa da Eucaristia que Ele mesmo prepara agora, pelo ministério do sacerdote, oferece-nos o Alimento divino que nos dará a imortalidade feliz.

 

Cântico do ofertório: A hóstia branca do nosso altar, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Deus de bondade infinita, que purificastes na água do Baptismo os vossos servos defuntos, purificai-os também agora no Sangue de Cristo, por este sacrifício de reconciliação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Saudação da Paz

 

A morte de cada um de nós aparece na nossa imaginação como um inimigo que nos rouba a verdadeira paz.

Jesus Cristo é a nossa paz, porque nos dá a imortalidade, feliz, se nos quisermos deixar conduzir por Ele.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

 

Monição da Comunhão

 

Na Sagrada Comunhão deste dia da Comemoração de todos os fiéis defuntos, lembramos aqueles que, durante algum tempo, permanecem separados de nós.

Digamos ao Senhor, como Marta, depois da morte do seu irmão Lázaro: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão vivo, C. Silva, NMRS 36

cf. Esdr 2, 35.34

Antífona da comunhão:

V. Brilhe para eles a luz perpétua.

R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor.

V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, nos esplendores da luz perpétua.

R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor.

 

 

Oração depois da comunhão: Ao recebermos o sacramento do vosso Filho, que por nós foi imolado e ressuscitou glorioso, humildemente Vos suplicamos, Senhor, pelos vossos fiéis defuntos, para que, purificados pelo mistério pascal, alcancem a glória da ressurreição futura. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que vamos fazer durante este mês de novembro, para sufragar os nossos irmãos que partiram?

 

Cântico final: Jerusalém do alto, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 

 

3ª Missa

2 de Novembro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Rom 8, 11

Antífona de entrada: Deus, que ressuscitou Jesus de entre os mortos, também dará a vida aos nossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em nós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Comemoramos a memória de todos os fiéis defuntos. Antes de entrar no Céu, muitas almas têm necessidade de passar por uma purificação – purgatório significa espaço de purificação – antes de entrar no Céu, embora tenham já a certeza da sua salvação.

A Igreja é uma família solidária, uma comunhão de santos e, portanto, nós podemos ajudá-las e sermos ajudados por elas.

É esta a proposta que o Senhor nos faz neste dia, convida-nos substituir as normas lágrimas – muitas vezes sentimentais e estéreis – por sufrágios que ajudem as almas do purgatório a abreviar o seu cativeiro.

 

Acto penitencial

 

Peçamos humildemente perdão ao Senhor no nosso esquecimento cruel, depois de, na hora da partida, termos feito tantas promessas.

Imploremos a ajuda do Altíssimo para, a partir de agora, emendarmos a nossa conduta em relação aos familiares, amigos e conhecidos que partiram ao encontro do Senhor.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A do Ordinário da Missa)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

 

Oração colecta: Senhor, que pela vitória do vosso Filho sobre a morte, O exaltastes no reino da glória, concedei aos nossos irmãos defuntos que, libertos desta vida mortal, possam contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Redentor. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia a vinda do Messias esperado sob a figura de um grande banquete que Deus vai oferecer a toda a humanidade.

Este banquete consiste na vida eterna no Céu e é prefigurado e preparado, nesta vida, pelo Banquete da Santíssima Eucaristia.

 

Isaías 25, 6-10a

6Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. 7Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; 8destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. 9Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. 10aA mão do Senhor pousará sobre este monte».

 

O texto é extraído do chamado Grande Apocalipse de Isaías (Is 24 – 27), uma colecção de oráculos escatológicos, cuja redacção actual é posterior ao exílio de Babilónia (Is 34 – 35 é o Pequeno Apocalipse). Isaías anuncia a salvação messiânica como extensiva a todos os povos e sob a imagem dum esplêndido banquete. Esta é a razão da escolha do texto, para introduzir a parábola do banquete nupcial do Evangelho de hoje. A tradição cristã viu nesta passagem a prefiguração do banquete eucarístico, as Bodas do Cordeiro (Apoc 19,9).

10 «A mão do Senhor». Não é um simples antropomorfismo, mas uma expressiva imagem para indicar a bênção e a protecção de Deus.

 

 

Salmo Responsorial Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1 ou 4a)

 

Monição: Depois de acolhermos as promessas que o Senhor nos faz, por meio do profeta Isaías, o Espírito Santo move-nos a elevar ao Senhor um salmo de louvor e confiança em deus.

Fazemos oração recitando-o nas horas difíceis da vida, como manifestação da nossa confiança inabalável no Pai do Céu.

 

Refrão:    O Senhor é meu pastor:

                 nada me faltará.

 

Ou:           Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

                 nada temo, porque Vós estais comigo.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários

com óleo me perfumais a cabeça,

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: Tinha-se difundido na Igreja de Tessalónica o boato de que um mundo estava para acabar e o juízo final, muito próximo, ao ponto de alguns deixarem de trabalhar.

S. Paulo nesta primeira Carta à Igreja de Tessalónica, proclama a fé na ressurreição final, mas acalma os ânimos e pede-lhes: Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

1 Tessalonicenses 4,13-18

13Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. 14Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. 15Eis o que temos para vos dizer, segundo a palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. 16Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

Os cristãos de Tessalónica, tinham sido evangelizados pouco antes, na segunda viagem missionária de S. Paulo, provavelmente durante o Inverno de 50-51. Embora o Apóstolo não tenha podido permanecer ali por muito tempo (talvez apenas uns dois ou três meses) tornaram-se uma comunidade modelar (cf. 1Tes 1,7), mas a verdade é que não estavam devidamente esclarecidos acerca da sorte dos seus defuntos surpreendidos pela morte antes da vinda gloriosa de Jesus. Julgavam que eles já não poderiam tomar parte no triunfo glorioso da segunda vinda do Senhor (a parusia), que julgavam estar para breve; era esta mais uma forte razão para andarem preocupados e tristes, segundo as notícias que Timóteo, enviado desde Atenas, lhe tinha trazido a Corinto (cf. 1Tes 3,1-2.6). 

13 S. Paulo, consciente das «deficiências da fé» dos tessalonicenses (cf. 3,10), trata agora de os esclarecer na fé e de os consolar, escrevendo: «para vos não contristardes» (v. 13).  Garante-lhes que «Deus levará com Jesus os que tiverem morrido n’Ele» (v. 14), não estando excluídos de estar «para sempre com o Senhor» (v. 17). O Apóstolo apela para «uma palavra do Senhor», mas discute-se sobre qual a palavra a que se refere; uns pensam no discurso escatológico dos Sinópticos, outros numa revelação pessoal, outros nalguma palavra de Jesus das não consignadas nos Evangelhos (ágrapha).

15 «Nós os vivos, os que ficarmos». Pelo que sabemos doutros textos paulinos, S. Paulo não estava convencido de que havia de ficar para a parusia (cf. 1Cor 15,30-31; 2Cor 1, 8-9; 4,14; Filp 2,17); quando muito, manifestaria uma vaga esperança de vir a ficar (BJ). O mais provável é que exprima na primeira pessoa do plural o que só dizia respeito a uma parte dos cristãos, sem se incluir nessa parte: é uma ficção literária a que os gramáticos dão o nome de enálage pessoal, e que S. Paulo usa mais vezes. «Não precederemos...», isto é, os que viverem na ocasião da 2.ª vinda de Jesus não levarão vantagem aos que já morreram, pois então estes, «os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» e os que então estiverem vivos, «os que tivermos ficado seremos arrebatados», na linguagem mais clara de 1Cor 15,51-53, «serão transformados», isto é, glorificados.

16 A linguagem com que S. Paulo se exprime é simbólica, por isso não se deve tomar à letra; era corrente na literatura apocalíptica judaica, utilizada para exprimir uma realidade misteriosa e transcendente, uma intervenção certa e portentosa de Deus; assim é o caso de: «a voz do arcanjo», «a trombeta divina», «as nuvens e o Senhor nos ares (cfr. Dan 7,13). Por outro lado, S. Paulo utiliza a mesma linguagem do mundo helenístico para as visitas festivas, a vinda duma personagem importante, chamada parousia, a que correspondia a jubilosa saída dos cidadãos ao seu encontro, chamada anástasis. Assim pensa L. Cerfaux, Le Christ dans la théologie de Saint Paul, Paris, Cerf, 1954, pp. 29-34. Por outro lado, J. Dupont pensa antes na analogia Ex 19,17 – o encontro do povo com Yahwéh –, mas o termo grego usado pelos LXX é outro. Ora sucede que nesta passagem paulina ocorrem ao mesmo tempo os dois vocábulos; «para irmos ao encontro do Senhor» diz-se: eis anástasin tou Kyríou.

17 O importante é que todos, tanto os que vivem como os que morreram, «estaremos sempre com o Senhor»; esta é a certeza da fé capaz de consolar aqueles fiéis e a nós também.

 

 

Aclamação ao Evangelho    Jo 6, 51

 

Monição: A Comunhão do Corpo e Sangue do Senhor é garantia da nossa ressurreição final, porque alimenta em nós a vida da graça.

Alegremo-nos com esta promessa que o Evangelho da Salvação vai proclamar para todos nós.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu

quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 51-58

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 51«Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne pela vida do mundo». 52Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». 53Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. 55A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. 56Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim, e Eu nele. 57Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. 58Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

 

Se os versículos anteriores deste Discurso do Pão do Céu se podem interpretar também no sentido de que Jesus é um alimento espiritual para fé dos que crêem nas suas palavras (assim no v. 35), a verdade é que, a partir deste v. 51, o discurso tem um sentido nítida e indiscutivelmente eucarístico, deixando mesmo de se usar a expressão «pão da vida» (vv. 35.38), para se falar agora do «pão vivo».

51 «O pão vivo… que eu hei-de dar»: este «dar» não é um dar qualquer, mas um oferecimento «pela vida (salvação) do mundo». A referência à morte de Cristo (cf. Jo 3,15-16) e à instituição da Eucaristia (cf. 1Cor 11,24; Lc 22,19) é fácil de descobrir. O realismo eucarístico das palavras de Jesus não pode ser mais claro: o pão vivo é a «carne» (não simplesmente corpo) de Jesus e simultaneamente o «sangue» que é preciso beber (o que não podia ser mais chocante para a fé e a cultura judaica: cf. Lv 17,10-14; Act 15,20); perante o escândalo dos ouvintes (v. 52), Jesus não desfaz um mal-entendido como costumava fazer, não apela para um sentido metafórico, nem suaviza as suas palavras, mas antes as reforça com mais clareza. Por outro lado, nos vv. 54, 56, 57 e 58, emprega-se um verbo que exprime, com realismo, o próprio do acto de comer com os dentes (mastigar – trôgô) e que se traduz bem por «comer realmente». Também o adjectivo «verdadeiro» (v. 55: alêthês) tem em S. João uma força particular, pois equivale a genuíno (o que é verdadeiro, isto é, o que corresponde à sua designação, apesar das aparências). Com efeito, neste Evangelho o adjectivo alêthês distingue-se de alêthinós (cf. Jo 1,9) que encerra a ideia de exclusividade (o que é real, em oposição a putativo).

52 «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?» Os ouvintes aparecem como quem entende as palavras de Jesus no sentido próprio e não no sentido figurado de adesão pela fé. De facto, comer a carne de alguém, em sentido figurado, seria, pelo contrário, ter ódio ou perseguir alguém, nunca aderir a alguém! Jesus tem o costume de desfazer equívocos, quando os ouvintes interpretam em sentido próprio o que tinha um sentido figurado (cf. Jo 3,4-5; Mt 16,6-12). A insistência de Jesus produz escândalo nos ouvintes, ao afirmar que não se pode conseguir a vida eterna, se não se comer a sua Carne e não se beber o seu Sangue. E é que não se trata apenas de algo já de si simplesmente espantoso, pois beber o sangue era algo proibido pela Lei de Moisés (cf. Lv 17,10-14) e sumamente repugnante para um judeu (cf. Act 15,20).

54 «E Eu o ressuscitarei». Eis o comentário de S. Tomás de Aquino: «O Verbo dá a vida às almas, mas o Verbo feito carne vivifica os corpos. É que, neste Sacramento, não se contém só o Verbo com a sua divindade, mas também com a sua humanidade; portanto, não é só causa da glorificação das almas, mas também dos corpos» (Super Ev. Jo. Lectura).

56-58 A Teologia explicita os efeitos do Sacramento da Eucaristia, aqui indicados, como a «graça sacramental», concretamente: a) a «graça unitiva» (v. 56); b) a «graça nutritiva e transformativa» (v. 57); c) e o «penhor da vida eterna e da gloriosa ressurreição final» (v. 58).

 

Sugestões para a homilia

 

• O Purgatório, preparação para um Banquete

• O Banquete da Eucaristia

 

1. O Purgatório, preparação para um Banquete

 

Temos de rever a imagem que temos do Purgatório que nos leva a ver nele um castigo terrível de Deus e consistindo numa noite escura onde vão cair as almas das pessoas que partem.

Preparação de um Banquete. «Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos

Deus preparou para cada um de nós uma vida feliz que não terá fim. Depois deste tempo de provação na terra, se nos portarmos como bons filhos, fazendo a Sua vontade, seremos felizes com Ele e com todos os bem-aventurados para sempre.

Não tem outra razão a nossa vida na terra que não seja a preparação para esta felicidade eterna.

Deus não falta à Sua promessa e anima-nos a perseverar na fidelidade aos Mandamentos, na oração e na frequência dos Sacramentos, procurando ter santidade de vida.

Jesus Cristo foi à nossa frente para lá, a fim de nos preparar ali um lugar. Disse aos apóstolos no Cenáculo, depois da Última Ceia: «A vós convém-vos que Eu vá, porque [...] vou preparar-vos um lugar

Que pena se, por descuido ou comodismo, nos esquecêssemos desta verdade fundamental! Esta é a nossa Esperança!

Uma felicidade sem fim. «Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; Ele destruirá a morte para sempre

Com a morte acabam todas as ilusões, porque veremos a nossa vida tal como ela é e faremos uma nova avaliação de valores. Desta vida para a vida eterna não passa nenhum dos bens deste mundo: nem dinheiro, nem fama, nem poder. A urna não tem bolsas, nem gavetas, diz o Santo Padre.

Têm entrada apenas as nossas obras que foram realizadas por amor de Deus. 

No Céu não pode entrar nada manchado. As almas do Purgatório preparam-se para uma Festa sem fim, a maior das festas em que jamais participaram.

O Senhor misericordioso, a todos nós que deixamos esta vida cheia de manchas, dá-nos a possibilidade de nos purificarmos, cuidarmos da nossa higiene, antes de entrar de tomar parte na festa.

Estou certo que mesmo por impossível, o Senhor disse a uma alma que podia entrar no Céu como vinha da terra, ela seria a primeira a recusar. Não temos acaso, todo o cuidado com a nossa apresentação, antes de tomar parte numa grande festa? Para mais, o Céu é para sempre!

A caminho da alegria do Céu. «O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo

Todas as imagens que formamos da felicidade do Céu, a partir dos mais felizes da vida presente, levam sempre a limitação própria deste mundo. Aqui tudo é limitado e acaba em breve.

O purgatório faz sentido à luz do Céu. Sem ele, pareceria um castigo, uma crueldade de Deus para com os que são ali purificados.

Preparamo-nos para uma festa. E é tal o carinho de Deus que Ele mesmo enxugará as lágrimas de todas as faces de todos os eleitos. Procede tal qual como uma mãe.

Se cada alma do Purgatório deseja ardentemente entrar o Céu, Deus deseja a sua entrada infinitamente mais do que ela, porque é Pai.

Deus não nos engana, não nos defrauda com as Suas promessas. A realidade que nos espera na outra vida é sempre imensamente superior àquilo que possamos imaginar relativo à felicidade dos eleitos

Como podemos ajudar as almas. «Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança

Ao falarmos das almas do Purgatório, corremos o risco de ficarmos num sentimentalismo que para nada serve e nos paralisa.

Comecemos por nós mesmos: como posso ir pagando nesta vida as minhas dívidas para com Deus, apagando as manchas que os pecados deixaram em mim?

Deus convida-nos, uma vez mais, a tomar a sério a vocação à santidade e não nos deixarmos cair na tentação de adiar indefinidamente uma conversão pessoal. Habilidoso em demasia é o demónio para nos levar a dizer depois, em vez de não ao convite da graça.

Podemos e devemos ajudar as almas do Purgatório, começando por aquelas que, em razão de algum título, estão mais próximas de nós. Concretizemos algo, especialmente para este mês.

Aproveitemos aquilo que já fazemos todos os dias – a Santa Missa, a recitação do terço, as mortificações que a vida nos exige de levantar da cama, entrar pontualmente no trabalho, bom humor – e ofereçamos tudo isto pelas nossas boas amigas.

O que fizermos por elas, descerá sobre nós acrescido.

 

2. O Banquete da Eucaristia

 

Jesus tinha acabado de fazer um grande milagre, multiplicando miraculosamente cinco pães e três peixes e alimentando com eles cinco mil pessoas.

Esta multidão, com uma intenção pouco reta, queria proclamá-l’O Rei. Deste modo, tinham o alimento garantido, porque Jesus alimentava-os com milagres, quando fosse necessário. Fazer assim seria alterar a ordem estabelecida pelo Pai, segundo a qual o homem deve alimentar-se com o suor do seu rosto, mergulhar nas realidades terrenas para, com elas, procurar a santidade.

Jesus procura elevá-los esta visão terra-a-terra para horizontes mais altos e promete a instituição da Santíssima Eucaristia.

Também nós corremos este risco de ter o olhar tão preso à terra que nos tornamos incapazes de olhar para o Céu, preparando uma eternidade feliz.

A Comemoração de Todos os Féis Defuntos não nos há-de levar só a pensar em sufrágios dos outros – seria uma forma de alienação –, mas em cuidar da nossa própria vida.

Oferece-nos também uma oportunidade para redescobrirmos a riqueza da Celebração da Santíssima Eucaristia.

A Eucaristia, renovação da Nova Aliança. «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo

Pela consagração, na Santa Missa, Jesus Cristo torna-se realmente presente sob as aparências do pão e do vinho.

A Santa Missa é a renovação – atualização, sem ser repetição – do Sacrifício único oferecido no Calvário, na tarde de Sexta Feira Santa.

Sendo ação de Cristo, nele está presente toda a Igreja: a corte celeste, as almas do Purgatório e a Igreja militante. Em cada Missa, portanto, podemos ter encontro marcado com aqueles que partiram para a Vida Eterna e aguardam os nossos sufrágios. Eles estão connosco, em cada Missa na qual participamos.

Renovamos nela a nossa Aliança Batismal, em união com o Sacrifício de Jesus. Oferecemos e oferecemo-nos em união com Jesus, porque fazemos parte do Seu Corpo Místico. Somos, em cada Missa, sacerdotes que oferecem e vítimas que se oferecem.

A fé na Santíssima Eucaristia. «Os judeus discutiam entre si: “Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?”»

Sem o auxílio da graça, não podemos ter fé na Santíssima Eucaristia, porque não é possível alcançar este mistério pela luz da razão. Foi o drama dos ouvintes de Jesus que acabaram por retirar-se da Sua companhia.

Hoje, a falta de fé na Eucaristia manifesta-se de muitos modos, nas nossas comunidades cristãs.

Deixou de se manifestar a nossa adoração à Santíssima Eucaristia, na qual Jesus Cristo está verdadeira, real e substancialmente presente.

Devemos manifestar esta fé ajoelhando ao passar diante do Sacrário ou da exposição do Santíssimo, falar só o indispensável e me voz baixa onde temos a Sua Presença Real, manifestar, pelo asseio e decoro o nosso amor e gratidão, pela Sua Presença silenciosa e amiga.

Cuidemos de nos aproximar da Sagrada Comunhão com a alma em graça, readquirida por uma confissão sacramental, quando for necessária. Comungar não é o mesmo que tomar parte em qualquer convívio de amigos.

É uma festa para a qual é indispensável apresentar-se com a veste nupcial, isto é, na graça de Deus.

Comungar, para ultrapassar o Purgatório. «Jesus disse-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”.»

Em sufrágio das almas do Purgatório, somos convidados a aproximarmo-nos com frequência – se possível, diária – da Sagrada Comunhão.

Ela não é apenas uma devoção entre outras, mas necessidade inadiável, para vivermos em graça e alcançar o Céu.

Além da riqueza pessoal que alcançamos, com cada Comunhão, podemos também ajudar as almas do Purgatório para que se purifiquem e entrem quanto antes na glória do Céu.

Foi comungando que elas alimentaram a graça de Deus durante vida na terra e puderam, assim, apresentar-se diante de Deus em graça, na sua amizade, que é o passaporte indispensável para a Salvação terena.

Maria, Mãe da Igreja e, portanto, Mãe das almas que fazem parte da igreja purgante, ensinar-nos-á a aproveitar este mês de novembro para crescermos em santidade e, ao mesmo tempo, ajudar muitas almas a libertar-se do Purgatório.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Na confiança e no recolhimento,

oremos por todos os fiéis defuntos

que morreram na paz do Senhor,

e digamos (cantemos), com fé e humildade:

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Pelos defuntos da nossa Paróquia e das nossas famílias,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Pelos que choram a morte de alguém a quem amavam,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Pelos doentes que mais sofrem e estão prestes a morrer,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Por todos aqueles que ajudam os moribundos e os aliviam,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Pelos que enxugam as lágrimas dos que choram,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Pelos que levam o pão do Céu aos doentes e os confortam,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Pelos que se alimentam do Corpo do Senhor durante a vida,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Pelos que dão testemunho da ressurreição de Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

Senhor dos vivos e dos mortos, ouvi-nos.

 

Deus eterno e omnipotente,

Senhor dos vivos e dos mortos,

pela vossa clemência

e por intercessão de todos os Santos,

concedei àqueles por quem oramos, vivos e defuntos,

o perdão dos seus pecados e a vida eterna.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor preparou para nós uma felicidade terna, a comunhão com a Sua própria felicidade e fala-nos dela soba a figura de um banquete.

Para a nossa vida na terra, preparou um Banquete maravilhoso do Seu Corpo e Sangue, na Santíssima Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Para vós, Senhor, B. Salgado, NRMS 4 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Recebei benignamente, Senhor, esta oblação em favor de todos os vossos fiéis que adormeceram em Cristo e fazei que, libertos dos laços da morte, por este sacrifício de salvação mereçam entrar na vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

Ajudemos o Senhor a preparar para todas as pessoas o banquete da verdadeira paz: com Deus, com os irmãos e consigo próprias.

A paz verdadeira antecipa, de algum modo, a vida eterna que nos está prometida, em que todos viveremos em união com Deus e uns com os outros.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Banquete da Santíssima Eucaristia para o qual o Senhor nos convida, pedindo apenas que estejamos coma veste nupcial, isto é, na graça de Deus, é penhor da vida eterna.

Seguindo o conselho de S. Paulo, examine-se cada um de nós a si mesmo, antes de comungar o Corpo e Sangue do Senhor.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. Silva, NRMS 84

Filip 3, 20-21

Antífona da comunhão: Esperamos o nosso Salvador, Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo mortal à imagem do seu Corpo glorioso.

 

 

Oração depois da comunhão: Derramai, Senhor, a abundância da vossa misericórdia sobre os nossos irmãos defuntos, pelos quais Vos oferecemos este sacrifício; Vós que lhes destes a graça do Baptismo, dai-lhes a plenitude da alegria eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Neste dia em que comemoramos todos os fiéis defuntos, concretizemos propósitos para o mês de novembro, para sufragarmos as almas de todos os que nos são queridos.

 

Cântico final: Vós sois o caminho, J. Santos, NRMS 42

 

 

Homilias Feriais

 

6ª feira, 3-XI: Deus e os nossos comportamentos

Rom 9, 1-5 / Lc 14,1-6

Sinto grande mágoa e contínua dor no meu coração.

O Apóstolo sente grande mágoa pelo mau comportamento dos seus irmãos na fé (LT). A mesma mágoa sente pela dureza do coração dos fariseus e doutores da Lei, escandalizados por uma cura feita em dia de Sábado.

Que pensa o Senhor do meu comportamento, em primeiro lugar, relativamente a Ele: os nossos encontros na Comunhão e a respectiva preparação? Estará contente com o meu trabalho e a minha vida familiar? E quanto às ajudas que dou ao próximo, para tornar-lhe a vida mais agradável? E com o sentido de eternidade, que coloco nas minhas acções e orações?

 

Sábado, 4-XI Os frutos da humildade

Rom 11, 1-2. 11-12. 25-29 / Lc 14, 1.7-11

Pois todo aquele que se eleva será humilhado e o que se humilha será exaltado.

Em Jesus Cristo encontramos um exemplo desta afirmação: humilhou-se até à morte e Deus exaltou-o e deu-lhe um nome, que está acima de todo o nome. E, pela sua humilhação, também nós fomos salvos. O mesmo aconteceu com a nossa Mãe, que se apresentou como escrava do Senhor e a quem todas as gerações chamarão bem-aventurada (Magnificat).

A humildade esvazia o nosso interior do egoísmo, da soberba. Temos que pedir perdão dos nossos pecados. É esta a aliança que fará com eles, quando houver tirado os seus pecados (LT). E poderemos alcançar a vida eterna.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 



[1] Missal Dominical, 2 de Novembro, Introdução à Festa dos Fiéis Defuntos.

[2] B. Caballero, En las Fuentes de la Palabra, ed. Perpetuo Socorro, Madrid 1988, pag. 418.


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