Nosso Senhor Jesus Cristo

34.º Domingo COmum

26 de Novembro de 2023

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Celebremos, Cristãos, com hinos – M. Faria, NRMS, 3

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nesta Solenidade de Cristo Rei do Universo, o Messias-Rei-Pastor, no culminar do Ano Litúrgico, a celebração aponta-nos a centralidade da Pessoa e Missão de Cristo, que ilumina o sentido mais belo e profundo das nossas coordenadas, opções, da nossa vida de discípulos.

É também um apelo à nossa sabedoria responsável de colocar a render os nossos talentos. Um apelo a uma fé operativa do concreto, e do quotidiano, da visibilidade de Deus no rosto dos irmãos.

Todos estamos a caminho! O desejo de Cristo é que realizemos um trajeto feito na visibilidade de vidas concretas: sedentas, famintas, frágeis, preteridas, vítimas, condenadas, e poderem encontrar em nós, seus discípulos: sorrisos, mãos abertas, corações ternos, economias humanizadas, ambiente de amor, construção da justiça, gesto que revelem o verdadeiro Rosto de Deus.

Os irmãos, toda e qualquer pessoa, sobretudo os frágeis, sejam o segredo da encarnação do Evangelho em nossas vidas e a tradução da linguagem do Pentecostes e a correta visão da eternidade.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei, propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Belo e amoroso Rei que nos aparece na figura do Pastor Messiânico que acolhe, vigia, guarda, alimenta, conduz, cura e salva.

 

Ezequiel 34, 11-12.15-17

11Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. 12Como o pastor vigia o seu rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu guardarei as minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. 15Eu apascentarei as minhas ovelhas, Eu as levarei a repousar, diz o Senhor. 16Hei-de procurar a que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentá-las com justiça. 17Quanto a vós, meu rebanho, assim fala o Senhor Deus: Hei-de fazer justiça entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e cabritos».

 

A leitura é tirada da secção que contém uma série de oráculos animadores e de esperança de salvação, proferidos depois da queda de Jerusalém. A aplicação desta profecia a Jesus é uma forma de apresentar Jesus na sua condição divina: «Eu apascentarei as minhas ovelhas» (v. 15; cf. Jo 10,1-16); «Hei-de procurar a que anda perdida» (cf. Lc 15, 4-7). Também no A.T. o rei é chamado pastor; daqui se justifica a esta leitura da Solenidade de Cristo Rei. Também no Evangelho Jesus aparece como Rei-Pastor, a separar as ovelhas dos cabritos exercendo o papel de Rei (cf. Mt 25,34) e Juiz.

 

Salmo Responsorial Sl 22 (23), 1-2a.2b-3.5-6 (R. 1)

 

Monição: Neste poema de amor nos entregamos Àquele que se faz tudo para nós!

 

Refrão:    O Senhor é meu pastor

                 nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas,

por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Todos os que se identificam com Cristo levam em si o dinamismo da Ressurreição que já se opera em nós no amor e no serviço aos irmãos.

 

1 Coríntios 15, 20-26.28

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, 22do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés». 28Quando todas as coisas Lhe forem submetidas, então também o próprio Filho Se há-de submeter Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.

 

S. Paulo começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos mortos (vv. 1-19). Nestes versículos 22 e 23, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23,10-14; Nm 15,20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos».

24 «Quando Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai». Isto parece indicar que, na consumação dos tempos, cessará a função redentora de Jesus Cristo, quando todos os eleitos tiverem atingido a plenitude da salvação – fruto da obra do próprio Cristo. Com a ressurreição final a obra da Redenção fica plenamente cumprida. É este também o sentido do último versículo da leitura (v. 28).

26 «O último inimigo a ser aniquilado é a morte»: Paulo gosta de apresentar a morte como personificada: uma força viva que acaba por levar o golpe fatal com a ressurreição final (cf. 1Cor 15,54-55).

28 «Deus seja tudo em todos» (cf. v. 24 e nota). Com a vitória final de Cristo na consumação dos tempos, todos os redimidos pertencerão totalmente ao Pai, Deus que será tudo para eles. 

 

Aclamação ao Evangelho    Mc 11, 9.10

 

Monição: Cristo nos propõe, com clareza, o fundamental para a nossa felicidade. E também, com clareza, as consequências do que leva à infelicidade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Bendito O que vem em nome do Senhor!

Bendito o reino do nosso pai David!

 

 

Evangelho

 

São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 31«Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. 32Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; 33e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; 36não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. 37Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? 38Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? 39Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. 40E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. 41Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demónio e os seus anjos. 42Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; 43era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. 44Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ 45E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. 46Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».

 

Cristo Rei é-nos apresentado hoje no exercício do seu supremo poder judicial no fim dos tempos, na célebre parábola de do Juízo Final.

32 «Todas as nações» Toda a humanidade – fiéis e infiéis – será julgada pela mesma medida, contra o que pensava o judaísmo da época, que privilegiava o povo eleito, à hora do juízo de Deus.

35-40 O Juízo Final é uma verdade de fé. «De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus (Rom 14,10). «É perante Cristo, que é a verdade, que será definitivamente posta a nu a verdade da relação de cada homem com Deus (…). O Juízo Final revelará até às suas últimas consequências o que cada um tiver feito, ou tiver deixado de fazer durante a sua vida terrena… O Pai …pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1039-1040). Este Juízo é encenado na parábola de modo a pôr em evidência a caridade como virtude central e resumo de todas as virtudes e de toda a lei de Deus. Como diz S. João da Cruz, «seremos julgados pelo amor», pois Deus há-de pedir-nos contas não só do mal que fizemos, mas também do bem que devíamos ter feito e que omitimos, por falta de amor. «A Mim o fizestes»: Jesus como que se esconde no necessitado, por isso a caridade cristã não é mera beneficência ditada pela filantropia, mas é amor ditado pela fé, que nos faz descobrir no próximo um filho de Deus, um irmão, uma imagem de Cristo, ainda que muito desfigurada, por vezes.

46 «Para o suplício eterno». «A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade (…). As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão (…). Deus não predestina ninguém ao Inferno. Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim… A Igreja implora a misericórdia de Deus, ‘que não quer que alguns venham a perder-se, mas que todos se possam arrepender’ [2 Pe 2,9]» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1035-1037).

 

Sugestões para a homilia

 

Um Rei com um Coração de Pastor.

A Palavra de Deus apresenta-nos a figura do Pastor que procura traduzir em palavras, gestos a doação da sua vida e do seu amor em favor de todos, sobretudo dos doentes, dos frágeis, dos pecadores e dos marginalizados.

Daí que nos revele o seu coração acolhedor. Ele busca os seus de forma incansável e sente imensa alegria quando se deixam encontrar e amar. É um amor que vigia pelo cuidado que tem por cada um, tanto proporcionando bom alimento e boa bebida, como para proteger e defender dos ataques exteriores ou das vicissitudes interiores. É pois um coração cheio de amor e luz. Coração que palpita e caminha com todos oferecendo segurança e paz e destruindo medos e perigos. Um coração manso e humilde que possibilita a mansidão e alivio. Um coração cuidador, na verdade, “pelas suas chagas fomos curados”.

O carinho e entrega deste belo Rei e grande Pastor são de tal maneira insondáveis que os verbos que O definem são intensos de dinamismo: apascentar, repousar, procurar, buscar, encontrar, reconduzir, tratar, velar, nutrir, defender, fazer justiça.

Um coração de Pastor que nos permite cantar: “O Senhor é meu Pastor, nada me faltará”, convidando à certeza da sua presença cheia de paz, docilidade, entrega e serviço.

Um Rei/Pastor que doa e nos convida a doar a vida

Este Rei/ Pastor oferece a sua vida por nós. Realizou a sua grande tarefa, a sua obra, o seu grande trabalho colocando-nos no centro do seu coração e da sua missão e por isso se tornou para quem se deixa amar por Ele um fascínio deslumbrante transformando as vidas, a própria comunidade nas coordenadas da justiça, da dignidade, do serviço e da entrega a cada pessoa, de maneira preferencial aos mais frágeis e vulneráveis da sociedade.

Também nos revela o mais profundo do ser humano, a nossa vocação essencial, a nossa relação genuína com os outros, a construção humanizada da economia, dos vários sectores da ciência e das justas modalidades de governo- inscritas no coração humano e fecundadas de forma sublime pela presença de Cristo - colocando o ser humano no centro das capacidades, possibilidades e das preocupações. Revela ainda a descoberta do paraíso que se torna possível e real na construção do já da nossa existência, quando efectivamos em vida, o conteúdo do Evangelho.

 

Um Rei/Pastor que nos ajuda a ver as consequências das nossas opções.

Poderíamos resumir este quadro luminoso e preocupante do Evangelho ao vermos refletidas de forma tão notória as consequências boas ou más das nossas opções. E a medida para se compreender todo este desenrolar é sobre a nossa maneira de ver e de agir na relação com cada pessoa humana, sobretudo dos frágeis, dos pobres e dos vulneráveis. E mais responsabilidade terá quem tem a capacidade e poder de forjar caminhos de expressão de dignidade, de humanidade, de justiça e de serviço coerente com a pessoa humana.

Somos convidados a olhar este quadro, do terminar da nossa existência, não para nos angustiarmos, mas nos confrontarmos com a realidade fundamental da presença do irmão na nossa vida. Assim este cenário nos convida a descobrir que a eternidade está ao nosso alcance porque tem rostos!

 

Quando foi que te vimos/ O Deus escondido.

Há muitas pessoas que se tornaram invisíveis. Não se conhecem nem se vêem as suas lágrimas, os seus sofrimentos, a sua dor mais profunda. Muitos são e estão isolados e rejeitados devido aos preconceitos, gerados por “castas” de interesses económicos, ideológicos e religiosos. Até parece que em certas instituições estes preconceitos passam de “pais para filhos”! E quanta desumanidade, injustiça e dor provocam!

Há “olhinhos” para a beleza nos traços puramente exteriores, para os “amiguitos”, para os “puros e perfeitos”, para o ritualismo do antes e do agora, preocupados por um ritualismo e burocracias, mais do que pelo sofrimento humano bem patente em rostos que nos interpelam; mais conhecedores e controladores dos tostões do que buscadores de um conhecimento que leva a servir a dignidade das pessoas, especialmente: pobres, dos humilhados, dos sofredores, dos abandonados.

Há necessidade de testemunhas, olhos que vêem Deus nos pobres, nos desprezados, nos famintos, nos refugiados, nos emigrantes, nos descartáveis e nos frágeis. Testemunhas que vêem a realidade cruel na existência concreta e em carne humana! Testemunhas que digam, que falem, das realidades intoleráveis e dos ambientes degradados de humanidade e se esforçam pela construção da justiça. Testemunhas que se fazem e tornam irmãos sem pretenderem prémios, “selfies”, e reconhecimentos vantajosos para as suas carreiras! São os que amam, os que servem, os que se inscrevem na listagem da fraternidade, da dignidade e da luta pela justiça e pelo dinamismo operativo do evangelho.

Mas Cristo está tão misteriosamente mergulhado em nós, neste dinamismo de serviço e vida, desde o dia do nosso batismo. NEle somos sacerdotes, profetas e reis. Tal nos capacita para servir os irmãos e a comunidade no concreto do nosso quotidiano e por todos os que laboram esse quotidiano. Começando também pelo reconhecimento dos direitos humanos e dos elementos fundamentais e essenciais do ser homem/mulher. E que estas realidades do Reino de Deus não fiquem escondidas e ocultas para nós. Hoje é urgente ser profeta. Faltam profetas na Igreja e na sociedade. É preciso denunciar com perseverança e audácia todo o tipo de opressão, demagogia, estrutura de elites e esquemas de injustiça. E surge também um apelo a um compromisso pela transformação.

Mas como se vai crer e amar a Deus que se não vê, quando não se crê nem se ama o irmão que se vê; não reconhecendo Cristo na pessoa com quem Ele mais se identifica, os mais vulneráveis e frágeis. São Francisco Marto gostava muito de Jesus escondido na Eucaristia. Mas também gostava de Cristo escondido nos “pobrezinhos”. Dizemos muitas vezes a Deus: creio que estás presente nos mistérios sacramentais, na Igreja e no universo tão grandioso! Mas devíamos dizer muitas vezes: creio que estás presente na pessoa do irmão pobre, pecador, frágil, emigrante, refugiado, desprezado, marginalizado, no irmão que parece quase nada. Sim, dizer: creio Senhor que Tu estás presente e brilhas neste irmão, e vou servi-lo com todas as minhas capacidades e energia, porque neles Te sirvo a Ti, meu Deus.

 

Fala o Santo Padre

 

«Seremos julgados sobre o amor. Não sobre o sentimento, não:

seremos julgados sobre as obras, sobre a compaixão que se faz proximidade e ajuda atenciosa.»

Hoje celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universocom a qual se encerra o ano litúrgico, a grande parábola em que se revela o mistério de Cristo: todo o ano litúrgico. Ele é o Alfa e o Ómega, o início e o cumprimento da história; e a liturgia de hoje concentra-se no “ómega”, ou seja, na meta final. O sentido da história compreende-se, mantendo diante dos olhos o seu ápice: o fim é também a finalidade. E é precisamente isto que Mateus faz, no Evangelho deste domingo (25, 31-46), colocando o discurso de Jesus sobre o juízo final no epílogo da sua vida terrena: Ele, que os homens estão prestes a condenar, é na realidade o Juiz supremo. Na sua morte e ressurreição, Jesus mostrar-se-á como Senhor da história, Rei do universo, Juiz de todos. Mas o paradoxo cristão é que o Juiz não se reveste de realeza temível, mas é um Pastor cheio de mansidão e misericórdia.

Com efeito, nesta parábola do juízo final, Jesus serve-se da imagem do pastor. Usa as imagens do profeta Ezequiel, que falara da intervenção de Deus a favor do povo, contra os maus pastores de Israel (cf. 34, 1-10). Eles eram cruéis e exploradores, preferindo apascentar-se a si próprios e não o rebanho; por isso, o próprio Deus promete cuidar pessoalmente do seu rebanho, defendendo-o das injustiças e dos abusos. Esta promessa de Deus ao seu povo realizou-se plenamente em Jesus Cristo, o Pastor: Ele próprio é o Bom Pastor. Ele mesmo diz de si: «Eu sou o Bom Pastor» (Jo 10, 11.14).

Na página do Evangelho de hoje, Jesus identifica-se não só com o rei-pastor, mas também com as ovelhas perdidas. Poderíamos falar como de uma “dupla identidade”: o rei-pastor, Jesus, identifica-se também com as ovelhas, ou seja, com os irmãos mais pequeninos e necessitados. E assim indica o critério do juízo: ele será assumido com base no amor concreto, concedido ou negado a essas pessoas, porque Ele próprio, o juiz, está presente em cada uma delas. Ele é juiz, Ele é Deus-homem, mas Ele é também o pobre, está escondido, encontra-se presente na pessoa dos pobres, que Ele menciona precisamente ali. Jesus diz: «Em verdade vos digo, todas as vezes que fizestes (ou deixastes de fazer) isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes (ou deixastes de fazer)» (vv. 40.45). Seremos julgados sobre o amor. O julgamento será sobre o amor. Não sobre o sentimento, não: seremos julgados sobre as obras, sobre a compaixão que se faz proximidade e ajuda atenciosa.

Aproximo-me de Jesus presente na pessoa dos doentes, dos pobres, dos sofredores, dos prisioneiros, de quantos têm fome e sede de justiça? Aproximo-me de Jesus ali presente? Esta é a pergunta de hoje!

Portanto, no fim do mundo, o Senhor passará em revista o seu rebanho, e fá-lo-á não só da parte do pastor, mas também da parte das ovelhas, com as quais Ele se identificou. E perguntará: “Foste um pouco pastor como Eu?”. “Foste pastor de mim, que estava presente naquelas pessoas necessitadas, ou ficaste indiferente?”. Irmãos e irmãs, tenhamos cuidado com a lógica da indiferença, com o que nos vem imediatamente ao pensamento: olhar para o outro lado, quando vemos um problema. Recordemos a parábola do Bom Samaritano. Aquele pobre homem, ferido por salteadores, atirado ao chão, entre a vida e a morte, estava lá sozinho. Passou um sacerdote, viu e foi-se embora, olhou para o outro lado. Passou um levita, viu e olhou para o outro lado. Perante os meus irmãos e irmãs necessitados, fico eu indiferente como este sacerdote, como este levita, e olho para o outro lado? Serei julgado sobre isto: sobre o modo como me aproximei, como olhei para Jesus presente nos necessitados. Esta é a lógica, e não sou eu que o digo, é Jesus que o diz: “O que fizeste a este, a esse, àquele, foi a mim que o fizeste. E o que não fizeste a este, a esse, àquele, deixaste de o fazer a mim, porque Eu estava lá!”. Que Jesus nos ensine esta lógica, esta lógica da proximidade, do aproximar-se d'Ele com amor, na pessoa dos que mais sofrem.

Peçamos à Virgem Maria que nos ensine a reinar no servir. Nossa Senhora, que subiu ao Céu, recebeu do seu Filho a coroa real, porque o seguiu fielmente - é a primeira discípula - no caminho do Amor. Aprendamos com Ela a entrar desde já no Reino de Deus, através da porta do serviço humilde e generoso. E voltemos para casa só com esta frase: “Eu estava lá presente. Obrigado!”, ou: “Esqueceste-te de mim!”.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 22 de novembro de 2020

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos pelos mais pobres deste mundo,

que têm um lugar privilegiado no coração do Pai,

e invoquemo-l’O, por Cristo, Rei do Universo,

dizendo (ou: cantando):

R. Senhor, venha a nós o vosso reino.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Ouvi, Senhor, a nossa oração.

 

1. Pela santa Igreja e por todos os seus filhos,

pelos pobres e por aqueles que os assistem

na fome, na doença ou na prisão,

oremos.

 

2. Pelos bispos, presbíteros e diáconos

e por todos os que, imitando o Bom Pastor,

orientam os fiéis para o seu Reino,

oremos.

 

3. Pelos doentes, prisioneiros e condenados,

pelos que esperam ver despontar a salvação,

e por todos os moribundos e defuntos,

oremos.

 

4. Pelos que vêem Cristo em cada homem,

pelos servidores dos que mais sofrem

e pelos que têm fome e sede de justiça,

oremos.

 

5. Pelos fiéis que vivem à luz do Evangelho,

pelos que nunca o descobriram nem viveram

e por aqueles que por ele dão a própria vida,

oremos.

 

(Outras intenções: grandes problemas mundiais; acontecimentos nacionais

importantes; factos relevantes da vida paroquial ...).

 

Senhor, nosso Deus,

que nos enviastes o vosso Filho,

não para condenar, mas para salvar todos os homens,

dai-nos a graça de O reconhecer

nos mais pobres e desprezados deste mundo.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor meu Bom Jesus – Bach/M. Faria, NRMS, 23

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Somos convidados a comungar em plenitude com o Mistério Pascal do Senhor Jesus Cristo. Este mistério de comunhão atinge a sua plenitude na Eucaristia, mas deve ser levado à concretização que Cristo nos propõe: comunhão com Ele na pessoa dos seus e nossos irmãos mais frágeis e vulneráveis!

Sintamos e realizemos o desafio que a Palavra de Deus de hoje, de forma tão clara e frontal, nos responsabiliza e compromete.

 

Cântico da Comunhão: Benditos de meu Pai – A. Oliveira, NRMS, 92

Salmo 28, 10-11

Antífona da comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Exultai de alegria no Senhor – J. F. Silva, NRMS, 87

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao terminar a nossa vida, como dizia S. João da Cruz, seremos julgados pelo amor.

Sintamos com responsabilidade como Cristo está tão próximo e necessitado de nós.

Quanto do teu acolhimento pode levar ao sorriso, à esperança, a um novo começar. Quanto da tua partilha, da tua vida e dos teus bens podem fazer renascer vida em corações sufocados, apagados, em experiência de morte lenta. Quantas das tuas palavras podem construir um estilo de existência que faça florir a dignidade, a justiça e a fraternidade.

Como Maria, Mãe de Cristo e Nossa Mãe, digamos sim a Deus e sirvamos com sinceridade os nossos irmãos!

 

Cântico final: Glória a Jesus Cristo – A. Oliveira, NRMS, 92

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-XI: Vida eterna e desprendimento.

Dan 1, 1-6. 8-20 / Lc 21, 14

Então afirmou: Em verdade vos digo, esta pobre viúva deitou mais do que todos.

Jesus exige a todos que renunciem a tudo e a todos por Ele. Jesus impõe aos seus discípulos que O prefiram a tudo e a todos, e propôs-lhes que renunciem a todos os seus bens por causa dEle e do Evangelho. Que belo exemplo deram Daniel e seus companheiros e que bela recompensa tiveram (LT).

Este desprendimento é necessário para a vida eterna: Pouco antes da sua paixão, deu-lhes exemplo da viúva pobre que, da sua penúria, deu tudo que tinha para viver (EV). Este preceito do desapego das riquezas é obrigatório para entrar no reino dos Céus.

 

3ª Feira, 28-XI: O reino de Cristo nunca será destruído.

Dan 2, 31-45 / Lc 21, 5-11

Jesus respondeu-lhes: Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra, que não venha a ser derrubada.

Jesus profetiza a destruição do magnífico Templo de Jerusalém (EV). O mesmo aconteceu ao reino de Nabucodonosor, simbolizado na estátua que se desfez (LT) Mas um dia, o Deus do céu fara surgir um reino, que nunca será destruído (LT).

Mas este reino de Cristo ainda não está terminado. É ainda atacado pelos poderes do mal, embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para que se apresse o regresso de Cristo, dizendo-lhe: Vem, Senhor!

 

4ª Feira, 29-XI: A balança e o peso do amor.

Dan 5, 1-6. 13-14. 16-17. 23-28 / Lc 21, 12-19

Contou Deus o tempo do teu reinada e pôs-lhe termo; pesado foste na balança e achado sem peso

Antes da vinda de Cristo, a Igreja deve passar por uma prova final, que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição acompanha a sua peregrinação na terra (EV).

Depois desta peregrinação na terra, seremos julgados por Deus que verificará o «peso» das nossas vidas. Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular, que põe a sua vida em referência a Cristo. Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor (S. João da Cruz). É uma consequência lógica do resumo dos dez mandamentos a dois: Amar a Deus e aos outros.

 

5ª Feira, 30-XI: Santo André: A vocação e a missão.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Quando viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André… Eles deixaram logo as redes e seguiram-no.

Santo André foi dos primeiros a ouvir o chamamento do Senhor e a segui-lo (EV).

Todos recebemos a vocação cristã que, ao longo da vida, se vai concretizando em novos apelos do Senhor, para nos identificarmos mais com Ele, para melhorarmos o nosso trabalho, a vida familiar, as virtudes. Precisamos levar à prática estes apelos do Senhor.

Depois da vocação vem a missão. A voz deles propagou-se por toda a terra, e as suas palavras até aos confins da terra (LT). Santo André, segundo a Tradição, pregou o Evangelho na Grécia, e morreu na Acaia, crucificado numa cruz em forma de X.

 

6ª Feira, 1-XII: Aproveitamento das graças de Deus.

Dan 7, 2-14 / Lc 21, 29-33

Estava ali a olhar as visões da noite quando, entre as nuvens do Céu, veio alguém semelhante a um Filho de homem.

Na sequência dos profetas (LT), Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um e o segredo dos corações. Então será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta as graças oferecidas por Deus. Aproveitemos bem as graças que Deus nos concedeu em cada dia. Ele pode servir-se de acontecimentos e sinais: quando virdes isto acontecer, ficai a saber que o reino de Deus está perto (EV). Os sinais podem ser: um sofrimento, o bom exemplo dos outros, um infortúnio…

 

Sábado, 2-XII: A entrada no reino eterno de Deus.

Dan 7, 15-27 / Lc 21, 34-36

Os que irão receber o reino são os santos do Altíssimo: possuirão este reino para sempre por toda a eternidade.

Vale a pena entrar neste Reino, que é eterno. Para isso, é necessário que lutemos aqui na terra para sermos santos (LT), vivendo bem todas as virtudes e aproveitando todas as ocasiões para amar a Deus.

Mas também é preciso evitar que os nossos corações se tornem pesados, com a intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida (EV). Ficaremos mais leves se vivermos as bem-aventuranças: pobreza de espírito, pureza de coração, aceitação dos sofrimentos e injustiças, por amor de Deus, etc.

 

 

Celebração e Homilia:            Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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