Nossa Senhora do rosário

7 de Outubro de 2025

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Rainha do Santíssimo Rosário – J. S. Marques, NRMS, 86

cf. Lc 1, 28.42

Antífona de entrada: Avé, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa de Nossa Senhora do Rosário, no mês que a Igreja dedica à principal devoção mariana. Demos graças a Deus nesta celebração, pelos abundantíssimos dons que nos faz chegar por meio desta oração, tão querida da Mãe de Deus, e façamos propósitos de rezar com mais fé e amor o terço de cada dia

 

Acto penitencial

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz e com a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os discípulos, depois da Ascensão do Senhor, de modo natural se reúnem com Maria, a Mãe de Jesus, para rezar. Com a mesma naturalidade nasceu o Rosário e é rezado, nos cinco continentes, pelo povo cristão.

 

Actos 1,12-14

Depois de Jesus ter subido ao Céu, os Apóstolos voltaram para Jerusalém, descendo o monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado. Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, onde se encontravam habitualmente. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.

 

Quando deixa de ter visibilidade a pessoa de Jesus, a sua Mãe ocupa um lugar digno de nota, logo na oração da Igreja nascente. Com Ela os primeiros que seguiram a Cristo, esperam o Espírito Santo, perseverando, «unidos em oração». Note-se também a importância dada à lista dos Apóstolos e como em todas as quatro listas que aparecem no N. T. Pedro é constantemente o cabeça de lista, embora estas não contenham os nomes sempre na mesma ordem.

 

Salmo Responsorial Lc 1, 46-47.48-49.50-51.52-53.54-55 (R. Lc 1, 49)

 

Monição: O Cântico de louvor a Deus que iniciou Nossa Senhora em casa de Isabel, continua a ecoar ininterruptamente na devoção do Rosário.

 

Refrão:    O Senhor fez em mim maravilhas:

                santo é o seu nome.

 

Ou:          Bendita sejais, ó Virgem Maria,

                que trouxestes em vosso ventre o Filho do eterno Pai.

 

A minha alma glorifica o Senhor,

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

 

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva,

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

O todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

 

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

 

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Encheu de bens os famintos

e aos ricos despediu de mãos vazias.

 

Acolheu Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho   Lc 1, 28

 

Monição: Escutemos de novo o diálogo da Encarnação do Verbo de Deus, e retiremos afetos e propósitos para enriquecer as nossas Ave-marias

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1,26-38

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8,16-26; 9,21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26,49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10,5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3,14; Jl 2,21-23; Zac 9,9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28,15), Moisés (Ex 3,12) e Gedeão (Jz 6,12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1,12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1,18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1Sam 1,18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6,8) e Moisés (Ex 33,12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2Sam 7,8-16; Salm 2,7; 88,27; Is 9,6; Jer 23,5; Miq 4,7; Dan 7,14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7,14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1,2; Salm 104,30) e santificadora (cf. Act 2,3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; «te envolverá», propõe a nova tradução da CEP. O verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40,34-36; Nm 9,18.22; 10,34); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus»; e também a da nova Bíblia ca CEP: “Por isso, o que é concebido santo será chamado Filho de Deus”. Ignace de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2,7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

Sugestões para a homilia

 

1.    O Rosário na vida da Igreja

2.    O Rosário mais poderoso que a bomba atómica

3.    O Rosário e a sociedade impaciente

 

 

1. O Rosário na vida da Igreja

 

Acabamos de ouvir, mais uma vez, as palavras com que o Anjo Gabriel se dirige a Nossa Senhora, e nunca nos cansamos das escutar: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo. São um louvor dirigido a Maria, mas que acaba em Deus causa e fim de toda a perfeição da “Cheia de graça”. É um louvor que desde então se repete, como as ondas do mar que nunca acabam. Isabel, proclamará Maria como a Bendita entre as mulheres, por ser Bendito o fruto do seu ventre (cf. Lc 1, 42). Anos mais tarde, quando uma mulher do povo quer louvar Jesus, serve-se da melhor fórmula possível: chamar Bendita à sua Mãe (cf. Lc 11, 27). E o próprio Espírito Santo proclama, por boca de Maria, que todas as gerações chamarão Bem-aventurada à Mãe do Senhor, porque a Misericórdia do Todo-poderoso realizou nela Maravilhas (cf. Lc 1, 47-50).

A Igreja de todos os tempos continua este modo de orar, que já encontramos na Primitiva Comunidade: orar com Maria, Mãe de Jesus (Primeira Leitura). Orar a Deus com Maria e louvando Maria, é o caminho que conduziu até essa forma privilegiada de oração mariana que é o Rosário. Na sua origem, teve importância decisiva S. Domingos de Gusmão, e a aparição de Nossa Senhora que, segundo a tradição, teve quando se encontrava em França. Não é por acaso que a Mãe de Deus encaminhou S. Domingos para compor este modo de rezar. Depois Ela própria apareceria em Lourdes com um terço e em Fátima pediu em todas as aparições que se rezasse o terço diariamente. Os santos e os Papas amaram e difundiram o Rosário, e tiveram a experiência de que rezando com Maria e à Maria se introduziam na intimidade com Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

S. João Paulo II quis que a Igreja começasse a caminhada do terceiro milénio de terço na mão e escreveu uma Carta Apostólica, O Rosário da Virgem Maria, para nos guiar neste propósito. Não deixemos de ler, ou de reler, essas páginas agora que já chegamos ao primeiro quarto do primeiro século do milénio.

 

2. O Rosário mais poderoso que a bomba atómica

 

A maior parte das fontes sobre a oração de S. Domingos em Fangeaux, afirmam que Nossa Senhora lhe indicara uma devoção concreta, e referem que lhe terá dito que seria “arma poderosa”. De facto, o Rosário foi, desde o seu início, o apoio espiritual mais firme para defender a Fé contra os ataques do inimigo. Quer quando se apresentava sob a forma de erros e falsidades, quer quando atacava com a força das armas. S. Domingos encontrou a França infestada de heresias de tipo maniqueu, especialmente a seita dos albigenses, com origem em Albí, na Provença francesa. O Santo, como diz o Papa Leão XIII, “empreendeu com ânimo forte a guerra contra os inimigos da Igreja Católica, não com a força nem com as armas, mas com a fé mais acendrada na devoção do Santo Rosário, que foi o primeiro a propagar, e que levou pessoalmente e por meio dos seus filhos aos quatro cantos do mundo” (Enc. Supremi apostolatus, 1-IX-1835).

Quanto ao socorro de Nossa Senhora nas batalhas, relata D. João de Castro no seu informe sobre a vitoria portuguesa em Diu, que “os prisioneiros quando eram interrogados isoladamente, afirmavam todos que tinham visto sobre a igreja «huã molher muito resplandecente, que os cegava e não deixava ter o rosto direito aos cristãos»” (E. Sanceau D. João de Castro, pg. 313). Não seria de estranhar que os portugueses de Diu em 1546, rezassem o terço, como os cristãos que em 1571 lutaram em Lepanto, em 1683 às portas de Viena, ou em Temesbar (actual Roménia) em 1716

Os perigos foram afastados, e a paz desceu do Céu, perfumada pela mão da Mãe de Deus. Em 1917, foi Nossa Senhora que indicou o terço como poderosa arma para que acabasse a guerra e atrair a paz. A sua mensagem criou no mundo uma poderosa onda de oração mariana, que como um mar de Ave-Marias desabava continuamente sobre a chamada “cortina de aço”, até que inesperadamente esta ruiu como as muralhas de Jericó.

No dia 6 de Agosto de 1945, há oitenta anos, uma grande tragedia desabou sobre o Japão, em guerra com os Estados Unidos. Uma bomba atómica foi lançada sobre a cidade de Hiroshima. Todas as casas num raio de 2.5 Km do epicentro da explosão foram destruídas. As pessoas que estavam dentro ficaram soterradas nas ruínas. As que estavam fora morreram queimadas.

Uma pequena comunidade de padres Jesuítas vivia junto da igreja paroquial a perto de 1 Km do epicentro. A igreja ficou destruída, mas a residência dos Jesuítas se manteve em pé, e a pequena comunidade sobreviveu. Nenhum dos 8 membros sofreu queimadura nem efeitos derivados da radiação, nem perda do ouvido, nem nenhum dos outros efeitos. O Pe Hubert Schiffer, um dos religiosos que ali se encontrava, tinha, na altura 30 anos, e viveu outros 33 mais de boa saúde. Narrando a sua experiência em 1976 referiu que todos os padres da comunidade de Hiroshima estavam ainda vivos. Ele tinha sido examinado e interrogado por mais de 200 científicos, que foram incapazes de explicar como eles tinham sobrevivido. Alem disso centos de cientistas procuraram durante anos a explicação do fato de a casa onde moravam, tão próxima da explosão, não ter sido afetada, sem encontrar resposta. O Pe Shiffer disse que ele sim sabia a resposta: “É que nessa casa rezávamos diariamente o terço”.

Em Nagasaki aconteceu a mesma coisa com o convento dos franciscanos. Ali também os frades rezavam o terço.

 

3. O Rosário e a sociedade impaciente

 

Não é infrequente escutar desculpas para não rezar o terço que têm a ver com a impossibilidade de evitar as distrações e o cansaço da repetição das mesmas frases. Mas já sabemos que não são as mesmas, porque quando rezamos com amor cada frase é um novo pulsar do coração. Contudo algo de verdade se esconde nessas desculpas. A reza do terço, é um desafio para quem vive numa sociedade impaciente, modelada pelas tecnologias que a tornam intolerante para qualquer esforço de atenção.

Vale a pena recordar o que diz o resumo do livro “A geração do peixinho vermelho” embora sejam realidades bem conhecidas de todos:” Os engenheiros da Google calcularam o tempo de atenção do peixe-vermelho (o Gupy dos nossos aquários): 8 segundos. E o das gerações submetidas aos ecrãs: 9 segundos! O que são hoje vinte e quatro horas da vida de cada vez mais pessoas? Cinco horas a olhar para o smartphone. Centenas de mensagens, solicitações, informações, rumores, fotografias, vídeos.

O dispositivo chama-nos, alicia-nos, apodera-se de nós. Incapazes de esperar ou de pensar, afogados no oceano das redes sociais e da internet, sob o controlo de algoritmos e de robôs. A dependência digital é um modelo de negócio inesperado agora construído e explorado por impérios económicos.

No cerne do sistema, determinando cada vez mais a nossa vida, um projeto oculto: a economia da atenção. É a destruição crescente das nossas referências.

O autor anima a dizer não à dependência e à vigilância do nosso cérebro pelas maiores multinacionais do planeta. Só assim é possível recuperar o controlo da vida e da liberdade”.

Alguns dos seminários dos Estados Unidos, conscientes desta realidade, implementaram medidas para formar adequadamente os seus alunos. Will Morauer, seminarista de 19 anos, chegou ao seminário S. João Paulo II de Washington D.C. preparado para a dura prova de entregar o seu telemóvel ao incorporar-se. Durante o primeiro ano os seminaristas não têm telemóvel. Ele já se tinha preparado eliminando antes aplicações e funcionalidades do dispositivo. Mas os primeiros dias sem telemovel foram muito duros e experimentou um verdadeiro “síndrome de abstinência”. Cheio de ansiedade chegou a questionar-se se teria sido uma boa ideia a sua entrada para o seminário. Mas continuou, e no fim do ano pode dizer, com toda sinceridade, que aquele tinha sido o melhor ano da sua vida. Experimentou uma grande liberação, conseguia estar tempo serenamente em silencio na capela, dedicar-se sem pressa a conversar com os amigos, a ler, etc.

Esse distanciamento e a experiência positiva, junto com as aulas sobre psicologia e informática que recebem, dispõe aos alunos a saber utilizar inteligentemente, a partir do segundo ano, os dispositivos eletrónicos.

Se rezar o terço nos parece cansativo e nos impacienta, teremos de pedir a Deus que aumente o nosso amor, mas também pode ser que precisemos de uma desintoxicação informática parecida a que se está a implementar nesses seminários americanos.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Por intercessão de Nossa Senhora,

peçamos a Deus, nosso querido Pai,

pelas necessidades de todos os homens

dizendo com fé:

 

R. Por intercessão de Nossa Senhora do Rosário ouvi-nos, Senhor.

 

 

1.    Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que todos conscientes da missão que o Senhor lhes confiou

vivam e divulguem a devoção a Nossa Senhora,

Mãe de Deus e dos homens e Medianeira de todas as graças,

oremos, irmãos.

 

R. Por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, ouvi-nos, Senhor.

 

2.    Para que o mundo onde se praticam tantas injustiças e guerras

alcance, através da reza do santo Rosário,

a paz prometida nas aparições de Fátima,

oremos, irmãos.

 

R. Por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, ouvi-nos, ouvi-nos.

 

3.    Para que todos correspondendo aos apelos de Nossa Senhora

rezemos o Terço todos os dias

e cumpramos toda a mensagem de Fátima,

oremos, irmãos.

 

R. Por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, ouvi-nos, Senhor.

 

4.    Para que os doentes e idosos

aproveitem o tempo rezando muitos Terços

a fim de tornarem mais belos os dias de suas vidas

oremos, irmãos.

 

R. Por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, ouvi-nos, Senhor.

 

5.    Para que as almas dos nossos parentes e amigos

bem como das mais abandonadas

sejam purificadas pela reza do Terço diário

e possam entrar quanto antes na glória do Céu,

oremos, irmãos.

   

R. Por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, ouvi-nos, Senhor.

 

 

Senhor que nos dais com a reza do Terço

e, a devoção ao Imaculado Coração de Maria

o refúgio e alento no nosso caminhar para Vós,

dai-nos também pela Sua intercessão,

todas as graças de que precisamos para correspondermos

com generosidade aos apelos de Vossa e nossa querida Mãe.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho

que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: Vós sois a glória de Jerusalém – M. F. Borda, NRMS, 41

 

Oração sobre as oblatas: Tornai-nos dignos, Senhor, de Vos oferecer este santo sacrifício, de modo que, celebrando fervorosamente os mistérios do vosso Filho, mereçamos alcançar as suas promessas. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade], p. 486 [644-756] ou II, p. 487

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Saudação da paz

 

Monição da Comunhão

 

Na Ave–Maria aclamamos Nossa Senhora como Cheia de Graça. Também ficaríamos nós “cheios de graça” se comungássemos com as devidas disposições. Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a comungar com a alma dignamente preparada.

 

Cântico da Comunhão: Felizes as entranhas da Virgem Maria – C. Silva, OC, pg 133

 

Antífona da comunhão: O Anjo do Senhor disse a Maria: Conceberás e darás à luz um Filho e o seu nome será Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor nosso Deus, que, ao anunciarmos neste sacramento a morte e a ressurreição do vosso Filho, O sigamos fielmente na sua paixão e mereçamos participar na alegria da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com a Palavra de Deus e o Pão que desce do Céu continuemos a caminhar, na nossa vida quotidiana, agarrados pela mão Materna de Nossa Senhora. Manteremos essa mão firmemente agarrada se rezarmos o terço todos os dias.

 

Cântico final: Nossa Senhora do Rosário de Fátima – J. Santos, NRMS, 10

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 8-X: A misericórdia divina e a nossa mesquinhez.

Jon 4, 1-11 / Lc 11, 1-4

Perdoai-nos os nossos pecados, pois também perdoamos a todo aquele que nos ofende.

A pedido dos discípulos, Jesus ensinou-nos a rezar: Perdoai-nos as nossas ofensas (EV). Deste modo, relacionou o perdão de Deus com as nossas ofensas. Da parte de Deus não há limite nem medida para o perdão, que é essencialmente divino. Como perdoamos?

Há um grande contraste com a mesquinhez de Jonas: teve pena de um carrapiteiro que secou e não soube perdoar aos 120 mil habitantes de Nínive (LT). Senhor, sois um Deus paciente e cheio de misericórdia (SR). À Mãe de Misericórdia pedimos que nos ajude a parecer-nos mais a Deus.

 

5ª Feira, 9-X: Vale a pena servir a Deus.

Mal 3, 13-20 / Lc 11, 5-13

Afirmastes ainda: É inútil servir a Deus. Que lucrámos nós em cumprir as suas ordens?

Este desabafo é muito corrente entre algumas pessoas: Ando eu aqui a fazer o bem e sofro, e os que fazem o mal vivem na prosperidade (LT). Outros dirão: Para que serve rezar, se Deus não me ouve? Mas, é feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor (SR).

O Senhor dar-nos-á uma recompensa, pelo menos no Reino dos Céus: Terei compaixão deles como se tem de um filho obediente (LT), e escuta a nossa oração se formos perseverantes: Pedi e dar-vos-ão, porque Ele é nosso Pai: se um filho pedir ao pai peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? (EV). Olhemos sempre para a Escrava do Senhor, como modelo de serviço total.

 

6ª Feira, 10-X: A Protectora dos nossos bens.

Jl 1, 13-15 / Lc 11, 15-26

Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança.

Esta passagem fala-nos dos bens que temos que guardar, como a nossa vida santa (EV). Para que estejam em segurança, precisamos da ajuda de Nª Senhora, Auxílio dos Cristãos. O demónio está sempre à espreita e é muito forte (EV).

Na profecia de Joel, ele pede que ponhamos as vestes da penitência (LT). O mesmo nos pede Nª Senhora, para que, com os nossos sacrifícios, consigamos muitas conversões. Deste modo, conseguiremos que apareça a luz da aurora (Nª Senhora), rodeada de um povo numeroso e forte (LT). Ameaçastes os pagãos, destruístes os ímpios (SR).

 

Sábado, 11-X: Os louvores a Nª Senhora.

Jl 4, 12-21 / Lc 11, 27-28

Feliz daquela que te trouxe no seio e que te amamentou ao seu peito.

Nª Senhora ouviu um duplo louvor: duma mulher e de seu Filho Jesus, porque ouviu a palavra de Deus e a levou à prática (EV). Imitemo-la não só ouvindo, ou conhecendo, a palavra de Deus, mas procurando aplicá-la à nossa vida de cada dia.

Assim se cumpre o desígnio de Deus: Habito em Sião, meu monte santo (LT). E a sua protecção: O Senhor é um refúgio para o seu povo (LT). Haverá graças abundantíssimas: Montes que deixarão escorrer vinho novo, colinas que farão jorrar leite (LT). Alegrai-vos justos no Senhor (SR), e também porque Nª Senhora recebeu o encargo de distribuir as graças do Senhor.

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Carlos Santamaria

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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