27º Domingo Comum
5 de Outubro de 2025
RITOS INICIAIS
Cântico de entrada: Levanto os meus olhos – J. Santos, NRMS, 70
Est 13, 9.10-11
Antífona de entrada: Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o Senhor do universo.
Introdução ao espírito da Celebração
Somos tentados, muitas vezes, a pensar que Deus não nos ouve, ou se esquece do que Lhe pedimos.
A fé ensina-nos que Deus nos segue amorosamente pelos caminhos da vida e nos atende sempre, não, possivelmente, naquilo que pedimos, mas concedendo-nos um bem melhor, de tal modo que as nossas preces nunca ficam sem resposta.
Com esta confiança filial, vamos acolher a mensagem da Liturgia da Palavra deste 27.º Domingo do Tempo Comum.
Ato penitencial
Somos tentados a desconfiar da sinceridade do Amor de Deus para connosco, quando não nos dá imediatamente o que Lhe pedimos.
Esta desconfiança que o Inimigo tenta inocular em nós é um veneno que nos leva a não aproarmos a vida em Deus e a crescer no Seu Amor.
Arrependamos desta desconfiança a cerca do nosso melhor Amigo e peçamos-Lhe ajuda para nos emendarmos deste pecado.
(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C do Ordinário da Missa)
• Senhor Jesus: Muitas vezes, por falta de fé e de confiança,
não contamos com a ajuda Deus e não lhe pedimos auxílio.
Senhor, misericórdia.
Senhor, misericórdia.
• Cristo: Convencemo-nos de que o Senhor não nos socorre,
quando Lhe pedimos ajuda a Sua nas nossas dificuldades.
Cristo, misericórdia.
Cristo, misericórdia.
• Senhor Jesus: Queixamo-nos, às vezes, sem razão séria
de que Deus não quer atender-nos, quando Lhe oramos.
Senhor, misericórdia.
Senhor, misericórdia.
Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,
perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.
Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: Perante a opressão do Povo de Deus, o profeta Habacuc dirige ao Céu uma súplica veemente, pedindo a intervenção urgente do Céu.
A sua oração é também para os nossos dias em que a Igreja se vê oprimida por tantos males.
Habacuc 1, 2-3; 2, 2-4
1,2«Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? 3Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?» 2,2O Senhor respondeu-me: «Põe por escrito esta visão e grava-as em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. 3Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. 4Vede como sucumbe aquele que não tem alma recta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».
A leitura está escolhida em função do Evangelho, que fala da fé. A pequenina obra do profeta contemporâneo de Jeremias (séc. VII-VI) começa por duas queixas a que o Senhor responde. No texto temos a primeira queixa (1,2-3) e a segunda resposta (2,2-4), em que sobressai o apelo à fé. Deus não deixa de ouvir os seus amigos que Lhe pedem socorro; pode tardar a obra divina da salvação (2,3), mas «há-de cumprir-se com certeza», «na devida altura», de modo que só vacila «aquele que não tem alma recta». Com efeito, o justo é da fé que tira a coragem para superar todas as dificuldades que venham a desabar sobre ele, por isso mesmo é que ele viverá. Por outro lado, também se pode entender o texto no sentido de que a fidelidade à aliança é garantia de vida para o justo. S. Paulo, em Rom 1,17, faz uma actualização deste texto, utilizando-o como mote para a sua longa e profunda exposição sobre a «justificação», isto é, sobre a acção divina pela qual o próprio Deus justifica, isto é, torna justo, salva, o homem pecador. Trata-se duma iniciativa gratuita da parte de Deus, que não é fruto daquilo que o homem possa fazer cumprindo uma série de requisitos legais da Lei de Moisés. A primeira condição essencial para o homem se salvar, para viver a vida divina, é esta: pela fé, acolher confiado e agradecido o dom de Deus, que lhe vem por Cristo, e ser-lhe fiel. Note-se a importância que na época se dava ao profeta Habacuc: o célebre Péxer de Habacuc encontra-se entre os manuscritos de Qumrã.
Salmo Responsorial Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R.8)
Monição: O salmo de meditação deste domingo é um alerta que devemos ter em conta, na vida de relação com Deus.
Se queremos que Ele acolha a nossa oração, também precisamos de estar atento aos que Ele nos diz.
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não fecheis os vossos corações.
Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.
Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
O Senhor é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.
Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».
Segunda Leitura
Monição: S. Paulo escreve ao seu discípulo Timóteo, dando-lhe sábios e oportunos conselhos pastorais.
Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo.
2 Timóteo 1, 6-8.13-14
Caríssimo: 6Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. 8Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. 13Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. 14Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.
Começamos hoje, até ao fim do ano C, a ter como 2ª leitura uns respigos da 2ª Carta a Timóteo, a última das chamadas Cartas Pastorais, uma carta tão cheia de alusões pessoais, que são um forte sinal de autenticidade, apesar das muitas objecções em contrário. Escrevendo do segundo cativeiro romano, pelo ano 67, S. Paulo exorta o seu fiel colaborador a perseverar incansavelmente no ministério da pregação e na defesa da sã doutrina, prevenindo das ameaças que se avizinham para a fé recta.
6 «Reanimes o dom que recebeste pela imposição das minhas mãos». O rito da imposição das mãos tem aqui, como em 1Tim 414, o sentido de comunicação do ministério apostólico; o dom corresponde à graça do Sacramento da Ordem (segundo o ensino de Trento: cf. DS 959), que se pode reactivar com a oração e o sacrifício, na correspondência às exigências da vocação (versículos seguintes). Como então, ainda hoje pertence ao sinal sacramental da Ordem a imposição das mãos do Bispo.
14 «Guarda a boa doutrina que nos foi confiada» (à letra: «guarda o bom depósito»). Bom, isto é, precioso e autêntico, um depósito, que são as palavras sãs segundo a fé (v. 13). A Revelação divina é um depósito sagrado confiado à Igreja e que ela tem de guardar e transmitir íntegro (cf. Dei Verbum, nº 7 e 10); é assim que em 1Tim 6,20 é dirigido ao grande colaborador de Paulo o veemente apelo final, «guarda o depósito», uma expressão de sabor jurídico (parathêkê), para designar uma coisa confiada à guarda duma pessoa de confiança, com a obrigação de lha guardar, sem deixar que se perca ou deteriore.
Aclamação ao Evangelho 1 Ped 1, 25
Monição: A Palavra de Deus, não é, como as palavras dos homens, uma palavra passageira, mas viva, real e atual.
Preparemo-nos, pois, para acolher esta Palavra divina quer nos vai ser dirigida, para encher de luz a nossa vida.
Aleluia
Cântico: Aleluia – J. Berthier, COM, (pg 112)
A palavra do Senhor permanece eternamente.
Esta é a palavra que vos foi anunciada
Evangelho
Lucas 17, 5-10
5Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». 6O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. 7Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? 8Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu. 9Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? 10Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».
O texto de hoje pertence à última parte (Lc 16,1 – 19,27) dos ensinamentos de Jesus na grande viagem para Jerusalém; aqui o Evangelista recolhe relatos diversos e de forma bastante dispersa, muitos deles exclusivos de Lucas.
5. «Os Apóstolos disseram ao Senhor». Notar como, diversamente dos outros Sinópticos, S. Lucas, na sua narração, frequentemente designa Jesus como «o Senhor», ainda antes da ressurreição.
6 «Diríeis a esta amoreira». Em Mt 17,20 e Mc 11,23, lê-se: a este monte, não deverá, porém, tratar-se duma suavização da arrojada forma de falar de Jesus, mas antes podemos pensar numa outra expressão paralela usada pelo Senhor.
7-10 Esta expressiva lição de humildade é exclusiva de Lucas. «Um servo...»: embora não se tratasse de um escravo à maneira romana, mas de um servo à maneira hebraica, não deixava de ser um criado para todo o serviço: lavar, cozinhar e servir à mesa, etc... Assim devemos nós estar dispostos a executar todo e qualquer serviço por Deus, Nosso Senhor – «o Amo» (ou Patrão, como gostava de lhe chamar o São Manuel González) –, com ânimo humilde e agradecido, pois não fazemos qualquer favor a Deus – servos inúteis –. Ele é que nos faz o máximo favor de nos admitir a servi-lo; este é o primeiro dever duma criatura relativamente ao seu Criador.
Sugestões para a homilia
• Deus vem em nosso auxílio
• A fé, luz do nosso caminho
1. Deus vem em nosso auxílio
Habacuc, um dos 12 profetas menores – assim chamados porque deixaram poucos escritos – exerceu a sua missão profética num tempo angustioso para o Povo de Deus.
• Deus quer que Lhe peçamos ajuda. «“Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?”»
Na época em que Habacuc exerce a sua missão profética, reina em Jerusalém Joaquim, um rei fraco, injusto e aventureiro que põe em risco a independência do seu povo, por causa das suas aventuras guerreiras, e alianças com o Egito.
Entretanto, Nabucodonosor, rei da Babilónia, irritado com tudo isto, ameaça a cidade Santa e impõe um pesado tributo ao Povo de Deus.
É neste contexto social e político que aparece o profeta Habacuc a chamar a atenção para o perigo que estão a correr.
Este ambiente tem muito a ver com aquele em que nos é dado viver.
Há um afastamento generalizado de Deus, com uma descristianização acelerada do nosso meio.
Muitas das leis que são promulgadas nos nossos parlamentos chocam de frente com os Mandamentos da Lei de Deus, numa proclamação violenta de querer afastar Deus da nossa sociedade.
A insegurança social, os muitos males de que a juventude é a vítima preferida, as guerras e a instabilidade do social.
A oração do profeta Habacuc é também a nossa oração: «“Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?”»
• Deus socorre-nos sempre. «O Senhor respondeu-me: “Põe por escrito esta visão e grava-as em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará.”»
Deus ouvirá a oração do Seu Povo, enviando-nos o próprio Filho, pelo mistério da Encarnação. A vinda de Jesus é a resposta às orações de súplica de todos os tempos e povos.
Ao recomendar que ponhamos por escrito e a grave em tábuas, o Senhor manifesta que devemos tomar as medidas para que tenhamos sempre presente esta verdade. A promessa de Deus, porque confiamos n’Ele, encher-nos-á de alegria, porque Ele nunca falta às suas promessas.
Por isso, o Senhor recomenda que se ponha por escrito a Sua resposta para que, no momento próprio, vejamos que Ele nunca nos falta.
Também as nossas petições, quando são conformes com a vontade do senhor, nunca ficam sem resposta. Esta é a certeza que nos dá a nossa filiação divina.
Acontece, porém, que o nosso Deus, como o melhor dos pais, não nos dá o que pedimos, mas um dom muito melhor. Como crianças pequenas, não sabemos o que nos convém, mas Ele sabe-o perfeitamente e deseja sempre o maior bem m para a nossa vida.
A Beata Alexandrina, depois de se atirar da janela abaixo, para fugir a uma violação, quando começou a caminhar para a paralisia total, começou a pedir com todo o fervor, a cura, com a sua família e pessoas amigas; fez promessas e caiu, depois, no desânimo.
Finalmente, a graça iluminou-a e ela abraçou generosamente a cruz, tornando-se uma das maiores místicas de todos os tempos.
Deus escuta sempre as nossas orações e escolhe, com Sabedoria infinita, aquilo que é melhor para nós, pensando na nossa vocação a uma eternidade feliz.
• Deus nunca chega tarde para nos socorrer. «“Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. Vede como sucumbe aquele que não tem alma reta; mas o justo viverá pela sua fidelidade”.»
Temos de reconhecer que nos parece muitas vezes que Deus Se demora, Se atrasa em socorrer-nos. Depois de terminado toda a dificuldade e deviamente atendidos, peçamos luz e vejamos na oração e descobriremos que Ele sabe mais do que nós e escolheu o melhor caminho.
Assim com a vinda do Redentor ao mundo. Ouvir as orações “impacientes” de todos os justos de todos os tempos, e escolheu a melhor época para vir, tendo preparado o mundo para receber Jesus Cristo.
Deus prova-nos muitas vezes, fazendo-nos esperar no que pedimos, porque os nossos planos não coincidem com os de Deus e Ele sabe mais, vê com nitidez os prós e os contras e escolhe amorosamente o melhor para nós. Como, porém, não temos a visão de conjunto, do que Deus conta de nós e do mundo, perdemos a paciência, porque nos parece que Deus tarda em atendermos.
Confiemos, porque Ele sabe mais. «Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará.» Deus nunca Se esquece do que Lhe pedimos, nunca Se descuida, nem atrasa em atender-nos. A nossa visão míope é que nos convence disso.
Quando nos parecer que Deus está a demorar mais do que podemos esperar, naquilo que Lhe pedimos, devemos pedir-Lhe que aumente a nossa confiança no Seu Amor para connosco.
2. A fé, luz do nosso caminho
• Peçamos a virtude da fé. «Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé”. O Senhor respondeu: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia.”»
O calor e divina confiança com que Jesus orava e falava despertou nos Doze o desejo de ser como Ele, de viver da fé com o abandono de que Ele lhes dava exemplo.
Da nossa convivência com Jesus Cristo, na oração e na recordação frequente da nossa filiação divina, há-de nascer o desejo de nos parecermos com Ele, porque Jesus Cristo é o nosso modelo, o único caminho para o Pai e a única Verdade que devemos seguir, para chegarmos ao Céu.
Jesus há-de conceder-lhes, a seu tempo, aquilo que eles pedem: uma fé viva que os leve a uma entrega generosa. Fá-lo-á com a vinda do Espírito Santo, na manhã do Pentecostes.
Guiados e animados por esta fé, os Onze – um deles ficou desgraçadamente para trás – que ali estão hão-de entregar a sua vida, sem qualquer reserva, ao anúncio da Boa Nova, selando o seu testemunho com o martírio, a melhor prova da fé.
Jesus reforça o desejo que estes homens sentem de imitar a fé do Mestre, falando-lhes das maravilhas que ela realiza. É verdade que as palavras de Jesus usam uma hipérbole oriental. A fé não nos é dada para realizar espetáculos diante dos olhos profanos, como seria se, com uma simples ordem, a árvore mudasse de sítio, mas para nos ensinar que a fé consegue coisas que, à primeira vista, nos parecem impossíveis.
• Ela diz-nos quem somos. «Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu.»
Jesus faz uma referência aos costumes do Seu tempo, para nos ajudar a compreender a nossa situação no mundo. A fé ilumina-me para ver quem sou diante de Deus e o que devo fazer na Sua presença. Nada fazemos de extraordinário, quando cumprimos o nosso dever.
Somos criaturas, servos do Senhor e foi-nos confiado um conjunto de deveres que devemos cumprir com naturalidade, sem pensar que estamos a fazer mais do que devíamos.
Deus não nos deve nada, mas quer atribuir um merecimento à nossa docilidade em fazer aquilo que Ele nos manda.
Não é raro encontrar pessoas, nos nossos meios cristãos, que, perante alguma contradição, se comparam com outras que, aparentemente, levam uma vida menos agradável a Deus, e nos, dando a entender, pelo nosso modo de falar, que Deus foi injusto para connosco.
Tudo o que recebemos com a existência – a vida, as qualidades, o acolhimento humano numa família e numa comunidade – são dons gratuitos que nunca agradeceremos suficientemente.
• Fiéis e humildes na vida. «Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’.»
Deus nada tem que nos agradecer, porque tudo é pura gratuidade de Seus, a começar pela nossa existência. Que fizemos, para que Deus nos chamasse do nada à vida; de uma vida natural a uma vida sobrenatural que nos dá acesso à felicidade do próprio Deus?
No entanto, na misericórdia infinita, o Senhor que atribuir mérito ao pouco e insignificante que fazemos por Seu Amor nesta vida.
A fé leva-nos a reconhecer a nossa pequenez e, ao mesmo tempo, a nossa grandeza de filhos de Deus, por uma pura eleição da Santíssima Trindade. A certeza de que tudo o que temos foi recebido gratuitamente do nosso Pai, deve tornar-nos agradecidos e fiéis, sem nunca perder a noção de que recebemos mais do que merecemos.
Que formoso hino de fé e humildade é o Magnificat de Nossa Senhora. Ao mesmo tempo que reconhece a grandeza a que o Altíssimo A chamou, – de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações – proclama que nada é obra das suas mãos, mas misericórdia de Deus – o Todo Poderoso fez em mim maravilhas.
A fé há-de levar-nos a esta atitude interior, na qual consiste a verdadeira humildade.
Fala o Santo Padre
«“Somos servos inúteis”, ou seja, sem pretensão de ser agradecidos, sem reivindicações.
É uma expressão de humildade e disponibilidade que faz tanto bem à Igreja
e recorda a atitude correta de trabalhar nela:
o serviço humilde de que Jesus nos deu o exemplo, lavando os pés dos discípulos.»
A página do Evangelho de hoje (cf. Lc 17, 5-10) apresenta o tema da fé, introduzido pela pergunta dos discípulos: «Aumenta a nossa fé!» (v. 6). Uma bela oração, que devemos recitar muito durante o dia: «Senhor, aumenta a minha fé!». Jesus responde com duas imagens: o grão de mostarda e o servo disponível. «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: “Arranca-te daí e planta-te no mar”, e ela havia de vos obedecer» (v. 6). A amoreira é uma árvore forte, bem enraizada na terra e resistente aos ventos. Portanto, Jesus quer fazer compreender que a fé, ainda que pequena, pode ter a força de erradicar até mesmo uma amoreira. E depois transplantá-la no mar, o que é algo ainda mais improvável: mas nada é impossível para aqueles que têm fé, porque eles não confiam nas suas próprias forças, mas em Deus, que tudo pode.
A fé comparável com o grão de mostarda é uma fé que não é soberba nem autoconfiante; não pretende ser a de um grande crente, por vezes fazendo má figura! É uma fé que na sua humildade sente uma grande necessidade de Deus e na sua pequenez abandona-se com plena confiança a Ele. É a fé que nos dá a capacidade de olhar com esperança para os altos e baixos da vida, que nos ajuda a aceitar até mesmo as derrotas e os sofrimentos, sabendo que o mal nunca teve, nunca terá, a última palavra.
Como podemos compreender se realmente temos fé, isto é, se a nossa fé, ainda que pequena, é genuína, pura, direta? Jesus no-lo explica indicando qual é a medida da fé: o serviço. E fá-lo com uma parábola que, à primeira vista, é um pouco desconcertante, pois apresenta a figura de um senhor arrogante e indiferente. Mas precisamente este modo de fazer do mestre faz sobressair qual é o verdadeiro centro da parábola, ou seja, a atitude de disponibilidade do servo. Jesus quer dizer que o homem de fé se comporta assim em relação em Deus: rende-se completamente à sua vontade, sem cálculos nem pretensões.
Esta atitude para com Deus reflecte-se também na forma como nos comportamos em comunidade: reflecte-se na alegria de estarmos ao serviço uns dos outros, encontrando já nisto a nossa recompensa e não nos reconhecimentos nem nas vantagens que disto podem derivar. É o que Jesus ensina no final deste relato: «quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”» (v. 10).
Servos inúteis, ou seja, sem pretensão de ser agradecidos, sem reivindicações. «Somos servos inúteis» é uma expressão de humildade e disponibilidade que faz tanto bem à Igreja e recorda a atitude correcta de trabalhar nela: o serviço humilde de que Jesus nos deu o exemplo, lavando os pés dos discípulos (cf. Jo 13, 3-17).
Que a Virgem Maria, mulher de fé, nos ajude a percorrer este caminho. Dirigimo-nos a ela nas vésperas da festa de Nossa Senhora do Rosário, em comunhão com os fiéis reunidos em Pompeia para a tradicional súplica.
Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 6 de outubro de 2019
Oração Universal
Irmãos e irmãs:
Com o ardor da fé que o Senhor nos deu
e que é capaz de fazer milagres,
vamos pedir-Lhe pela Igreja e pelo mundo.
Oremos (cantando), humildemente:
Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.
1. Pela Igreja santa de Deus,
para que anuncie a fé que leva à salvação
e revele aos homens os mistérios do Reino,
oremos humildemente.
Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.
2. Por aqueles que receberam o Espírito Santo,
o Dom de Deus que foi dado aos Apóstolos,
para que dêem bom testemunho de Jesus,
oremos humildemente.
Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.
3. Pelos justos que clamam ao Senhor
contra toda a violência e opressão,
para que a sua voz seja escutada,
oremos humildemente.
Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.
4. Pelos homens e mulheres do mundo inteiro
que não são respeitados na sua dignidade,
para que encontrem quem defenda os seus direitos,
oremos humildemente.
Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.
5. Pelos estudantes que iniciaram um novo ano,
para que em cada professor tenham um mestre
e nos pais os seus maiores amigos,
oremos humildemente.
Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.
6. Pelos membros da nossa assembleia de oração,
para que sirvam a Deus com alegria,
em casa, no trabalho e em toda a parte,
oremos humildemente.
Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.
Senhor, nosso Deus e nosso Pai,
que enviastes o vosso Filho Jesus Cristo
como servidor ao meio dos homens,
dai-nos o seu Espírito e aumentai a nossa fé,
para sermos fiéis no vosso serviço.
Por Cristo Senhor nosso.
Liturgia Eucarística
Introdução
Em cada Celebração da Palavra somos movidos a aumentar a nossa fé, no seguimento de Jesus Cristo.
Pela Eucaristia que nos é dada como alimento, cobramos forças para cumprir as suas exigências.
Cântico do ofertório: A minha boca proclamará – M. F. Borda, NRMS, 43
Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício que Vós mesmo nos mandastes oferecer e, por estes sagrados mistérios que celebramos, confirmai em nós a obra da redenção. Por Nosso Senhor...
Santo: A. Cartageno – ENPL, 15
Saudação da Paz
Podemos ser tentados a julgar que a nossa oração pela paz não é ouvida e acolhida por Deus.
O Senhor responde-nos como disse a Santa Teresa de Jesus: “Eu quis, mas os homens não quiseram.”
Saudai-vos na paz de Cristo!
Monição da Comunhão
Depois de comungarmos, vivemos o momento mais oportuno para lhe apresentarmos as nossas súplicas.
Hoje vamos pedir-Lhe especialmente que nos conceda o dom da paz, pondo fim às guerras.
Cântico da Comunhão: Comemos, ó Senhor, do mesmo pão – M. F. Borda, NRMS, 43
Lam 3, 25
Antífona da comunhão: O Senhor é bom para quem n'Ele confia, para a alma que O procura.
Ou
cf. 1 Cor 10, 17
Porque há um só pão, todos somos um só corpo, nós que participamos do mesmo cálice e do mesmo pão.
Cântico de acção de graças: Hóstia santa, penhor de salvação – M. Simões, NRMS, 6
Oração depois da comunhão: Deus todo-poderoso, que neste sacramento saciais a nossa fome e a nossa sede, fazei que, ao comungarmos o Corpo e o Sangue do vosso Filho, nos transformemos n'Aquele que recebemos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Tenhamos mais confiança na eficácia da oração de petição.
Cântico final: A paz vos deixo, – J. F. Silva, NRMS, 01
Homilia FeriaL
27ª SEMANA
2ª Feira, 6-X: Amarás o Senhor, teu Deus
Jn 1, 1-2, 1. 11 / Lc 10, 25-37
Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma…; e ao próximo como a ti mesmo.
O amor a Deus e o amor ao próximo andam ligados: Se nos aproximamos de Deus, outros serão atraídos. Procuremos fazer muitas vezes, o papel de «bom samaritano» (EV), indo ao encontro das necessidades do próximo, que está à nossa volta. E assim nos parecemos mais a Jesus, que é o bom samaritano, por excelência, ao cuidar de nós.
Jonas, ao fugir de Deus, é acusado da desgraça de um temporal: sabiam que Jonas fugia da presença do Senhor (LT), e também culpado das desgraças dos passageiros, pelo que o lançaram ao mar (LT)
Celebração e Homilia: Fernando Silva
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilia Ferial: Nuno Romão
Sugestão Musical: José Carlos Azevedo